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Benevolo 75 110-Libre

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-- HISTORIA DA CIDADE LEONARDO BENEVOLO ~\\I/~ ~ l EDITORA PERSPECTIVA 111\\~ 4. A CIDADE LIVRENA GRECIA Fig. 176. Uma escultura grega arcaica, no Museu Nacional de Ate· nas. Na Idade do Bronze, a Grecia se encontra na periferia do mundo civil; a regiao montanhosa e desi- gual nao se presta a forma
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  -- HISTORIA DA  CIDADE LEONARDO BENEVOLO ~\\I/~ ~ l  EDTORA PERSPECTVA 111\\~  4.A CIDADE LIVRENA GRECIA Fig.  176.  Uma escultura grega arcaica, no Museu Nacional de Ate· nas. Na Idade do Bronze, a Grecia se encontra na periferia do mundo civil; a regiao montanhosa e desi- gual nao se presta  a  forma<;aode urn grande Estado, e e dividida num grande numero de pequenos principa- dos independentes. Em cada urn deles, uma familia guerreira, a partir de uma fortaleza empoleirada num ponto elevado, domina urn pequeno territ6rio aberto para  0  mar.Estes Estados permanecem bastante ricos en- quanto participam do intenso comercio maritimo doII mili'mio, e cultivam varias especies de industria; os tesouros encontrados nas tumbas reais de Micenas e de Tirinto documentam  0 modesto excedente acumula- do por uma classe dominante restrita. Mas  0  colapsoda economia do bronze eas invas6es dos barbaros pelo norte, no inicio da Idade do Ferro, truncam esta civili- za<;aoe fazem regredir as cidades, por alguns seculos, quase ao nivel da autarcia neolitica. o  desenvolvimento subseqliente tira proveito das inova<;6es tipicas da nova economia:  0  ferro,  0 alf abeto, a moeda cunhada; a posi<;aogeograf ica favo- ravel ao trMico maritimo e a falta de institui<;6espro- venientes da Idade do Bronze permitem desenvolver as possibilidades destes instrumentos numa dire<;ao original. A cidadeprincipesca se transf orm a  napolis aristocratica ou democratica; a economia hierarquica tradicional se torn a a nova economia monetaria que, ap6s  0  seculo  IV,  ira estender-se a toda a bacia oriental do Mediterraneo. Neste ambiente se forma uma nova  cultura,queainda ho jepermane.cebase da nossa tradi- caointelectuaI. E  necessario recordar sucintamente a organiza- cao da  polis,  a cidade-Estado, que tornou possiveis os extraordinarios resultados da literatura, da ci €mciae da arte.Aorigemeuma colina, onde serefugiam oshabi- tantes do campo para def ender-se dos inimigos; mais tarde,  0  povoado se estende pela planicie vizinha, e geralmente e fortificado por urn cinturao de muros. Distingue-seentao a cidade alta (a  acr6pole,  onde fi- earn os templos dos deuses, e onde os habitantes da cidadeainda podem refugiar-se para uma ultima defe- sa),e a cidade baixa (a  astu,  onde se desenvolvem os comerciose as relacoes civis); mas ambas SaDpartes de urn (micoorganismo, pois a comunidade citadina funciona como urn todo unico, qualquer que seja seu regimepolitico. Os6rgaos necessarios a este funcionamento sao: 1)0 lar comum, consagrado ao deus protetor da cidade,onde se oferecern os sacrificios, se realizam os banquetes rituais e se recebem os h6spedes estrangei- ros.Na srcemera  0  lar do palacio do rei, depo~storn a- seurnlugar simb6lico, anexo ao edificio onde residem os primeiros dignitarios da cidade  (os pritanes)  e sechama  pritaneu.  Compreende urn altar com urn fosso cheiode brasas, uma cozinha e uma ou mais salas de ref eicao. 0 fogo deve ser mantido sempre aceso, e quando os emigrantes partem para fundar uma nova colonia,tomam do lar da patria  0  f ogo que deve arder no pritaneu  da nova cidade.2)0 conselho  (bule)  dos nobres ou dos f unciona- rios que representam a assembleia dos cidadaos, e mandam seus representantes ao  pritaneu.  ReUne-se numa sala coberta que se chama  buleuterion. 3)A assembleia dos cidadaos  (agora)  que se re- tine para ouvir as decisoes dos chefes ou para delibe- rar. 0 localdereuniao e usualmente a prac;a domerca- do (quetambem se chama  agora),  ou entao, nas cida- desmaiores,urn local ao ar livre expressamente apres- tado para tal (em Atenas, a colina de Pnice). Nas cidades democraticas  0  pritaneu  e  0  buleuterion  seencontram nas pr6ximas da  agora. Cada cidade domina urn territ6rio mais ou me- nos grande, do qual retira seus meios de vida. Aqui podem existir centros habitados menores, que man- tern uma certa autonomia e suas pr6prias assem- bleias, mas urn unico  pritaneu  e urn Unico buleuterion na cidade capital. 0 territ6rio e limitado pelas monta- nhas, e compreende quase sempre urn porto (a certa distancia da cidade, porque esta geralmente se encon- tra longe da costa, para nao se expor ao ataque dos piratas); as comunicac;oes com  0  mundo exterior se realizam principalmente por via maritima.Este territ6rio pode ser aumentado pelas conquis- tas, ou pelos acordos entre cidades·limitrofes. Esparta chega a dominar quase a metade doPeloponeso, isto e, 8.400  km 2;  Atenas possui a Atica e a IIha de Salamina,ao todo  2.650  km 2ã  Entre as colonias sicilianas, Siracu-sa chega a ter  4.700  km 2 e Agrigento,  4.300.  Mas asoutras cidades tern urn territ6rio muito menor, e por vezes bastante pe~ueno: Tebas tern cerca de  1.000  km 2 e Corinto,  880  km . Entre as ilhas, algumas menores tern uma (mica cidade (Egina, 85km 2;  Nasso e Samos, cerca de  450  km 2).  Mas entre as maiores somente Ro- des  (1.460  km 2)  chega a unificar suas tres cidades no fim do seculo V; Lesbos  (1.740  km 2)  esta dividida em cinco cidades; Creta  (8.600  km 2)  compreende mais de cinqiienta. A popuIaCao (excluidos os escravos e os estran- geiros) e sempre reduzida, nao s6 pela pobreza dos recursos mas por uma opc;ao politica: quando cresce alem de certo limite, organiza-se uma expedic;ao para formar uma colonia longinqua. Atenas no tempo de Pericles tern cerca de  40.000  habitantes, e somente tres outras cidades, Siracusa, Agrigento eArgos, superam os  20.000.  Siracusa, no seculo IV, concentra forc;ada- mente as popular;oes das cidades conquistadas, eche- ga entao a cerca de  50.000  habitantes (Fig.  278).  Ascidades com cerca de  10.000  habitantes (este numero econsiderado normal para uma grande cidade, e oste6ricos aconselham nao supera-lo) nao passam de Fig.  177. 0  mundo egeu. Fig.  178.  Uma moeda da cidade de Nass, com as f iguras de Dioniso  e de Sileno. Fig.  179.  Uma escultura do seculo V a.c., no Museu Nacional de Atenas.  quinze; Esparta, na epoca das Guerras Persas, tern cerca de 8.000 habitantes; Egina, rica e famosa, tern apenas 2.000.Esta medida nao e considerada urn obstaculo, mas, antes, a condic;aonecessaria para urn organiza- do desenvolvimento da vida civil. A populac;ao deve ser suficientemente numerosa para formar urn exerci-to na guerra, mas nao tanto que impec;a  0  funciona-mento da assembleia, isto e,que permita aos cidadaos conhecerem-se entre si e escolherem seus magistrados.Beficar por demais reduzida, e de temer a carEmciadehomens; se crescer demais, nao emais uma comunida- de ordenada, mas uma massa inerte, que nao pode governar-se por si mesma. Os gregos se distinguemdos barbaros do Oriente porque vivem como homensem cidades proporcionadas, nao como escravos em enormes multid6es. Tern consciencia de sua comurn civilizac;ao, porem nao aspiram  a  unificac;aopolitica,porque sua superioridade depende justamente do con- ceito da  polis,  onde se realiza a liberdade coletiva docorpo social (pode existir a liberdade individual, mas nao e indispensavel).A patria - comodiz a palavra, que herdamos dos gregos - e a habitac;ao comum dos decendentes deurn unico chefe de familia, de urn mesmo pai.  0  patriotis-mo e urn sentimento ta~ intenso porque seu objeto elimitado e concreto: Um pequeno territ6rio, nas encostas de uma montanha, atra· vessado por um riacho, escavado por alguma baia. De todos as ladas, a paucos quilometros de distancia, uma eleva<;iiodo terrena serve de limite. Basta subir  d  ocr6pole para abarca·lo por inteira com um olhar.  E  a terra sagrada da patria:  0  recinto da familia, astumbas das antepassadas,  os  campos cujos praprietarias a tadas se
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