Documents

A Utilização Da Bandagem Funcional Como Forma de Tratamento Para a Gonartrose Revisão Bibliográfica

Description
A Utilização Da Bandagem Funcional Como Forma de Tratamento Para a Gonartrose Revisão Bibliográfica
Categories
Published
of 12
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
  1 A utilização da bandagem funcional como forma de tratamento para a gonartrose: revisão bibliográfica Bruno de Freitas Teles 1  brunotelesfisio@hotmail.com Dayana Priscila Maia Mejia 2  Pós-graduação em traumato-ortopedia com ênfase em terapia manual  –   Faculdade Ávila Resumo  Este artigo visa abordar os tratamentos fisioterapêuticos utilizados no diagnóstico de  gonartrose e principalmente o uso da bandagem funcional. O joelho é um complexo formado  por quatro ossos (fêmur, tíbia, fíbula e patela). Articulados formam três articulações:  fêmorotibial, patelofemoral e tibiofemoral proximal, as quais são encerradas dentro de uma cápsula articular comum, apresentando dois graus de liberdade de movimento. Gonartrose, também chamada de osteoartrose de joelho é uma doença de caráter inflamatório e degenerativo, que provoca destruição da cartilagem articular e leva a uma deformidade da articulação. É uma doença prevalente, com tendência a aumentar em vista do prolongamento da vida e do incremento da obesidade, a qual traz sérias consequências físicas, emocionais,  sociais e econômicas. A bandagem funcional pode ser utilizada em disfunções musculoesqueléticas agudas ou crônicas, e sua aplicabilidade não se restringe somente a lesões miofasciais podendo ser utilizada também em disfunções neurais e articulares. Com isso verificamos qual seria a influência da utilização da técnica de bandagem funcional na  gonartrose. E através de uma revisão bibliográfica este estudo teve como objetivos identificar os tratamentos para gonartrose, esclarecer a diferença do tratamento conservador e o cirúrgico, e averiguar a eficácia da técnica de bandagem funcional na gonartrose. Palavras-chave:   Gonartrose; Joelho; Bandagem Funcional; Tratamento Fisioterapêutico. 1. Introdução  A articulação do joelho é considerada a maior do corpo humano. Trata-se de uma articulação intermediária dos membros inferiores por estarem localizadas entre as articulações do quadril e do tornozelo. O joelho é uma das articulações que mais sofrem lesões no corpo, já que é mantido e suportado quase que inteiramente por músculos e ligamentos, praticamente sem o auxílio das estruturas ósseas (MOREIRA et al., 2005). Segundo o Sobotta (2000) o joelho é uma articulação complexa entre a tíbia, o fêmur e a  patela que possui dois graus de movimento e suporta o peso corporal na posição ereta sem a contração muscular. Participa das AVD’s como sentar, levantar, deambular e possibilita a rotação de tronco com os pés fixos e durante a marcha, o joelho reduz o dispêndio de energia ao diminuir as oscilações do centro de gravidade. A gonartrose ou osteoartrose de joelho é uma doença degenerativa articular, de etologia  primária ou secundária. E tem um forte componente genético que pode afetar uma ou várias articulações, sendo caracterizada pela degeneração da cartilagem que facilita o movimento destas (SARAIVA et al., 2010). Segundo Radl et al. (2005), a osteoartrose do joelho é uma doença de caráter inflamatório e degenerativo que provoca a destruição da cartilagem articular e leva a uma deformidade da articulação. Existem teorias que dizem que esse processo se deve ao envelhecimento, pelo desgaste que ocorre durante a vida do paciente, mas também 1  Fisioterapeuta, Pós-graduando em Traumato-Ortopedia com ênfase em Terapia Manual.   2   Fisioterapeuta, Especialista em Metodologia de Ensino Superior, Mestrando em Bioética e Direito em Saúde.    2 existem situações onde esse desgaste estrutural se inicia precocemente nos casos de doenças inflamatórias ou infecções. Sua prevalência aumentada com o envelhecimento da população, assim como pela exposição do indivíduo jovem a situações de traumatismo articular. As principais alterações cartilaginosas com o passar do tempo relacionam-se com a diminuição progressiva do número de condrócitos, desorientação das moléculas de colágeno, diminuição da espessura da cartilagem, da água e da quantidade de ácido hialurônico (diminuição da viscoelasticidade). Algumas doenças (displasias ósseas e cartilaginosas, acromegalias, doenças por deposição de cristais de urato monossódico e pirosfato de cálcio, artrite reumatoide, diabete mellitus, doença de Paget, arteriosclerose, necrose asséptica, homofilia e hipotireoidismo) e traumas (entorses, fraturas intra-articular e meniscectomia) podem induzir o aparecimento da osteoartrose (RADL et al., 2005). Segundo Mello Jr et al. (2009) a reabilitação no tratamento de osteoartrose do joelho tem limites e o tratamento deve ser modificado nas situações ncontroláveis de dor, limitação funcional importante nas AVD’s,  falta de motvação nos hábitos e condições clínicas limitantes para a prática de atividade física. A técnica da bandagem funcional pode ser utilizada nas disfunções musculoesqueléticas agudas quanto crônicas, sendo assim, sua aplicabilidade não se restringe somente a lesões miofasciais, seus efeitos também podem ser vistos em disfunções neurais e articulares. O uso da bandagem funcional permite manter curativos sobre feridas, comprimir regiões anatômicas, reduzindo os exudatos inflamatórios, imobilizar, oferecer suporte e proteção durante a reabilitação, minimizando a extensão da lesão (no caso de lesão aguda) e profilaxia de modo a evitar recidivas e oferecer limitação ao movimento, de acordo com o que se objetiva (CRUZ et al., s/a). Ela pode ser de grande utilidade na prática clínica, uma vez que o alinhamento das estruturas,  proporcionado pela colocação correta das bandagens pode diminuir a dor, diminuir o impacto sobre a articulação, aliviando a pressão sobre os tecidos inflamados ao redor do joelho (CRUZ et al., s/a). Foi dado o início a este estudo por não haver muitas evidências científicas sobre a bandagem funcional, muitas das vezes são utilizadas como forma de tratamento para diversas patologias e tem tido um bom resultado, porém muitas das vezes não são relatados. E com isso através de uma revisão bibliográfica juntamos um material que inclui artigos e livros baseados no estudo da bandagem funcional na gonartrose para que com isso sirva de auxílio para outros estudos. Esse estudo visa abordar os tratamentos fisioterapêuticos quando há o diagnóstico de gonartrose e principalmente o uso da bandagem funcional. Com objetivo de verificar qual seria a influência da utilização da técnica de bandagem funcional na gonartrose. Tendo em vista os objetivos específicos identificar os tratamentos para a gonartrose, esclarecer a diferença entre o tratamento conservador e o tratamento cirúrgico, e averiguar a eficácia da técnica de bandagem funcional na gonartrose. Para que assim a bandagem funcional possa ser uma alternativa de utilizar uma terapia manual no tratamento de gonartrose. 2. Fundamentação Teórica 2.1. Anatomia do Joelho Basicamente a articulação do joelho é formada por quatro ossos: o fêmur, a tíbia, a patela e a fíbula. Dentre eles, apenas a patela é um osso de exclusividade do joelho, já que o fêmur também está relacionado com o quadril, e a tíbia e a fíbula estão relacionadas com o tornozelo. O fêmur é o osso mais longo e pesado do corpo humano. A patela é um osso sesamóide, possui forma triangular e está situada abaixo do tendão do músculo quadríceps. Apesar de muitos autores não fazerem referência da fíbula na articulação do joelho ela  3  pertence, pois se sabe que ela realiza conexões musculares e ligamentares nesse complexo. E a tíbia que é caracterizada por ser um osso longo assim como a fíbula (MOREIRA et al., 2005). A articulação do joelho possui dois graus de liberdade: flexão-extensão e rotação axial. A flexão é de 120º a 150º de pendendo do tamanho da massa muscular. Quando o quadril está em extensão, a amplitude da flexão de joelho diminui por causa da limitação pelo músculo  biarticular reto da coxa, que tem a sua inserção proximal na espinha ântero-inferior do ílio. A hiperextensão é mínima e normalmente não excede a 15º (SMTH et al., 1997). Palastanga (2002) afirma que o joelho é uma articulação de sustentação apresentando considerável grau de estabilidade, particularmente na extensão. A articulação desempenha  papel importante na locomoção, pois, ao se flexionar e estender permite um tocar suave dos  pés no solo. A harmonia dos elementos citados favorece a participação nos esportes de grande movimentação e paradas bruscas. Outras estruturas importantes são os meniscos que são fibrocartilaginosos encaixados no espaço articular entre as superfícies da tíbia e fêmur, com o formato de cunhas, ligados entre si e a cápsula articular. A margem periférica é espessa, convexa e inserida na cápsula articular, enquanto a margem interna é fina, côncava e livre. As faces inferiores são côncavas e estão em contato com os côndilos femorais. As faces inferiores são planas e estão sobre os côndilos tibiais. Os cornos meniscais são os locais de fixação dos meniscos na tíbia, sendo regiões onde a fibrocartilagem cede a faixas de tecido fibroso (CASTRO et al., s/a). A articulação é uma articulação que se concentra entre a patela e o sulco troclear do fêmur. A  patela, que é um osso sesamóide, assenta-se dentro da capsula da articulação, com as superfícies anterior e distal em forma de sela dos côndilos femorais. O movimento básico da articulação é o deslizamento da patela sobre o fêmur. A superfície posterior da patela esta coberta com a cartilagem mais espessa do corpo humano. Esse osso é conectado a tuberosidade da tíbia pelo forte ligamento patelar, e ao fêmur e a tíbia pelos pequenos ligamentos patelofemoral e patelotibial, que são espessamentos do retináculo extensor que cerca a articulação (MOREIRA et al., 2005). A articulação femorotibial é formada pelo encontro da superfície distal do fêmur e superfície  proximal da tíbia. Segundo Ellenbecker (2002), a articulação tibiofemoral, é a maior articulação do corpo. É de natureza ginglimóide, ou em charneira modificada, propiciando grande grau de amplitude de movimento. Macnicol (2002) diz que ela é sustentada por sua cápsula, pelos ligamentos e músculos circunjacentes, com a ajuda dos meniscos e da articulação patelofemoral. A configuração das superfícies articulares femorais e tibial está voltada principalmente para a sustentação do peso e o movimento de charneira (dobradiça). E apresenta três graus de liberdade. A articulação menos citada nas literaturas. É a articulação tibiofibular proximal. Ela tem capacidade de deslizar no sentido ântero-posterior, para cima e para baixo, e em algumas situações chega a fazer rotações, dependendo da movimentação da tíbia e das estruturas do tornozelo. Devido à inter-relação do ligamento colateral lateral e da inserção do músculo  bíceps femoral, a fíbula, assim como a articulação tibiofibular proximal, tem participação ativa no joelho (MOREIRA et al., 2005). 2.2. Gonartrose ou Osteoartrose de Joelho A osteoartrose do joelho, também chamada de gonartrose, é a consequência de alterações morfológicas, funcionais e estruturais das deformidades angulares adquiridas ao longo dos anos, associadas ao excesso de compressão articular devido à obesidade e à má  postura, acarretando diminuição da amplitude de movimento, espasmo muscular e crepitação articular, chegando a afetar uma em cada três pessoas a cima e quarenta anos. Trata-se de  4 uma afecção degenerativa que afeta articulações sinoviais levando a destruição e tentativa desordenada de reparo da cartilagem. Posteriormente ocorre lesão na superfície óssea articular, com consequente remodelação e atrito entre as superfícies que levam a inflamação secundária. Este desgaste da cartilagem pode levar a formação de osteófitos nas margens articulares, uma vez que o osso tende a remodelar a superfície óssea e aumentar a superfície de apoio (PRENTICE, 2003). A osteoartrose pode ser classificada como primária ou secundária. A primária inclui várias afecções diferentes, a mais comum das quais é a nodal generalizada. Mulheres brancas são mais frequentemente afetadas, durante a quinta e sexta década, por envolvimento  poliarticular. E a secundária pode ser de forma congênita, traumática, metabólica, inflamatória, endócrina, hemofílica ou neuropática. Suas manifestações clínicas poder ser dor, limitação dos movimentos, deformidades, crepitações e rigidez (DANDY, 2000). A osteoartrite (osteoartrose) é a forma mais comum de artrite. Sua prevalência aumenta com a idade. Verifica-se o envolvimento do joelho igualmente nos dois sexos entre os 55 e 64 anos. A osteoartrose grave de joelho é vista com mais frequência em mulheres com 65 e 74 anos (6,9% versus 2%) (DELISA et al., 2002). Traumas excessivos levam a uma lesão na cartilagem articular > liberação de enzimas  proteolíticas  –   condrócitos > degradação do colágeno e proteoglicanos > pressões aplicadas diretamente no osso trabecular > esclerose subcondral (eburnifcação), osteófitos e cistos. Levando assim a cinco fases para o desenvolvimento da osteoartrose: 1- quebra da superfície articular; 2- irritação sinovial; 3- remodelamento; 4- eburneação do osso e formação de cistos e 5- desorganização. Greve et al. (1999) enfatizam que às alterações mecânicas da osteoartrose se associam as bioquímicas, visto que o espasmo muscular e as microfraturas  provocam liberação, pelo tecido isquêmico e inflamado, de irritantes químicos, tais como o lactato, as cininas, e prostaglandinas, os quais enviam sinais nociceptivos às terminações nervosas livres periarticulares, gerando incômodo quadro álgico. Enfatizando que os grandes comprometimentos à função do joelho podem ocorrer em virtude de degeneração osteoartrósica, chegando à perda de função de flexão em 30% a 50% nas atividades cotidianas. Figura 1  –   Desenvolvimento de gonartrose: a) articulação do joelho normal; b) quebra da superfície articular, irritação sinovial e remodelamento; c) eburneação do osso, formação do cisto e desorganização.

IJETAE_0513_101

Aug 2, 2017
Search
Similar documents
View more...
Tags
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks