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Boletim ANAI - n.º19 .julho 2015

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EDITORIAL Os sinais dos tempos e o labor das mãos Uma exposição de gestos e afetos Chega maio, o mês das rosas e das queirós que vestem jardins e montes, e…
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EDITORIAL Os sinais dos tempos e o labor das mãos Uma exposição de gestos e afetos Chega maio, o mês das rosas e das queirós que vestem jardins e montes, e religiosamente a Associação Nacional de Apoio ao Idoso realiza, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, a sua exposição de trabalhos criados e executados no âmbito da Universidade do Tempo Livre e da Oficina do Idoso – este ano com o título “Os sinais dos tempos e o labor das mãos”. E, ao observar a exposição, não se pode deixar de sentir algum contentamento e alegria interiores. Até por ser a primeira vez que apareceram obras da Oficina de Encadernação e Restauro de Livros. Pessoalmente, dá-me gosto passar pelas Aulas de Pintura e de Conservação e Restauro, pelas Oficinas de Pintu- ra, de Cerâmica, de Encadernação e Restauro de Livros e de Trabalhos Manuais e Bordados e sentir concentração, ver alegria no que fazem, a habilidade laboriosa de mãos. E colho, retemperado, a sensação de que os inscritos nessas aulas e oficinas sentem em cada manhã, ou tarde, chegar à sua tela íntima do espírito e da memória as cores do mar e da terra, sentem algo de semelhante ao que traduz um poema de Vasco Pereira da Costa, poeta e pintor, que hoje também na Casa Municipal da Cultura teve a decorrer, na Sala Pinho Dinis e na mesma data, uma exposição de pintura (como pintor assina Manuel Policarpo). Eis o poema: Deu-me o mar as cores da terra as clandestinas no arco-da-velha as cores da mão olhando a paleta as cores do vão no branco da tela Deu-me os imperceptíveis matizes de sóis sons seixos seivas remotos teoremas esquivas bissectrizes naufragadas leis bússolas imperfeitas Deu-me o fogo a luz a ardentia O leme o remo a asa o sargaço O fanal o farol a fenda a baía a quilha a espuma a bruma o rasgo Deu-me o vento a vela o ciclone a nuvem noite a estrela a lua a onda o rumo a rima e nome o sismo o recife o fundo a cafua onde colorir Behemoth e Leviathan E do mar as cores da terra primem a tecla chegam à tela em cada manhã Vislumbro e percebo desse modo o gosto com que olham e observam as coisas, estudam objetos, obras e mate- riais, medem espaços e imaginam volumes; sinto e comprovo o gosto com que executam os traços, combinam as tintas, misturam as cores e restauram peças de arte ou folhas de livros que acumulam anos, atraíram olhares, concentram afe- tos, significam presenças de pessoas ou gerações. Eu próprio me inscrevi numa Oficina – não em estrangeirados ateliers ou workshops – e aí passo satisfeito e entretido as manhãs das quartas feiras, quase esquecido de tudo o resto... Representa assim esta exposição – modesta que seja – o valor incomensurável dos afetos, dos gestos, do carinho e do labor da mente e das mãos que, vencendo e acariciando os sinais dos tempos, sustentam e temperam a vida, vivifi- cam o dia a dia. As obras e trabalhos – alguns dos executados – estiveram expostos na Sala Ferrer Correia da Casa Municipal da Cultura, de 14 a 28 de maio de 2015, à disposição de quem as queria apreciar e retirar deles o gozo estético que entenderam usufruir. ANAI | ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE APOIO AO IDOSO 1 de Julho de 2015 Numero 19 BOLETIM DA ANAI Nesta edição: Editorial 1 UTL | Universidade do Tempo Livre— Visita à Pampilhosa da Serra 2 UTL | Universidade do Tempo Livre—Rota do Românico: Vale do Sousa OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia: Work- shop de Cozinha Italiana 3 UTL | Universidade do Tempo Livre: Visita de estudo à Fundação Dionísio Pinheiro— Águeda UTL | Universidade do Tempo Livre: Uma viagem, 3 apontamentos 4 OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia: Sardi- nhada de S. João UTL | Universidade do Tempo Livre: Vozes da Croácia 5 Contactos OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia: Dia da Espiga Agenda 6 Página 2 BOLETIM DA ANAI UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: VISITA À PAMPILHOSA DA SERRA GRAÇA S PELO BO M S UCESS O DA VIAGE M À PA MPIL HOSA DA SER RA no dia 5 de junho de 2015. Obrigada, Senhor, por esta jornada tão saborosa. Obrigada por nos terdes selecionado para fazer parte de um grupo de gente tão selecionada. Havia no ar promessas de aromas de natureza e garantias de que esta viagem teria ingredientes imperdíveis. Cedo fomos informados da divisão que nos esperava entre a fidelidade à serra e aos verdes, com a urgente renovação de seiva de que andávamos precisa- dos e a fidelidade ao maranho. A receção na Câmara Municipal apresentou-nos o Senhor Presidente (ai, Senhor, como moldaste um homem tão bem apessoadinho!) que nos deu uma visão do concelho muito prometedora, logo acentuada pela visualização de um vídeo promocional. As forças vivas do Concelho direcionam os seus investimentos no sentido de um turismo ligado à Natureza. Presenteados com um saquinho azul do céu, visitámos o Museu da Vila, muito contempo- râneo, que guarda a história e os ofícios da região. E depois o Posto de Turismo que promove os seus produtos. Obser- vámos a praia fluvial, muito verde, e pensámos nas três bandeiras azuis do Concelho. Ansiávamos por um café. Que melhor lugar do que o Hotel Villa Pampilhosa com os seus milhões investidos, as suas quatro estrelas de chamamento e a vista larga da Natureza? Ali nos foi oferecido o café da nossa dependência. Postos de novo a caminho, já não eramos visitadores da Pampilhosa, mas começávamos a peregrinação ascendente para candidatos a confrades da Confraria do Maranho. Fazendo o caminho ao andar do rodado do autocarro, fomos recebendo as lições do senhor Engenheiro Manuel Dias da Silva, que acumulava três vertentes: ele era um caminhante a par de nós todos, ele era um natural do solo que íamos pisando, e ele era Primeiro-Mordomo da Confraria do Maranho. E sobre ele pesavam aqueles três pesos e sobre nós pesava a tarefa de identificar em que qualidade prestava cada informação. Privilégio dele, Senhor, que assim o cumulastes de tantos dons e tantas benesses. E bem a prova, Senhor, de que não tratais de igual modo todas as vos- sas criaturas… O Manuel Dias da Silva contribuiu para nos enriquecer enormemente o intelecto. Quisésseis vós, Senhor, que a nossa memória não estiolasse em cada dia e iriamos daqui tão outros do que viemos! Mas vós, Senhor, tornando- me a mim como referência e às criaturinhas da minha geração que comigo convivem, bem vos tendes ocupado a usar o vosso mata-borrão no nosso cerebelo… O Manel também contribuiu para nos elevar o astral, particularmente quando nos informou dos altos crânios que por aquelas terras nasceram e até—louvado sejais vós, Senhor! - ali teve nascimento o grande Toni Carreira, aquele cúmulo de charme e íman que tanta criatura feminina faz juntar em grandes peregrinações de fãs. E o povo desceu para a Barragem de Santa Luzia, mas sabendo dos cilícios que o esperavam. A Confraria do Maranho ali estava., as pessoas do seu Mordomo-Mor, do seu 1.º Mordomo, de outras figuras gradas e de uma noviça, esta ainda sem direito a insígnias por ainda não ter provado ter coturnos para tão alta elevação. E nós, caminhantes, nós, os todos, passámos a ser peões candidatos a candidatar-nos a confrades. E fomos intimados a elevado juramento, que fizemos sem vacilar. Sim, porque nós sabíamos que, não o fazendo, não almoçaríamos. E assim, perfilados e convincentemente, dissemos as palavras que o ponto requeria. Mas não tinha acabado a nossa via- sacra. Querendo comer, havia que confecionar. E diante de nós sentíamos rir de puro gozo grandes facalhões, tábuas de cozinha, um alguidar, linhas e agulhas. Não tínhamos nós sido introduzidos no ritual da entronização?... Não tinha, cada um de nós, individualmente, assumido chegar à soleira daquela dignidade? Então, mãos à obra! E com espirito de obe- diência e determinação, o povo entregou-se a árduas e exigentes tarefas: coseu, cortou, temperou, encheu e aprendeu como se fazem maranhos. Passada a provação com grande louvor, mas sem direito a qualquer diploma profissional, nem de grau raso, tivemos então direito a ir para a mesa, finalmente a saborear maranhos. Nós tínhamos confecionado sete (7!) maranhos da mais elevada qualidade e excelência vintage 2015! Face às várias estações de via-sacra por que íamos passando, tive o cuidado de comer pouco. Quem me garantia que o passo seguinte não seria percorrer a distância entre cinco capelas mandadas construir em lugares remotos, como penitência, a um pecador? Mas não. Saboreado o gostoso maranho, tivemos direito a descer à barragem de Santa Luzia. E depois, de autocarro, subir ao Miradouro de Santa Luzia, para vos dar graças, Senhor, porque o povo continuava vivo e viçoso. Antes de nós tinha pas- sado um poeta, José Ilídio Martins, de seu nome, que deixou gravado sinal da sua passagem em canto de exaltação a SANTA LUZIA. Quando à capelinha chegares/ De Santa Luzia chamada,/ Suplica a teu corpo, Um leve esforço, E sobe. Sobe à varanda de pedra/ Da solitária capela/ E desfruta do seu morro/ A paisagem Telúrica e bela./ Não olhes apenas, ó homem erran- te,/ Se da Terra és amante,/ Olhar é pouco, talvez nada./ Contempla, admira e ama, Tão Bravia natureza/ E se acaso tal grandeza/ Algo de divino e belo/ Na tua alma desperta,/ Faz da tua emoção, Uma oração./ Agradece e reza. E cheios de religiosidade, deixada Santa Luzia, partimos para a Senhora da Guia, no Fajão. E vimos a Igreja Matriz, com belos arcos de xisto. E no Museu de Monsenhor Nunes Pereira, com algumas das suas obras e artefactos li no seu exte- rior, extraído do Cancioneiro Popular: A minha mãe deu-me um bolo/ Ao tender faltou-me a massa/ Cantemos, bailemos/ Enquanto a fome passa. E por falar em fome, aterrámos num prometido lanche. Obrigada, Senhor, por aquela chuvinha benfazeja, tão própria para lavar e refrescar os ares. Ligue os chuveiros do céu para que se acrescentem as barragens, baixem a temperatura imprópria e reguem os campos, que os pobres camponeses já desalentam: gastaram em maio água que não terão em julho se vós não a repuserdes. E a caminho de casa, abençoai, Senhor, o nosso motorista, que nos tem trazido tão direiti- nhos e dai a todos nós adrenalina q.b. para nos não metermos na casota, ficando alheios aos apelos que nos batem à porta. Foi bom que tivésseis reunido este alfobre de gente de jeito, que certamente levará o nome destas paragens para longes terras. Finalmente, Senhor, mantendo bem viva a ANAI, quem a dirige e quem nela trabalha, em prol de todos nós, até de quem nada faz para merecer tanta graça. Ámen. A caminhante Lídia Martins Página 3 BOLETIM DA ANAI Gulosa como sou, não sei como me tinha vindo a escapar o tão falado Pão de Ló de Margaride, cuja fábrica visitámos em Felgueiras e pela boca do jovem Carlos Ferreira, simpático, agradável à vista e excelente comunicador, ficámos quase habili- tados a cooperar na sua confeção (eu só partiria ovos, tarefa bem difícil, segundo constou). Depois de uma farta degustação que nos foi oferecida num ambiente acolhedor da mesma fábrica, cheia de História, desiludi -me… Não pelo comunicador, devíamos ter deixado uma petição para que o seu ordenado fosse aumentado, merecia, por- que se ganha à comissão não foi de certo compensado o seu esforço… mas há com certeza melhor Pão de Ló na região, eu conheço, a Rainha D. Amélia, não… o de Margaride, só bem regado com vinho do Porto. Mas recomendo vivamente a visita à Fábrica, valeu a pena, quanto mais não for para escutar atentamente o seu percurso romântico, trajetória a contar, cheia de graça pelo Carlos Ferreira. Mas por falar em graça, simpatia, juventude, saber, lutadora pela sua terra, o Vale de Sousa, a nossa guia Yolanda quase nos convenceu à mudança para a região, que apesar de super povoada teria ainda um cantinho para nós. “Tarde piou”! De Felgueiras ao Pombeiro, cinco minutos de viagem e o Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro à vista, um dos ex-libris da Rota do Românico. Mas não lhes ficam atrás em Paços de Ferreira o Mosteiro de S. Pedro, único a preservar o seu nártex, o Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa com o tumulo de D. Egas Moniz, assim como em Ermida o Memorial da Ermida, monumento ligado ao cortejo fúnebre da princesa Beata Mafalda. Plagiando Camões, quanto à Rota do Românico do Vale de Sousa, direi… “julgue-o quem não puder experimentá-lo, mas vale mais experimentá-lo que julga-lo”. Dum grupo coeso, alegre e divertido, uns mais animados que outros, claro, resta-me salientar as boas vozes, melhores ouvi- dos e ricos reportórios da Maria Helena e da Antonieta que só não ficaram a integrar o Coro Gregoriano em Loredo (em Cête não foi possível senão visualizar por fora o Mosteiro), porque o Gaspar, excelente profissional, se recusou a conduzir o auto- carro sem elas. Como consequência lógica ficou apalavrada outra qualquer Rota do Românico, ainda não agendada, já sem o Museu de Penafiel galardoado com o Prémio de Melhor Museu Português em 2010, mas se possível com a Quinta da Aveleda pelo meio, pelos seus belíssimos jardins, quanto mais não seja para refrescar as mentes e os múltiplos fotógrafos continuarem a testar as suas máquinas, enquanto digerem opíparos almoços de gastronomia regional como o de Parada de Todeia no Res- taurante Varandas d’ À Quatro, ou mesmo um simples “gourmet” como o que nos foi servido no Monte de Santa Quitéria . E para terminar, e porque a vida está cara, podemos continuar a dormir em unidades de 3 estrelas, desde que sejam idênti- cas àquela onde ficámos desta vez alojados. Já as vi com muito mais estrelas e com menos brilho. Até breve. Prolongou-se por dois anos letivos o prazer de confecionar e degustar esta cozinha que, oriunda de tempos perdidos, foi assimilando ingredientes à medida que o Novo Mundo lhos foi dando a conhecer. À nossa Associação chegou, pela mão da italiana Marina Midolo, filha e neta de mãos hábeis e nariz apurado. Foram dois anos de sã convivência entre orientadora e (des)orientados, que nos deixam muitas saudades e “amargos de boca”, bem pouco amargos pois que a Marina sempre equilibrou a sua exigência de perfeccionista com umas sobremesas que eram um regalo! Anti –pastos, quentes ou frios, para aguçar o apetite, pastas, risotos, carne, peixe ou marisco tudo com ela era uma exigência de frescura… só o nosso tomate correspondia integralmente aos seus parâmetros! Foi um tempo lindo que fez da mesa um lugar de prazer que bem apetecia prolongar no tempo, mas o mundo é redondo e o movimento perpétuo levou a Marina a procurar melhores oportunidades em outro lugar e nós, os que cozinhámos e os que comemos, ficámos mais ricos, embora saudosos. Obrigada Marina, oxalá os ingleses saibam apreciar os teus paladares. Ao grupo de pessoas que colaborou e sem o qual os queijos, as natas, as ervas aromáticas,… seriam meras híper calorias., o nosso agradecimento e o desejo de um verão quente e saboroso . Maria Normélia Dias UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: ROTA DO ROMÂNICO—VALE DO SOUSA OFCI/CD | OFICINA DO IDOSO/CENTRO DE DIA: WORKSHOP DE COZINHA ITALIANA Página 4 BOLETIM DA ANAI Integrada no Plano de Atividades da UTL, para o ano letivo 2014/2015, realizou-se no dia 20 de Abril uma visita de estudo à Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, sob a orienta- ção dos docentes da UTL Conceição Mendes e Miguel Vieira Duque, responsáveis pelas cadei- ras de Pintura e Conservação e Restauro. Participaram os alunos das duas cadeiras e alguns amigos, interessados no aliciante programa que os aguardava. O dia começou com uma “conversa” no auditório da Fundação sobre “Contextualização e pers- petiva da produção artística e cultural – património e memória”. Começando por uma agradável prova dos vinhos do Douro, seguiu-se a visita guiada à Exposi- ção de Pintura “A OBRA – da génese à fruição”, da autoria da professora Conceição Mendes, que acompanhou os presentes na apresentação da sua obra. Passou-se depois ao Jardim de Inverno para visita à Instalação “AutoRetrato”, composta por diversas peças construídas com panos de limpar pincéis, guardados ao longo dos anos pela autora. Os participantes mostraram- se muito interessados, colocando permanentemente questões por forma a serem esclarecidos na sua curiosidade e nas suas dúvidas. Seguidamente, e sob a prestimosa orientação do Dr. Miguel Vieira Duque, Conservador do Museu, o grupo visitou a Coleção Permanente da Fundação com enfoque nas magníficas peças de mobiliário e no acervo de Pintura e Escultura contemporâneas. Seguiu-se a visita à Exposi- ção Temporária de Arte da última metade do Séc. XX Português e à Instalação “Gritos de san- gue”, da autoria de Rodolfo Gabriel. Às 13:00 os participantes almoçaram e confraternizaram na cafetaria Jardins Quinta de S. Pedro, local onde se realizou em ambiente descontraído e com muito interesse, a apresentação de vasta bibliografia relacionada com os temas Arte, Cultura, Património e Memória no Portugal de hoje. O regresso a Coimbra cumpriu-se às 16:30 h, com o entusiasmo e a satisfação de um dia cheio e bem passado. Conceição Mendes (Docente da cadeira de Pintura da UTL) UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: VISITA DE ESTUDO À FUNDAÇÃO DIONISIO PINHEIRO—ÁGUEDA De 21 a 24 de Maio, realizou-se, como já se vem tornando um hábito, a viagem de ano da turma de História de Portugal. Por deliberação coletiva e em complemento de viagens anteriores, a opção recaiu em Toledo, cidade com um peso inquestionável na história da Península. Mas até chegar lá não esbanjámos oportunidades e, na passagem por Alcala de Henares, desde 1998 Património da Humanidade, registámos a cidade como um dos melhores espaços históricos de Espanha. Viu a partir do século XVI, com a funda- ção da Universidade, o seu espaço valorizado pela UNESCO como pri- meiro modelo de Cidade Universitária da Idade Moderna. A merecer igualmente um apontamento, a Casa Museu de Cervantes, com os dois guardiões a referenciá-la, sentados à porta. Depois foi Madrid, com visita ao Museu Centro de Arte Rainha Sofia, um dos mais importantes núcleos de arte moderna, e a inevitável revisitação a Guernica, para que a barbárie não se repita. Finalmente, a caminho de Toledo, o imperdível Palácio de Aranjuez, com a frescura geométrica dos seus jardins, demorou-nos antes de aportar- mos à Cidade das Três Culturas. Localizada estrategicamente sobre um promontório rochoso a espreitar em baixo o Rio Tejo, Toledo foi sempre, desde todos os tempos, objecto de cobiça. Os romanos construíram ali um ponto importante de defesa e os visigodos fize- ram dela a sua capital. Mas muito além de conquistas e lutas bárbaras, a história de Tole- do é marcada pela prosperidade e pelo convívio pacífico entre muçulmanos, judeus e cris- tãos. Esse espírito de tolerância, forte- mente estimulado por monarcas como Afonso X, promoveu o desenvolvimento de esco- las de intelectuais e criativas oficinas de artesãos. Com o ano de 1492, a Reconquista foi dada por concluída, e o centro do poder subiu até Madrid, pondo fim a esse período de ouro vivido pela cidade. Sobraram, no entanto, as memórias que a posição dominante do seu Alcázar relembra e o deslumbramento gótico da sua Catedral guarda. Talvez tenham sido eles, acima de muitos outros, que tomaram de vez o espírito de Domenikos Theo- tocopoulos, El Greco, o pintor cretense que pela cidade se deixou cativar, cujas preciosas obras podem ser apreciadas por todo lado, com destaque particular para O Enterro do Conde de Orgaz mostrado na Igreja de Santo Tomé. Cidade das Três Culturas, como alguém lhe chamou, resiste como um museu ao ar livre, calma e melancólica, vendo as águas murmurarem-lhe aos pés. Mas melhor que falar sobre ela é palmilhar na história as suas vielas e ruas estreitas com olhos atentos. Carlos M. Rodrigues UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: UMA VIAGEM, TRÊS APONTAMENTOS Página 5 BOLETIM DA ANAI OFCI / CD | OFICINA DO IDOSO/CENTRO DE DIA: SARDINHADA DE S. JOÃO No passado dia 17 de junho, como é da tradição, a ANAI – Oficina do Idoso, organizou a “Sardinhada de S. João”. Logo de entrada, saboreámos um gostoso caldo-verde com chouriça, para aquecer as goelas, enquanto se iam roendo azeitonas e uma deliciosa broa. O recinto estava repleto de convivas, que ao s
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