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Artigo Especialização - COMUNICAÇÃO a base do trabalho do Agente Comunitário de Saúde - Monica Torres

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Please purchase PDFcamp Printer on http://www.verypdf.com/ to remove this watermark. C MU I A Ã : b s d t b lo o gne o n ái d S ú e O N C Ç O a ae o r a d A et C mu i r e a d a h t o Mo i Meo ors nc a l T re l Jornalista. Especialista em Comunicação e Saúde/Fiocruz. R S MO EU O presente trabalho discute o profissional Agente Comunitário de Saúde como um trabalhador que, terminantemente, atua no seu dia a dia como um agente de comunicação e que pode contribuir para o reconhecimento da polifonia
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  COMUNICAÇÃO: a base do trabalho do Agente Comunitário de Saúde Monica Mello Torres Jornalista. Especialista em Comunicação e Saúde/Fiocruz. RESUMO O presente trabalho discute o profissional Agente Comunitário de Saúde como um trabalhador que,terminantemente, atua no seu dia a dia como um agente de comunicação e que pode contribuir para oreconhecimento da polifonia e valorização do diálogo entre comunidade e Sistema de Saúde. Paratanto, são entrevistados agentes de saúde e outros profissionais da área Saúde. O ambiente estudado é oSistema Municipal de Saúde de Sobral/CE, que desde o ano de 1997 adotou o Programa Saúde daFamília como estratégia estruturante da organização da atenção primária.A autora apresenta, ainda, um pouco da história do agente comunitário de saúde no país e nomunicípio, do Curso Seqüencial para Agentes Comunitários de Saúde e do Curso Técnico para esteprofissional, adotado pelo governo federal e pensado pela Escola de Formação em Saúde da FamíliaVisconde de Sabóia/Sobral e Escola de Saúde Pública/Ceará. Palavras-chave: comunicação; agente comunitário de saúde; polifonia. Please purchase PDFcamp Printer on http://www.verypdf.com/ to remove this watermark.  COMUNICAÇÃO: a base do trabalho do Agente Comunitário de Saúde Monica Mello Torres Jornalista. Especialista em Comunicação e Saúde/Fiocruz. O AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE “Ser agente de saúde é ser povo, é ser comunidade, (...) É passar pela rua, pela favela, pelo barraco e sentir que o seu povo necessita do seu trabalho e com o seu trabalho ela podeajudar a viver melhor... É saber contar nos dedos que o Joãozinho, a Mariazinha ou a Luíza, já tomaram vacina contra sarampo, o crupe e a paralisia. É que Rita ficou prenha e já faz exame de pré-natal no posto de saúde... É saber que a Cristina ganhou um lindo menino e é importanteorientá-la pacientemente, que precisa dar só leite do peito até o 6  o  mês... (...)” Isabel Cristina A. Stéfano, Presidente da Fundação Nacionalde Saúde, na apresentação do livro Manual do AgenteComunitário de Saúde, em 1991. O profissional Agente Comunitário de Saúde (ACS) está em todo o país, mas é no nordeste brasileiroque sua atuação se faz mais presente. As demandas governamentais por uma comunicação informativaque chegue a lugares longínquos e de difícil acesso no mapa brasileiro permeiam fortemente a atuaçãodesse trabalhador, que foi pensado para ser da promoção e da prevenção da saúde.No Ceará, o Agente contribuiu no encaminhamento das crianças para a escola. principalmente na árearural: grande parte dos alunos começavam e desistiam, por diversos motivos, como distância, os paisnão acreditavam na escola etc. Então, a partir de 1995 o Programa de Agentes Comunitários de Saúdepromoveu, para as secretarias de educação dos municípios, com o apoio da secretaria de educação doestado e do Unicef, o levantamento de todas as crianças que estavam fora da escola. Além dessegrande mutirão, os agentes começaram a mobilizar os pais, no sentido de discutir a importância evantagens de seus filhos irem para a escola e os professores e prefeitos, para construírem uma escolade qualidade para as crianças. A partir desse fato, ocorreu um maior reconhecimento do trabalho dosagentes e foi montado um supletivo de primeiro grau, depois de segundo, para escolarizá-los. Hoje, noCeará, noventa por cento dos Agentes ou terminaram ou estão concluindo o 2 o grau.Outro fato cearense: o Agente Comunitário levou às famílias a informação que as mulheres grávidastinham direito à assistência ao parto e ao pré-natal nos serviços públicos de saúde. Essa informaçãocontribuiu para a acessibilidade das famílias a um direito básico de cidadania, ignorado pelascomunidade menos assistidas socialmente. Please purchase PDFcamp Printer on http://www.verypdf.com/ to remove this watermark.  Um histórico dos agentes de saúde do Ceará 1   A função Agente Comunitário de Saúde surge em 1974/1978, em Planaltina-DF, na experiência comauxiliares de saúde, embriões dos futuros agentes de saúde. Para o Projeto Piloto foram reunidosUniversidade de Brasília, governo do Distrito Federal, Fundação Kellog e Fundação Interamericana. Aidéia era aproveitar a experiência de controlar a esquistossomose em comunidades de Pernambuco (dofinal da década de 40), através do trabalho educativo.Com a prática, os profissionais de saúde identificaram que a solução de muitos problemas de saúdedaquela população não estaria no hospital, mas no ambiente familiar e comunitário. A partir de então,após muito estudo sobre Participação Social, Dinâmica de Grupo e discussão das idéias de PauloFreire, foi se estruturando a metodologia para a capacitação dos auxiliares de saúde de Planaltina. Aintenção era que a partir do enfoque possibilitado por essas teorias, e com a participação doprofissional auxiliar de saúde, as pessoas simples do povo se sentiriam à vontade para manifestar o seupensamento e buscar soluções para os problemas.A idéia ganhou mundo, ou melhor, ganhou o Ceará. Em Jucás, centro sul, a experiência possibilitouposterior desenvolvimento para os agentes de saúde de todo o estado. Tanto nos auxiliares dePlanaltina, quanto posteriormente nos agentes, procurava-se reforçar a sua capacidade de comunicaçãocom as famílias, com os profissionais de saúde e com outras lideranças comunitárias.Em 1987, o Ceará iniciou um programa emergencial no atendimento às vítimas da seca, com 6.000agentes de saúde. Entre as mulheres pobres responsáveis pelo sustento da casa, foram selecionadas,para o trabalho de agentes de saúde, aquelas que melhor se comunicavam e bem se relacionassem comseus vizinhos - famílias que seriam acompanhadas por elas no futuro. Tinham pouco estudo, algumaseram analfabetas. Assim, no processo, em 1988 iniciou-se de forma duradoura o Programa dosAgentes de Saúde.O forte vínculo comunitário dessas mulheres influenciou os serviços de saúde do Ceará. Ajudaram agerar o Programa da Saúde da Família (PSF) em Quixadá, e a tornar o Sistema Único de Saúde (SUS)cearense mais voltado para os conterrâneos afastados dos centros médico-hospitalares. Outras pessoasdas comunidades periféricas sempre trabalharam na saúde como auxiliares, mas suas vozes não eramouvidas, não conseguiam se comunicar. Em 1990 haviam 3.433 agentes. Em 1994, o número mais quedobrou: 7.818. Fevereiro de 2002 é a data da assinatura do anteprojeto de lei de reconhecimento damais recente categoria profissional na saúde. A profissão Agente Comunitário de Saúde, com mais de190.000 profissionais espalhados por todo o país, transformou-se em lei em julho do mesmo ano,exigindo uma qualificação básica. Neste momento, somam-se 10.500 agentes espalhados pelos 184municípios do Estado. 1 Texto inspirador: Lavor, Antonio Carlile Holanda. QUALIFICAÇÃO BÁSICA PARA A FORMAÇÃO DO AGENTECOMUNITÁRIO DE SAÚDE. In: Uma proposta para atender ao pré-requisito necessário ao exercício profissional doAgente Comunitário de Saúde, de acordo com a Lei Federal n o 10.507 de julho de 2002 e diretrizes do Ministério da Saúdeem 2003. MÓDULO I. VERSÃO PRELIMINAR. 2004. Please purchase PDFcamp Printer on http://www.verypdf.com/ to remove this watermark.  Com a sua criatividade, em pouco tempo, transformaram o Ceará, em campeão nacional de coberturade crianças imunizadas. Praticamente desapareceu o parto desassistido na zona rural. As mãesvoltaram a amamentar seus filhos e os sinos diminuíram o toque que anunciava a morte de criançasrecém-nascidas.Muitos profissionais de saúde e estudiosos vêem o agente como uma mola propulsora para aconsolidação do Sistema Único de Saúde e na contribuição para a organização comunitária. E que, pormotivo de serem pessoas do povo, têm questões de vida próximas e podem contribuir nopreenchimento de lacunas, porquê conhecem e fazem parte daquela população específica.Os agentes estabelecem uma comunicação tamanha com as famílias, visitando-as casa a casa, efortalecendo os laços de vizinhança, ao mesmo tempo que ganham a confiança da equipe de saúde, quemuitos conseguem fazer parte do sistema de saúde sem perder a fidelidade à sua comunidade. Masalguns pensadores consideravam impossível esta proeza, dado o caráter autoritário tanto do servidorpúblico brasileiro como dos profissionais de saúde. Mas vemos que a criatividade e autonomia, emlugar de seguir protocolos rígidos, pode ser uma resposta à manutenção de sua fidelidade àcomunidade, mesmo fazendo parte de um serviço fortemente hierarquizado.A humanização dos serviços de saúde é uma das demandas mais constantes dos cidadãos. AOrganização Mundial de Saúde (OMS) apontou, no relatório de 2000, que as maiores deficiências doSistema, utilizado como exemplo de desigualdade em saúde, não estão no financiamento, mas naqualidade do trabalho dos profissionais. Conseqüentemente, conservar o que há de bom nos agentesdeverá ser um objetivo do SUS. O CURSO SEQÜENCIAL PARA AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE 2   Até então, todo o processos de capacitação/formação dos agentes eram pontuais. Principalmente derepasse de conhecimentos, com a justificativa do momento alarmante. Desde de 1999, quando oPrograma Saúde da Família estava ainda em processo de implementação em Sobral/CE, vinha sepensando em um curso longo de formação, que valorizasse esse saber local, que o agente partilha comsua comunidade. Desde 2002, a Escola de Formação em Saúde da Família Visconde de Sabóia e suaResidência Multiprofissional 3 , com as discussões em prol de envolver no processo de educaçãopermanente todos os profissionais que atuam no sistema, vinha pensando, juntamente com a 2 A partir das conversas com Maria Inês Amaral (diretora-presidente da Escola de Formação em Saúde da Família Viscondede Sabóia), Antonio Carlile Holanda Lavor (médico sanitarista) e Francisca Lopes de Souza (assistente social, uma dascoordenadoras do Curso Seqüencial para Agentes Comunitárias de Saúde). 3 A Escola de Formação em Saúde da Família Visconde de Sabóia/Sobral, além de ter sua residência multiprofissional, atuade forma a manter um processo de educação permanente para todos que atuam no sistema de saúde e ação social da cidade.O modelo pedagógico da Escola é baseado na participação, no diálogo e na problematização da realidade vivenciada peloseducandos – filosofia do professor Paulo Freire. 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Aug 16, 2017
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