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As Competências Do Professor de Educação Física Na Pós-modernidade

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As competências do professor de educação física na pós-modernidade
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  MMMMM  ovimento 19 Movimento, Porto Alegre, V. 8, n. 3, p. 5-18, setembro/dezembro 2002  Artigos Originais ..... Resumo Este artigo, resultante da dissertação de Mestrado emEducação, apresentada na Pontifícia Universidade Ca-tólica do Rio Grande do Sul (PUCRS) em 2002, apre-senta as competências do professor de Educação Físicana pós-modernidade. A pesquisa realizou-se a partir deentrevista semi-estruturada com participantes de duas Instituições de Ensino Superior, uma pública e outra privada, possibilitando uma aproximação dessas reali-dades. Na análise das entrevistas emergiram as compe-tências pessoal, profissional e social, integrando um es-tudo mais amplo, que compreende as teorias educacio-nais. As conclusões da pesquisa remetem à avaliaçãocrítica das competências básicas que formam um con- junto de ações que expressam o atual significado daEducação Física no contexto educacional e social. Palavras-chave:  competências, pós-modernidade,desenvolvimento humano. Abstract This article, resulting from the dissertation of Master  Degree in Education submitted to the CatholicUniversity of Rio Grande do Sul (PUCRS) in 2002, presents the competences of the physical-educationteachers in the post-modernity. This research beganafter semi-structured interviews applied to students from two different university schools – a public and a private one – allowing the approach to these realities.Personal, professional and social compe-tence arose from the analysis of these interviews, integrating awider study including the educational theories. Theresearch conclusions lead to a critical evaluation of the basic competences included in a set of actions As Competências do Professor deEducação Física na Pós-modernidade Eunice Helena Tamiosso Vega* expressing the curent meaning of Physical Educationwithing the educational and social context. Keywords:  competences, post-modernity, humandevelopment. Resumen Este artículo, resultado de la disertación de Maestríaen Educación presentada en la Pontifícia Univer-sidade Católica do Rio Grande do Sul, – PUCRS (Universidad Católica de Rio Grande del Sul, Bra-sil) – en 2002, presenta las competencias del profesor de Edicación Física en la postmodernidad. La investigación se realizó a partir de entrevistassemiestructuradas con participantes de dosinstituciones de Educación Superior – una pública y otra privada – que permitieron la aproximacióna esas realidades. Del análisis de las entrevistassurgieron la competencia personal, la profesional y la social, integrando un estudio más amplio, queabarca las teorías educacionales. Las conclusionesde la investigación conducen a la evaluación críti-ca de las competencias básicas que forman un con- junto de acciones que expresan el significado actualde la Educación Física dentro del contexto educa-cional y social. Palabras-clave:  competencias, postmodernidad,desarollo humano. Introdução Na pós-modernidade estão sendo desenvolvidas habilida-des para pensar e escolher caminhos a serem percorridospara a evolução futura, através da experiência da investi-   Movimento, Porto Alegre, V. 8, n. 3, p. 19-31, setembro/dezembro 2002  MMMMM  ovimento 20 Movimento, Porto Alegre, V. 8, n. 3, p. 19-31, setembro/dezembro 2002 gação, do questionamento e da reflexão, com uma ideo-logia baseada na imagem de um novo mundo. Um mun-do de incertezas e inacabado, onde a consciência corporalpassa pela necessidade de manter uma saúde equilibrada,fundamental para compor o novo ser humano que tendea possuir maiores cuidados com a educação do corpo edos relacionamentos, criando assim, um senso de signifi-cado, que tem início nas aulas de Educação Física. Nopermanente estudo do desenvolvimento humano, consi-dera-se fundamental que o/a professor/a tenha uma auto-imagem boa e a auto-estima equilibrada para que possadesenvolver suas competências.A busca de uma identidade profissional própria sempreesteve em foco neste percurso, mas com pouco êxito, vistoque a disciplina de Educação Física quase ficou excluídada última Lei de Diretrizes e Bases, por ser julgada desne-cessária ao currículo escolar e que, graças a um projeto delei apresentado, foi reconsiderada como essencial. Dianteda observação de que o principal problema da EducaçãoFísica reside em uma ordem epistemológica, presente emuma visão limitada do processo educacional e social, mepropus a elaborar uma pesquisa que apontasse as compe-tências básicas que o/a professor/a de Educação Física devepossuir para atuar nesse processo. A dinâmica do mundointerno acontece em interação com o mundo externo e, juntos, revelam as emoções, reflexões, decisões e ações,que formam as sinergias das ações espontâneas. Compre-ender como acontece essa interdependência que move oser humano, torna-se fundamental para entender as no-vas competências.O objetivo principal foi estudar as competências dos pro-fessores de Educação Física na pós-modernidade em duasInstituições de Ensino Superior, uma pública e outra pri-vada, e as bases epistemológicas do seu conhecimento,possibilitando o entendimento destas competências, bemcomo das suas atuações em sociedade, mais especifica-mente, na sociedade educacional. Tal problema surgiuda necessidade de rever que competências são essas, e issopôde ser feito pela reflexão do corpo docente sobre o seupróprio fazer, desencadeando um processo de transforma-ção. Este estudo, baseado na linha de pesquisa da Pessoa edo Desenvolvimento humano, se preocupou em deixarclaro as competências ideais dos professores de EducaçãoFísica, através do estudo da pós-modernidade, que ilustraa história da Educação Física e sugere que as competênci-as que hoje se exige dos professores sejam reconfiguradaspara este momento histórico importante.Optei por quatro campos temáticos que, a meu ver,apontam para uma argumentação com coerência in-terna, que são: as considerações sobre a pós-modernidade; um breve histórico da Educação Físicano Brasil; o/a professor/a de Educação Física e seu de-senvolvimento; e as competências do/a professor/a deEducação Física na pós-modernidade.A pós-modernidade está sendo vista como uma ciên-cia contemporânea, imbuída de criatividade eindeterminismo, combinando o científico com o esté-tico. Na opinião de Doll (1997, p. 19), isso ainda nãoestá claro para toda a comunidade científica:  As implicações de uma perspectiva pós-moderna para aeducação e o currículo são imensas, mas de forma al-guma claras. [...] Na verdade, o que acontece é quesurge um senso de ordem inteiramente novo: não aordem simétrica, simples e seqüencial que a Ciência clás-sica tomou emprestada do pensamento medieval, masuma ordem assimétrica, caótica e fractal, que estamoscomeçando a descobrir nas Ciências pós-modernas. A Educação Física, por trazer uma herança do tecnicis-mo no seu desenvolvimento, leva alguns professores aterem sua atuação baseada em práticas ultrapassadas.Para entender estas mudanças foi necessário organizarum breve histórico da Educação Física no Brasil, ondese buscou compreender a sua historicidade, o que signi-fica avançar com bases sólidas rumo ao desenvolvimentosocial e cultural, trazendo informações importantes desteprocesso. No referencial teórico do/a professor/a e seudesenvolvimento, são enfocadas questões pertinentes aoconhecimento das individualidades pessoais, da inteli-gência físico-cinestésica, bem como as crises que os do-centes e as instituições educacionais estão passando. E,por último, foi feito um ensaio sobre as competênciasdo/a professor/a de Educação Física, formando o eixoprincipal deste estudo, através do qual nos movemos paracompreender o conjunto de ações pedagógicas que o/a  MMMMM  ovimento 21 Movimento, Porto Alegre, V. 8, n. 3, p. 19-31, setembro/dezembro 2002 professor/a possui na pós-modernidade e que se preten-de estarem contempladas nesta pesquisa. Essas compe-tências, quando bem desenvolvidas, darão o suporte ne-cessário para contornar as situações problemáticas quesurgem ao longo da vida. Metodologia Esta pesquisa é de cunho qualitativo, em nível descriti-vo, e pretendeu apontar as competências dos professoresde Educação Física, através dos testemunhos dos própri-os docentes. Esta metodologia permitiu registrar dadossubjetivos dos entrevistados e contribuiu para diminuira distância entre o conhecimento científico adquiridocom as teorias da educação e as teorias referentes à cul-tura do movimento humano. Assim, observei que as te-orias da Educação Física, por vezes ficam escondidas naspráticas desportivas, sendo impedidas de tornarem-se umreferencial teórico de ação educativa. Para a coleta eanálise de dados foi utilizada a entrevista semi-estruturada, e o método empregado foi a Análise de Con-teúdo. As entrevistas foram gravadas, transcritas na ín-tegra e devolvidas aos professores para ajustes necessári-os, favorecendo assim a explicação e a compreensão datotalidade da investigação, além da descrição do fenô-meno social da pós-modernidade, que sugere que se dêretorno, pois uma realidade, ao ser questionada, provo-ca reflexões, e isto foi sentido através da devolução dastranscrições, algumas pessoalmente, outras, via correioeletrônico. Para que não houvesse a identificação dosparticipantes no relatório de pesquisa foi-lhes dado osnúmeros de um a seis para os docentes da instituiçãoprivada e de sete a doze para os docentes da instituiçãopública. Este trabalho de interpretação levou-me a ela-boração de um capítulo onde descrevo e interpreto osresultados extraídos da análise. Relatando e interpretando osdados Foram encontradas três grandes categorias denomi-nadas: competência pessoal, competência profissionale competência social. Na competência pessoal, vimoscomo subcategorias: visão da corporalidade; visão dacorporeidade; vivência esportiva; e visão holística. Nacompetência profissional: experiências didático-peda-gógicas; multidisciplinaridade; interdisciplinaridade;e crises (na IES, na faculdade de Educação Física e naescola). Na competência social: pesquisas sociais; Ins-tituição de Ensino Superior (IES) e sociedade – diálo-go/troca/reflexo; devolução; e publicações.A abordagem das competências deu-se no sentido de apon-tar um conjunto de ações, consideradas como as qualifi-cações que os professores de Educação Física possuem nasua atuação. Por ser uma área que trabalha com o movi-mento humano, ela volta-se para conhecimentos relacio-nados às questões pessoais, profissionais e sociais de for-ma peculiar. Nessas três competências, encontram-se re-ferências que sinalizam este/a professor/a, visto que ele/ainterage nos três níveis, e estes caminhos são permeadospor essas ações, que também denominamos competênci-as como sinônimo de aptidões. Competência pessoal Juntamente com asduas outras categori-as encontradas nesteestudo – competênciaprofissional e compe-tência social, forma abase do profissionalque atua na pós-modernidade. Enten-de-se que não pode haver fragmentação na identidade dapessoa do/a professor/a, visto que o ser humano éinacabado e vai se construindo ao longo de toda a vida.Existem algumas características típicas do/a professor/ade Educação Física que o diferencia dos demais docentes,por ter sua atuação baseada em pressupostos teóricos queabordam a cultura do movimento humano, permeadapor aspectos relevantes do comportamento. Alguns semesclam com as demais áreas do conhecimento, outrosse distinguem por tratarem das emoções, traduzidas na  A competência pessoal partedas vivências de cada indi-víduo e se sobressai no seucomportamento, nos seusmétodos de trabalho e nas in-terpretações feitas da realida-de presenciada.  MMMMM  ovimento 22 Movimento, Porto Alegre, V. 8, n. 3, p. 19-31, setembro/dezembro 2002 corporeidade. A corporeidade torna-se o ponto chave deuma visão antropológica, no que Assmann (1998, p. 61)esclarece: “A corporeidade deve ser a instância referencialde critérios para a educação, para a política, para a eco-nomia e inclusive para a religião. Ninguém pode serviraos valores espirituais sem encarná-los em valores corpo-rais ”. Justifica-se, assim, a importância da Educação Físi-ca no contexto educacional como área do movimentohumano que aborda a cultura corporal, pois trazemosimpressos na nossa corporeidade a cultura local e mundi-al e somos afetados por ela.Nessa competência, a questão do vínculo é fundamental, esaber estabelecer vínculos com os alunos e colegas professo-res pressupõe aprender a lidar consigo (relação intrapessoal)e com os outros (relação interpessoal). Através de estudosfeitos em Cognição Humana, obtive referência em Gardner(2000, p. 58) sobre a inteligência intrapessoal, sugerindoque: “... envolve a capacidade de a pessoa se conhecer, de terum modelo individual de trabalho eficiente – incluindo aí os próprios desejos, medos e capacidades – e de usar estasinformações com eficiência para regular a própria vida”.Para este mesmo autor, (1994, p. 185) a inteligênciainterpessoal: “... volta-se para fora, para outros indivíduos. Acapacidade central aqui é a capacidade deobservar e fazerdistinções entre outros indivíduos e, em particular, entre seushumores, temperamentos, motivações e intenções”. E isso éconstatado nos professores de Educação Física pelo dina-mismo que possuem, pois dificilmente se vê um profissio-nal da corporeidade introvertido.Os professores consideram muito importante conhecer,envolver-se com os alunos e saber da sua vida pessoal, es-tar próximo deles, ter trato humano, por entenderem quemuitos estão chegando a um universo estranho, onde irãointeragir noutra realidade, não mais de adolescentes e simna perspectiva de adultos jovens, como um rito de passa-gem. Portanto, receber e tratar bem os alunos que estãochegando aos bancos universitários é uma tarefa primor-dial do professor universitário, que vê um bom início paraconhecer seus alunos na abordagem dos valores de cadaum. Os primeiros valores trabalhados nas turmas são oconhecimento, a honestidade, a autonomia, a criticidadee a responsabilidade. Essas qualidades denotam as com-petências pessoais da comunidade acadêmica, que vãosendo passadas aos alunos, fundindo-se em valores seme-lhantes, conforme as teorias que os professores exercitam.Torna-se imprescindível aos professores de Educação Físi-ca saber ouvir, pois os alunos sentem-se à vontade parafalar, expor seus anseios pessoais, e quanto ao aspecto pro-fissional, se vêem refletidos no/a professor/a, que aparen-temente demonstra possuir uma liberdade no exercícioda docência que é uma referência importante. ConformeMosquera e Stöbaus (2001, p. 97): Freqüentemente nos custa muito parar para ouvir osoutros, estamos muito mais preocupados em que nosouçam, porém poucos dispostos a ouvir. O ouvir os ou-tros e aprender a vê-los como são realmente é funda-mental para as relações interpessoais, em especial paraos professores, que devem de estar muito atentos e po-der, assim, agir melhor na realidade. Entende-se que, para agir melhor na realidade, o/aprofessor/a universitário deve escutar o que os acadê-micos pensam, pois eles são a manifestação dos anseiosda sua geração, que em alguns aspectos possui menospreconceitos a respeito de questões que a anterior in-vestigou e esgotou como possibilidade de avançar paraoutra etapa. É importante refletir sobre isto, de formaresponsável, pela participação na educação como umfator determinante para as futuras gerações. Para o/aprofessor/a de Educação Física, a observação faz partedo conjunto de competências adquiridas com o exer-cício da docência, pois se desenvolve um olhar clínicosobre os movimentos corporais, possibilitando detec-tar erros posturais que, se não forem corrigidos a tem-po, formam caminhos que impedem os alunos deautomatizarem o gesto certo, levando-os a não gosta-rem dos movimentos por errarem muito. E, falando-se em movimentos, a automatização é necessária paraque a criatividade se estabeleça. Destaco aqui a fala deuma entrevistada: “A qualidade da observação pas-sa por um trabalho dos sentidos. Um educador não pode ser mais aquele observador imparcial, neu-tro. Ele tem que atuar e estar consciente que a suaatuação também vai alterar a realidade” (P4). Oespaço físico de ação do/a professor/a de Educação Fí-sica é muito amplo e é preciso manter os alunos den-tro dele, observando seus movimentos para que não seformem caminhos errados no seu vocabulário motor.
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