Documents

Artigo - A Psicologia Organizacional Como Fonte de Questionamento Das Teorias de Organização

Description
Psicologia
Categories
Published
of 3
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
  A Psicologia Organizacional como fonte de questionamento das teorias de organização  As teorias de organização, como qualquer outra teoria, nascem de momentos históricos precisos.No caso restrito das teorias organizacionais é possível dizer que surgem a partir de uma determinadaconcepção de indivíduo ou de subjetividade, bem como de um determinado estgio do processoprodutivo, compreendido em seus aspectos mais amplos !relaç es de trabalho, estruturação dasempresas, mercado de consumidores e de trabalhadores etc.#. Neste sentido, elaboraç es teóricas são$eitas e re$eitas tendo em vista não a pertin%ncia meramente epistemológica, mas sim tendo em vista$ortes condicionantes prticos e&ou pragmticos, os quais con$iguram o espectro de atuação e deabrang%ncia de tais teorias. A psicologia organizacional, antes entendida como psicologia industrial, evolui em sentidocompassado com as noç es centrais do corpo de crenças do saber psicológico, tais como a própria idéiade subjetividade. 'm estgios temporais, pode(se destacar as teorias ditas $usionais, calcadas na 'scolade )elaç es *umanas, cuja meta era integrar o +lado humano do trabalhador na cadeia produtiva.Neste te-to estarei preocupado em traçar uma linha imaginria entre a modernidade e a pós(modernidade do saber psicológico, somando tudo isso  con$iguração contempor/nea do trabalho e daspróprias organizaç es, pois não haveria nenhum sentido em desconectar esse conjunto de $atores deconstituição das teorias de organização e da psicologia organizacional. Assim, em primeiro lugar, voutraçar algumas rpidas características do discurso moderno a propósito das re$eridas teorias e, emseguida, descrever algumas das principais características da chamada pós(modernidade e do tipo depensamento que ela procura inaugurar. 'm sintonia com isso, vou tentar traçar algumas das novas$ronteiras que a psicologia organizacional tem  sua $rente, $ronteiras que demandam dela novos olhares,novos es$orços e novos desa$ios.0 discurso moderno1 a sociedade do trabalho 0 período de emerg%ncia dos discursos da sociedade do trabalho compreende os séculos 232 e22. A noção de +sociedade do trabalho se $orma nesse momento. 'm que consiste tal noção4  A noção de sociedade do trabalho re$ere(se  sociedade ocidental erigida sob tr%s pontosprincipais !5hiraldelli 6r., 7888#. 0 primeiro é a empresa industrial privada ou estatal !cujo modelo é a$brica#, que, apartada do esquema $amiliar de produção !que predominou principalmente na 3dade9édia#, procura organizar a produção a partir de critérios de racionalidade e $uncionalidadeinstrumentais. 0 segundo ponto é o trabalhador assalariado, o qual se via livre tanto de subservi%nciasaos antigos senhores $eudais quanto livre dos meios de subsist%ncia, ou melhor, alienado de tais meios,tendo, como obrigação a venda da sua própria $orça de trabalho aos detentores do capital. 0 terceiroelemento é a ética protestante do trabalho, matizada por um espírito de dilig%ncia, sobriedade ecompromisso com o trabalho. A ética do trabalho não só se legitima como preceitos que p em relevo nanecessidade de trabalhar como também se apresenta como $undamento da própria coesão social. :essa$orma, a sociedade do trabalho é aquela em que os homens atribuem valor e sentido ao mundo a partir do trabalho e dos valores e circunst/ncias que estejam envolvidos com o trabalho. :aí a grande$req;%ncia de re$er%ncia ao trabalho pelos partidos políticos desta época. Na sociedade do trabalho osindivíduos reconhecem(se como aut%nticos indivíduos e-atamente quando estão inseridos no trabalho edele retiram sua sobreviv%ncia, tanto material quanto simbólica. A inserção social se $az pelo trabalho, eo tecido social se mantém o-igenado graças a ele.Na sociedade do trabalho a individualidade passa a ser tratada de modo a realçar o carter utilitrio das habilidades, além de destacar a natureza humana como essencialmente ativa e produtiva,voltada para a trans$ormação do meio e para a criação de coisas <teis. 0 verdadeiro indivíduo era aqueleque conseguia se manter ativo, prtico, construtor, en$im, trabalhador. 0 indivíduo aut%ntico tornou(sesin=nimo de +bom pro$issional !5hiraldelli 6r., 7888#. >omo diz 5hiraldelli 6r.1+0 ser pensante e inteligente, o sujeito epistemológico, aquele que reconhece o verdadeiro e o$also passou a ser o sujeito ativo. A verdade passou a pertencer  ordem prtica e, assim sendo, seureconhecimento dar(se(ia ativamente, por e-peri%ncia e e-perimentação. A pessoa, o sujeito moral,aquele que julga o certo e o errado, passou a ser aquele que $az julgamentos a partir dos valores postospelo trabalho ? uma ética do trabalho, que passou a punir duramente uma $igura ine-istente até então1 o@vagabundo !...# ', por $im, o cidadão, o sujeito político, passou a ser aquele que reconhecia direitos edeveres a partir de um discurso dos partidos trabalhistas !de esquerda e de direita# !p. 7B(77#.Não surpreende que na sociedade do trabalho a psicologia organizacional desse relevo$undamental s quest es que tratam de desempenho, de ine$ici%ncia no trabalho, de motivação, deintegração etc. Crabalho e subjetividade caminhavam juntos, no sentido de aumentar a produtividade e  de inserir o +$ator humano, racionalmente $alando, no processo produtivo. Neste período era tambémnítida a separação entre trabalho e não trabalho, de sorte que espaços di$erenciados eram possíveis deserem estabelecidos. A psicologia organizacional não era, por assim dizer, uma $onte de crítica aotrabalho, haja vista que reproduziam, em maior ou menor escala, as crenças da sociedade do trabalho.Não é possível dei-ar de mencionar que neste período também era $orte a noção do indivíduo como topos  privilegiado da ação, principalmente o indivíduo na sua versão empreendedora. Cambém se podelevantar a hipótese, embora aqui não completamente $undamentada, de que a chamada +sociedadeorganizacional nasce a partir dos ideais da sociedade do trabalho, embora o conceito tenha outrossigni$icados, tais como o $ato de que todas as relaç es sociais passem a ser moldadas a partir dopar/metro organizacional. O discurso pós-moderno: a crise da noção da sociedade do trabalho No meu modo de ver, h uma grande ruptura no modo de pensar moderno a partir da publicaçãode dois importantes livros, ambos no ano BDED. 0 primeiro, a pequena brochura do $ranc%s 6ean F.GHotard, La condition postmoderne . 0 segundo, do $ilóso$o americano )ichard )ortH, The philosophy and the mirror of nature . As principais idéias dos dois livros são as seguintes1a# GHotard diz no livro1 vivemos em uma época não mais moderna, vivemos em uma época pós(moderna, caracterizada pelo $ato de que ninguém mais acredita em grandes metanarrativas, ninguémmais pode usar grandes metanarrativas para enganchar suas narrativas e-plicativas. 'm outraspalavras1 vivemos numa época em que as narrativas como da ci%ncia e da tecnologia se desligaram dosgrandes discursos $ilosó$icos, tais como o discurso do *umanismo, do 3luminismo. 0u seja, os valores deverdade dos discursos narrativos não mais se apóiam em $iloso$ias cuja pretensão seria a de$undamentar, epistemologicamente, o conhecimento universalmente vlido. b# )ortH diz no livro1 vivemos em uma época onde o que era o n<cleo da $iloso$ia moderna ? aepistemologia, a teoria do conhecimento cientí$ico ? não tem mais o valor de verdade $undamental quetinha na modernidade. 0u seja, a meta$ísica moderna, isto é, a epistemologia $undacionista, com seusapoios na $iloso$ia da mente e nas teorias de verdade de /mbito lógico, não podem mais ter a pretensãode guias da cultura ou das ci%ncias como $oram inicialmente concebidas. >om )ortH nasce a crítica verdade ligada a $undamentos epistemológicosI com ele nasce o declínio da noção de mente e da$iloso$ia como espelho da real natureza das coisas.'ssas duas obras se inscrevem no /mbito da $iloso$ia. Jaralelo a elas, talvez como umadecorr%ncia ou como algo simult/neo, surge o declínio da sociedade do trabalho. Kegundo a inspiraçãoque vem de um tipo de discurso sociológico ? em geral, como é desenvolvido a partir das idéias de>lauss 0$$e, teórico ligado  escola de FranL$urt ? a crise da sociedade do trabalho teria começado jcom sua própria enunciação. Kegundo essa sociologia, a inserção social passou a se desvincular dotrabalho. Cambém o vínculo social não dependeria mais da posição central que o trabalhodesempenharia, nem tampouco os processos de subjetivação colocariam a %n$ase prioritria sobre oindivíduo trabalhador, tal como era na sociedade do trabalho !séculos 232 e 22#. Canto porque, em plenoséculo 223, as pessoas não teriam mais esperanças de encontrar um emprego duradouro, /ncora capazde balizar uma trajetória de vida a longo prazo. 'stariam também as utopias do século 232 e 22en$raquecidas, utopias que colocavam a esperança de uma ampla revolução e trans$ormação social apartir da reorganização do trabalho.:essa $orma, uma das características principais da crise da sociedade do trabalho é a crise danoção de indivíduo tal como $oi gerada nesta mesma sociedade, isto é, a noção de indivíduo como seconstituindo a partir da noção de ser trabalhador e empreendedor. *oje, a consci%ncia do indivíduo nãose limita e-clusivamente  consci%ncia de ser um +trabalhador. 'm sentido macrossociológico, oemprego desempenhava a poderosa $unção de articular di$erentes níveis do sistema social1 asmotivaç es individuais, as posiç es sociais e a reprodução sist%mica. A construção das identidadessociais, ao menos para os homens, tinha como principal aspecto a quali$icação e a posição no emprego.3sso, hoje, não é privilégio de todos, como se sabe.Nos dias atuais o emprego mudo radicalmente de $orma. A erosão das normas tradicionais deassalariamento, $undadas em identidades ocupacionais ou de classe, e a paulatina perda das $unç esprotecionistas do 'stado t%m como conseq;%ncia o aumento da individualização na construção evalorização das próprias condiç es de empregabilidade. A desregulamentação das normas do emprego eo conseq;ente aumento da individuação $rente ao mercado de trabalho trans$ormam o trabalhador num bricoler   de sua própria condição de empregabilidade. M, portanto, neste conte-to que deve atuar umapsicologia organizacional dita +pós(moderna.  :esa$ios m desa$io imenso  $rente da psicologia de um modo geral e da psicologia organizacional emparticular é responder  questão1 como as identidades das pessoas v%m sendo a$etadas se a$le-ibilidade do trabalho requer identidades menos atadas, por e-emplo, s empresas ou s ocupaç es4Oue identidades se desenvolvem e como elas moldam as percepç es e as chances que se tem nomercado4 0utro grande desa$io interno  psicologia organizacional é tentar rede$inir seus pressupostosde trabalho a partir das noç es trazidas e levantadas pelo pensamento dito pós(moderno, principalmenteaqueles que se re$erem aos questionamentos da noção de verdade, de epistemologia e de mente. Alémdisso, é $undamental entender como as alteraç es no mundo do trabalho podem ser conectadas commudanças mais gerais, tais como mudanças na $orma de subjetivação, mudanças na $amília, na cultura etambém na política. )e$er%ncias 5hiraldelli 6r., J. !7888#. As teorias educacionais na modernidade e no mundo contempor/neo1humanismo e sociedade do trabalho. 'm1 O que você precisa saber sobre didática e teoriaseducacionais  !pp. BP(QR#. Kão Jaulo1 :JSA.
Search
Tags
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks