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A comunicação científica e o uso de portais: estudo 1

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A comunicação científica e o uso de portais: estudo 1 Rosângela Schwarz Rodrigues (Universidade Federal de Santa Catarina) Gleisy Regina Bories Fachin (Universidade Federal de Santa Catarina) Resumo: O trabalho relata o desenvolvimento de um portal para periódicos científicos em uma universidade brasileira. Aborda a caracterização da comunicação científica digital e o uso de portais como recurso para a disseminação da produção científica de uma instituição federal. Adota recursos tecnológicos em arquivo aberto, adotando a política do livre acesso, em conformidade com as orientações das instituições de fomento no Brasil. Apresenta o envolvimento, enquanto pesquisa, da participação de usuários, de agentes e conclui apresentando um modelo de fluxos para implantação de portal, nesse caso, para periódicos científicos. Palavras-chave: Periódicos científicos portal. Comunicação científica portal. Produção científica. Scientific communication and portals: study Abstract: This paper reports the development of a portal to scientific journals in Brazilian university. It addresses the characterization of digital scientific communication and portals as a resource for the dissemination of scientific production of a federal institution and return to the community to maintain that. It adopts technological resources in open file, adopting the policy of free access, in accordance with the guidelines of institutions for promotion in Brazil. It shows the involvement, while research, participation by users, agents and concludes by presenting a model of flows for deployment of portal, in this case, for scientific journals. Key words: Scientific journals portal. Scientific communication portal. Scientific production. 1 INTRODUÇÃO Conhecimentos estão implícitos no bem-estar social e na educação como investimentos essenciais para a qualidade de vida da população, sua independência financeira e sua mobilidade social em todos os campos. Nesse sentido, aparece o Estado (governo), como responsável e interessado no controle e na disseminação de ações que atendam a demanda da população, tanto quanto à sua formação e educação, quanto às suas necessidades básicas, o que se encontra respaldado por GONZALEZ DE GOMEZ, (2002, p. 27) que chama de metacapital do Estado. Ou seja, é composto do capital informacional, capital de força física e capital econômico, o que assegura seu poder sobre todos os outros campos de atividade. Assim, além da necessidade premente de prover acesso à educação a um grande contingente com dispersão geográfica muito acentuada, a tendência é que a demanda por cursos formais continue aumentando em todo o mundo, pois o conhecimento contemporâneo possui, entre outras características, crescimento acelerado, grande complexidade e rápida obsolescência (BERNHEIM; CHAUI, 2003, p. 1). Desta forma, todos os governos buscam recursos e soluções para atender, principalmente, as questões educacionais da população. No Brasil, essa ampliação quantitativa de a- cesso à educação superior é um empreendimento com implicações importantes em função da 1 Resumo de pôster apresentado ao GT-08 - Informação e Tecnologia. 1 configuração geográfica do Brasil. As principais universidades estão concentradas nas capitais e nas Regiões Sul e Sudeste, o que requer investimentos direcionados para atender os que têm dificuldade de acesso às bibliotecas nos grandes centros. Willinsky (2006, p. 31) considera o atual movimento de acesso ao conhecimento um paralelo nas ações de extensão das universidades do século XIX. Estas deram origem às Universidades Abertas estabelecidas no século XX, possibilitando assim um maior acesso, que, segundo o referido autor, está na crença de que esses movimentos permitem o acesso à informação acadêmica de alta confiabilidade e relevância, em proporções maiores, para uma parcela mais significativa da população. Dentro desta visão, com a Internet disponível nos quatro cantos do mundo, interligando e proporcionando acesso livre, permitindo a disseminação instantânea de dados e informações, encontra-se a comunicação científica, em especial, os periódicos científicos em suporte eletrônico, on-line disponíveis em arquivos abertos, utilizando softwares livres, permitindo a abertura ao conhecimento referenciado e validado para públicos de todas as universidades e para a população em geral. É nos periódicos científicos que o conhecimento pode ser disseminado de forma mais atualizada e confiável em função da periodicidade e dos rigorosos processos de revisão de pares. Segundo Mueller (2006), o sistema de comunicação científica é a infra-estrutura da comunidade científica. Complementando, os periódicos científicos são os veículos disseminadores da produção científica, em determinada área do conhecimento e são as áreas que se organizam e se estruturam para criar, manter, disseminar e preservar suas informações, o capital científico acumulado. As tecnologias de informação e comunicação (TIC) existentes eclodiram nos últimos anos: as áreas da ciência foram criando, organizando e circulando periódicos, nas mais diferentes formas, padrões e suportes, direcionaram um aumento exponencial de publicações, muitas isoladas e que não permitem buscas integradas entre si, tornando a recuperação da informação ineficaz. Nesse contexto, volta-se a questões sobre a importância da organização e padronização da informação científica, pois o compartilhamento de dados e informações tem sido a temática de pesquisas e investigações em diversas áreas do conhecimento. Desta forma, no mundo todo, a produção do conhecimento científico ocorre, principalmente, nas universidades públicas ressaltando-as como protagonistas no cenário de produção científica (LEITE; COSTA, 2006). As universidades e os pesquisadores têm especial interesse em aumentar, preservar e disseminar os artigos que produzem, pois estes são ferramentas imprescindíveis para discussões acadêmicas e tomadas de decisão. No contexto da comunicação e dos periódicos científicos onde se discute o desenvolvimento da informação científica, seus custos, seus investimentos, padrões, controle e garantia de preservação é que aparecem modelos alternativos de comunicação científica, tais como: portais, bibliotecas e repositórios digitais, podendo ser temáticos ou institucionais, e estes recursos vêm crescendo exponencialmente, na razão direta do barateamento e desenvolvimento de aplicativos digitais para a internet. Este artigo visa relatar a criação de um portal de periódicos científicos em uma universidade federal. Discute a comunicação científica, portais de periódicos institucionais, metodologia, recursos materiais e humanos; os resultados alcançados e esperados, bem como as considerações e referências, são apresentadas por fim. 2 COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA DIGITAL 2 A ciência progride à medida que o tempo passa, não apenas pela acumulação de mais dados, mas também por proporcionar percepções mais gerais e mais elaboradas da natureza de nosso mundo. São vários os canais de comunicação na ciência, os mais prestigiados pelos pesquisadores são livros científicos e artigos de periódicos sujeitos a avaliação dos pares (MEADOWS, 1999; LAKATOS; MARCONI, 2003; GIL, 2002; CAMPELLO, CÉNDON; KREMER 2003). Os autores citados enfatizam que a comunicação científica está no centro da pesquisa, que ciência é conhecimento público e a literatura de uma área é tão importante quanto às pesquisas em si. Em especial, Alberts (2002) afirma que a informação científica e técnica é um bem público global, que a pesquisa deve ser facilmente acessada, além de estar disponível livremente para o benefício de todos e o aceleramento do crescimento científico. A explosão de periódicos científicos e o aumento da percepção da importância destes como canal de prestígio com repercussão em todo o cenário da pesquisa e da pós-graduação perpassam por questões associadas à crítica da comunidade às inovações que possam comprometer a legitimidade e o fluxo de informação já consolidado. Segundo Mueller (2006, p. 37) qualquer iniciativa de publicação científica que não garanta avaliação prévia dos conteúdos por especialistas vai encontrar muitas barreiras para ser legitimada no mesmo nível dos periódicos tradicionais. Ainda para Muller (2006) alguns pontos referentes ao periódico científico são relevantes para a sua legitimação, como: seu papel de certificação da ciência; a validação pela adoção do sistema de avaliação pelos pares; processo de certificação e a disseminação se completam na publicação do artigo; revistas são publicadas por editoras e estas têm interesses comerciais; editoras são donas do copyright dos artigos, cabendo a cada autor a negociação com a mesma. Por outro lado, cabe registrar a resistência da comunidade científica às facilidades promovidas pelas tecnologias que possam, de alguma forma, comprometer as práticas consolidadas de avaliação. A mesma gera credibilidade e indica a centralidade do foco colocada no propósito da legitimidade, que é viabilizada pela revisão dos pares. Outro detalhe a ser considerado no desenvolver da informação científica é a segurança do processo de revisão dos artigos e a clareza das políticas, normas e padrões adotados por cada periódico e/ou portal. Esses processos remontam a tempos antigos e perpassam por cada avanço da ciência e da tecnologia, sem ajustes significativos por centenas de anos, indicando o que deve ser mantido na essência e o que é considerado válido pela comunidade científica. Com o crescimento da importância dos periódicos científicos como instrumento de a- valiação dos programas de pós-graduação, aumenta o interesse das instituições de ensino na manutenção e qualificação dos periódicos vinculados à instituição e gera novas questões organizacionais que ainda carecem de estudos. Vê-se que a transição do meio impresso para o meio digital proporciona uma série de facilidades, economias de custos e de tempo, embora novos questionamentos apareçam quanto ao novo meio, como: aceitação pelo usuário e sua acessibilidade; a segurança do meio digital, direitos autorais e de cópias, a preservação digital ao longo dos anos. E diante desta realidade, há o desafio de estruturar o planejamento e os custos associados à editoração científica em meio digital, bem como a preservação e a disseminação na instituição. A organização de vários periódicos, de uma mesma instituição em um Portal, requer diversas ações como: estrutura organizacional para viabilizar as ações de migração para a plataforma adotada; destinar custos associados; definir a responsabilidade institucional para com o grupo de periódicos, que tende a se configurar como uma meta-editora. Sendo assim, o portal passa a se compor com vários editores de periódicos científicos de diversas áreas do conhecimento e cada um com suas especificidades e às vezes, conflitantes. 3 A estudada crise dos periódicos dos anos 80 e o discurso dos movimentos de arquivos abertos, a partir dos anos 90, indicando que a solução estaria nas mãos dos editores, autores e leitores, carecem de aprofundamento. É inegável a importância cada vez maior de periódicos on-line, especialmente em acesso livre, suas inclusões em recursos tecnológicos interoperáveis, bem como sua inclusão em sistemas de plataformas, repositórios, portais e base de dados nacionais: SEER, OASIS-BR (IBICT) e internacionais: OJS, em bases, como a do PKP, DOJS, e outras, que são exponenciais. Cabe destacar que, em todos esses processos de migração e de criação de novos periódicos, existem os custos associados, os recursos materiais e humanos, a aceitação dos membros e dos usuários, e isso requer mais estudos e investigações. 3 PORTAL PERIÓDICOS Dentro do contexto das TICs e a explosão da informação científica em meio digital, vários ambientes foram criados, como sites especializados, bibliotecas digitais, repositórios e portais institucionais ou temáticos, listas de discussão e os blogs, tudo em prol da disseminação da comunicação científica, além das tradicionais bases de dados. Despontam-se nesse contexto os portais institucionais. Na visão de Baroni (2005) o uso de portais permite a integração, colaboração e personalização baseadas na utilização de recursos de TIC e da Web. Esse autor destaca, ainda, o conceito de portal, citando Collins (2003, apud Baroni, 2005), portal é uma plataforma tecnológica que permite que os trabalhadores do conhecimento acessem e compartilhem informações, tomem decisões e realizem ações independentemente da sua localização física, do formato da informação e do local em que ela está armazenada. Assim, o portal diz respeito à integração de sistemas, exigindo muito trabalho de infra-estrutura da equipe de TICs, de colaboradores e das gerências. Na publicação de Bailey (2005), os repositórios e os portais institucionais ganharam força devido ao movimento de acesso aberto gerando mudança na indústria de publicação científica. Desde suas primeiras implementações os repositórios e/ou portais têm sido voltados para a informação científica. Rodrigues et al. (2007) comentam sobre essa forma inovadora de disseminar as produções científicas: sejam repositórios ou portais institucionais como sistemas de informação que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso à produção intelectual de comunidades universitárias e/ou de um grupo específico de instituições ou pessoas. Estes repositórios intervêm em duas questões estratégicas: contribuem para o aumento da visibilidade e do valor público das instituições, servindo como indicador tangível da sua qualidade, e contribuem para a reforma do sistema de comunicação científica, expandindo o acesso aos resultados da investigação e reassumindo o controle acadêmico sobre a publicação científica. Cabe às instituições federais incorporar essas novas formas de coletar, organizar, tratar e disseminar suas produções científicas. No Brasil, algumas universidades federais já criaram e/ou estão criando portais de periódicos, adotando as recomendações das instituições de controle e fomento do país, como o uso de softwares em arquivos abertos e de livre acesso. Neste contexto, ressalta-se que o processo de migração de revistas de uma universidade de grande porte passa por um movimento dentro da instituição que envolve principalmente os editores dos periódicos. Todo o processo passa necessariamente pela confiabilidade percebida pelos editores da estrutura proposta e do suporte oferecido pela instituição. O apoio explícito de agências de fomento e de avaliação da produção científica, como IBICT, CAPES, CNPq, é fundamental para a aceitação do modelo de arquivos abertos pela comunidade científica. O apoio interno da instituição reflete o fomento governamental e da comunidade interna- 4 cional e se coloca de maneira inequívoca, pois uma questão essencial é a aceitação do portal de periódicos pelos editores de todas as áreas. O aceite dos envolvidos e a criação de uma estrutura inicial para as instalações físicas (equipamentos e espaços) e de pessoal são essenciais, pois, sem eles não é possível manter o portal ativo 24 horas e os sete dias da semana. As ações para a implementação do Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) iniciaram em maio de 2006, por ocasião da realização do I Simpósio de Comunicação Científica, promovido pela revista Encontros Bibli, do Departamento de Ciência da Informação (CIN) da UFSC. Em outubro de 2007 foi instalado o servidor para o Portal de Periódicos sob a responsabilidade do Núcleo de Processamento de Dados (NPD), que garante o suporte técnico de todo o sistema, assegurando o funcionamento do servidor (24/7), de toda a rede UFSC, além da segurança e do armazenamento dos dados (backup). Esta é a primeira etapa do modelo para implantação de portais de periódicos: Condições de Segurança Técnica. Asseguradas as condições de segurança e preservação dos dados, inicia-se a segunda etapa do modelo: Cultura e Capacitação. Da relação de 53 publicações periódicas identificadas na UFSC, 42 encontram-se avaliadas pelo QUALIS/CAPES, sendo três com presença na Scielo; dois utilizam a plataforma SEER/OJS na versão 1.x, e um o periódico Encontros Bibli que se encontrava em processo de migração para a plataforma SEER/OJS, versão 2.1 e que passou a ser o piloto para os testes da implementação do portal. Este projeto, sob a coordenação geral do Departamento de Ciência da Informação (CIN) e de seus professores, conforme Portaria emitida pela Reitoria da UFSC, passou a gerenciar todo o processo de implementação do portal, bem como, de treinamento para os editores da instituição, professores, técnicos, bolsistas e alunos. Foram realizados cursos de capacitação, perfazendo 76 horas (cursos de oito horas cada), para todos os envolvidos; a organização de uma disciplina optativa, com oferta regular para os alunos do Curso de Biblioteconomia, com 20 alunos por semestre e reuniões com editores e bolsistas, que passou a ser um atendimento realizado pela coordenação, com agendamento prévio. O trabalho de disseminação da informação para o público da universidade foi estruturado em três etapas complementares. Primeiramente a divulgação da oferta de cursos gratuitos de editoração científica no site da universidade, onde compareceram editores e bolsistas. Segundo, o site da universidade foi o veículo selecionado para chamar às reuniões abertas todos os editores, com a presença da pró-reitoria, o que se revelou importante para garantir o apoio da instituição. Outro aspecto relevante para a quantidade expressiva de periódicos na plataforma, em curto espaço de tempo, foi a existência de uma data para o lançamento amplamente divulgada. O lançamento aconteceu dentro do Simpósio de Comunicação Científica, o que propiciou importantes discussões sobre o tema com especialistas da área e responsáveis por portais digitais de outras universidades, finalizando a etapa de implantação de Cultura e Informação. A terceira etapa: Institucionalização e Pesquisa envolvem assuntos cruciais para a sustentabilidade da estrutura necessária para a continuidade do portal e para a evolução das publicações. Institucionalização refere-se ao posicionamento do portal no organograma da instituição, a partir do uso de uma mesma plataforma onde editores podem unir esforços e se posicionar junto à instituição para a solução de problemas comuns. Por exemplo, a aquisição de bibliografias e normas, o fluxo de oferta de bolsas para alunos e os serviços de suporte, até mesmo a obtenção de DOI. As alternativas são: o portal se tornar uma meta-editora com política, estrutura e orçamento próprios; ou estar vinculado à biblioteca; ou estar vinculado à editora; ou ainda opções mistas. Qualquer das alternativas implica em ajustes nas políticas editoriais e de informação da instituição, com repercussão em todas as revistas, na biblioteca e 5 na editora. A pesquisa é ponto fundamental para a continuidade de todos os processos de comunicação científica, especialmente os que dependem de tecnologias. As mudanças só poderão ser acompanhadas de forma satisfatória com o rigor inerente da pesquisa acadêmica. 4 METODOLOGIA Diante a complexidade da questão e do tempo necessário para o processo de migração das revistas e do acompanhamento metodológico das atividades, a opção mais indicada foi a realização de uma pesquisa exploratória, descritiva e quali-quantitativa. Black (1999, p. 27) afirma que a [...] condução de um estudo rigoroso implica que o design da pesquisa deve possibilitar que outro pesquisador possa replicar o processo. Castro (1976, p. 8) corrobora a posição de Black quando recomenda que Independentemente dos seus méritos intrínsecos, um trabalho deverá sempre servir de guia para explicações paralelas ou mais profundas que algum leitor deseje ou necessite fazer. É aconselhável dar ao leitor a possibilidade de avaliar a qualidade dos dados utilizados. As estratégias metodológicas utilizadas nas Ciências Sociais e na Educação se dividem em três abordagens principais: a positivista o
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