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Avaliação Do Risco Cardiovascular e Da Atividade Física Dos Frequentadores de Parques

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estudo que investigou a prevalência de fatores de risco para doenças cardíacas em frequentadores de parques
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  Arq Bras Cardiol2002; 79: 35-42.Forjaz e colsRisco cardiovascular e atividade física 3535353535 Escola de Educação Física e Esporte da USP e Parque Fernando CostaCorrespondência: Cláudia Lúcia de Moraes Forjaz - Av. Prof. Mello Moraes, 6505508-900 - São Paulo, SP – E-mail: cforjaz@usp.br Recebido para publicação em 31/5/01Aceito em 15/8/01 Objetivo -  A prática de exercícios físicos ajuda a pre-venir acometimentos cardiovasculares. Campanhas de in-centivo ao exercício têm levado muitas pessoas aos par-ques da cidade. O exercício mais adequado para a preven-ção cardiovascular é aeróbio, uma vez que exercícios ina-dequados aumentam agudamente o risco cardiovascular, sobretudo em indivíduos de alto risco. Assim, torna-se in-teressante avaliar o risco dos freqüentadores e a atividade física praticada nos parques. Métodos -  Desenvolvemos, no Parque Fernando Cos-ta, o projeto “Exercício e Coração”, que atendeu 226 pes- soas. A avaliação do risco cardiovascular e da atividade física praticada foi feita por questionário e a pressão arte-rial, o peso, a estatura e o índice cintura-quadril foram me-didos. Foi dada aula sobre os benefícios do exercício ecomo executá-lo corretamente e cada participante rece-beu uma prescrição individualizada de exercício. Resultados - Quanto ao risco, verificamos que 43%das pessoas apresentavam problemas de saúde e 7% dos saudáveis tinham sintomas que podem ser atribuídos ao co-ração. A pressão arterial elevada foi constatada em grande parte da população. Quanto à adequação da atividade físi-ca, as pessoas praticavam atividades adequadas. O projeto foi bem aceito, visto que as pessoas relataram ter apreciadoa iniciativa e modificado sua prática após a participação. Conclusão - Os dados obtidos indicam a necessidadede um maior cuidado em avaliar a saúde dos freqüenta-dores de parques, sugerindo que os parques da cidade te-nham um setor de avaliação e orientação à prática de ati-vidades físicas. Palavras-chave: risco cardiovascular, exercício, parque público Arq Bras Cardiol, volume 79 (nº 1), 35-42, 2002 Cláudia L. M. Forjaz, Taís Tinucci, Teresa Bartholomeu, Tiago E. M. Fernandes,Vivian Casagrande, José Geraldo Massucato São Paulo, SP Avaliação do Risco Cardiovascular e da Atividade Física dosFreqüentadores de um Parque da Cidade de São Paulo   Artigo Original Os problemas cardiovasculares são a principal causade morte da população adulta em nosso país 1 . De fato, as populações, principalmente acometidas por essas doenças,são as que residem nos principais centros urbanos, comoSão Paulo. Devido à grande relevância dessas doenças, es-forços têm sido empreendidos no sentido de evitá-las, o quese reflete na determinação e controle dos fatores de riscocardiovascular, como o sedentarismo.Atualmente, já está bem estabelecido que a prática re-gular de exercícios físicos ajuda na prevenção e reabilitaçãode doenças cardíacas 2-4 . Indivíduos sedentários que se tor-nam um pouco ativos reduzem expressivamente seu riscocardiovascular 2,4 , devido aos efeitos benéficos do exercíciosobre o sistema cardiovascular 5,6  e sobre o controle dosdemais fatores de risco 6-8 .Entretanto, cabe ressaltar que existem exercícios maisefetivos que outros para a saúde cardiovascular. Atualmen-te, têm-se demonstrado que os exercícios resistidos podem produzir efeitos cardiovasculares benéficos, porém os bene-fícios obtidos pelo exercício aeróbio são mais expressivos. Nesse sentido, os exercícios aeróbios, ou seja, as atividadesrealizadas com grandes grupos musculares movimentadosde forma cíclica com baixa a moderada intensidade e longaduração, feitas de três a cinco vezes por semana, são asmais recomendadas para a prevenção cardiovascular primá-ria e secundária 9 .Apesar dos benefícios comprovados da atividade físi-ca, grande parte da população de São Paulo, cerca de 69%dos adultos 10 , é sedentária. Assim, entidades ligadas àsaúde têm proposto campanhas 11 , como o Agita São Paulo, para incentivar a população a se tornar mais ativa, o que temresultado num grande número de pessoas freqüentando os parques da cidade para realizar atividades físicas. No entan-to, cabe ressaltar que o exercício físico inadequado pode re- presentar um aumento imediato de risco cardiovascular,visto que o risco de infarto do miocárdio em um indivíduosedentário é seis vezes maior durante o exercício intenso doque em repouso 12 . Além disso, a maioria dos parques não possui uma estrutura para avaliação e orientação de ativida-des físicas para seus usuários.  3636363636 Forjaz e colsRisco cardiovascular e atividade físicaArq Bras Cardiol2002; 79: 35-42. Diante do exposto, embora a iniciativa de aumentar aatividade física seja ótima e necessária do ponto de vistade saúde pública, é preciso avaliar se a população que temfreqüentado os parques da cidade para praticar exercícios possui um risco compatível com a prática sem supervisão ese a atividade que está sendo realizada é adequada.Dessa forma, esse projeto teve por objetivo avaliar o ris-co cardiovascular (verificando a presença de doenças, fatoresde risco e sintomas cardiovasculares) e a prática de atividadesfísicas dos usuários do Parque Fernando Costa (Parque daÁgua Branca). Além disso, este projeto também visou ter umefeito educativo, informando aos usuários do parque as potencialidades dos exercícios na prevenção cardiovascular e a forma correta de executá-los. Para finalizar, tentamos ava-liar a efetividade dessa proposta educativa. Métodos O projeto “Exercício e Coração” foi realizado em quatrofinais de semana, entre outubro e novembro de 2000 no Par-que Fernando Costa em São Paulo, SP. Este parque que secaracteriza por ser eminentemente urbano, localizado próximoà região central de São Paulo, que oferece à população local,espaço para caminhadas/corridas e atividades relacionadas àcriação de animais e plantação. Neste projeto, em cada final desemana, foram realizadas 10 sessões, com a possibilidade deatender seis pessoas em cada uma, totalizando 240 vagas.Cada sessão era acompanhada por cinco monitores, a partici- pação era gratuita e as vagas abertas a todos os freqüen-tadores do parque que foram convocados a partir de faixasespalhadas pelo parque e pelo contato verbal direto.O projeto possuiu basicamente quatro objetivos: 1)avaliar a presença de fatores de risco na população que fre-qüenta o parque; 2) analisar a atividade física que vinha sen-do realizada por essa população; 3) divulgar conhecimentossobre a prática correta de exercícios físicos para a saúde, ve-rificando posteriormente, a efetividade dessa ação educati-va; e 4) avaliar a receptividade dos usuários do parque emrelação ao projeto.Dessa forma, as sessões foram elaboradas em três par-tes. Nos primeiros 20 a 25min foi feita a avaliação de fatores derisco e problemas de saúde. Em seguida, foi ministrada umaaula de 20 a 25min sobre os benefícios do exercício para a saúdee a forma correta de realizá-los, e nos últimos 10 a 20min foifeita uma prescrição individualizada de atividade física.A avaliação dos fatores de risco e problemas de saúdefoi feita por meio de um questionário, montado com base nodo  American College of Sports Medicine  - ACSM e pela  American Heart Association  - AHA 13  e preenchido pelos participantes com o auxílio de um dos monitores. As ques-tões iniciais diziam respeito à presença de problemas desaúde, uso de medicamentos e presença de sintomas que pudessem refletir problemas cardiovasculares, como dor no peito, falta de ar e tontura/desmaios. Na segunda parte doquestionário, foram levantadas questões sobre a presençade fatores de risco como sexo, idade, hereditariedade, diabe-tes e fumo e indagado também se os indivíduos conheciamsuas taxas de glicemia e colesterol.Para avaliar a presença de obesidade, o peso e a estatu-ra foram medidos em uma balança Filizola. As circunferênci-as da cintura e do quadril também foram medidas com umafita métrica.A pressão arterial foi aferida, com um esfigmomanô-metro aneróide, uma única vez após 5min de repouso na posição sentada com o braço posicionado na altura do ven-trículo esquerdo e realizada por monitores treinados. As fa-ses I e V de Korotkoff foram empregadas para determinar as pressões arteriais sistólica e diastólica, respectivamente.Os esfigmomanômetros foram constantemente aferidoscontra a coluna de mercúrio durante o projeto. Para evitar medidas falsamente reduzidas pela execução de atividadefísica antes da avaliação, foi indagado aos voluntários seeles haviam feito exercício antes da sessão.As questões relacionadas à prática de atividades físi-cas incluíam perguntas sobre: que atividades eram realiza-das, quantas vezes por semana, por quanto tempo e umaavaliação da intensidade, que era classificada em leve, mo-derada ou intensa, considerando-se leve se o indivíduo nãosentisse grandes modificações após a atividade, moderadaquando o indivíduo se sentisse suado e cansado após a ati-vidade e intensa se ele normalmente se sentisse ofeganteao final da atividade. A última questão dizia respeito à per-missão para a utilização dos dados em publicações. Os ques-tionários foram datados e assinados pelos participantes.As aulas foram ministradas pelos monitores treinadosanteriormente. Nessas aulas foram empregados cartazes.Cada aula abordava cinco temas teóricos: 1) importância dadoença cardíaca; 2) definição da doença coronariana; 3) fa-tores de risco da doença cardíaca; 4) benefícios do exercícioe 5) atividade física mais adequada, e um tema prático, abor-dando a medida da freqüência cardíaca pela palpação do pulso radial e a utilização desse valor para aferir a intensida-de do exercício.Com base nos dados do questionário foram transmiti-dos a cada participante uma avaliação de seu risco cardio-vascular, utilizando-se a tabela americana e uma prescriçãoindividualizada de caminhada/corrida para sua saúde. A prescrição continha a freqüência semanal adequada da ca-minhada/corrida, a duração adequada da atividade e, princi- palmente, a faixa de freqüência cardíaca que deveria ser mantida durante a atividade. Para a prescrição utilizamos osoftware do CD-ROM do livro Risco Cardiovascular Global 14 , desenvolvido por um dos autores. A determinação dessafaixa foi feita com base na idade nos indivíduos saudáveisque não possuíam teste ergométrico recente. Nos indivíduosque apresentavam cardiopatias ou tomavam medicamentosque interferiam na freqüência cardíaca, a prescrição só foi fei-ta para os que apresentaram teste ergométrico. Os indivíduosque possuíam muitos fatores de risco ou sintomas foram ins-truídos a procurarem um médico, assim como aqueles queapresentaram níveis pressóricos elevados.Além disso, os indivíduos recebiam instruções e umfolheto sobre os cuidados necessários para a prática segurade exercícios, como vestimenta, alimentação, locais e horá-rios, aquecimento e volta à calma.  Arq Bras Cardiol2002; 79: 35-42.Forjaz e colsRisco cardiovascular e atividade física 3737373737 Entre um e três meses após o projeto, entramos emcontato por telefone com os participantes para avaliar: o queeles recordavam do projeto, se o projeto havia tido algumresultado e qual era a avaliação deles sobre o projeto. Quan-to às atividades dadas, perguntamos o que eles lembravamda sessão e as respostas foram agrupadas em oito tópicos:1) doença cardíaca como causa de morte; 2) problemacoronariano; 3) fatores de risco; 4) benefícios do exercício;5) atividade mais adequada; 6) recomendações de cuidados;7) como medir a freqüência cardíaca e 8) sua freqüência detreino ou avaliação de risco. Quanto à efetividade do pro-grama, os participantes foram questionados se haviam mo-dificado seus hábitos de atividade física após o projeto e,quando sim, o que mudaram; se haviam tentado medir suafreqüência cardíaca e se estavam conseguindo fazê-lo; sehaviam passado as informações recebidas para outras pes-soas e se pretendiam continuar seguindo as recomenda-ções feitas. Em relação à avaliação sobre o projeto, foi ques-tionado: o que os participantes acharam do projeto e se gos-tariam de repetir a avaliação no futuro.Os resultados foram apresentados apenas de formadescritiva, com as porcentagens sendo calculadas em fun-ção do número de respostas dadas para cada item, visto quealgumas pessoas não responderam a todos os itens doquestionário. Resultados Foram atendidas 227 pessoas, correspondendo a 95%do total de vagas existentes. Dessas, apenas uma não permi-tiu que suas respostas fossem utilizadas para fins de pes-quisa, de modo que os dados apresentados correspondema 226 participantes.A amostra final foi composta de 126 (56%) mulheres e100 (44%) homens (fig. 1), com idade média de 54,5±13,8anos, a maioria com 40 anos ou mais. Desses, 17 possuíam problemas cardíacos, 72 apresentavam outros problemasde saúde e 137 não tinham nenhum tipo de problema de saú-de. É interessante notar que, dos 137 indivíduos que relata-ram não possuir nenhum problema de saúde, nove tomavammedicamentos, sendo que em três os medicamentos eramespecíficos para problemas cardíacos e em seis eram anti-hipertensivos. Dessa forma, o número total de cardiopatasfoi 20 (9%) e de pessoas com problemas de saúde 78 (34%).Além disso, das 128 (57%) pessoas restantes, que não apre-sentavam problemas de saúde nem tomavam medicamen-tos, 21 (16%) apresentavam freqüentemente sintomas comofalta de ar, dor no peito ou tonturas e desmaios. Assim, ape-nas 107 pessoas (47% do total) não tinham problemas desaúde nem apresentavam sintomas, podendo ser conside-radas aparentemente saudáveis.Em relação à presença de fatores de risco, consideran-do-se o grupo todo (fig. 1), 52% das pessoas possuíam pa-rentes próximos com doenças cardíacas, 10% eram fuman-tes e 29% ex-fumantes, e 10% eram sedentárias. Em relaçãoà glicemia, 12 pessoas (6%) eram diabéticas, 95 não sabiamsua glicemia e das 112 que sabiam, apenas uma relatou ter glicemia alta. Em relação ao colesterol, 74 pessoas (34%) nãosabiam seu valor e 33 (15%) disseram ter colesterol alto. Emrelação à pressão arterial, 22 pessoas se declararam hiper-tensas e seis, apesar de não se considerarem hipertensas,tomavam anti-hipertensivos. Dessa forma, a taxa total de hi- pertensão foi de 12%. Entretanto, cabe ressaltar que das 89 Fig. 1 - Características de sexo, presença de doenças e fatores de risco dos freqüenta-dores do Parque Fernando Costa. Amostra Total - 226 pessoas MulheresHomens CardíacoOutros ProblemasSem Problemas    H  e  r  e  d   i   t  a  r   i  e  d  a  d  e   F  u  m  o  S  e  d  e  n   t  a  r   i  s  m  o   D   i  a   b  e   t  e  s  C  o   l  e  s   t  e  r  o   l   A   l   t  o   H   i  p  e  r   t  e  n  s   ã  o  O   b  e  s   i  d  a  d  e 44%56% 34%9%57%521010615121020304050600      (     %     ) 10%90%AtivasInativas20  3838383838 Forjaz e colsRisco cardiovascular e atividade físicaArq Bras Cardiol2002; 79: 35-42.  pessoas que não eram hipertensas e não fizeram exercíciosantes da sessão, 31 (35%) apresentaram valores elevadosna medida da pressão arterial. Quanto à obesidade, 20%apresentaram índice de massa corporal igual ou superior a30kg/m 2  e sete homens e 47 mulheres apresentaram índicecintura quadril superior a 1 e 0,85, respectivamente.Considerando-se a prática de atividades físicas, 193 pessoas (90%) se disseram ativas (fig. 1), sendo que a cami-nhada foi o tipo de atividade mais praticada, e relatada em77% das vezes. Além disso, a maior parte das pessoas prati-cava atividade física três ou mais vezes por semana (66%),com uma duração entre 30 e 60min (86%) e consideravamessa atividade moderada (63%).Analisando-se apenas os dados referentes aos 20 in-divíduos cardiopatas, sete não relataram qual o problema possuíam, quatro apresentavam doenças valvares, três do-ença da artéria coronária, dois arritmias, um doença de Cha-gas e três tomavam medicamentos compatíveis com doen-ças cardíacas. Quatro (20%) desses indivíduos relataramsintomas de tontura, angina e falta de ar freqüentemente. Ogrupo total apresentou uma idade média de 60,9±13,7 anos.Quanto à prática de atividades físicas, 5 (25%) desses pacientes haviam recebido instrução médica para fazer exer-cícios, sendo recomendada a caminhada em quatro casos.Dezoito pacientes (95% dos que responderam) relataram praticar atividades físicas, sendo a caminhada a principalatividade (89%). Além disso, o exercício era executado trêsou mais vezes por semana (76%), com duração de 30 e 60min por sessão (88%) e intensidade leve (35%) a moderada(65%) (fig. 2).A hipertensão foi o problema de saúde mais prevalente(12%), atingindo 17 mulheres e 11 homens. A faixa etáriamédia dos hipertensos foi 60,2±9,3 anos, e todos tinham 40anos ou mais. Desses hipertensos, somente 15 (54%) esta-vam em uso de medicamentos. Dezessete hipertensos nãohaviam feito exercício antes da sessão e, desses, 10 (59%)apresentaram pressão arterial elevada, sendo que em 5, tan-to a pressão arterial sistólica quanto a diastólica estavamelevadas (fig. 3). Considerando todos os indivíduos, mesmoaqueles que fizeram exercício antes, 18 (64%) apresentaram pressão elevada na medida feita na sessão experimental.Quanto à prática de atividades físicas, 23 (85%) paci-entes relataram se exercitar regularmente, e a caminhadaera praticada por 20 (87%) deles (fig. 4). Além disso, essaatividade era praticada três ou mais vezes por semana TipoFreqüênciaDuraçãoIntensidadeCardiopatas Fig. 2 - Características da atividade física praticada pelos cardiopatas freqüentado-res do Parque Fernando Costa. CaminhadaNatação11%89%<3x/sem24%76%< 30 min30-60> 606%6%88%Leve Moderada 35%65% Hipertensos Fig. 3 - Controle pressórico dos hipertensos freqüentadores do Parque Fernando Costa. MedicamentoSem medicamento PA normalPAS ≥≥≥≥≥  140 mmHgPAD ≥≥≥≥≥  90 mmHgPAS ≥≥≥≥≥  140 e PAD ≥≥≥≥≥  90 mmHg 29%24%41%6% 54%46%
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