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Bizâncio-Cronologia Completa-MMS.pdf

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INTRODUÇÃO O historiador Ch. Pétit-Dutaillis nos ensina (em ‘La Monarchie Féodal’) que ‘a História é mais complexa e contém tantos fatos que não é possível a um historiador sabê-los e dizê-los’. Ao abordar os assuntos, tive necessidade de mencionar muitos fatos, nomes e datas, dando a impressão que estou simplesmente narrando os eventos... O meu objetivo foi apenas de enfocá-los em sua complexidade e seqüência cronológica. Quanto mais complexos, menor a capacidade de ‘sabê-los e dizê-los’; o env
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  INTRODUÇÃO O historiador Ch. Pétit-Dutaillis nos ensina (em ‘La Monarchie Féodal’) que ‘a História é mais complexa e contém tantos fatos que não é possível a um historiador sabê-los e dizê-los’.Ao abordar os assuntos, tive necessidade de mencionar muitos fatos, nomes e datas, dando a impressão que estou simplesmente narrando os eventos...O meu objetivo foi apenas de enfocá-los em sua complexidade e seqüência cronológica. Quanto mais complexos, menor a capacidade de ‘sabê-los edizê-los’; o envolvimento, entretanto, dos mesmos nos traz à tona uma compreensão maior do passado e nos iluminam em conclusões menossimplistas da História.Até os termos ‘Idade Média’ nos levam a pensar que foi uma fase inexpressiva de evolução da Humanidade. Não sou historiador, masdeveria se repensar a periodização da História nessa época. Eu chamaria de Idade Média apenas o período dos séculos V ao VIII. Nos séculos IV e V do Mundo Antigo Ocidental, o Império Romano se desarticulou tanto internamente - com a falência de suasinstituições, quanto externamente - ao ser alvo da convergência de migrações de povos nômades para a Europa Ocidental. A situação do Império Romano no século V era caótica. Em suas fronteiras, as guarnições militares eram constituídas mais de camponeses, que resistiram heroicamente às invasões. O comércio foivedado aos ricos, nobres e funcionários públicos. A agricultura se reduzia praticamente ao autoconsumo; havia escassez de terras agricultáveis e, por isto, se construíram terraços nas montanhas paraseu cultivo, drenaram áreas pantanosas, irrigaram desertos e criaram pequenos animais que comessem os restos das comunidades rurais. A concorrência do escravo tornava difíceis as condições devida do artesão. A situação do mercado de trabalho era de tanta oferta de mão-de-obra que o moinho d’água, inventado no século I, só começou a ser utilizado de modo mais amplo no século IX, a fimde não provocar desemprego elevado. A partir daí se criou no século XV - pelos Humanistas - a rotulação de Idade Média ao período histórico desde o século V ao XV. Oshistoriadores mantiveram tal rotulação, menosprezando muitas evidências que a destroem pela profusão de novos dados, demonstrando acomplexidade e a riqueza da ‘Idade Média’. Tal atitude nos embota o raciocínio com falsas expectativas e nos encaminha para uma reflexão plena de preconceitos.Este preconceito dos Humanistas criou a falsa idéia de “Idade das Trevas” como se a Humanidade tivesse sido subjugada peloobscurantismo nesta época. Naquela fase de formação política da Europa, que sucedeu ao esfacelamento do Império Romano do Ocidente, surgiramos chamados ‘Reinos Bárbaros’, perpetuando, assim, o preconceito grego e romano de que só eles tinham o apanágio da cultura (só os que falavamsua língua e adotavam seus valores culturais, eram cultos, o resto do mundo era de ‘bárbaros’). Este mesmo preconceito é aquele que alimentou por quase 4 séculos da ‘Idade Moderna’ o crime hediondo da escravidão negra e indígena, como mercadorias dos brancos. Este mesmo modo distorcidode ver os outros como ‘bárbaros’ que explica o anti-semitismo durante toda a Idade Média e o Holocausto dos judeus, negros e ciganos pelos nazistas na ‘Idade Contemporânea’. É também este modode ver e sentir a realidade, que deforma o modo de tratarmos as populações pobres das periferias urbanas e do meio rural, bem como nas relações internacionais entre centro-periferia (sobretudo ocontinente esquecido que é a África). Esta periodização criada pelos Humanistas é eurocêntrica, eu diria etnocêntrica, visto que realça apenas os valores da chamada ‘civilizaçãoocidental e cristã’, desprezando o grande desenvolvimento assistido pela China (tanto sob o ponto de vista cultural, como, sobretudo administrativo -foi o primeiro país a instituir o mérito do sistema de avaliação através de concursos para ter seu corpo burocrático; foi o primeiro a colocar a ênfase naética na política, através dos ensinamentos confucianos), pela Índia (que, embora desarticulada politicamente, manteve e mantém uma tradiçãoespiritual até hoje), pelas civilizações pré-colombianas dos astecas, maias e incas; e mesmo pela civilização islâmica medieval (que era culta etolerante com os judeus, ao contrário da cristã anti-semita). O antropólogo Jack Godoy, em sua obra ‘O Roubo da História’ (da Editora Contexto-2008) critica esta visão eurocêntrica realçando valores ocidentais (como a liberdade e a democracia) qualificando-acomo um ‘roubo’ da História, encobrindo o colonialismo e o industrialismo europeu em contraponto às civilizações orientais. idéia de Idade Média nos coloca numa posiçãoindefensável diante da luminosa expressão das monarquias feudais da Inglaterra e França e da arquitetura religiosa na Baixa Idade Média (euchamaria de Idade Pré-Moderna), além do arremedo de um colonialismo europeu com as Cruzadas, e de que houve uma verdadeira RevoluçãoIndustrial nos séculos XII e XIII...Quanto ao conteúdo desta introdução, em cada unidade farei uma apresentação do assunto, a fim de delinear, ou melhor, tentar fixar umaabordagem interpretativa das narrativas, que serão esmiuçadas cronologicamente. Aí se corre o perigo de se anatematizar a História com o estigma de‘decoreba’. Se hasteia a bandeira deste estigma e não se ensina mais a História que, como disse o grande orador romano Cícero, é ‘a mestra da vida’.Quem estuda História não tem o direito de errar no presente, porque conhece os erros do passado. Quem estuda História sem citar datas, acaba refémde uma verdadeira balbúrdia mental sem nunca estabelecer as bases da nacionalidade, pois não sabe como ela se formou ao longo do tempo...As datas, porém, devem ser contextualizadas através de cerimônias cívicas nas escolas e comunidades. Em nosso país, tais atividadesforam anatematizadas como resquícios da ditadura. O não conhecimento da História nos faz ignorantes e massa de manobra dos demagogos... Rarassão as escolas e comunidades e cidades que comemoram as datas cívicas. Não se cultivam as raízes da cidadania - quanto mais alienado for oindivíduo, mais manipulável ele se torna. O historiador russo V. Klinchevsky comenta que ‘a História nada ensina, apenas castiga quem não aprende suas lições’. Este ensinamento deveria alertar os políticos do Brasil que apostam naignorância do povo, acreditando que a massa ignara é mais facilmente manipulável; se esquecendo, porém, de que analfabetismo, más condições médico-sanitárias e de distribuição da renda nacional,além (e sobretudo) o descrédito nas instituições representam um fermento revolucionário que pode estourar quando houver uma condição propícia, como aconteceu com as revoltas camponesas (naFrança e Inglaterra) e o hussismo (na Boêmia). No Brasil analfabeto do Período Regencial (1832-1840) estouraram revoltas populares, sufocadas violentamente; até a República Velha dizia-se que os pleitos sociais de melhoria e suas manifestaçõeseram casos de polícia... Até 1985, as pessoas que pregavam e lutavam por melhorias sociais eram chamados de comunistas... Não é só na Idade Média que os políticos governam ‘de costas para o povo’. A República ainda não foi instaurada em pleno Brasil do século XXI. história política do império bizantino ‘L'Histoire de l'humanité peut être considérée comme une trame immense dont toutes les parties se tiennent et dont les premières mailles remontent aux plus lointaines srcines de notre planète. Un phénomène historique quelconque est toujours le résultat d'une longue série de phénomènes antérieurs. Le présent est fils du passé et porte l'avenir en germe. Dans les événements actuels uneintelligence suffisante pourrait lire l'infinie succession des choses.’ (Gustave Le Bon - Civilização Árabe)‘A HISTÓRIA DA HUMANIDADE PODE SER CONSIDERADA COMO UMA TRAMA IMENSA EM QUE TODAS AS PARTES SE JUNTAM, AS PRIMEIRAS REMONTANDO ÀS MAISANTIGAS ORIGENS DE NOSSO PLANETA. QUALQUER FENÔMENO HISTÓRICO É SEMPRE O RESULTADO DE UMA LONGA SÉRIE DE FENÔMENOS ANTERIORES. O PRESENTEÉ FILHO DO PASSADO E GERMINA O FUTURO. NOS ACONTECIMENTOS ATUAIS, UMA PESSOA SUFICIENTEMENTE INTELIGENTE PODERIA LER UMA INFINITA SUCESSÃO DECOISAS.’ (GUSTAVE LE BON - em ‘A Civilização Árabe’) CONSIDERAÇÕES GERAIS Enquanto o Império Romano do Ocidente ruiu diante das invasões germânicas no século V, o do Oriente, com a capital em Constantinopla,caiu quase um milênio depois (em 1453). O Império Bizantino sofreu várias incursões estrangeiras em seu território, como a dos avaros, eslavos,hunos, búlgaros e árabes.Sua capital - Constantinopla (batizada pelos gregos antigos de Bizâncio) - ocupava uma posição estratégica e geográfica extremamentefavorável no Estreito de Bósforo (entre os mares Negro e Mármara, este se comunicando com o Mares Egeu e Mediterrâneo pelo Estreito deDardanelos) que lhe assegurou a posição ímpar de entreposto comercial entre o Oriente e o Ocidente. Constantinopla era uma das maiores cidades domundo: chegou a ter a população absoluta de 250.000 habitantes, que contornava a península chamada de Chifre de Ouro; era guardada por umamuralha dupla, uma exterior, outra interna (esta com 9 metros de altura e 5 m. de largura e só rompida uma única vez: em 1453).Quando caiu Roma sob os hérulos em 476, o Império Romano do Oriente se limitava setentrionalmente com o Danúbio Médio e Baixo, a sudoeste osrios Sava e Drina até o Mar Adriático (até o Lago Santari - fronteira entre Albânia e Montenegro atualmente); no oriente começava a sudeste do Mar  Negro, passava pelo Alto Eufrates-Tigre (se limitando com os Sassânidas) até o Golfo de Acaba no Mar Vermelho (abrangendo todo o corredor sírio- palestino); ao sul, abrangia o Egito até a I Catarata e em seguida a faixa litorânea até a Cirenaica na África.O qualificativo bizantino só começou a ser utilizado a partir do século XVII pelos historiadores, a fim de distinguir este império medieval em relaçãoao da Antiguidade. Na Idade Média, os Sassânidas persas e os árabes se referiam aos bizantinos como ‘romanos’. Há autores que consideram como bizantino, a História do Império Romano do Oriente a partir de Justiniano (século VI).Arnold Toynbee - historiador da segunda metade do século XX- se referia aos bizantinos como ‘romanos orientais’. Podemos considerar como Bizantino o império após o governo do imperador Heráclio, na 1  medida em que se consolidou a sua estrutura política e cultural.oO processo de caldeamento étnico no Império Bizantino (entre gregos, eslavos, escandinavos, persas, egípcios) foi mais rápido do que noOcidente. O contato social entre os povos produz a troca de valores culturais e a civilização, mas também a desorganização e mudança (geralmente dogrupo com menor acervo cultural). Não havia propriamente uma nacionalidade bizantina. No transcurso da sua História, os imperadores bizantinos procederam à transferência de populações. Assim, por exemplo, Justiniano II, em 687, levou12.000 mardaítas (célebres por seu espírito guerreiro e independente) habitantes do Líbano (que não se amoldaram aos árabes muçulmanos) para olitoral da Ásia Menor, algumas ilhas do Mar Egeu e região de Nicópolis (às margens do Danúbio). Os imperadores iconoclastas, no século VIII,trouxeram para a capital parte dos sírios e armênios (que, como asiáticos, eram contrários à veneração de imagens). O imperador Teófilo (829-842)levou turcos e persas para a Península Balcânica.oOs bizantinos se julgavam superiores aos ‘bárbaros’ ocidentais (chamavam os saxões de ‘pellicei’, ou seja, ‘cobertos de pelos’, como sefossem animais); os germanos rebatiam colocando neles a pecha de efeminados (devido ás suas roupas luxuosas). Este preconceito foi um dos fatoresde cisão entre o Leste (Império Bizantino) e o oeste (Europa Cristã).oDesde a época de Justiniano (527-565) houve mais outra cisão entre o Leste e o Oeste. O Império Bizantino abandonou o latim em seusdocumentos oficiais e começou a usar o grego, tornando-se um centro do helenismo na Idade Média. A Europa Ocidental teve no latim a sua escritaaté o século XV, a Igreja Católica a teve como língua internacional até o último quartel do século XX.oMais outra distinção entre o Ocidente e o Oriente foi o cristianismo e suas heresias. No Oriente, devido aos debates acalorados sobre anatureza humana e divina de Jesus Cristo e a Santíssima Trindade surgiram o monofisismo e o nestorianismo. Tais dificuldades, porém, não abalaramas relações culturais entre Oriente e Ocidente, como demonstraram os traços culturais bizantinos em Veneza, na Península Balcânica, na Rússia eMorávia (na Boêmia, atual República Tcheca) bizantina que se tornou católica.oO Império Bizantino foi - em quase toda a sua longa História - o único Estado cristão medieval centralizado nas mãos de um imperador que nomeava as autoridades religiosas (cesaropapismo), comandando um exército permanente, nomeando e fiscalizando o seu corpo administrativo e burocrático e subvencionando hospitais e escolas.Como o grego foi usado como língua corrente, o imperador usava o título de ‘autokrator’ (tradução do latim ‘imperator’) - daí se srcinouo termo ‘autocrático’ em português. Do século VII ao X se usou o título de ‘basileus’ (rei), mas depois se retornou novamente à designação de‘autokrator’.oAs províncias bizantinas eram denominadas ‘temas’ - administradas pelo governo central através de um representante com poder civil emilitar. Cartago l(ao norte da África) e Ravena (Norte da Itália) gozavam de um regime especial de administração: eram exarcados. O vocábulo ‘tema’também se refere ao ‘corpo de armada’, ou seja, as forças armadas cujo recrutamento era feito entre os nativos das províncias; estes ‘temas’desempenharam papel muito importante como escudo protetor do império nas fronteiras, tendo como comandantes os estrategos. No decurso dotempo, em vez de recrutamento, a armada teve o engajamento de mercenários - uma das razões da perda de sua eficiência militar na defesa doimpério.oA partir de 1204, o Império Bizantino ficou esfacelado pelas forças ocidentais em vários Estados; este verdadeiro esquartejamento políticofoi o palco de sua decadência e queda diante da força dos turcos otomanos em 1453. I) DESCRIÇÃO RESUMIDA DAS DINASTIAS BIZANTINAS. Ao longo de seus 1.000 anos de História o Império Bizantino foi governado por 13 dinastias, desde 395 até 1453, ocupadas por 107 governantes,sendo que 34 faleceram normalmente, oito morreram em guerras e o restante foi assassinado por golpes de Estado, ou abdicou do trono por revoltasinternas. Mais adiante, sob o título ‘Resenha dos Governos dos Imperadores Bizantinos’ se detalhará mais este assunto. A partir de 1204, se quebrou aunidade imperial e, por conseguinte, governaram dinastias e reis distintos simultaneamente. A) DINASTIA TRÁCIA (457 a 518) - na qual se acentuaram as diferenças entre a Santa Sé e o Patriarcado de Constantinopla. Governavam de modoabsoluto e centralizado à maneira oriental (bem ao contrário das monarquias ocidentais feudais) e ainda se tinha no latim a língua oficial sob o pontode vista político (já que o clero usava o grego e cada vez mais era dependente do Estado).Duas heresias criaram um fosso enorme entre a Santa Sé e Bizâncio: o nestorianismo e o monofisismo. A primeira teve o seu nome emfunção do seu criador, Nestório (Patriarca de Constantinopla), sustentando que Maria era mãe de Jesus-humano e não a mãe de Deus. Esta heresia foicondenada no Concílio de Éfeso (cidade do oeste da Anatólia - em 431). O monofisismo foi obra do monge Eutíquio de Constantinopla, que pregavauma só natureza para Jesus. B) DINASTIA JUSTINIANA   (518 a 610) - o último grande imperador romano e primeiro bizantino foi o de um ex-camponês macedônico -Justiniano I que reinou por quase 40 anos (527-565) e pautou seu governo em duas linhas de ação: fortalecimento de sua autoridade e restauração doantigo Império Romano em sua orla mediterrânea, tornando este mar o centro convergente da economia bizantina. Seu governo foi designado como‘primeira idade de ouro’ do império. No começo de seu governo, Justiniano enfrentou a heresia monofisista, mas teve que tolerá-la mais tarde por influência de sua enérgicaesposa Teodora. A preparação e manutenção de forças armadas permanentes exigiram o aumento da carga fiscal internamente. Enfrentamento inicialde heresia, aumento de impostos e uma eventual parcialidade em um esporte predileto dos bizantinos - a corrida de carros no hipódromo -condicionaram a Revolta Nika (palavra que significa vitória em grego) em 532 e durou apenas 8 dias. Os revoltosos chegaram a cercar o PalácioImperial em Constantinopla. Justiniano quase fugiu diante desta pressão, mas Teodora o demoveu deste intento, levando-o a mandar seu generalBelisário cercar os revoltosos, massacrando 30.000 pessoas.Graças à ação deste general, em 533-534, se conseguiu submeter os eslavos meridionais (croatas e búlgaros) e se conquistaram a Dalmácia(litoral leste do Mar Adriático), o Reino Ostrogodo (Itália) e Vândalo (norte da África) e o extremo sudeste do Reino Visigodo (na Península Ibérica).Tais conquistas militares bizantinas foram efêmeras, visto que não haviam condições logísticas para mantê-las e ainda sofria pressões dolado oriental (pagando tributos aos sassânidas a fim de contê-los) e nos Bálcãs (em face de invasões dos eslavos). Enquanto militarmente o reinado deJustiniano tenha tido sucesso apenas conjunturalmente, sob o ponto de vista cultural foi muito frutuoso: a elaboração do Corpus Júris Civilis, aconstrução da monumental Igreja de S. Sofia. 622 A 987 – PERÍODO HISTÓRICO CONSIDERADO COMO A ALTA IDADE MÉDIA.C) DINASTIA HERACLIANA OU DOS HERÁCLIDAS (610-717) - criada pelo imperador Heráclio (610-641). Muitos autores consideram oadvento da Dinastia Heracliana como o início do Império Bizantino propriamente dito, deixando de ser o Império Romano do Oriente. O historiador Rodolphe Guilland considera o período de 642 (quando subiu ao poder Constante II) a 775 como o de formação do Império Bizantino.oFoi durante a vigência desta dinastia que se procurou desarticular a força desagregadora dos latifundiários - contrários ao governo central -através da doação de pequenas propriedades a camponeses, que, em contrapartida, teriam que prestar serviço militar nas forças imperiais. Com estamedida, proliferaram as pequenas propriedades colocando em xeque o poder da aristocracia rural. No campo, os pequenos proprietários formavam também as milícias, que desempenharam papel importante na defesa do império aosinimigos nas fronteiras. Os milicianos, no entanto, recebiam de soldo menos que o que pagavam de impostos. Daí sua função de defesa do queofensiva militar, visto que esta última implicava em mobilização para outros locais, prejudicando-os no trato da terra.oHouve constantes conflitos no lado oriental com os reis Arsácidas sassânidas (persas); um deles (Khosroe II, que governou de 590 a 628)chegou a assediar Constantinopla em 617. O imperador Heráclio reagiu, reconquistando o Egito e Jerusalém e venceu os persas na Batalha de Níniveem 627 (com a ajuda dos khazares) e assinou definitivamente a paz com o imperador persa Buran (filho de Khosroe II), que devolveu um pedaço daCruz de Cristo tomada em Jerusalém.Os kazares eram turcos ou hunos ocidentais. Em 627 auxiliaram os bizantinos em luta contra os persas sassânidas, o que lhes valeu uma aliança por  2  muito tempo . Sua capital (Sarke), às margens do rio Don, foi construída pelos bizantinos. Seu reino (o de Khazar ou Cazária) se tornou uma barreiracontra a expansão islâmica. Adotaram como religião o judaísmo - foi o único reino judaico medieval (só se reconstituiu um Estado judeu após aSegunda Mundial em 1948, com a criação de Israel).Colaboraram com o imperador Justiniano II a retomar o trono em 705 contra a poderosa aristocracia rural bizantina. No século VIII mantiveramcontatos comerciais intensos com Bizâncio, através dos portos da Criméia. Por volta de 850 a regente Teodora tentou convertê-los ao cristianismo, junto com os morávios e búlgaros. No século XI (1016), após o casamento do príncipe russo Vladimir com a princesa bizantina Ana Porfirogeneta (filha do imperador Basílio II),fizeram uma aliança russo-bizantina que eliminou os últimos khazares remanescentes na região da Criméia; completou-se o seu extermínio em 1030.Durante este período, o império continuou romano apenas na religião (mesmo com todas as rusgas entre a Santa Sé e o Patriarcado deConstantinopla), mas tornou-se cada vez mais bizantino no sentido da língua (adotando-se o grego como língua oficial) e nos costumes (mais orientaisque ocidentais). O território bizantino esteve constantemente fustigado pelos sarracenos e persas (nas fronteiras orientais), mas conseguiu conter oslombardos e visigodos (nas fronteiras ocidentais), além de eslavos e avaros (nas fronteiras setentrionais).Os árabes cercaram Constantinopla em 673 quando era imperador Constantino IV, o Barbado - não conseguiram tomá-la graças ao uso do fogo grego pelos bizantinos.oO sucessor de Constantino IV - Justiniano II - enfrentou a sedição interna da nobreza por causa da excessiva carga fiscal; o imperador teveque se exilar, mas depois retornou ao poder e, evidentemente, tomou medidas retaliativas contra ela. Militarmente, Justiniano II colocou no Mar Egeue Peloponeso os Mardaítas libaneses, famosos por seu espírito belicoso, a fim de dar cobertura em eventuais ataques dos eslavos. D) DINASTIA ISAURIANA (717-802) - nesta época se criaram os ‘temas’, nos quais as atribuições civis e militares se concentravam nas mãos deuma pessoa.oLeão III, o Isauriano (717-741) escreveu ao papa se colocando como sacerdote e imperador, outorgando-se o título de Isoapóstolo, seguido pelos seus sucessores. Esta unidade entre os poderes temporal e espiritual nas mãos do imperador recebe o nome de cesaropapismo.Foi vencedor dos árabes, mas também o iniciador do movimento iconoclasta ao ordenar a supressão das imagens (ícones) dos templos, sobo argumento de que não podiam ser idolatradas. O patriarca de Constantinopla avalizou a sua ordem, mas os monges tradicionalistas conseguiram daSanta Sé a condenação dos iconoclastas como hereges.Querela Iconoclasta - Esta segunda fase da História de Bizâncio foi antecedida pela questão interna dos iconoclastas contra os iconódulos, isto é, dosdestruidores de imagens (ícones) e contra seus adoradores, respectivamente. Os ícones eram imagens de santos fabricados pelos mosteiros (como ofamoso Studios) em seus latifúndios (isentos de impostos) e vendidos no mercado.Esta querela deve ser focalizada sob dois ângulos: primeiro, o de que venerar os ícones era idolatria (como pensavam os asiáticosresidentes no império); segundo, o de que os monges eram objeto de inveja e censura por parte dos bizantinos por causa dos seus lucros e riquezas.O imperador Leão III, o Isauriano (717-741) era de srcem asiática. Ao conseguir evitar que os árabes fossem bem sucedidos no cerco àcapital bizantina (718), angariou capital político para quebrar o monopólio e poder dos mosteiros: em 726 proibiu a fabricação de imagens, bem comoseu uso nas igrejas, além da destruição das mesmas (foi o primeiro a fazer isto, ao deletar a imagem de Jesus Cristo que encimava a porta do seu palácio).Levantou a ira dos Studitas e do clero em geral, que contaram com o apoio dos habitantes bizantinos da Península Balcânica, das ilhasCíclades e Creta, além da maioria dos marinheiros (que eram gregos). Em retaliação, Leão III confiscou os bens dos mosteiros, inclusive suas terras(distribuindo-as entre os seus soldados asiáticos, em sua maioria).Esta querela religiosa oscilou entre iconoclastas e iconódulos por mais de um século; só se encerrou em 843, quando a regente do trono bizantino, a basilissa Teodora (que era iconódula) convocou um concílio, no qual se revogaram todas as medidas iconoclásticas - as imagenstridimensionais continuaram proibidas, mas não as bidimensionais.. A partir de 843, o poder dos mosteiros cresceu a tal ponto que o basileus NicéforoII Focas (1078-81) testemunhou que ‘os monges não têm nenhuma das virtudes evangélicas; pensam apenas na aquisição de terras, na construção degrandes edifícios e na compra de grande número de cavalos, bois, camelos e todo o tipo de criação.’O fim da querela iconoclástica condicionou um renascimento cultural sob o impulso do patriarca Fócio (858-867 e depois entre 877-886);foi sob ele, outrossim, que se iniciou o cisma com a Igreja de Roma no Concílio de Constantinopla- este cisma durou apenas um ano (867-868).Excepcionalmente, Leão III manteve relações amistosas com os búlgaros. No período de 717 a 740 sofreu 2 ataques árabes, mas asrechaçou fulminantemente na segunda vez na Batalha de Acroinon (Frígia); não conseguiu, entretanto, evitar que eles tomassem Creta 8 anosdepois. De 731 a 751, os isaurianos estiveram em guerra com lombardos na fronteira ocidental. O rei lombardo Liutprand se apoderou de uma dascidades mais importantes do império: Ravena, no litoral norte-ocidental do Adriático (capital do Exarcado bizantino homônimo); os bizantinosconseguiram ficar com Veneza e Ístria no extremo norte do litoral adriático.oDe 756 a 775, estiveram em contínuos conflitos com os búlgaros, estes cada vez mais expandindo seus territórios sobre os bizantinos. Foinesta época que o imperador Constantino V quase conseguiu destruir o I Reino Búlgaro. O batismo do khan búlgaro (Telerig) em Constantinopla(777) pacificou as relações entre os dois Estados (até a emergência ao poder búlgaro do khan Krum - 803-815) e liberou Bizâncio para se dedicar maisà guerra contra os árabes.oA noroeste, Bizâncio se limitava com o Reino Franco, do qual tentou se aproximar sem sucesso; em 788, perdeu a Península de Istria(norte do Adriático) para o mesmo, além de se frustrar a tentativa de expulsão dos francos da Lombardia (em apoio aos lombardos que pretendiam ter acesso ao trono em Pavia).oNo período de 775 a 867, o Império esteve submetido a constantes incursões, ataques e contra-ataques dos árabes, queimando plantações,capturando suas populações, sobretudo as de fronteira. Internamente, a aristocracia fundiária cada vez mais se assenhoreava das terras dos pequenos proprietários. Além da agropecuária, era importante a indústria artesanal voltada para a produção de artigos de luxo, visando o abastecimento dosmercados do Mediterrâneo, embora seus navios mercantes estivessem sujeitos à ação de corsários árabes. Veneza era a intermediária neste comércioentre Oriente e Ocidente.oDe 775 a 886, segundo o historiador Rodolphe Guilland, ocorreu o período em que o Império Bizantino adquiriu sua maturidade,condicionando o apogeu do império sob a Dinastia Macedônica (que se iniciou em 867). E) DINASTIA DOS FOCAS (802-820) - inexpressiva não só pela pequena duração, como pelas derrotas e questões palacianas (usurpação do trono por umas vinte vezes). Os Focas eram uma das famílias aristocráticas que possuíam latifúndios na Ásia Menor.Seu iniciador, Nicéforo I Focas assistiu ao avanço cada vez maior dos búlgaros (sob o comando do khan Krum) primeiro sobre aMacedônia e depois sobre a Trácia, quase a 100 km da capital bizantina (em 811). Envolveu-se em conflito com os francos (sob Carlos Magno) perdendo Veneza. Seus sucessores continuaram sofrendo pressões búlgaras, diminuindo com a morte de Krum e assinatura de trégua de 30 anos (815). F) DINASTIA FRÍGIA (820-867) - Praticamente se iniciou com uma rebelião militar da armada da Capadócia, cujo comandante foi aclamadoimperador e cercou Constantinopla em 822, mas não conseguiu destronar o imperador de fato; este mesmo comandante perdeu uma batalha diante dos búlgaros em 823. Os imperadores frígios perderam o sul da Itália e toda a Sicília (menos Taormina e Siracusa) para os árabes.Durante estes 47 anos de vigência da dinastia, na fronteira ocidental o império perdeu Creta - importante no comércio mediterrâneo - aosárabes da Espanha; os árabes do norte da África se apoderaram de vários pontos do litoral italiano e da ilha da Sicília. Na fronteira oriental, aocontrário, Petronas, sobrinho do imperador Miguel III, se destacou na guerra contra os árabes desde 856, vencendo-os na batalha de Posón (perto dorio Hális), na Península da Anatólia (863). A basilissa Teodora, em 844, perseguiu os adeptos do Paulicianismo, heresia surgida no século VII na Ásia Menor com seu conteúdo maniqueísta e se apelidando desta forma em referência a S. Paulo.Fermentou, sobretudo, entre os pobres da plebe urbana descontentes com a imensa riqueza dos mosteiros e do clero em geral. Pregavam o retorno aos primeiros tempos do Cristianismo e seus ideais de 3   pobreza, sem o espírito da hierarquia eclesiástica e o culto às imagens e com participação popular nas cerimônias. oNo ano de 860, quase que uma frota marítima russa conseguiu se apoderar da capital, Constantinopla. Em 863, dois missionários daTessalônica - Cirilo e seu irmão Metódio foram convidados pela Grande Morávia, para onde levaram o alfabeto glagolítico - seu trabalho foi destruído pela Igreja Franca em 885.oEm 864, o khan (ou tzar) búlgaro Bóris l se converteu ao cristianismo, favorecendo a construção de mosteiros em seu país e, com eles, umaintensa exploração dos camponeses, já espoliados pela aristocracia fundiária - esta situação condicionou o surgimento de nova heresia: a dos bogomilos na primeira metade do século X. G) DINASTIA MACEDÔNICA - esta foi a mais longa dinastia imperial, que reinou por quase 200 anos (867 a 1057). Segundo o historiador Rodolphe Guilland, entre 886 e 963 , os imperadores prepararam Bizâncio para ser hegemônico na Ásia Menor e nos Bálcãs; entre 963 e 1056,Bizâncio atingiu o apogeu (denominado de ‘segunda idade de ouro’). Neste período, o império se reavivou com a presença de generais e imperadores fortes e com seu exército bem organizado. Destesimperadores fortes se destacaram no século X: Nicéforo II Focas, João I Tsimiscês e Basílio II. Logo no início desta dinastia deu-se a primeira cisãoentre as igrejas de Constantinopla e de Roma, embora por apenas 1 ano (867-868).oDesenvolveu-se a indústria artesanal de produtos de luxo em oficinas do Estado; o comércio entre o Oriente e o Ocidente (através da ‘rotada seda’ que chegava até à China) tinha como eixo Constantinopla, mantendo-se Veneza como intermediária. Ocorreu a expansão territorial com asubmissão destemida Bulgária e a retomada de Chipre e Creta (e portanto do comércio no Mediterrâneo Oriental). A conversão dos russos e doshúngaros ampliou a influência e poder do Patriarcado de Constantinopla.oAs dificuldades pelas quais passavam os milicianos-pequenos proprietários e os impostos que pagavam os forçaram a vender suas terras para os grandes proprietários. O imperador Basílio I (867-886) deu-lhes cobertura, combatendo as venalidades praticadas pelos funcionários reaiscobradores de tributos.A situação destes pequenos proprietários tornou-se tão exasperante no século X, que o imperador Romano I Lecapeno (919-944) criou leisfavoráveis a eles, incluindo o direito de preempção, segundo o qual se eles vendessem a sua propriedade, quando o comprador (geralmente um grande proprietário) quisesse vendê-la de novo, o antigo proprietário teria preferência para a recompra. Além disso, proibiu a venda de terras pelos pequenos proprietários.Tais medidas do imperador Romano I Lecapeno foram tomadas em função do inverno rigoroso de 927-928 afetando a agricultura e osrendimentos dos pequenos proprietários, tornando-os mais vulneráveis à desigual competição dos latifundiários. Tais medidas, entretanto, foramderrubadas em 1028 em função das revoltas (em 976-79 e 987-89) da aristocracia rural contra o imperador Basílio II, que tomou a iniciativa decolocar unicamente sobre os ombros dos latifundiários o pagamento dos impostos e, simultaneamente, desonerando os pequenos proprietários destaobrigação.Aliás, de 963 a 1057 houve revoltas da aristocracia rural contra o poder central resultando, inclusive, em sua ascensão ao trono (comoocorreu com o usurpador Bardas II, da família aristocrática dos Focas - poderosa desde o século V até hoje - que usurpou o trono em 971 e 987). Demodo geral a atitude da aristocracia rural era desagregadora politicamente, daí ter sido alvo de iniciativas de Basílio II (em 988) para sufocar suasveleidades. Como ensinava M. Rostovtzeff, ‘a natureza aristocrática e exclusivista da civilização antiga’, mas que podemos estender aos bizantinos,foi uma das causas da decadência de sua civilização.oA partir de 850, a frota imperial que dava cobertura à capital se tornou tão poderosa, que seu comandante foi seduzido pela ambição de seassociar ao trono (como Romano Lecapeno em relação ao imperador Constantino VII Porfirogeneta, em 912).oOcorreu um processo de recuperação de terras perdidas aos árabes no sul da Itália; mas se retomaram as ofensivas búlgaras (sob ocomando do rei Simeão) sobre o império, chegando mesmo a cercar Constantinopla (924).oSurgiu um novo protagonista externo na História de Bizâncio: o Principado de Kiev - em 911 (último ano do governo de Leão VI, oSábio) se efetivou o primeiro tratado de comércio entre Bizâncio e o principado (sob o governo de Oleg), renovado em 945 (entre 911 e 945, oPatriarca de Constantinopla estendeu a ação missionária aos kievianos e em 989 o príncipe Vladimir foi batizado).oNos inícios do século X, turcos pechenegues se instalaram nas estepes entre os baixos vales dos rios Dnieper e Danúbio, representandonovo perigo fronteiriço ao império, só eliminado definitivamente no reinado de João II Comneno (em 1121).oNa época de Leão VI, o Sábio (886-912) os portos da Bulgária no Mar Negro (sob o rei Simeão) se tornaram intermediários no comérciode Bizâncio com a Rússia e a Europa Central. Quando os bizantinos decidiram realizar estas trocas pela Tessalônica, o rei búlgaro se sentiu prejudicado e ameaçou Constantinopla (em 894), se aproveitando de conflitos entre bizantinos e árabes.Os húngaros, expulsos das estepes do sul da Rússia pelos pechenegues, se estabeleceram no Baixo Danúbio e se aliaram aos bizantinoscontra os búlgaros (900). Em função desta circunstância, os búlgaros efetivaram um tratado de paz com Bizâncio, de duração efêmera visto que seapoderaram da Macedônia, tão logo os árabes terem tomado a Tessalônica, obstruindo aquele comércio bizantino.Simeão I atacou mais duas vezes Constantinopla (a fronteira búlgara chegava perto da capital) em aliança com os Fatímidas do Egito - os bizantinos conseguiram resistir a estes ataques. Ao morrer Simeão, em 927, seu filho Pedro desposou uma princesa bizantina e assinou um tratado,devolvendo-lhes uma área em volta do Golfo de Burgas (no Mar Negro) em troca do título de basileus.Entre 927 e 934, surgiu uma heresia na Bulgária: o bogomilismo, nome srcinário de seu criador, o monge Bogomil, ou seja, ‘querido por Deus’ ou‘merecedor da piedade divina’. Sua fonte foi o Paulicianismo (surgido no norte da Síria no século VII), que se embebeu no Maniqueísmo persa(século III). Dela se srcinou o Catarismo dos Albigenses no sul da França no século XII. A eclosão desta heresia se deveu ao acidente climático de 927, bem como à espoliação promovida sobre os camponeses pelos mosteiros búlgaros após a cristianização - seus sofrimentos anteriores(bem como a destruição de seus campos pelas guerras entre e Bulgária e Bizâncio) encontraram alívio nesta heresia. Acreditavam em Satã como criador do mundo e primogênito de Deus-Pai, cujofilho caçula - Jesus - foi enviado ao mundo para salvar a humanidade e combater Satã.Quando a Bulgária foi incorporada ao Império Bizantino em 1016, encontrou campo fácil para sua difusão pelo império; depois foi pregada na Bósnia, no norte da Itália (Toscana e Lombardia) e sul daFrança (Languedoc). Seus adeptos sofreram violenta repressão em 1040, sob Miguel IV, o Paflagônio (o quarto marido da basilissa Zoe). Cerca de 1157, surgiu uma variante radical e maniqueístadesta heresia na Bulgária. oEm 941 foi aniquilada a frota do príncipe kieviano Igor pelo fogo grego, próximo de Constantinopla. Em 944, ele se aliou aos pechenegues, tentou de novo por terra, mas não conseguiu nada. O imperador Romano I Lecapeno, para neutralizá-lo, renovou os acordos comerciaisanteriores. Nesta década os bizantinos estavam com problemas com os Fatímidas (dinastia árabe da Tunísia desde 909) na Sicília e suas incursões àCalábria (extremo sudoeste da Península da Itália).oEm 961 os bizantinos se tornaram hegemônicos no Mediterrâneo Oriental, depois que reconquistaram a ilha de Creta aos muçulmanos. Em966, o imperador alemão Óton I invadiu o sul da Itália, entrando em conflito com os bizantinos. Em 972, João I Tsimiskes venceu o Grão PríncipeSvíatoslav de Kiev, fazendo-o recuar até o sul da Rússia e assinando a paz.Basílio II (imperador de 976 a 1025) foi um dos maiores imperadores da Dinastia Macedônica. Desvencilhou-se da influência daaristocracia proprietária de prédios urbanos e, com o reforço militar do príncipe russo Vladimir I (que lhe enviou 6.000 soldados), venceu a rebeliãode seus generais. Vladimir I se converteu e levou os russos a fazerem o mesmo. Ajudou os bizantinos a varrerem do mapa os kasares na Península daCrimeia. Pouco antes de se tornar imperador, em Roma estava havendo uma crise entre a nomeação de um papa (Bento VI) pelo imperador alemão Oton III; os bizantinos apoiaram o antipapa Bonifácio VII(escolhido pela aristocracia romana), recebendo-o em Constantinopla em 974 - este antipapa, com o apoio de Basílio II, conseguiu retornar ao poder papal entre 984 e 985. Basílio II se revelou um grande comandante militar, mesmo em época de inverno e, durante quatro décadas de seu governo, levou as forçasarmadas bizantinas a quatro frentes de guerra: na Itália, no Cáucaso, na Ásia dos Fatímidas e na Bulgária. Restaurou as finanças reais e colocou umfreio no processo de concentração de terras nas mãos da aristocracia rural (996). O rei búlgaro Samuel (980-1014) atacou a Grécia, tomou a cidade de Larissa (na Tessália) e chegou quase ao Istmo de Corinto. Basílio II estava às voltas com as rebeliões de generais e acabou sendo 4
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