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Alternativas para a prevenção e o controle de patógenos em psicultura

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A utilização de fatores nutricionais e fitoterápicos, considerados imunoestimulantes, é uma importante alternativa na prevenção e controle de patógenos em piscicultura em substituição ao uso de produtos químicos e antibióticos que, além de serem tóxicos ao peixe, são nocivos ao ambiente, geram resistência e podem afetar a saúde do consumidor. Controle de diferentes espécies de bactérias dos gêneros Pseudomonas e Aeromonas, redução de infecção por fungos, controle de Trichodina spp. e de Ichthyophthirius multifiliis e diminuição na ocorrência de monogenéticos em diversas espécies de peixes são conseguidos com o uso de fatores nutricionais e de vários fitoterápicos, que estimulam as respostas não-específicas do sistema imunológico e aumentam a resistência dos peixes. Estes produtos tornam-se alternativas de baixo custo ao produtor e de mínimo impacto ao ambiente.
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  B. Inst. Pesca, São Paulo, 35(2): 335 - 341, 2009   ALTERNATIVAS PARA A PREVENÇÃO E O CONTROLE DE PATÓGENOS EMPISCICULTURA Washington Luiz Gomes TAVECHIO 1,2 ; Gislaine GUIDELLI 1 ; Leandro PORTZ 1 RESUMO A utilização de fatores nutricionais e fitoterápicos, considerados imunoestimulantes, é umaimportante alternativa na prevenção e controle de patógenos em piscicultura em substituição aouso de produtos químicos e antibióticos que, além de serem tóxicos ao peixe, são nocivos aoambiente, geram resistência e podem afetar a saúde do consumidor. Controle de diferentesespécies de bactérias dos gêneros Pseudomonas e  Aeromonas , redução de infecção por fungos,controle de Trichodina spp . e de Ichthyophthirius   multifiliis e diminuição na ocorrência demonogenéticos em diversas espécies de peixes são conseguidos com o uso de fatores nutricionais ede vários fitoterápicos, que estimulam as respostas não-específicas do sistema imunológico eaumentam a resistência dos peixes. Estes produtos tornam-se alternativas de baixo custo aoprodutor e de mínimo impacto ao ambiente. Palavras-chave: Imunoestimulantes; fitoterapia; controle de patógenos; peixes ALTERNATIVES FOR THE PREVENTION AND CONTROL OF PATHOGENS IN FISHFARMING ABSTRACT The use of nutritional factors and phythoterapics considered imunostimulant, is an importantalternative in the prevention and control of pathogens in fish farming in substitution to the use ofchemical and antibiotic products that, beyond being toxic to the fish are harmful to theenvironment, generate resistance and can affect the health of the consumer. Control of differentspecies of bacteria of the genus Pseudomonas and  Aeromonas , reduction of fungus infection, controlof Trichodina spp. and the Ichthyophthirius   multifiliis and the reduction in the occurrence ofmonogenetic in several species of fish are obtained with use of nutritional factors and somephythoterapics that stimulate the not-specific response of the immunologic system and increase theresistance of the fish. These products become alternative of low cost to the producer and minimumimpact the environment. Key words: Imunostimulant; phythoterapy; pathogens control; fish Artigo de Revisão: Recebido em: 14/11/2008 – Aprovado em: 07/08/2009 1 Núcleo de Estudos em Pesca e Aqüicultura, Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas, Universidade Federal doRecôncavo da Bahia, Campus de Cruz das Almas. Rua Rui Barbosa, s/nº, CEP: 44380-000 - Cruz das Almas – BA - Brasil 2 e-mail: tavechio@ufrb.edu.br   TAVECHIO et al.B. Inst. Pesca, São Paulo, 35(2): 335 - 341, 2009   336 INTRODUÇÃO O sucesso na piscicultura depende daimplementação de boas práticas de manejo nosviveiros. No conjunto das práticas de manejo,destacam-se o controle da qualidade da água, arealização de quarentena na aquisição de novoslotes, fornecimento de alimentação dequalidade e balanceada, garantindo a saúde dosanimais e, conseqüentemente, a prevenção dedoenças.Muitas das doenças que causam prejuízossão provocadas por agentes infecciosos e podemtornar a atividade onerosa e pouco lucrativapara os piscicultores, devido à mortalidadeexcessiva durante surtos de infecção/infestação.Entre os principais grupos de parasitas quecausam doenças em piscicultura estão osdinoflagelados, os protozoários, osmixosporídeos, os monogenéticos e oscrustáceos, além de fungos, bactérias e vírusque, ao encontrarem condições adequadas,proliferam causando as doenças.Depois de instaladas na piscicultura, asparasitoses provocam perdas e, para que sejameliminadas dos viveiros, devem ser investidosgrandes esforços financeiros e de manejo, queenvolvem alto custo com produtos e com mão-de-obra especializada.Nos principais tratamentos contra asparasitoses de peixes, utilizam-se produtosquímicos tais como: formalina, sulfato de cobre,verde malaquita, cloramina, pesticidasorganofosforados, diflubenzuron. Antibióticos,como a oxitetraciclina, são usados no tratamentode infecções bacterianas. Esses produtos, além doefeito tóxico aos tecidos dos peixes,principalmente o das brânquias, do tegumento edo fígado, podem acumular resíduos namusculatura, oferecendo risco potencial aoconsumidor, caso não sejam respeitados ostempos de carência pós-tratamento. Além disso,aumentam significativamente o impactoambiental no entorno da piscicultura onde osresíduos dos tratamentos são descartados. Cabe-seainda ressaltar que a utilização de produtosquímicos deve ser regida por legislação específicae que no Brasil, poucos produtos são registradospara uso em aquicultura.Muitas doenças de peixes estão ligadas aoestresse imposto pelo ambiente de cultivo. Osistema imunológico dos peixes é diretamenteinfluenciado por fatores ambientais. Além disso,as condições nutricionais também têm papelpreponderante sobre o sistema imune. Essesistema, assim como em outros vertebrados,desempenha um papel de grande importância nadefesa do organismo contra a invasão eestabelecimento de muitas doenças, de maneiraque estimular o sistema de defesa de animaismantidos em um ambiente estressante é umaalternativa eficaz e necessária (DÜGENCI et al .,2003). Para isso, vêm sendo utilizados desdeprodutos que contenham microorganismos e seusderivados, denominados pró-bióticos e pré-bióticos, extratos de plantas e de animais, atéadjuvantes e fatores nutricionais diversos. Estesprodutos são conhecidos como imunoestimulantes(SAKAI, 1999), e têm propriedades capazes deestimular o sistema imune por conferirem umaumento na atividade das células fagocitárias, naprodução de lisossomos e anticorpos, diminuírem oestresse do manejo reduzindo assim, as perdascausadas pelas doenças (CHITMANAT, 2002).Produtos pró-bióticos, formulados commicroorganismos vivos, e pré-bióticos, compostosde substâncias não absorvíveis na parte anterior dotrato intestinal, têm ainda ação inibitória direta nocrescimento de bactérias patogênicas e predispõemà colonização do trato por bactérias benéficas(FABREGAT, 2006).Os imunoestimulantes, adicionados a raçãode maneira profilática, podem beneficiar aaquicultura, principalmente nas fases iniciais docultivo, quando os peixes estão mais susceptíveisa doenças (PORTZ, 2006).Diante disso, alternativas para o controle eprevenção de parasitoses em piscicultura devemser incentivadas, e o conhecimento acerca deprodutos, sejam eles naturais ou não, queauxiliem a qualidade de cultivo e a redução doscustos de produção é importante paramanutenção do crescimento e competitividade daaquicultura nacional.Este artigo tem por objetivo apresentar umarevisão sobre soluções alternativas ao uso deprodutos químicos convencionais na pisciculturapara a prevenção e controle de patógenos.  Alternativas para prevenção e o controle de patógenos... B. Inst. Pesca, São Paulo, 35(2): 335 - 341, 2009   337 USO DE FATORES NUTRICIONAIS A imunonutrição é uma das técnicas que visaaumentar a resistência imunológica de animaiscultivados através da alimentação. Ela fornecenutrientes essenciais que atuam diretamente nosistema imunitário conferindo resistência ao estressedo confinamento, às mudanças na qualidade daágua e a infecções/infestações parasitárias.   As vitaminas são consideradas como fatoresnutricionais que estimulam a imunidade de peixesmelhorando a ação das células de defesa porfavorecer a integridade e a fluidez das membranascelulares, na proliferação de linfócitos, noaumento do nível de complementos séricos, naprodução de interferon e na produção de colágeno(ROTTA, 2003).Algumas vitaminas, como C (ácido ascórbico)e E (tocoferol), estão especialmente ligadas àformação e desenvolvimento desse sistema empeixes. A vitamina C, em doses suplementares, éconhecida por acelerar o ganho de peso e debiomassa em tilápias ao final da reversão sexual,melhorar os índices de crescimento de pacus alémde ter efeito sobre qualidade dos ovos de peixesmarinhos (MARTINS, 1995; VARGAS, 2004;ALVAREZ-LAJONCHÈRE, 2006).Em relação às doenças parasitárias foramdemonstradas experimentalmente reduçõessignificativas na ocorrência de Trichodina spp. comsuplementação de 1.000 mg Kg -1 de vitamina C(LEONARDO, 1999) e de monogenéticos emtilápias submetidas à suplementação de 1.200 e1.700 mg da vitamina por quilo de ração(LEONARDO et al. , 1998; CAVICHIOLO et al. ,2002a). Para pacus, as concentrações com efeitosobre a ocorrência de monogenéticos, ficaram emtorno de 50 a 200 mg Kg -1 de ração (MARTINS,1998), demonstrando que existe variação nosníveis ótimos de suplementação para o controledessas parasitoses.Mesmo para doenças bacterianas, há casos deredução na infecção com doses de 500 mg Kg -1 dealimento (RASHEED, 1989), redução de 93% damortalidade de carpas causada por  Aeromonashydrophyla (TEWARY e PATRA, 2008), e mesmode resistência completa de peixes apósalimentação com superdoses de vitamina C(3.000mg kg -1 ) (LI and LOVELL, 1985).A combinação de fatores nutricionais tambémpode ser eficaz. As vitaminas C e E combinadasmostraram bons resultados para infecçõesbacterianas em trutas, diminuindo a mortalidadea concentrações de 2.000 mg da vitamina C Kg -1 e800 mg de vitamina E Kg -1 de ração (WAHLI et al. ,(1998). Com 1.000 mg da vitamina C Kg -1 e 300 mgde vitamina E Kg -1 de ração também se mostroueficaz na diminuição da ocorrência do íctio, ou“doença-dos-pontos-brancos”, causada peloprotozoário Ichthyophthirius   multifiliis  (CAVICHIOLO et al. , 2002b).Para a vitamina E isoladamente, se conseguiutambém bons resultados no caso de tilápias, com aredução de mais de 78% na ocorrência demonogenéticos nas brânquias durante o processode reversão sexual, com suplementação de 500 mgkg -1 de ração (VARGAS et al. , 2002), e com 300 mgKg -1 na ocorrência de Trichodina spp. e íctio emlarvas de tilápia (CAVICHIOLO et al. , 2002b).O uso de suplementos de vitaminas C e E nadieta parece reduzir o estresse próprio da criação,melhorar o sistema imune e reduzir a ocorrênciade diversos grupos de parasitas, apresentandopotencial para substituir produtos químicos nocontrole de doenças parasitárias.Os níveis de vitamina utilizados não estãorelacionados ao grupo de parasitas que melhorcontrolam e sim, à espécie de peixe para a qual éutilizada. Isto porque, os níveis de vitamina C quemelhor estimulam o sistema imune, variam deespécie a espécie. Portanto, são necessáriosestudos para as diversas espécies cultivadas oucom potencial para cultivo, principalmente emrelação à dosagem ideal e o tipo de parasita quecontrolam mais eficazmente. A eficácia dos fatoresnutricionais imunoestimulantes pode estarrelacionada ao grau de patogenicidade da espéciede parasita envolvida. USO DE FITOTERÁPICOS A fitoterapia é outra alternativa de grandepotencial para prevenção ou controle depatógenos na aquicultura. Esta se caracteriza pelouso de diferentes partes de plantas na prevenção econtrole   de doenças. Apesar do pouco uso,atualmente, é crescente o interesse sobre assubstâncias oriundas de plantas como alternativas  TAVECHIO et al.B. Inst. Pesca, São Paulo, 35(2): 335 - 341, 2009   338 ao uso de antibióticos e produtos químicos nocombate a patógenos em piscicultura.Ao contrário do que ocorre com produtosquímicos e fármacos sintéticos, que geralmentecausam aumento da resistência dos parasitas, etêm um elevado tempo de permanência noambiente, acredita-se que os extratos vegetaispossam causar um desenvolvimento lento deresistência, ser direcionados a espécies-alvo, serfacilmente biodegradáveis, diminuir amplamentea emissão de resíduos e, consequentemente, serinócuos ao ambiente (CHAGAS, 2004). Existe apossibilidade de que a toxicidade dos extratosvegetais ocorra a concentrações bastante elevadase/ou exposição prolongada e em dependência daespécie de peixe em questão. Dessa forma, atoxicidade deve ser um parâmetro testado durantea verificação da eficácia de fitoterápicos.Alguns fitoterápicos efetivos estudados para ouso em piscicultura são extraídos de plantas comoamendoeira ou sete-copas ( Terminalia   catappa ),alho (  Allium   sativum ), cominho-negro ( Nigella   sativa ), equinácias ( Echinacea spp.), manjerona( Origanum   marjorana ) e folhas de nim ou neem(  Azadirachta   indica ) (CHITMANAT et al. , 2005a e b;CRUZ, 2005; JOHN et al. , 2007; MESALHY et al .,2007; DIAB et al., 2008).A amendoeira, T. catappa (Combretaceae) émuito comum no Brasil, onde foi introduzida porcolonos portugueses. Suas folhas, frutos e raízessão utilizados como medicamento popular porapresentarem atividade antidiabética (NAGAPPA et al., 2003), antiinflamatória (FAN et al., 2004),estimulante do comportamento sexual ereprodutivo (MONVISES et al., 2009), antibiótica eantifúngica (GOUN et al., 2003) e desinfetante(SANTOS, 2002). Na aquicultura, suaspropriedades imunoterapêuticas, antiparasitárias,antibactericidas e antifúngicas em peixes, foramestudadas por pesquisadores da Tailândia, Índia eChina, que utilizaram tanto folhas como frutos.Por meio do uso de extrato aquoso de folhasde amendoeira, na concentração de 200 ppm,CHITMANAT et al. (2005a) conseguiram reduzir ainfecção por fungos nos ovos de tilápias e, com800 ppm, eliminaram completamente Trichodina  spp. de juvenis de tilápias do Nilo após 2 dias detratamento. Constatou-se, também, atividadeinibitória sobre a bactéria  A.   hydrophila, utilizando0,5 mg mL -1 de água. Sua eficiência também foievidenciada no controle dos monogenéticosectoparasitas Gyrodactylus spp. e Dactylogyrus spp.de kinguios, eliminando-se todos os parasitas em 2semanas de tratamento, usando 3,104 g em 1,8 L deágua (CHANSUE e TANGTRONGPIROS, 2005).Outra planta importante, que desperta ointeresse dos pesquisadores, é o alho, porapresentar um amplo espectro de combate aosmicroorganismos como bactérias, fungos,protozoários e vírus, além de ser de fácil obtenção.Essas propriedades se devem a alicina, tambémresponsável pelo odor característico da planta, eao trissulfeto de alila.O alho deve ser usado, preferencialmente, naforma de extrato crú, já que a fervura desnatura aalicina perdendo suas propriedades antimicrobianas.Com extrato na concentração de 200 mg L -1 , seconseguiu tratar ovos de enguia parasitados peloprotozoário Trichodina spp. (MADSEN et al. , 2000).Na Tailândia, CHITMANAT et al. (2005b), usandoextrato de alho para banhos numa concentração de800 ppm, conseguiram eliminar 100% doectoparasita Trichodina spp. de juvenis de tilápias doNilo em 2 dias.Bons resultados também foram conseguidosadicionando-se o alho à ração. Notou-se aumentoda resistência à infecção provocada pela bactéria Pseudomonas    fluorenscens em 91,3%, utilizando 3%de alho por kg de ração durante 3 meses (DIAB etal., 2008). Usando 2,0 g kg -1 de ração por 45 dias,MARTINS et   al . (2002) reduziram em 95% ainfestação por monogenéticos  Anacanthorus    penilabiatus em pacus. A adição do extrato à ração,segundo os autores, não alterou as propriedadesorganolépticas da carne dos pacus.O uso conjugado de alho e cominho negro(Ranunculaceae), planta de srcem asiática,reconhecida por aumentar a atividade de célulasde defesa e células T imunitárias através daprodução de citoquinas e interleucinas, por inibircrescimento microbiano e apresentar atividadeanti-helmíntica, também mostra resultadossatisfatórios no controle de parasitoses. Umaconcentração de 3% de alho e cominho negroadicionados à ração de tilápias durante 90 dias,gerou 95% de resistência à infecção pela bactéria Pseudomonas spp. (JOHN et al. , 2007). Quandotestado somente o efeito inibitório de cominho
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