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Boletim ANAI - n.º17 .janeiro 2015

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EDITORIAL Memórias, tradições e realidades Natal de 2014 Mais um Natal se cumpriu. Termina a quadra natalícia no dia 2 de fevereiro, dia da Apresentação de Jesus no Templo e dia também de Nossa Senhora da Candelária. E a ANAI, como o faz todos os anos, celebrou o Natal em família e com alegria. Celebrar o Natal é viver um mundo de emoções, reviver sensações, evocar recordações. Chega dezembro – ou melhor, apare- cem os primeiros enfeites do Natal – e logo acorrem memórias, nos seduzem ou empurram tradições, afloram realidades, se alegres umas, outras amargas e conflituantes, não raras vezes. O consumismo, desnecessário e por vezes sem barreiras, campeia com o apelo de luzes, cores, formas, música e palavras. E o silêncio, a contemplação que a quadra pede vai borda fora ou passa a segundo plano. De qualquer modo, celebrar o Natal é também viver uma quadra que apela à harmonia e concórdia, à paz e compreensão. É, de certo modo, encontrar nos sinais da quadra – na pobreza do nascimento de Jesus, nas dificuldades de Maria e de José em encontrar local para o seu filho vir ao mundo, no sofrimento por eles sentido, ao verificar que teria de nascer como um ‘sem-abrigo’ de hoje – incentivo a conhecer quem somos, quem os outros são. Que afinal apenas homens somos e que é sombra de sonho a vida, como cantou Píndaro. Por isso, no corrupio desta quadra, na lufa-lufa das compras, procuremos ter, como já o escrevi: Ouvidos em escuta e olhos atentos A quanto nos rodeia: Natureza e cidade, as coisas e pessoas. O dar as mãos pare servir e partilhar. O fraterno calor do abraço solidário. A amizade que se sente e que se vive. O convívio e a alegria do encontro. E assim, imbuídos destes propósitos, guarde cada um a quadra com a alegria e a paz que possa e sinta. E possam todos passar sempre bons Natais, na paz do lar, na ale- gria da família e do encontro fraterno. Alegria e encontro fraternos, reunião de família também vivem as pessoas liga- das à Associação Nacional de Apoio ao Idoso – associados, professores, funcionários, alunos, voluntários, elementos dos Órgãos Sociais, quantos a ela recorrem e frequentam. Todos constituem, para mim, uma família e custa-me, ou não consigo mesmo, admitir que assim o não sintam e assim não ajam. Como família, pois, ternamente vos saúdo e considero. Todos são sempre esperados e benvindos na ANAI, a nossa e vossa casa. Cada um que falta é um vazio, porque é retemperador o convívio humano, porque é um gosto escutar amigos e as suas palavras, olhar-lhes o rosto, receber os seus conselhos, sentir a sua presença. Por isso a toda a família da ANAI, desejo um ano de 2015 próspero, com saúde e são convívio. (José Ribeiro Ferreira) ANAI | ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE APOIO AO IDOSO 1 de Janeiro de 2015 Numero 17 BOLETIM DA ANAI Nesta edição: Editorial 1 UTL | Universidade do Tempo Livre— Arte “Exposição Escola Ibérica da Paz” OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia — Musi- coterapia UTL | Universidade do Tempo Livre – Aqueduto das Águas Livres 2 UTL | Universidade do Tempo Livre—De novo em Lisboa à procura de manifestações de arte 3 OSI | Observatório Social do Idoso— Colóquio “Crise Contemporânea e Envelheci- mento - Que impactos” OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia — Demonstração de treino e obediência de cães do Núcleo de canicultura da Escola Superior de Educação de Coimbra OSI | Observatório Social do Idoso— Formação “Implementação dos Manuais de Qualidade em IPSS” OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia — Festa de Natal OSI | Observatório Social do Idoso—Feira do Voluntariado da FMUC 4 UTL | Universidade do Tempo Livre— O veneno da abelha 5 Contactos OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia — Mercado Solidário Agenda 6 Página 2 BOLETIM DA ANAI UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: ARTE “EXPOSIÇÃO ESCOLA IBÉRICA DA PAZ” OFCI | OFICINA DO IDOSO / CENTRO DE DIA: MUSICOTERAPIA Encontra-se em Coimbra a “Exposição Escola Ibérica da Paz” composta por trabalhos, de pintura, gravura e desenho, de alunos da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, baseados em manuscritos de mestres renascentistas das Universidades de Coimbra, Évora, Salamanca, Alcalá e Valladolid. Os textos selecionados são referentes à colonização da América, ao longo dos séculos XVI e XVII; os manuscritos são de mestres renascentistas de escolástica, que ensinaram em Universi- dades portuguesas e espanholas e são considerados os pais fundadores do Direito Internacional, da fundamentação democrática de poder civil, da defesa da prevalência da razão da humanidade sobre a razão do Estado, do Valor Absolu- to do Direito à Vida. A exposição, integrada no projeto “Corpos Lusitanos Rumo à Paz”, divide-se em dois núcleos, o principal situado no Museu Nacional Macha- do de Castro e o outro na Biblioteca Geral da Universi- dade de Coimbra. A turma de História da Arte da Univer- sidade dos Tempos Livres visitou esta interessante exposição, tendo o Dr. Pedro Ferrão proferido uma excelente aula na explicação dos trabalhos e textos expostos. O Dr. Pedro Ferrão dando as suas aulas no Museu Machado de Castro e na Biblioteca Geral da Universidade. por Apolino Teixeira No dia 1 de Outubro, os nossos idosos do Centro de Dia da Oficina do Idoso passaram uma manhã diferente, a convite do Salão Brasil. Realizou-se uma sessão de Musicoterapia, atividade que pretende, através da música, promover e estimular a comunicação e a expressão entre grupos de idosos. Puderam, ainda, tocar alguns instrumentos, o que lhes proporcionou uma experiência única. No final, a convite da musicoterapeuta, os idosos tiveram um momento de dança. UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: AQUEDUTE DAS ÁGUAS LIVRES O Aqueduto das Águas Livres é um complexo sistema de captação, adução e distribuição de água à cidade de Lisboa, e tem como obra mais emblemática a grandiosa arcaria em cantaria que se ergue sobre o vale de Alcântara. Este troço tem 941 metros de comprimento e é constituído por 21 arcos de volta perfeita e 14 arcos centrais em ogiva. Destes últimos destaca-se o Arco Grande. Mede 65 metros de altura e dista 29 metros entre pegões, sendo o maior arco ogival do mundo. Com um total de 127 arcos, foi construído durante o reinado de D. João V, com origem na nascente das Águas Livres, em Belas e termina no Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras após um percurso de 14 174 metros. Resistiu incólume ao Terramoto de 1755. A nossa visita iniciou-se com o percurso sobre o vale de Alcântara, com vistas soberbas. Existem dois cami- nhos divididos pela galeria que transporta a água e alguns lanternins que permitem que se passe de um lado para o outro. Seguiu-se um percurso por galerias subterrâneas. Já a céu aberto, seguimos para as Amoreiras. O Reservatório da Mãe d’Água apresenta-se como um espaço amplo, luzente e unificado, sugerindo o seu interior a planta de uma igreja estilo Salão. A água das nascentes jorra da boca de um golfinho sobre uma cascata de pedra e converge para o tanque com uma capacidade de 5.500 m3. Do tanque emergem quatro colunas que sustentam um teto de abóbadas de aresta que, por sua vez, suporta o magnífico terraço panorâmico sobre a cidade de Lisboa. Na frente ocidental deste reservatório encontra-se a Casa do Registo, local onde se controlavam os caudais de água que partiam para os chafari- zes, fábricas, conventos e casas nobres. Continua a surpreender o talento dos engenheiros envolvidos. A visita terminou na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos que esteve em funcionamento entre 1880 e 1928. Atualmente preserva as antigas máquinas a vapor do fabricante francês E. Windsor & Fils e respetivas bombas, testemunhos enriquecedores da arqueologia industrial. Em 2010, o edifício foi classificada como Conjunto de Interesse Público. Surpreende pela grandiosidade do material exposto Em 1990 o Museu da Água foi galardoado com o Prémio do Conselho da Europa, sendo o único museu por- tuguês detentor desta distinção, que destaca o contributo para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia, bem como para a consciencialização da sua identidade. Maria Francelina Dinis Página 3 BOLETIM DA ANAI A turma de História da Arte, deslocou-se de novo a Lisboa para visitar a exposição “ História Partilhada. Tesouros dos Palácios Reais de Espanha”, subir ao miradouro do Arco da Rua Augusta e “ descobrir” a Fun- dação Ricardo Espírito Santo Silva. A exposição, que decorre na Fundação Calouste Gulbenkian, é grandiosa, iniciando-se com Isabel, a Católi- ca, e terminando com a portuguesa Isabel de Bragança, rainha de Espanha, casada com Fernando VII, a quem se deve a criação do Museu do Prado. Ocupa duas salas, divide-se em seis módulos e está em prepa- ração acerca de dois anos, reunindo 114 obras, de pintura, ourivesaria, tapeçarias e armas, entre as quais destaco quadros de grandes mestres da pintura, Caravaggio, Velazquez, Ticiano, Tintoretto, Rubens, El Greco e Goya, algumas mostradas pela primeira vez em Portugal, É, também, apresentada a genealogia das figuras reais, desde a dinastia de Castela e Leão às dinastias dos Bourbon e Habsburgo, onde aparecem princesas portuguesas. As inúmeras obras de arte expostas, de um valor incalculável, demonstram o interesse que a monarquia espanhola dedica à arte do seu tempo e do passado, através de um colecionismo esclarecido. Única pintura de Caravaggio existente em Espanha Chegada da História da Arte à exposição MIRADOURO DO ARCO DA RUA AUGUSTA O Arco da Rua Augusta, em Lisboa, um arco triunfal, é uma 2ª versão da obra mandada construir pelo mar- quês de Pombal, após o terramoto de 1755. A obra, executada pelo arquiteto Veríssimo Costa, ficou concluída em 1875 e inclui esculturas representativas da Glória, Génio e Valor, na parte superior e, abaixo, de Nuno Alvares Pereira, Viriato, Vasco da Gama e Mar- quês de Pombal. Os rios Tejo e Douro correspondem à delimitação das regiões onde viviam os Lusitanos. Do miradouro há uma excelente perspetiva da Baixa Pombalina, edificada, após o terramoto, pelo Marquês de Pombal, um conjunto de ruas retas e perpendiculares para ambos os lados de um eixo central constituído pela rua Augusta. A ascensão ao miradouro, embora de chapéu aberto, foi muito agradável. FUNDAÇÂO RICARDO ESPÍRITO SANTO SILVA Instalada no Palácio de Azurara, em Alfama, a Fundação recria o ambiente aristocrático do século XVIII, recebendo o nome do banqueiro Ricardo Espírito Santo Silva (1900-1955) que comprou, em 1947, a propriedade, do século XVII, para guardar parte da sua coleção de móveis, têxteis, pratas e cerâmica. Algu- mas das salas ainda conservam tetos originais e painéis de azulejo, e albergam autênticos tesouros, peças exóticas, coleções de pratos e porcelanas chinesas, tapetes de arraiolos. Durante a semana, num edifício ane- xo, podem ver-se em laboração artífices de marcenaria, douradores e encaderna- dores. Como a nossa visita foi num sábado, já a meio da tarde, não houve oportuni- dade de apreciar esta faceta de uma estrutura tripla: museu, escola e oficina de restauro. Uma mesa de gamão, com várias utilidades, é uma das peças mais valiosas desta magnífica coleção. Apolino Teixeira UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: DE NOVO EM LISBOA À PROCURA DE MANIFESTAÇÕES DE ARTE Página 4 BOLETIM DA ANAI OSI| OBSERVATÓRIO SOCIAL DO IDOSO: COLÓQUIO “CRISE CONTEMPORÂNEA E ENVELHECIMENTO—QUE IMPACTOS?” No dia 17 de Outubro teve lugar no Instituto Universitário Justiça e Paz, o Colóquio intitulado “Crise Contem- porânea e Envelhecimento – Que impactos?”. Este Colóquio, promovido pelo Observatório Social do Idoso, teve como principais temas de debate “Impacto das Políticas Sociais no Envelhecimento”, “Desigualdades Sociais na População Idosa”, “Participação Social dos Idosos” e ainda “Serviço Nacional de Saúde e a sua relação com a força de trabalho”. Para o debate destes temas, pudemos contar com a presença de vários convidados como a Prof.ª Doutora Mª Irene Carvalho, Prof.ª Doutora Fernanda Daniel, Dr.ª Alexandra Montei- ro, Prof. Doutor Ricardo Pocinho, Prof. Doutor João Apóstolo e a Doutora Raquel Varela, para além dos nos- sos moderadores convidados, o Sr. Eng.º Manuel Dias da Silva e o Sr. Prof. Carlos Rodrigues. Na mesa de abertura deste evento estiveram ainda presentes o Sr. Prof. Doutor José Ribeiro Ferreira e o Sr. Eng.º Rami- ro Miranda. No passado dia 30 de Outubro, os utentes do Centro de Dia, contaram com uma tarde diferente. A nosso convite, o Núcleo de Canicultura da Escola Superior Agrária de Coimbra deslocou-se às nossas instalações com os seus amigos de quatro patas, para uma demonstração de treino e obediência de cães. Os utentes do Centro de Dia puderam interagir com os animais e aprender algumas técnicas de obediência utilizadas nos nossos amigos caninos. Após a demonstração, houve um momento de convívio com lanche... só para os humanos. Nos dias 7 e 14 de Novembro, teve lugar na nossa sala de formação uma sessão sobre “Implementação dos Manuais de Qualidade da ISS”. Esta formação foi promovida pelo Observatório Social do Idoso e contou com a colaboração da entidade formadora “Mais Família”. Os participantes eram maioritariamente técnicos e profissionais de outras IPSS’s, o que permitiu também uma troca de experiências e ideias entre os profissionais. Como é costume já há uns anos, recebi o convite da direção da Oficina do Idoso e de outras amigas que a ela dedicam muito do seu tempo, para assistir à Festa de Natal deste Centro de Dia. Lá fui com muito gosto e, como sempre, sou recebida com muita amizade. Seguiu-se a festa com uma peça de teatro realizada pelos utentes e, este ano, muito original “O ensaio geral da peça que iriam realizar no dia seguinte”. Que ideia tão original! Cantaram-se também, cânticos ao Deus Menino e até com a participação da assistência… Seguiu-se um bom lanche, como sempre, bem recheado. Que “ricas” rabanadas e chá de limonete tão sabo- roso e quentinho! Que boa tarde me proporcionaram! A todos desejo, como muito amor, um 2015 cheio de saúde e bênçãos de Deus. Maria Beatriz Reis Torgal OFCI | OFICINA DO IDOSO/CENTRO DE DIA: DEMONSTRAÇÃO DE TREINO E OBEDIÊNCIA DE CÃES DO NÚCLEO DE CANICULTURA DA ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DE COIMBRA OSI| OBSERVATÓRIO SOCIAL DO IDOSO: FORMAÇÃO “IMPLEMENTAÇÃO DOS MANUAIS DE QUALIDADE EM INSTITUIÇÕES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL OFCI | OFICINA DO IDOSO / CENTRO DE DIA: FESTA DE NATAL OSI | OBSERVATÓRIO SOCIAL DO IDOSO: FEIRA DO VOLUNTARIADO DA FMUC A convite da Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, a ANAI par- ticipou na Feira do Voluntariado, no dia 7 de Outubro. Esta Feira do Voluntariado juntou várias instituições, organizações e associações do distrito de Coimbra, com o intuito de dar a conhecer à comunidade estudantil todo o trabalho realizado pelas mesmas e de incentivar os estudantes à prática do voluntariado. Página 5 BOLETIM DA ANAI Um brando sol matinal vinha agora despertar a noite e alegrar os dias. Secundino esquecera já as dores reumáticas da sogra, deixadas para trás nas rijezas da invernia. Pelo menos era isso que lhe parecia, que a mulher nunca mais gotejara lamentos no quarto ao lado. Ou então era ele que não os ouvia. Fosse como fosse, não era razão que o preocupasse. Atravessava todas as manhãs o jardim a caminho do trabalho. Confirmava o desabrochar verde nos braços nus das árvores, o canto alegre de um pássaro aqui, a resposta de outro mais além e, com o fresco da manhã nos pulmões, aferrolhava-se no PBX, donde só saía para almo- çar. Secundino trazia a refeição de casa, embrulhada em papel de jornal para não perder quentura, afun- dada numa marmita embiocada numa pasta velha. Desde que o tempo amornara, sentava-se num banco do jardim, ali comia e comprovava o desabotoar da natureza. Ao pé dele, vinha acomodar-se um homem, aparên- cia de velho, corcovado dentro de um sobretudo enxertado de remendos e frequentador continuado de bancos ensolarados; respondia por Adolfo, dizia-se reformado dos comboios, como gostava de se afirmar, e estava sozinho no mundo. Enferrujado pelo reumatismo, pela artrite ou pelo lumbago, que ia tudo desaguar na mes- ma dor, acompanhava a sua presença de repetidos «ais», mais intensos quando se sentava ou erguia. Secun- dino já não ligava, mas tempos houve em que foi solidário, emprestando-lhe o exemplo da sogra. Desembru- lhava a marmita e estendia as folhas amarrotadas que Adolfo recebia nas mãos enluvadas de lã com os dedos cortados: «Vejamos que notícias há hoje», e lia-as com igual interesse mesmo que fossem de meses atrás. Assim, um dia descobriu num artigo que a cura para o reumático passava pelo veneno de abelha. Dis- cutiu o assunto com Secundino durante dias seguidos, do doloroso que isso envolveria com o ferrão a atolar- se na carne, e concluíram ambos que nada melhor que procurar informações no endereço indicado. Voltariam a encontrar-se ali para o ponto da situação, quem sabe definir uma estratégia. Adolfo anuiu, ele mesmo iria ao endereço indicado, tempo era o que não lhe faltava. Confluiu numa praceta ladeada de árvores onde um rés-do-chão caiado de branco o recebeu. Uma mulher aparatosa fê-lo entrar, a porta fechou-se devagar e o silêncio regressou à praça cheia de sol. Secundino esperou. Viu as árvores cobrirem-se de verde, as corolas abri- rem-se em perfume, o amarelo invadir as copas, as desramas a deixá-las outra vez nuas, e do Adolfo nem a sombra. Um ano quase corrido e a Primavera estava a chegar. Outros se lhe haviam de seguir, o banco no jardim continuava solitário e Secundino foi esquecendo. Até que um dia… Era Sábado de tarde, por volta das seis horas. Quase sete. Secundino desceu e foi comprar cigarros e café. Atravessou a rua, dirigiu-se à lojeca do indiano Kabir, que vendia de tudo. Enquanto esperava despacho, um homem bem composto, tocando uma pequena gaita-de-beiços aproximou-se, olhou-o, soprou uma musi- quinha e disse, «Secundino!», fez uma pausa e continuou, «não tenha medo de mim». «Não estou com medo, qual o seu nome?» Ele respondeu com um sorriso triste: «o que importa o meu nome?» O homem estava completamente bêbado. Secundino pegou nos cigarros e no café, já ia a sair quando ele perguntou: «Importa-se que leve as mercas e o acompanhe?» Entregou-lhe as compras e, na porta de casa, antes de subir, recuperou o pacote de cigarros e o café. Com o homem parado diante si, considerou o seu rosto familiar e tornou a perguntar o nome. «Sou o Adolfo, Adolfo Brito. Faço hoje anos de casado!» «E as abelhas, era como se dizia no artigo?» lembrou-se o telefonista. «Fugiram, só sobrou uma que todos os dias me aferroa o corpo e envenena a alma. Qualquer dia apanho o comboio…». Secundino subiu as escadas, entrou em casa. Tratava-se afinal de uma situação simples, um facto a contar e a esquecer. Bebeu um café. Fumou um cigarro. Esqueceu. Carlos M. Rodrigues UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: O VENENO DA ABELHA No fim de semana de 25 e 26 de outubro, a Oficina do Ido- so ocupou o espaço “Cubo”, no Parque Verde. Entre 12 e 24 de dezembro ocupou o espaço Metro Mon- dego. Em ambos os casos mostramos e oferecemos os trabalhos de pintura, cerâmica, bordados e costura elaborados pelos nossos idosos ao longo do ano como forma de lazer e terapia ocupacional. Agradecemos a cedência dos espaços, na primeira data à Câmara Municipal e no período natalício à Metro Monde- go; a cedência do tempo é uma divida de gratidão para com um grupo de pessoas que eu denomino “gente de boa vontade” e digo dívida… porque boa vontade não se paga! O proveito económico proveniente das duas vendas não foi enorme, enorme sim foi a troca de afetos que nos acompanhou e nos acompanha sempre nestas atividades. Normélia Dias OFCI | OFICINA DO IDOSO / CENTRO DE DIA: MERCADO SOLIDÁRIO Www.anai.pt AGENDA OFICINA DO IDOSO Rua João Cabreira, n.º 18 3000-223 COIMBRA Telefone: 239852720 Telemóvel: 969831537 E-mail: anai.ofci@sapo.pt BOLETIM DA ANAI Página 6 Ficha Técnica Edição: Associação Nacional de Apoio ao Idoso Coordenação e Redação: Sónia Vinagre com o apoio de Normélia Dias Design Gráfico: Sónia Vi
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