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15o Domingo Do Tempo Comum

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  (Dt 30,10-14; Sl 68; Cl 1,15-20; Lc 10,25-37) “Quem é meu próximo?” (Lc 10, 29) Talvez se pudéssemos utilizar um conceito diferente para descrever o “próximo” daquele da linguagem bíblica, poderíamos empregar a expressão cunhada pela filosofia e teologia moderna: o Outro 1 . O próximo é o outro, qualquer outro, não importa que outro. É este ensinamento que hoje recebemos por meio das leituras que acabamos de ouvir e, de modo especial, quando Jesus nos ensina de forma concreta a colocar em prática os preceitos da lei de Deus. Para Jesus, é preciso ir além de conhecer as leis. É preciso ir além de uma religiosidade da “consciência tranquila”, do “automatismo litúrgico” que, por vezes, não atendem o mínimo do ideal evangélico. Tanto o Levita quanto o sacerdote, os dois membros da alta hierarquia judaica do tempo de Jesus, sabiam os preceitos, conheciam as leis, mas, apressados que estavam, não fizeram a experiência de transformar o saber em fazer. Aqui está o primeiro ensinamento para todos nós no dia de hoje: é necessário adquirir uma autonomia 2  evangélica para transformar os preceitos que dois mil anos de cristianismo nos legaram em prática cotidiana de fazer o bem sem olhar a quem. Muito mais ainda porque a misericórdia cristã 3  é um ato de solidariedade ao outro, é ver no outro a pessoa do próprio Cristo despido, maltrapilho, desempregado, endividado, favelado, sem teto e sem terra, sem direito algum. Ser o bom samaritano neste contexto é ver estas carências humanas e ter coragem de se aproximar e fazer algo pelo outro. O segundo ensinamento que podemos tirar para nossa prática cristã é sobre a capacidade ecumênica lançada por Jesus neste texto. Qual motivo fez com que Jesus escolhesse como exemplo de bondade e amor ao próximo de maneira real um samaritano, inimigo declarado dos judeus? Será que Cristo queria provocar o mestre da lei? Ou será que Ele apenas quis mostrar 1  Emanuel Lévinas será o “profeta do outro”. Para ele, o outro, preconizado pelo rosto que é sua expressão concreta, impele as relações humanas com responsabilidade ética. Na linguagem evangélica,  poderíamos traduzir da seguinte maneira: o amor a Deus infinito, que não vejo, me leva a amar o  próximo, que vejo. A concretização da Honra a Deus se dá no amor ao próximo que no cristianismo tem igual valor. 2  A categoria de Autonomia foi utilizada por Paulo Freire (cf. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e terra, 1996) para anunciar a solidariedade como uma das formas de promover e instaurar a ética universal do ser humano. Ser autônomo evangelicamente falando é ser criativo na prática dos ensinamentos de Jesus e da Igreja, sabendo que a vida é sempre mais importante que qualquer regra, lei, preceito, religião, etc. 3  Neste ano de 2016, o papa Francisco consagrou como ano da misericórdia. Na bula misericordiae Vultus, o papa escreve: “João Paulo II motivava assim a urgência de anunciar e testemunhar a misericórdia no mundo contemporâneo: « Ela é ditada pelo amor para com o homem, para com tudo o que é humano e que, segundo a intuição de grande parte dos contemporâneos, está ameaçado por um  perigo imenso. O próprio mistério de Cristo (...) obriga-me igualmente a proclamar a misericórdia como amor misericordioso de Deus, revelada também no mistério de Cristo. Ele me impele ainda a apelar para esta misericórdia e a implorá-la nesta fase difícil e crítica da história da Igreja e do mundo”(cf. Misericordiae Vultus, 2016. Disponível em http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco_bolla_20150411_misericordiae-vultus.html.  que fazer o bem, amar o próximo vai além de um preceito religioso, mas fundamenta-se na própria manutenção social que deve todo ser humano possuir? Jesus não está preocupado com as leis religiosas, mas coloca antes delas, o ser humano. Mais importante para ele é a vida, a vida do ser humano, homem e mulher. Ela é extremamente valiosa aos olhos de Deus. É assim que nós cristãos católicos deveríamos ler, por exemplo, o texto do Deuteronômio que ouvimos na primeira leitura de hoje. “Ouve a voz do Senhor; observa os seus mandamentos[...] converte-te para o Senhor [...] porque os mandamentos do Senhor não são difíceis demais, nem está fora do teu alcance” (Dt. 30, 10-11). De fato, não está fora do alcance de ninguém praticar o bem, facilitar a convivência, diminuir as diferenças por meio da compreensão e do desapego aos preconceitos, ao fechamento que exclui e é contrario aos valores evangélicos. Se Paulo afirma que “Cristo é a imagem do Deus vivo” (Cl 1,15), Jesus afirma que tudo que fizermos aos menores dos seus irmãos, é a ele que fazemos. Isso para o bem ou para o mal. Que o Cristo bom pastor, bom samaritano, nos lembre constantemente que o desejo de Deus para a humanidade é o respeito, o amor, a ajuda aos mais necessitados, a solidariedade. Que possamos ser solidários com aqueles que ainda hoje estão caídos a beira do caminho, refugados pelo sistema que mata e tira e a dignidade dos filhos e filhas de Deus. Curitiba, 09 de julho de 2016. Edson Guedes, OFMcap.
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