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Boletim ANAI - n.º15 .julho 2014

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EDITORIAL Sob o signo de Camões Com o mês de Junho encerraram-se oficialmente as atividades escolares da Universidade do Tempo Livre da ANAI do ano letivo de 2013/2014, com a sessão festiva de conclusão de aulas a decorrer no dia 16 desse mês. A sessão foi dominada, pode dizer-se, pela imagem e lema de Camões: leitura de alguns trechos da sua obra, a cargo da Tertúlia Aedo, e exposição de edições de Os Lusíadas, graças à disponibilidade do Engenheiro Manuel Dias da Silva, amante e colecionador de edições de Camões, que de forma amável e franca colocou à disposição da UTL as suas mais de meia centena de edições do poema épico. De permeio, uma colaborante e solidária oferta do Centro Comunitário de Solidarie- dade Social de Coimbra permitiu-nos a satisfação de proporcionar aos nossos associados e alunos da UTL um desfile de vestidos de chita, a que demos o título de sabor camoniano “vai fermosa e bem segura”. Por estes e tantos outros gestos de colaboração, de apoio solidário e de dedicação o nosso sincero agradecimento. É sempre uma satisfação, ao celebrar a festa de encerramento, ver participar os associados e inscritos nas aulas e sentir, na vossa presença, a promessa de que a UTL continua a ser parte da vossa vida, porque procurais manter-vos ativos, física e mentalmente, e não quereis que o espírito se enrugue e definhe – ou pelo menos tudo isso se retarde o mais possível. Não imaginais como é grato verificar afluência de alunos e associados a animar as instalações do edifício 68 da Rua Pedro Monteiro que, espaço exíguo embora, não deixa de ser um gosto tê-lo cheio e vê-lo sempre em movi- mento por quem frequenta as aulas ou participa nas atividades programadas. No domínio letivo, tivemos 25 disciplinas a funcionar, em que se inscreveram cerca de 200 alunos com desejo, entre outras coisas e saberes, de aprender línguas e de as saber falar mais expeditamente; conhecer melhor os meandros do património e os segredos da arte; conversar sobre filosofia e sobre as principais religiões; conhecer e apreciar a músi- ca erudita, sua evolução, seus compositores; descobrir e aprofundar os autores portugueses; aprender as técnicas da pintura e o melhor uso do pincel; sentir o remoçar de peças antigas, à medida que vão sendo recuperadas; entender os segredos da Informática e obter o fio de Ariadne que permita navegar nos labirintos da internet; estudar e discutir aspetos da História de Portugal, mesmo aqueles que, por vezes, se procura ocultar; exercitar e cultivar o corpo, lembrados possi- velmente da máxima, muito querida dos Antigos, ‘mens sana in corpore sano’. No que concerne a outras atividades, que são complemento essencial à parte letiva, gostaria de sublinhar a sessão da Abertura Solene das Aulas (14.10.2013) e o Jantar de Natal (16.12.2013), a Cátedra Sousa Fernandes (nas últimas quintas feiras de cada mês de outubro a junho) que este ano versou sobre “Coimbra e o Ensino Universitário em Portugal” e abordou os passos mais significativos desse ensino desde os seus inícios até aos dias de hoje; os encontros mensais da Tertúlia Aedo, nas segundas quartas feiras de cada mês; celebração do Dia Mundial da Poesia (dia 21 de março), em colaboração com a MinervaCoimbra. Este ano iniciámos uma nova rubrica com o título “Encontro com...” que teve sete sessões sobre assuntos variados, uns mais práticos do que outros, como “Jornalismo no Séc. XXI”, “Direito Prático”, “O património cultural popular” e “Encontro com Nuno Camarneiro”. Realizaram-se ainda três sessões de cinema e executaram-se 15 viagens, no país ou no estrangeiro, uma delas em busca do percurso islâmico (Badajoz, Cór- doba, Granada, Sevilha). A UTL da ANAI, com um leque significativo de disciplinas e cursos que abre e mantém em funcionamento –, pretende que as pessoas possam continuar intelectualmente ativas, a sentirem-se úteis. Procura afinal que o fluir dos anos seja visto como uma dignida- de e que se não comprove o dito de Chateaubriand: «Outrora, a velhi- ce era uma dignidade; hoje, ela é um peso». E assim, sob o signo de Camões, com o seu espírito e cons- tante apelo, vencer ‘austeras, apagadas, vis tristezas’, enfrentar Ada- mastores, passar além de todas as Taprobanas da vida. José Ribeiro Ferreira ANAI | ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE APOIO AO IDOSO 1 de julhode 2014 Numero 15 BOLETIM DA ANAI Nesta edição: Editorial 1 OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia — Cozinha Italiana OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia— Sardinhada de S. João UTL | Universidade do Tempo Livre— Outras atividades realizadas UTL | Universidade do Tempo Livre— Encontros com... 2 3 4 UTL | Universidade do Tempo Livre— Terra Fria—Terra Quente 5 Contactos OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia — Campanha “Papel Por Alimentos” Agenda 6 UTL | Universidade do Tempo Livre— Exposição “As Pessoas das Cores e as Cores das Pessoas” OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia — Trova Sénior OSI | Observatório Social do Idoso—workshop “Coaching e Liderança” OSI | Observatório Social do Idoso—Formação em Normas de Higiene e Segurança Alimentar OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia — Teatro do Dia da Espiga Página 2 BOLETIM DA ANAI OFCI | OFICINA DO IDOSO/CENTRO DE DIA: COZINHA ITALIANA (DIETA MEDITERRÂNICA: PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANINDADE DESDE 2013) Chegámos ao fim do primeiro ciclo de preparação e degustação dos almoços mensais de comida italiana, orientado pela mestre Marina, uma italiana apostada em mostrar que nem só de “massas” e de “pastas” vive a sua cozinha-pátria. … muito queijo, muito pimento, muito tomilho… tudo muito bom! Parabéns aos alunos, parabéns à mestre. Vamos prosseguir em outubro, pelo que convidamos os nossos amigos a vir experimentar, esquecendo calorias e colesterol porque a ciência já provou que nada melhor do que dar “Sabor à Vida!” para viver feliz e saudável. Maria Normélia Dias Sardinhada de S. João da Oficina do Idoso No passado dia 25 de junho decorreu como é habitual, a sardinhada da ANAI. Com receio da chuva, desta feita, a mesma foi degustada na sala de refeições, ao invés da costumeira livre aragem do Páteo das traseiras… O peixe era de boa qualidade, e eu comi que me regalei, com tão delicio- so sabor a mar e oleosa frescura com que as mesmas nos brindavam… uma delícia! Sem ofensa para a broa, as saladas e tubérculos que lhes faziam compa- nhia… nem da pinga, claro está! Pelo menos não ouvi… na sardinhada de S. João… a quem de sardinha gostasse… e por aquilo que eu vi… sem pedir opinião… não houve quem reclamasse! OFCI | OFICINA DO IDOSO/CENTRO DE DIA: SARDINHADA DE S. JOÃO UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: OUTRAS ATIVIDADES REALIZADAS No âmbito da Universidade do Tempo Livre realizaram-se ainda as seguintes atividades, das quais não nos chegou qual- quer eco escrito:  8 a 11 de Maio—Circuito Islâmico (Badajoz, Córdoba, Granada e Sevilha)  18 de Maio—Dia Internacional dos Museus—realizou-se a visita à Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro  11 e 12 de junho—Visita a Vidago Palace, um “Palácio escondido na Floresta”  17 de junho—Jantar Camoniano—Sessão Solene de Encerramento do Ano letivo 2013/2014 UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: ENCONTROS COM... Na rubrica “Encontros com…”, realizaram-se os seguintes: no mês de Abril, 30, “Sensibilidades Chinesas” com exposição pela Sr.ª Dr.ª Maria Helena Carneiro no mês de Maio, 28, “Nuno Camarneiro”, pelo Sr. Dr. Nuno Camarneiro Página 3 BOLETIM DA ANAI Foi inaugurada no passado dia 21 de Maio, uma exposição dos trabalhos realizados pelos alunos e utentes, ao longo do ano lectivo 2013/2014, no âmbito das disciplinas de Pintura e de Conservação e Restauro da UTL e de Pintura, Cerâmica e Bor- dados da Oficina do Idoso. A referida exposição, esteve patente na sala Ferrer Correia, na Casa da Cultura de Coimbra, de 21 a 30 de maio. Estiveram presentes o Exmo. Sr. Presidente da ANAI, Professor Doutor José Ribeiro Ferreira, a Exma. Sr.ª Dr.ª Maria Hele- na Carneiro Coordenadora da UTL, representantes do Departamento da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, Professo- res, alunos e amigos. Uma vez mais e à semelhança dos anos anteriores, esta mostra distinguiu-se pela diversidade, qualidade e beleza estética dos trabalhos expostos. Os autores tiveram assim oportunidades de mostrar as enormes capacidades de que dispõem, e a enorme vontade de continuar a ocupar o seu tempo na procura constante do saber e da cultura. As peças expostas são o exemplo do talento e criatividade dos que orgulhosamente frequentam as atividades propostas pela ANAI, ao mesmo tempo que proporcionam aos seus autores a possibilidade de divulgar o trabalho que aqui desenvolvem. Os visitantes manifestaram o seu agrado pela qualidade e diversidade dos trabalhos, enaltecendo o papel desempenhado pela ANAI junto da população sénior do concelho. Esperamos e desejamos ter de novo oportunidade de mostrar ao público de Coimbra o que de bom se faz pelas mãos da ANAI, a quem felicitamos pelo esforço e empenhamento. Conceição Mendes – Docente de Pintura da UTL UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: EXPOSIÇÃO “As Pessoas das Cores e as Cores das Pessoas” OFCI | OFICINA DO IDOSO / CENTRO DE DIA: TROVASÉNIOR No passado dia 3 de Junho os idosos da Oficina do Idoso/Centro de Dia rumaram à Escola Superior de Educação de Coim- bra para colaborar na atividade final do projeto TrovaSénior que se desenvolveu ao longo de três sessões realizadas nos meses de Abril e Maio na sala de convívio da Oficina, tendo os utentes ensaiado 3 musi- cas para posteriormente apresentarem. Foi uma iniciativa de um grupo de alunas do 2º ano de Gerontologia Social no âmbito da unidade curricular de Conceção de Projetos de Intervenção Comunitária em colaboração com o grupo Trovadores do Mondego. Esta parceria resulta da necessidade de combate ao isolamento e solidão social, da pro- moção das relações interpessoais e intergeracionais e aumentar a qualidade de vida dos idosos através da valorização pessoal e social dos mesmos. Ao chegar, as alunas do 2ª ano de Gerontologia e os Trovadores esperavam os utentes ansiosamente, tendo-os acompanhado até ao palco do auditório da escola. No auditório estavam colocadas estrategicamente várias cadeiras, onde os utentes se viriam a sentar, ganhando assim toda a atenção do público. Entre capas negras, toques de guitarra e vozes do fado, a animação foi garantida, tornando a tarde diferente do que é habitual. A música que, muitas vezes está associada ao lazer e à ocupação dos idosos, pode realmente trazer benefícios a vários níveis. Além de associada ao convívio e à animação, também está associada à estimulação da memória a longo e curto prazo, à recordação, à cultura e à expressão, o que pode realmente trazer melhorias a nível da memória e do funcionamen- to cognitivo. Um sincero obrigado às alunas do 2º Gerontologia Social da Escola Superior de Educação de Coimbra, pela excelente ini- ciativa, e aos Trovadores do Mondego pela disponibilidade, pelo carinho e pelos sorrisos. As estagiárias Ana Laranjeira, Diana Vieira e Marta Correia Página 4 BOLETIM DA ANAI OSI | OBSERVATÓRIO SOCIAL DO IDOSO. WORKSHOP “COACHING E LIDERANÇA” No passado dia 6 de Junho realizou-se, no âmbito do Observatório Social do Idoso, um Workshop sobre “Coaching e Liderança”, dirigido aos profissionais e técnicos das IPSS’s do concelho. Contámos com a colaboração da ONG Conceitos do Mundo e com a formadora Dr.ª Patrícia Ramos. Foram seis as Instituições que se fizeram representar pelos seus profissionais, que relataram ser de extrema importância o tema do Workshop e, no final, realçaram ainda a utilidade prática do mesmo nas suas vidas profissionais. Foi uma tarde participativa e de partilha de algumas preocupações e questões que, nos dias de hoje, fazem parte do dia-a-dia de muitos destes profissionais. Margarida Meireles Assistente Social OFCI/CD | OFICINA DO IDOSO / CENTRO DE DIA: TEATRO DO DIA DA ESPIGA OSI | OBSERVATÓRIO SOCIAL DO IDOSO: FORMAÇÃO EM NORMAS DE HIGIÉNE E SEGURANÇA ALIMENTAR Atrás do “pano” o nervosismo aperta, em grande parte porque este dia coincidiu com o nosso último dia de estágio, acabando por ser como que uma pequena despedida…um presente! Foi com enorme prazer que aceitámos o desafio de participar na peça em colaboração com a Oficina do Teatro, elaborando os adereços e dando vida às sementes O Teatro é uma arte que acaba por ser uma forma de expressão e comunicação oral e corporal, permitindo que cada espectador o interprete conforme os seus ideais. É igualmente uma arte que quando faz parte do quotidiano das pes- soas idosas pode trazer bastantes benefícios para o seu bem-estar pessoal e social. Pode ser visto como uma forma de ocupar o tempo, mas quando se trata de intervenções com pessoas idosas, “Os lazeres são um conjunto de ocupações a que o individuo se deve entregar de livre vontade, quer para repousar, quer para se divertir, quer para desenvolver a sua informação ou formação desinteressada, a participação social voluntária ou livre capacidade criadora, após se ter liberto das obrigações profissionais, familiares e sociais” (Joffre Dumazedier). O tea- tro é uma técnica de intervenção que quando desenvolvida com idosos obriga à organização, disciplina, expressividade, memorização e postura corporal, representando uma fonte de estimulação aos vários níveis . As sementes da papoila, videira, malmequer, trigo, alecrim e o ramo de oliveira foram peças fundamentais para a peça ganhar vida. Através de duas irmãs, uma vassourinha, o tempo e o ramo da oliveira, foi mostrado aos espectadores a origem do dia da espiga e o seu significado. Como diz Peter Brook, “o teatro não é uma matéria que se aprende, é uma experiência que se vive”. Obrigada por nos terem deixado viver esta experiência. As estagiárias, Ana Laranjeira, Diana Viera e Marta Correia Teve lugar de 24 de março a 12 de maio na Oficina do Idoso, o curso de formação “Normas de Higiene e Segurança Alimen- tar”. A referida formação certificada resulta de uma parceria estabelecida entre a ANAI e o CEARTE visando dar qualificação profissional às suas colaboradoras dotando-as de competências na área. Para além das colaboradoras da ANAI, beneficia- ram também desta formação funcionárias da AMI—Porta Amiga de Coimbra, Santa Casa da Misericórdia de Coimbra— CATI, Obra de Promoção Social de Torre de Vilela, Centro Sócio Cultural Nossa Sr.ª Lourdes e Obra de Promoção Social do Distrito de Coimbra Sónia Vinagre Página 5 BOLETIM DA ANAI Éramos quarenta e encontrámo-nos no sítio do costume. O dia ainda mal desperto teimava em esconder o sol, adiando-nos o horizonte. Lá fomos enovelando quilómetros enquanto trepávamos país acima. Percurso sem história até se alcançar Mogadouro. Aqui, a sobriedade do almoço despachado da mochila enganou-nos a fome. Até Miranda foi um salto de pardal. Depois, encosta abaixo, serpenteámos até ao Douro. A Estação Biológica do Douro Internacional estava ali. Embarcámos. Cortando águas tranquilas, deixámo-nos tragar pelo silêncio em redor, silêncio que arrogámos nosso também. A Poça das Lontras, o Ninho da Cegonha Preta entremeados com a Azinheira, Zimbro ou Freixo, são notas de harmonia da fauna com a flora. A águia-de - -bonelli quis mostrar-se vaidosa num voo veloz e o peneireiro, numa atitude de ciú- me, veio quase a seguir. Os terraços que as gentes pobres arrancaram ao rio desa- grilhoaram-nas do jugo senhorial, garantindo a sua subsistência primeiro e riqueza depois. Duas horas vividas em comunhão com o belo natural não foram mais do que trinta minutos na nossa consciência. Uma demonstração com aves em cativeiro fechou a nossa presença junto ao rio. Subimos então a Miranda do Douro onde a Sé Catedral se quis mostrar. Iniciada na segunda metade do século XVI, é um edifício de concepção maneirista, embora com algumas soluções de carácter renascentista. Fachada principal simétrica e regular, ladeada por duas torres, encima-se por uma balaustrada. No seu interior mora uma figura enigmática, incomum na hagiografia cristã: o Menino Jesus da Cartolinha. Verdadeiro ícone da religiosidade popular, esta imagem goteja ingenuidade que o uso da cartola confirma. Sendo a imagem de finais do século XVII ou mesmo de começos do século XVIII, nessa época não havia cartola, que só surge com o virar do século XIX. A existência de imagem tão sui generis liga-se, assim, à efabulação a partir de um facto histórico. Em 1711, o exército castelhano tomou a cidade e assolou-a durante meses. Tardando a vinda das tropas lusas para sacudir o jugo, aparece nas muralhas um menino trajando de cavaleiro-fidalgo que mobilizou o povo, apelando a que pegasse em armas contra os invasores. Assim aconteceu e o menino à frente do povo armado tanto aparecia como desaparecia. Expul- sos os espanhóis, nunca mais foi visto. Foi então que as gentes de Miranda consideraram estar diante de um milagre do Menino Jesus e mandaram esculpir a imagem do Menino Jesus vestido de cavaleiro-fidalgo. Um último reparo ligado a esta imagem prende-se com o enxoval abundante de peças-miniatura oferecidas pelos devotos, o que determina trocas frequen- tes de farpela consoante as ocasiões. Por último, antes de rumarmos a Bragança, onde nos esperava o conforto do jantar e o repouso que o corpo já reclamava, ainda houve tempo para uma espreitadela ao Museu da Terra de Miranda, onde captámos traços definidores da vida social e cultural da região, cuja identidade se manifesta na presença do dialecto mirandês. A manhã do dia seguinte começou no Museu do Abade de Baçal, instalado num edifício do século XVIII, antigo Paço Epis- copal, transformado em museu no início do século XX. O seu acervo recolhe grande parte do espólio oriundo do Paço Bispal, com destaque para a própria capela. Pelas suas salas distribuem-se peças de arqueologia, pintura, desenho, escultura, ouri- vesaria, mobiliário e têxteis. A este conjunto inicial vieram juntar-se, em 1927, as colecções do Museu Municipal de Bragan- ça, enriquecidas pelas recolhas do Abade de Baçal e classificadas em áreas como a arqueologia, a epigrafia, a numismática e a etnografia. Um pulo a seguir à Domus Municipalis, monumento singular da arquitectura civil românica da Península Ibérica e símbolo do poder do municipalismo português. Levantado no século XIII, de planta pentagonal irregular, a iluminação é estabelecida por uma série de janelas em forma de arco abatido, que corre em contínuo ao longo da parte superior das cinco paredes. Era chegada a hora de irmos ao encontro de Graça Morais e dos seus Cadernos da Montanha, que mostra no Centro de Arte Contemporânea com o seu nome. A ligação da pintora à natureza e ao campo atesta-se cristalizada em manchas figu- rativas ou desmaterializada em formas reduzidas a contornos mínimos. Frutos, flores silvestres, ramos de oliveira ou tubércu- los são referentes de sensualidade e fertilidade, ou então apenas e tão-só a passagem cíclica das estações: os coloridos espontâneos da Primavera, as colheitas fartas de Outono, as glaciais neblinas de Inverno. O ciclo da natureza e a metáfora do ciclo da vida. Deixámos a gramática pictórica de Graça Morais e somos surpreendidos pelos trabalhos de escultura, desenho e vídeo do espanhol Bernardí Roig. Centrado nas questões do olhar e, indissociavelmente, nas questões da cegueira, a sua obra enraí- za numa reflexão complexa sobre a condição humana e a sua incapacidade de ver, de comunicar. Desta forma, as suas esculturas, a partir de modelos humanos, são inquietantemente brancas, ou não tivesse a cegueira a “cor branca uniforme, densa”. Quase fantasmagóricas, os olhos sempre fechados evidenciam a incapacidade de ver, “uma espécie de espelhos virados para dentro”. Não é por acaso que a mostra se titula de “Ensaio Sobre a Cegueira”. Por último, restava-nos Rio de Onor. Com 50 habitantes, esta aldeia símbolo do comunitarismo agro-pastoril vai-se apagan- do. A totalidade da aldeia já não se constrói na parcela de cada vizinho, é cada vez mais memória dos tempos que foram. Durante anos foram dois povoados a viver ombro a ombro, sem
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