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AULA02a CC - ARAÚJO, C.A.A. A Trajetória e os Paradigmas da Teoria da Comunicação

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Universidade da Amazónia - Unama Curso de Mestrado e m Comunicação, C u l t u r a e L i n g u a g e m Disciplina: O c a m p o c o m u n i c a c i o n a l : aspectos teóricos e epistemológicos Professora: Cenira A l m e i d a S a m p a i o Data: 2 4 / 0 2 / 2 0 1 1 Aula 0 2 -A trajetória e o s paradigmas da Teoria da Comunicação Carlos Alberto Ávila Araújo 1 1. A s d i v e r s a s c o r r e n t e s q u e compõem a Teoria d a Comunicação O q u e é n o r m a l m e n t e conhecido c o m o Teoria d
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  Universidade da Amazónia - Unama Curso de Mestrado em Comunicação, Cultura e LinguagemDisciplina: O campo comunicacional: aspectos teóricos e epistemológicos Professora: Cenira Almeida Sampaio Data: 24/02/2011 Aula 02 -A trajetória e os paradigmas da Teoria da Comunicação Carlos Alberto Ávila Araújo 1 1. As diversascorrentes que compõem a Teoria da Comunicação O que é normalmente conhecido como Teoria da Comunicação diz respeito a uma tradição de estudos e pesquisas que se inicia no começo deste século. O que não significa que, até este momento específico, não se estudava a comunicação. Por exemplo, os estudos de Aristóteles sobre a retórica podem ser identificados comoestudos sobre a comunicação.A Sociologia 2 , enquanto ciência, tem um surgimento datado: o século XVIII, época em que a vida social torna-se um problema, um objeto de estudo. Ou seja, sãocaracterísticas da realidade social vivida no momento - o ritmo violento das mudanças no fim do feudalismo e início do capitalismo; a industrialização; a vida fabril; aurbanização; a mudança de costumes - que determinam a configuração de uma atividade reflexiva e um conjunto de estudos sistemáticos voltados para um problema específico: a sociedade. O que se deu com a Sociologia, repetiu-se com a Comunicação. Como esclarece França 3 , se a reflexão sobre a comunicabilidade, a atividade comunicativa do homem, preocupou os pensadores desde a Antiguidade Clássica, a nossa Teoria da Comunicação é bem recente.Na verdade, o desenvolvimento de estudos mais sistemáticos sobre acomunicação é consequência antes de tudo do advento de uma nova prática decomunicação: a comunicação de massa, realizada através de meios eletrônicos, possibilitando o alcance de audiências de massa, a supressão do tempo e da distância .É a partir, portanto, do surgimento dos meios de comunicação de massa e das indagações que eles colocaram - o jornalismo de massa, no fim do século XIX, e, noinício do século XX, o rádio e o cinema, atingindo as grandes audiências - que podemos falar numa Teoria da Comunicação, que seria o conjunto de estudos e pesquisas sobreas práticas comunicativas. Este conjunto, contudo, não constitui um corpo homogéneo ou contínuo mas, antes, representa uma multiplicidade de conhecimentos, métodos e pontos de vista bastante heterogéneos e discordantes.Diversos autores se debruçaram sobre a Teoria da Comunicação numa tentativa de sistematizá-la ou classificá-la. Não é objetivo deste trabalho apresentar ou discutir essas classificações. Recorrer-se-á, apenas, em alguns momentos, a alguma ' Jornalista, doutorando em Ciência da Informação pela UFMG e professor licenciado das Faculdades Integradas de Caratinga. 2 Conforme MARTINS, C.B. O que é sociologia. São Paulo: Brasiliense, 1992. 3 ln: FRANÇA, V.R.V. Teoria(s) da comunicação: busca de identidade e de caminhos . Belo Horizonte: Depto. deComunicação da UFMG, 1994.  delas. Nosso objetivo aqui é o de apresentar a trajetória da Teoria da Comunicação, identificando escolas e momentos mais representativos. 1.1. A srcem dos estudos: a pesquisa norte-americana Os primeiros estudos sobre a comunicação de massa acontecem nos Estados Unidos, na década de 30, a partir de uma demanda pragmática, mais política do quecientífica - determinando uma problemática de estudos que não foi colocada pelointeresse científico. Contratados por diversas instituições para resolver problemasimediatos relativos às questões comunicativas - daí o caráter instrumental desse tipo de pesquisa -, pesquisadores como Lasswell, Lazarsfeld, Lewin e Hovland deram início ao que Wolf 4 chamou de communication research, ou a longa tradição de análise emcomunicação. Schramm 5 coloca que quatro homens são normalmente consideradosos 4 pais fundadores' da pesquisa sobre comunicação nos Estados Unidos: dois psicólogos, um sociólogo e um cientista político . O autor, referindo-se a Paul Lazarsfeld, Kurt Lewin, Harold Lasswell e Carl Hovland, identifica que estas quatro correntes de influência são perceptíveis na pesquisa de comunicação nos Estados Unidos , ou seja, a partir das obras destes quatro autores, e dos vários centros de pesquisa criados paraestudar a comunicação, se desenvolve toda a pesquisa norte-americana.Lazarsfeld, sociólogo formado em Viena, chegou aos Estados Unidos em 1932 e executou diversos estudos sobre a audiência e os efeitos dos meios decomunicação de massa, centrado nas questões eleitorais, de campanhas e da influência pessoal em relação à dos meios coletivos. Katz e Klapper, alunos de Lazarsfeld, também desenvolveram reconhecidos trabalhos sobre os efeitos da comunicação de massa.Lewin, psicólogo também formado em Viena e também chegado aos Estados Unidos noinício da década de 30, preocupou-se, basicamente, com a comunicação de grupos e com os efeitos das pressões, normas e atribuições do grupo no comportamento e atitudes de seus membros. Um de seus discípulos, Festinger, desenvolveu a teoria dadissonância cognitiva. O terceiro dos pais fundadores , Lasswell, era cientista político cujo método era o analítico. Foi pioneiro no estudo da propaganda e das funções da comunicação. Por fim, Hovland, psicólogo, debruçou-se sobre a comunicação e mudança de atitude. O conjunto dos estudos norte-americanos não representa um todo homogéneo - sãoinúmeras vertentes de pesquisa, com variados enfoques -, mas é possível identificar pelomenos dois grandes ramos de estudo - os que se preocupam com os efeitos dacomunicação e os que buscam estabelecer suas funções -, bem como estudos maisoperacionais que vão buscar dar conta da natureza do processo comunicativo com seus elementos internos. 1.1.1. O estudo dos efeitos Temática específica da pesquisa americana, essa corrente de preocupação congrega variados estudos de naturezas diferentes. Um autor que se dedica àsistematização e análise dos estudos americanos dos efeitos é Wolf 6 , a partir daidentificação da teoria hipodérmica e de sua evolução. É essa classificação que será adotada, aqui, para a identificação da perspectiva dos efeitos na pesquisa norte- americana. 1.1.1.1. A Teoria Hipodérmica 4 WOLF, M. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 1987. 5 SCHRAMM, W. et alii. Panorama da comunicação coletiva. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1964, p .10. 6 WOLF, M. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 1987.  A Teoria Hipodérmica é um modelo que tenta dar conta da primeira reação que a difusão dos meios de comunicação de massa despertou nos estudiosos. Ela se constrói, portanto, em relação à novidade que são os fenómenos da comunicação de massa, e às experiências totalitárias da época em que surge - o período entre guerras. A síntese dessa teoria é que cada indivíduo é diretamente atingido pelamensagem veiculada pelos meios de comunicação de massa, ou seja, existe umaconcepção de onipotência dos meios, e de efeitos diretos. Sua preocupação básica é justamente com esses efeitos. Há que se destacar a presença de uma teoria da sociedade de massa, e de uma teoria psicológica da ação, ligada ao objetivismo behaviorista. A presença de um conceito de sociedade de massa destaca o isolamento físico e normativo do indivíduo na massa e a ausência de relações interpessoais. Daí a atribuição de tanto destaque às capacidades manipuladoras dos mass media. Já a teoria da ação elaborada a partir da psicologia behaviorista estuda o comportamento humano com métodos de experimentação e observação das ciências naturais e biológicas. O resultado da utilização desse tipo de concepção é que a Teoria Hipodérmica considerava o comportamento em termos de estímulo e resposta, o que permitia estabelecer uma relação direta entre a exposição às mensagens e o comportamento: se uma pessoa é apanhada pela propaganda, ela pode ser controlada,manipulada,levada a agir. Essa concepção da ação comunicativa como uma relação automática deestímulo e resposta reduz a ação humana a uma relação de causalidade linear, e reduz também a dimensão subjetiva da escolha em favor do caráter manipulável do indivíduo. 1.1.1.2. A evolução da Teoria Hipodérmica A evolução da Teoria Hipodérmica, no sentido de uma visão mais complexado processo comunicativo - e de perceber as que os efeitos não se davam de forma direta, identificando limitações -, deu-se segundo duas diretrizes distintas, mas em muitos aspectos interligadas e sobrepostas. É possível percebermos um certo percursoseguido pela pesquisa sobre os mass media: no começo, a Teoria Hipodérmica concentrada nos problemas da manipulação, para passar aos da persuasão chegando, por fim, aos da influência. 1.1.1.2.1. A abordagem da persuasão Os estudos empírico-experimentais debruçaram-se sobre os fenómenospsicológicos individuais que constituem a relação comunicativa, com o objetivo de perceber como ocorrem os processos de persuasão ocorridos a partir da ação dos meios. Para tanto, partiram da determinação das características psicológicas dos receptores.Entre os vários estudos, destacam-se as pesquisas psicológicas de Hovland. Porém, este âmbito de estudos é composto por uma multiplicidade de micropesquisas de resultados muitas vezes opostos, o que faz com que não exista uma unidade no conjunto desses estudos. A primeira coordenada que orienta esse tipo de estudos se orienta emrelação às características dos destinatários que interferem na obtenção dos efeitos pretendidos. A estrutura que orienta esses estudos é uma concepção tão mecanicistaquanto a da Teoria Hipodérmica. A de que, entre a causa (ou estímulo) e o efeito (a reposta), existem processos biológicos intervenientes - ou seja, é a mesma concepção de causa-efeito, mas dentro de um quadro analítico um pouco mais complexo, porque  considera as seguintes variáveis: o interesse em obter informação, a exposição seletivaprovocada pelas atitudes já existentes, a interpretação seletiva e a memorização seletiva. A segunda coordenada tem a ver com a organização ótima das mensagenscom finalidades persuasivas - ou seja, os fatores ligados às mensagens. Essa tendência de pesquisa, para desenvolver-se, utilizou das conclusões obtidas na primeiracoordenada. As variáveis que se relacionam com as mensagens são: a credibilidade do comunicador, a ordem da argumentação, a integralidade das argumentações e aexplicitação das conclusões. 1.1.1.2.2. A Teoria dos Efeitoslimitados A abordagem empírica de campo ou dos efeitos limitados procurou estudaros fatores de mediação existentes entre os indivíduos e os meios de comunicação de massa. Essa teoria é composta de duas correntes: a) Estudo da composição diferenciada dos públicos e dos seus modelos de consumo de comunicações de massa. b) Pesquisas sobre a mediação social que caracteriza o consumo: apercepção de que a eficácia dos mass media só é susceptível de ser analisada no contexto social em que funcionam. Essa teoria, mais atenta à complexidade dos fenómenos, deixa de salientar arelação causal direta entre propaganda de massas e manipulação de audiência parapassar a insistir num processo indireto de influência em que as dinâmicas sociais se intersectam com os processos comunicativos. O objeto de estudo dessa teoria era, como os demais, os mass media, mas, especificamente dentro dos processos gerados a partir de sua presença, aquelesrelacionados aos processos de formação de opinião. É, ainda, inegável a contribuição dessa teoria para o desenvolvimento do modelo do two-step flow - a descoberta doslíderes de opinião e do fluxo de comunicação em dois níveis. O avanço destasdescobertas é que elas demonstram que os efeitos não podem ser atribuídos à esfera doindivíduo, mas à rede de relações - é a noção do enraizamento dos processos e de seucaráter não-linear que começa a tomar corpo. Até então, a audiência era concebidacomo um conjunto de classes etárias, de sexo, de casta, etc, e pensava-se que asrelações informais entre as pessoas não influenciavam o resultado de, por exemplo, uma campanha propagandística. 1.1.2. A Teoria Funcionalista A corrente funcionalista aborda hipóteses sobre as relações entre osindivíduos, a sociedade e os meios de comunicação de massa. Ela se distancia, em muito, das teorias precedentes pois a questão de fundo já não são os efeitos mas asfunções exercidas pela comunicação de massa na sociedade. O centro das preocupações deixa de ser o indivíduo para ser a sociedade, numa linha sócio-política. O funcionalismose desenha como uma perspectiva de certa forma paralela à dos efeitos, trazendo também elementos que apontam para a superação da Teoria Hipodérmica. Aqui, tem-se uma definição da problemática dos mass media a partir da sociedade e de seu equilíbrio, da perspectiva do funcionamento do sistema social no seu conjunto e seus componentes. Já não é a dinâmica interna dos processos comunicativosque define o campo de interesse de uma teoria dos mass media, mas sim a dinâmica do sistema social.Assim, a teoria sociológica de referência para estes estudos é o estrutural- funcionalismo. O sistema social na sua globalidade é entendido como um organismo
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