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Boletim ANAI - n.º23 .julho 2016

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EDITORIAL Cores e despedida da primavera Diferente dos anteriores foi o encerramento deste ano letivo da Universidade do Tempo Livre da ANAI. Abalançámo-nos a fazê-lo com um colóquio, a que demos o título “Cores e despedida da primavera”. Foram três dias – ou melhor, duas tardes e um dia – a escutar, a apreciar e a participar nos trabalhos preparados pelas turmas e pelos associados que entenderam dar a sua colaboração. Percorremos gostoso e agradável caminho, a seguir os passos que cada participante ou turma propôs e pelo qual nos guiou, sempre que possível procurando aceder ao dia e hora solicitados. Na segunda feira, dia de Santo António (13 de junho), escutámos, em breve exposição, um trabalho sobre as aves, sua relação com a primavera e seu convívio com o autor. Mostrou diversos ninhos, alguns feitos em sítios imprevisíveis. De seguida, cada um apreciou os diversos tons e contornos nas cores e paletas dos alunos da Aula de Pintura. E quem por lá passou bem comprovou como a primavera, sedutora e brejeira, se transforma e multiplica em multiformes encarna- ções. O dia 15 acolhia programa, desde cedo... O dia, porém, por negaças de Junho maroto ou por castigo do todo poderoso Zeus, deus das nuvens e das chuvas – ou melhor, dos fenómenos atmosféricos –, amanheceu cinzento e chuvoso... Os papéis coloridos, programados pela Oficina de Encadernação e Restauro de Livros, que pareciam surgir, por artes mágicas, da água das tinas, tiveram de se recolher, envergonhados e sombrios, aos varões dos chapéus ou aos beirais do terreiro, em vez de se pimponarem nas cordas que atravessavam esse mesmo terreiro, prontas para festejarem os San- tos Populares. E no fim lá se quedaram, em rima, numa mesa do coberto, à espera que o tempo os deixasse secar. Felizmente que a Turma de História da Arte, em excelente e variado traba- lho, nos procurou levar de retorno à primavera, na companhia do cadenciado e persistente voo das cegonhas, ora em cunha, ora em formação paralela. E assim conseguiu a turma ‘despertares de primavera numa polifonia artística’, em que alternavam maravilhosas e apropriadas pinturas com condizentes poemas. A parte da tarde abriu com quatro colaborações da Turma de Conversas de Filosofia, em que se tratou de “A primavera no falar do povo”, com base em adá- gios e em poemas, sem descurar o recurso a pinturas de uma das participantes; em que, em “Primavera, ânsia de eterno”, a partir de poemas de S. João da Cruz, a primavera nos é apresentada como «renovação / Procura de vivência perene / Do belo / Do não efémero», como «ânsia do eterno»; em que procurou estabelecer, no trabalho “Primaveras sucessivas”, com imagens impressivas e elucidativas, o caminhar da moda dos anos 20 aos anos 2000; se descreveu, em “Nascimento da primavera e primavera na poesia e o amor”, o quadro Primavera de Sandro Botticelli, se referiu o seu significado, se fez um percurso por alguns poetas, se leram poemas e se mostraram fotografias de tema primaveril. De seguida, a Turma de Literatura Portuguesa, em “30 minutos ao redor da primavera”, apresentou um conjunto de textos literários (prosa e verso) de auto- res portugueses, versando a temática da Primavera. Tratou-se de momento alto, em que se verificou uma interação entre todos os elementos da turma. O dia 15 terminou com excelente participação da Turma de História da Músi- ca, em trabalho de grupo com o título “A música e a primavera”, em que se falou da obra de Vivaldi, de Copland, de Piazzolla e escutamos trechos de obras suas – respetivamente, “A primavera” das Quatro estações (Op. 8), “Appalachian spring” e “Primavera porteña”. O Colóquio concluiu na sexta feira, dia 17, com uma tarde mais dedicada ao convívio, à música e à poesia. Após um lanche retemperador, começou por atuar a Turma de Cavaquinho que teve o cuidado de escolher letras de músicas que falem da Mãe Natureza e conhecidas, com o objetivo, além disso, de animar todos os presentes. Assim – através do cavaquinho, ou o ‘miúdo reguila’, como lhe chama o Dr. Lousã Henri- ques – executaram canções como “Não quero que vás à monda”, “Alecrim”, “Verdes são os campos”, “Vira de Coimbra”, “Rama da oliveira”, “Ó Coimbra do Mondego”, entre outras. Tertúlia Aedo, com o título “Momentos, espaços e passos de Coimbra”, apresentou e leu dois poemas do Só de António Nobre, relacionados com Coimbra e arredores: “Para as raparigas de Coimbra” e “Carta a Manuel”. Seguiu-se o jantar festivo, durante o qual se entregaram os Certificados de Frequência aos Alunos e os Diplomas de Mérito aos Professores e às turmas que apresentaram trabalhos ao Colóquio. A festa de convívio terminou com a atuação do Grupo Folclórico e Etnográfico de Arzila que a todos seduziu, a todos convidou a um pé de dança, a que muitos gostosamente corresponderam. Faço votos pela repetição do colóquio com participação ativa e empenhada, envolvimento de todos. ANAI | ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE APOIO AO IDOSO 1 de Julho de 2016 Numero 23 BOLETIM DA ANAI Nesta edição: Editorial 1 UTL | Universidade do Tempo Livre— Histó- ria da Cidade de Coimbra III: a Região 2 UTL | Universidade do Tempo Livre— Exposição “Cores e Linhas da Primavera” UTL | Universidade do Tempo Livre— Encontro com… a Numismática 3 UTL | Universidade do Tempo Livre: Romeu e Julieta UTL | Universidade do Tempo Livre: Rota da 4 5 OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia: Conví- vio da Primavera OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia: Pales- tra sobre o coração OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia: Sardi- nhada de S. João OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia: Visita 6 UTL | Universidade do Tempo Livre: Viagem a Malta UTL | Universidade do Tempo Livre: Encerra- 7 Contactos OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia: Ses- são de fotografia Agenda 8 UTL | Universidade do Tempo Livre: Nabucco—Ópera OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia: Sessão de sensibilização Página 2 BOLETIM DA ANAI UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: HISTÓRIA DA CIDADE DE COIMBRA III—A REGIÃO Em Abril do corrente ano, os alunos da turma de História da Cidade de Coimbra III fizeram uma visita de estudo à vila de Ançã, acompanhados pelo professor da disciplina, Doutor Sérgio Neto, e orientados por uma guia local. O roteiro iniciou-se com a visita à Igreja Matriz, monumento do século XVIII. Exteriormente, foi feita a observação da frontaria com um belo por- tal e, no interior, confirmámos as marcas provenientes das várias altera- ções ocorridas até hoje. Percorremos as três naves, sustentadas por colunas dóricas, para onde se abrem as várias capelas colaterais, data- das dos séculos XVI ao XVIII, com magníficos trabalhos em pedra de Ançã. Detivemo-nos na capela-mor onde se destaca, entre outras escul- turas quinhentistas, a imagem gótica da Nossa Senhora do Ó ou da Expectação, inseridas num belíssimo retábulo, sob a austera abóbada pétrea. Na visita feita ao centro da vila, passámos junto do pelourinho que não é exata- mente como a peça original do século XVI por ter necessitado de intervenção no séc. XIX, classificado como “pelourinho barroco”. No percurso realizado, foram destacadas as fachadas exteriores do palácio de D. Álvaro Pires de Castro, Marquês de Cascais e Senhor da vila de Ançã do século XVII, e do antigo Solar dos Neiva, datado de finais do século XVIII e século XIX. Pudemos observar, nos dois edifícios, o brasão de armas de cada uma destas famílias, artisti- camente esculpidos na pedra local. Foi, então, referida a importância da pedra de Ançã como matéria-prima utilizada frequentemente para a realização de obras de arte de escultura, remetendo para nomes como João de Ruão e Nicolau de Chanterenne. Na rua Jaime Cortesão, foi também possível ver janelas, de estilo manuelino, artisticamente executadas nesta pedra, e visitar o museu etnográfico, louvável espaço museológico graças ao espólio doado pelos habitantes locais. O Moinho e a Fonte de Ançã constituem uma agradável surpresa para os visitantes, contribuindo de forma decisiva para a beleza daquele espaço. O antigo moinho de milho foi recuperado no início de século XX e mostra toda a sua energia motriz com a passagem da água da nascente local. Na fonte, datada do século XVII, pode ver-se um brasão de armas do Senhor da Vila de Ançã, na parte superior da construção quadrangular formada por quatro pilares que suportam uma cúpula em forma de abóba- da. É graças à água que permanentemente corre desta nascente que foi possível criar, neste local, uma piscina em pedra que é um polo turístico muito atrativo, dado que, no verão, é um local refrescante e, de inverno, local de festas populares e convívio, numa curiosa e oportuna gestão de funcionalidades. A visita terminou com a passagem junto da casa onde nasceu Jaime Corte- são e do monumento que foi erigido em memória desta notável personalida- de. Antes de regressarmos a Coimbra, pudemos ainda degustar, no Posto de Turismo local, o tradicional bolo de Ançã, cozido em forno de lenha. Pena foi que, com o entusiasmo de tudo apreendermos sobre esta importante vila, tivéssemos chegado já tarde junto da boleira que, lamentando não satisfazer todos os fregueses daquele dia, vendia já os últimos bolos, não podendo satisfazer as encomendas de alguns de nós. Maria Luísa A. Quintela Página 3 BOLETIM DA ANAI EXPOSIÇÃO DE PINTURA “Cores e linhas da Primavera” CASA DA CULTURA DE COIMBRA – SALA FERRER CORREIA 31 de Maio a 13 de Junho de 2016 Foi inaugurada no passado dia 31 de Maio, a exposição coletiva dos trabalhos executados ao longo do passado ano letivo, no âmbito da disciplina de Pintura da UTL juntamente com trabalhos de Pintura, Bordados, Cerâmica e Encadernação da Oficina do Idoso. Na inauguração estiveram presentes o Exmo. Sr. Presidente da ANAI, Professor Doutor José Ribeiro Ferreira, a Exma. Sr.ª Dr.ª Maria Helena Carneiro Coordenadora da UTL, a Exma. Sr.ª Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, além de convidados, Professores, alunos, amigos… Uma vez mais e à semelhança dos anos anteriores, esta mostra distinguiu-se pela diversidade, qualidade e beleza estética dos trabalhos expostos. Os autores revelaram, cada um à sua maneira, as enormes capacidades de que dispõem, ocupando o seu tempo na procura constante do saber e da cultura, depois de uma vida inteiramente dedicada ao trabalho. As obras expostas são exemplo do talento e criatividade dos alunos que, orgulhosamente, frequentam as aulas propostas pela ANAI, ao mesmo tempo que proporcionam aos seus autores a possibilidade de divulgar o trabalho que aqui desenvol- vem. A exposição teve elevado número de visitantes que manifestaram o seu agrado pela qualidade e diversidade dos trabalhos, enaltecendo o papel desempenhado pela ANAI junto da população sénior do concelho. Aspecto geral da sala de Exposições Conceição Mendes Professora de Pintura da UTL Na quinta-feira, 14 de abril, pelas 16h30, no Salão Nobre da Universidade do Tempo Livre (ANAI), teve lugar um “Encontro com…” a numismática. Deu as boas vindas e abriu a sessão o Senhor Presidente da ANAI, Professor Doutor Ribeiro Ferreira que agradeceu à Imprensa Nacional – Casa da Moeda, na pessoa da Sr.ª Dr.ª Catarina Pargana, a oportunidade de dar a conhecer uma série de moedas comemorativas, apresentadas em pequena exposição. Seguiu-se uma brilhante conferência sobre o tema pronunciada pelo Sr. Dr. António Verdasca, alto funcionário da IN-CM, que deliciou o público presente, fazendo-o percorrer os caminhos das moedas nas vertentes artística, temática e técnica. Depois de algumas perguntas dos presentes, interessantemente respondidas pelo Sr. Dr. António Verdasca, todos nos deli- ciámos com a observação palpável das moedas expostas. Foi com pena de todos que se encerrou esta sessão, deixando, no entanto, um sabor delicioso!... Maria Helena Carneiro—Coordenadora da UTL UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: EXPOSIÇÃO “CORES E LINHAS DA PRIMAVERA UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: ENCONTRO COM A NUMISMÁTICA Página 4 BOLETIM DA ANAI UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: ROMEU E JULIETA Lisboa, teatro Camões, 15 de Maio de 2016. Companhia Nacional de Bailado. Texto – W. Shakespeare; cenografia, ence- nação, espaço cénico e desenho de luz – Rui Horta; composição e direção musical – Bruno Pernadas. Interpretação – artistas da C N B e os atores Pedro Gil e Carla Galvão; Bruno Pernadas e Ensemble. História sombria e que mergulha na tragédia. Uma daquelas obras que marcam o nosso imaginário, onde a revolta e a irreverência se confrontam com o peso da convenção social. Um jovem de 17 e uma jovem de 13 anos apaixonam-se e, no espaço de três dias, suicidam-se e morrem à sua volta alguns dos seus entes mais queridos. Funerais … ódio … vio- lência … morte … paixão e … amor … desmedidos e incontroláveis. Na perda do amor e da vida a razão anula-se, instala-se a dor, o sofrimento. No entanto, Romeu & Julieta é sentida como uma história de amor, quando, na realidade, é uma história de ódio e de preconceitos, num mundo regido por convenções absurdas. Isto porque, apesar de uma mente ágil, essa mente é, além de um espaço habitado pelos mais profundos impulsos vitais, também um espaço deformado pelas mais absurdas convenções sociais, códigos de conduta, religiões … Por isso - esclarece Rui Horta - este meu R & J é uma viagem ao lado mais negro do branco, porque não há negro sem branco. Não me interessa contar a história, interessa-me falar do que a história me diz, daquilo que sinto. Não acredito que, no fim do romance, as duas famílias façam a paz … A reconciliação não existe, pois o ser humano é assim mesmo, irracional e violento perante a perda. Neste R & J os amantes não morrem enlouquecem, pois o pior dos sofrimentos é não poder mudar as convenções que nos condicionam, a enorme distância entre o que queremos e o que conseguimos. A moral da história é que o ódio não é um desvio do amor, mas parte mesma da sua génese. A tensão em R & J não vem da distância entre amor-ódio, mas da distância entre a liberdade do indivíduo e a convenção social. Uma tensão que que- bra os amantes com maior facilidade. Por isso a peça resvala de um corpo formal, repetitivo e marcial --- para um corpo fragmentado, sucumbindo às emoções. Ao trazer as palavras de Shakespeare para o corpo … e o corpo da dança para o teatro, fui, também eu, ao encontro da poética ---- lugar da impossibilidade e da perda, mas também duma força que nos faz acreditar, avançar e sonhar mesmo perante as maiores adversidades. Espetáculo profundamente envolvente, dança e música fortemente entrelaçadas, cenários, guarda-roupa, desenho de luz muito expressivos, enfim obra muito bela, forte e inspirada que nos deixou mais bem alimentada essa força que nos faz acreditar, sonhar e avançar. Inês Borges Reis A 30 de Abril, realizou-se uma visita à fábrica Topázio em Valbom, Museu do Ouro em Travasso e Igreja de Fonte Arca- da, Póvoa de Lanhoso. A Topázio é uma referência internacional na produção de jóias, peças decorativas e Art de la Table, desde 1874. A pro- dução, totalmente artesanal, é feita com técnicas e equipamentos que datam da sua fundação permitindo criar peças únicas e personalizadas. Possui uma equipa criativa no design de peças intemporais associando cristal, vidro, cerâmica e prata. O Museu do Ouro de Travassos foi inaugurado em 2001 por iniciativa de um ourives que durante 50 anos recolheu espólio e documentação para apetrechar o espaço. Trata-se do nosso anfitrião que com tanto entusiasmo falou daquele espaço rico em oficinas artesanais e vestígios arquitetónicos. Destaque para objetos em ouro (um diadema da Idade do Cobre, torques castrejos, brincos medievais), objetos em prata e utensílios utilizados na produção das peças. Foi possí- vel assistir ao trabalho de um artesão que engenhosamente manipulava a filigrana e satisfazia a curiosidade dos visitan- tes. A Igreja de Fonte Arcada constitui um exemplar do românico tardio do Minho que na sua origem integrava o Mosteiro de S. Salvador, de frades beneditinos, aqui fundado em 1067. A feição atual da igreja foi adquirida entre finais de duzen- tos e inícios de trezentos quando os beneditinos enfrentaram longas disputas com fidalgos vizinhos por direitos e senho- rios. A exceção a este ambiente de austeridade reside na capela-mor, profusamente decorada com colunas com capitéis lavrados com motivos vegetalistas. Conta-se que foi esta igreja o palco da sublevação popular protagonizada por Maria da Fonte. Foi assim o contacto com o património da prata, do ouro e da pedra. Francelina Dinis UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: ROTA DA FILIGRANA Página 5 BOLETIM DA ANAI Depois de uma semana hesitante pelo pranto da chuva, alternado com o sorriso tímido de um sol amarelo, sába- do amanheceu indeciso entre o azul receoso do céu a espreitar por detrás de nuvens suspeitas. Partimos. O objetivo era a ópera “Nabucco”. Antes, porém, atendemos ao chamariz histórico do Palácio dos Marqueses de Fronteira. Construído no séc. XVII como pavilhão de caça por D. João de Mascarenhas, 1.º Marquês de Fronteira, situa-se à beira do Parque Florestal de Monsanto. Ampliado e transformado no séc. XVIII por força do terramoto de 1755, para albergar a família do Marquês de Fronteira, continua ainda hoje residência do 12.º Marquês de Fronteira e Alorna. Iniciámos a visita, guiados por um jovem. Ultrapassada a porta, detivemo-nos junto da carranca em mármore, donde outrora jorrava água, hoje tida como imprópria. Fomos então exortados a imaginar o que seria o ritual dos visitan- tes de outros tempos que, antes de subirem ao andar nobre do palácio, podiam apear-se do cavalo e refrescar-se. De ambos os lados do patamar em que a fonte assenta, partem lanços de escadas que conduzem ao piso superior. Toda a escadaria é revestida de azule- jos de padrão camélia do séc. XVII, testemunho da paixão aristocrática por esta novidade trazida do Oriente. A entrada é aparatosa, mas algo soturna, atraindo apenas a atenção as duas janelas falsas, pintadas nas paredes. A biblioteca forra-se de estantes repletas de livros, muitos dos quais sem idade. Um piano, um globo terrestre e outro celeste, a par de um biombo velho de trezentos anos, compõem o mobiliário da divisão. É, porém, a Sala das Batalhas o espaço interior mais representativo e original do edifício. Um conjunto de oito painéis de azulejos descrevem outras tantas batalhas que conduziram à Res- tauração. Também a Sala de Jantar, decorada com azulejos holandeses e retratos da nobre- za, merece um olhar atento. Ao sairmos para o Terraço da Capela, somos surpreendidos com sete grandes painéis representando as sete artes liberais. Descemos para o Jardim Formal, definido por grandes cantei- ros de buxos, no limite do qual se encontra o conjunto formado pelo Tanque dos Cavaleiros e pela Galeria dos Reis, a peça de resistência do palácio. Terminou aqui a visita. Depois foi rumar ao São Carlos ao encontro de “Nabucco”, nome abreviado de Nabucodonosor, a primeira obra-prima de Verdi. Composta aos 27 anos, falar dela é falar da política italiana de meados do século XIX, mormente dos conflitos entre Estado e Religião, sinalizando a ânsia em sacudir os vários jugos que oprimiam a península italiana, nos caminhos para a unificação; atesta-o o coro dos escravos hebreus ‘Va pensiero’. Mas “Nabucco” é tam- bém um marco na caracterização psicológica da relação pai-filha, sobre o que leva os filhos a romper com os pais; o sexo e o poder do dinheiro; o complexo de Édipo avant la lettre de Freud. A cenografia, interessante e funcional, à base de biombos com vagas suges- tões assírias, deixou-me a ideia de ter reduzido profundidade ao palco, notória aquando das movimentações do coro. Ainda que sem conhecimentos detalhados no canto lírico, atrevo-me a destacar Abigaille (Elisabete Matos) e Zaccaria (Simon Lin). Anna (Carla Simões) e Ismaele (Carlos Cardoso) merecem também um reparo particular na arquitetura de um espetáculo magnífico que não se apagará facilmente da memória. Carlos M. Rodrigues UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: NABUCCO—ÓPERA No passa
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