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61765451 a Trajetoria e Os Paradigmas Da Teoria Da Comunicacao

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A trajetória e os paradigmas da Teoria da Comunicação Carlos Alberto Ávila Araújo1 casalavila@yahoo.com.br 1. As diversas correntes que compõem a Teoria da Comunicação O que é normalmente conhecido como Teoria da Comunicação diz respeito a uma tradição de estudos e pesquisas que se inicia no começo deste século. O que não significa que, até este momento específico, não se estudava a comunicação. Por exemplo, os estudos de Aristóteles sobre a retórica podem ser identificados como estudos sobre a
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  A trajetória e os paradigmas da Teoria da Comunicação Carlos Alberto Ávila Araújo 1 casalavila@yahoo.com.br  1. As diversas correntes que compõem a Teoria da Comunicação O que é normalmente conhecido como Teoria da Comunicação diz respeito a umatradição de estudos e pesquisas que se inicia no começo deste século. O que não significaque, até este momento específico, não se estudava a comunicação. Por exemplo, os estudosde Aristóteles sobre a retórica podem ser identificados como estudos sobre a comunicação.A Sociologia 2 , enquanto ciência, tem um surgimento datado: o século XVIII, épocaem que a vida social torna-se um problema, um objeto de estudo. Ou seja, sãocaracterísticas da realidade social vivida no momento - o ritmo violento das mudanças nofim do feudalismo e início do capitalismo; a industrialização; a vida fabril; a urbanização; amudança de costumes - que determinam a configuração de uma atividade reflexiva e umconjunto de estudos sistemáticos voltados para um problema específico: a sociedade.O que se deu com a Sociologia, repetiu-se com a Comunicação. Como esclareceFrança 3 ,“se a reflexão sobre a comunicabilidade, a atividade comunicativa do homem, preocupou os pensadores desde a Antigüidade Clássica, a nossa Teoria da Comunicação é bem recente. Na verdade, o desenvolvimento de estudos mais sistemáticos sobre acomunicação é conseqüência antes de tudo do advento de uma nova prática decomunicação: a comunicação de massa, realizada através de meios eletrônicos, possibilitando o alcance de audiências de massa, a supressão do tempo e da distância”.É a partir, portanto, do surgimento dos meios de comunicação de massa e dasindagações que eles colocaram - o jornalismo de massa, no fim do século XIX, e, no iníciodo século XX, o rádio e o cinema, atingindo as grandes audiências - que podemos falar numa Teoria da Comunicação, que seria o conjunto de estudos e pesquisas sobre as práticas 1 Jornalista, d outorando em Ciência da Informação pela UFMG e professor licenciado dasFaculdades Integradas de Caratinga. 2 Conforme MARTINS, C.B. O que é sociologia. São Paulo: Brasiliense, 1992. 3 In: FRANÇA, V.R.V. “Teoria(s) da comunicação: busca de identidade e de caminhos”. BeloHorizonte: Depto. de Comunicação da UFMG, 1994.  comunicativas. Este conjunto, contudo, não constitui um corpo homogêneo ou contínuomas, antes, representa uma multiplicidade de conhecimentos, métodos e pontos de vista bastante heterogêneos e discordantes.Diversos autores se debruçaram sobre a Teoria da Comunicação numa tentativa desistematizá-la ou classificá-la. Não é objetivo deste trabalho apresentar ou discutir essasclassificações. Recorrer-se-á, apenas, em alguns momentos, a alguma delas. Nosso objetivoaqui é o de apresentar a trajetória da Teoria da Comunicação, identificando escolas emomentos mais representativos. 1.1. A srcem dos estudos: a pesquisa norte-americana Os primeiros estudos sobre a comunicação de massa acontecem nos EstadosUnidos, na década de 30, a partir de uma demanda pragmática, mais política do quecientífica - determinando uma problemática de estudos que não foi colocada pelo interessecientífico. Contratados por diversas instituições para resolver problemas imediatos relativosàs questões comunicativas - daí o caráter instrumental desse tipo de pesquisa -, pesquisadores como Lasswell, Lazarsfeld, Lewin e Hovland deram início ao que Wolf  4 chamou de communication research , ou a longa tradição de análise em comunicação.Schramm 5 coloca que “quatro homens são normalmente considerados os ‘paisfundadores’ da pesquisa sobre comunicação nos Estados Unidos: dois psicólogos, umsociólogo e um cientista político”. O autor, referindo-se a Paul Lazarsfeld, Kurt Lewin,Harold Lasswell e Carl Hovland, identifica que “estas quatro correntes de influência” são“perceptíveis na pesquisa de comunicação nos Estados Unidos”, ou seja, a partir das obrasdestes quatro autores, e dos vários centros de pesquisa criados para estudar a comunicação,se desenvolve toda a pesquisa norte-americana.Lazarsfeld, sociólogo formado em Viena, chegou aos Estados Unidos em 1932 eexecutou diversos estudos sobre a audiência e os efeitos dos meios de comunicação demassa, centrado nas questões eleitorais, de campanhas e da influência pessoal em relação à 4 WOLF, M. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 1987. 5 SCHRAMM, W. et alii. Panorama da comunicação coletiva. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura,1964, p.10.  dos meios coletivos. Katz e Klapper, alunos de Lazarsfeld, também desenvolveramreconhecidos trabalhos sobre os efeitos da comunicação de massa.Lewin, psicólogo também formado em Viena e também chegado aos EstadosUnidos no início da década de 30, preocupou-se, basicamente, com a comunicação degrupos e com os efeitos das pressões, normas e atribuições do grupo no comportamento eatitudes de seus membros. Um de seus discípulos, Festinger, desenvolveu a teoria dadissonância cognitiva.O terceiro dos “pais fundadores”, Lasswell, era cientista político cujo método era oanalítico. Foi pioneiro no estudo da propaganda e das funções da comunicação. Por fim,Hovland, psicólogo, debruçou-se sobre a comunicação e mudança de atitude.O conjunto dos estudos norte-americanos não representa um todo homogêneo - sãoinúmeras vertentes de pesquisa, com variados enfoques -, mas é possível identificar pelomenos dois grandes ramos de estudo - os que se preocupam com os efeitos da comunicaçãoe os que buscam estabelecer suas funções -, bem como estudos mais operacionais que vão buscar dar conta da natureza do processo comunicativo com seus elementos internos. 1.1.1. O estudo dos efeitos Temática específica da pesquisa americana, essa corrente de preocupação congregavariados estudos de naturezas diferentes. Um autor que se dedica à sistematização e análisedos estudos americanos dos efeitos é Wolf  6 , a partir da identificação da teoria hipodérmicae de sua evolução. É essa classificação que será adotada, aqui, para a identificação da perspectiva dos efeitos na pesquisa norte-americana. 1.1.1.1. A Teoria Hipodérmica A Teoria Hipodérmica é um modelo que tenta dar conta da primeira reação que adifusão dos meios de comunicação de massa despertou nos estudiosos. Ela se constrói, portanto, em relação à novidade que são os fenômenos da comunicação de massa, e àsexperiências totalitárias da época em que surge - o período entre guerras. 6 WOLF, M. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 1987.  A síntese dessa teoria é que cada indivíduo é diretamente atingido pela mensagemveiculada pelos meios de comunicação de massa, ou seja, existe uma concepção deonipotência dos meios, e de efeitos diretos. Sua preocupação básica é justamente com essesefeitos.Há que se destacar a presença de uma teoria da sociedade de massa, e de uma teoria psicológica da ação, ligada ao objetivismo behaviorista. A presença de um conceito desociedade de massa destaca o isolamento físico e normativo do indivíduo na massa e aausência de relações interpessoais. Daí a atribuição de tanto destaque às capacidadesmanipuladoras dos mass media.Já a teoria da ação elaborada a partir da psicologia behaviorista estuda ocomportamento humano com métodos de experimentação e observação das ciênciasnaturais e biológicas. O resultado da utilização desse tipo de concepção é que a TeoriaHipodérmica considerava o comportamento em termos de estímulo e resposta, o que permitia estabelecer uma relação direta entre a exposição às mensagens e o comportamento:se uma pessoa é “apanhada” pela propaganda, ela pode ser controlada, manipulada, levadaa agir.Essa concepção da ação comunicativa como uma relação automática de estímulo eresposta reduz a ação humana a uma relação de causalidade linear, e reduz também adimensão subjetiva da escolha em favor do caráter manipulável do indivíduo. 1.1.1.2. A evolução da Teoria Hipodérmica A evolução da Teoria Hipodérmica, no sentido de uma visão mais complexa do processo comunicativo - e de perceber as que os efeitos não se davam de forma direta,identificando limitações -, deu-se segundo duas diretrizes distintas, mas em muitosaspectos interligadas e sobrepostas. É possível percebermos um certo percurso seguido pela pesquisa sobre os mass media: no começo, a Teoria Hipodérmica concentrada nos problemas da manipulação, para passar aos da persuasão chegando, por fim, aos dainfluência. 1.1.1.2.1. A abordagem “da persuasão”
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