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Boletim ANAI - n.º25 .janeiro 2017

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BOLETIM DA ANAI Numero 25 1 de janeiro de 2017 ANAI | ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE APOIO AO IDOSO EDITORIAL Natal: memórias, tradições, realidades... Celebrar o Natal…
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BOLETIM DA ANAI Numero 25 1 de janeiro de 2017 ANAI | ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE APOIO AO IDOSO EDITORIAL Natal: memórias, tradições, realidades... Celebrar o Natal é viver um mundo de emoções, reviver sensações, evocar recordações. Chega dezembro – ou melhor, aparecem os primeiros enfeites do Natal – e logo acorrem memórias, nos seduzem ou empurram tradições, aflo- ram realidades... Se alegres umas, outras tantas vezes amargas e conflituantes. Apesar de emoções e experiências comuns, há sempre modos diferentes de viver o Natal e de o sentir, nas diver- sas terras ou casas: a azáfama da tarde e noite do dia 24 de dezembro, para que tudo esteja a contento e no melhor aconchego possível nessa santa noite... E a memoria recorda, na metade norte de Portugal, do bacalhau cozido com batatas e olhos de couve galega, bem regados com azeite; ou, na metade sul do país, em especial no Alentejo e Algarve, a carne de porco com amêijoas, o peru e o cabrito que aí imperam na noite de Consoada e no dia de Natal; e em outros locais outras iguarias. Também as sopas secas, a aletria, as rabanadas, as belhós e filhós, os mexidos ou formigos (dois termos a traduzir o mesmo), as azevias ou pasteis de massa tenra... E as pinhas de pinheiro manso, abertas no forno de lenha ou junto à lareira, onde sorriam pinhões que, delas retirados, eram a delícia da miudagem: ora os partiam e comiam, ora com eles se entretinham até à hora da Missa do Galo, a jogar o ‘rapa-tira-deixa-põe’ e o ‘par ou pernão’ (o par não). Ou não traz à memória a ‘roupa velha’ de dia da Natal... Os pais natal, é certo, hoje proliferam, vermelhões, de longas barbas brancas, gordalhufos, a tentar subir fachadas e varandas... E desse modo se transforma o bispo Nicolau, o bondoso e caritativo bispo de Mira (sul da Turquia} – que foi preso e torturado no tempo de Diocleciano, que salvou crianças e acorreu com dádivas a quem necessitava e que a Igreja Católica tornou santo e cultua no dia 6 de dezembro – em nutrido palhaço vermelho que, por interesses de comércio, ano a ano, uns dias antes do Natal, embarca num trenó de renas e parte do Pólo Norte... Quanto mais sedutora e terna não é a memória da figura rosada e sorridente do Menino que, nascido como um sem abrigo, é consolado no frio da noite de dezembro pelo Nesta edição: bafo zeloso e atento do burro e da vaquinha! E a grata memória da sua vinda, à meia noi- Editorial 1 te, à meia noite em ponto, a hora precisa em que nasceu: discreto, silencioso e solícito, desce a depor as prendas nos sapatinhos que, em ordem e compostura, bordejam chami- UTL | Universidade do Tempo 2 Livre—Encontro com Ana Paula nés. E que alegria e brilho nos olhitos das crianças, mal rompe a aurora do dia de Natal! Arnault Ainda o galo não cantara e apenas o lusco-fusco se escoa dos vales aos primeiros róseos OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia: Festa de Natal alvores da madrugada, levantam-se açudados, incontidos, e acorrem à chaminé. Que des- UTL | Universidade do Tempo lumbramento nos olhos! O Natal todo concentrado naquele momento intenso do primeiro alvorecer da manhã. UTL | Universidade do Tempo 3 Livre— Passeio cultural a Lisboa Todos os anos nasce para nós de novo o Menino Deus, na gruta nua e fria, UTL | Universidade do Tempo Livre: Convívio de alunos do quando chega dezembro e o Sol passa o ponto mais baixo e começa a subir no seu giro anual – como se fora um Sol nascente. Assim ao mundo vem na gruta isolada e fria que sempre existe, seja em que cidade seja – Sol que nasce para iluminar e vivifi- UTL | Universidade do Tempo 4 Livre—Visita à Vista Alegre e a Ílhavo car... OFCI | Oficina do Idoso / Centro Ano após ano, no brilho dos olhos sorridentes da criança, no amor calado do de Dia—Magusto rosto da mãe, na discreta postura e atenta ternura do pai, renasce a esperança no UTL | Universidade do Tempo 5 coração dos povos. E um halo de luz irradia das figuras. Ganha forma e adquire espes- Livre—Papel de Rascunho: Um Porto Desconhecido sura a ideia da família de Nazaré, toma corpo e torna-se paradigma no fluir dos tempos. Contactos 6 ANAI | Contribua para a ANAI ao preencher o seu IRS Agenda Página 2 BOLETIM DA ANAI UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: ENCONTRO COM ANA PAULA ARNAULT Nota de redação: No Boletim n.º 22, de abril de 2016, foi publicado um texto da autoria da Sr.ª Dr.ª Maria Edite Ferreira que continha erros decorrentes da transcrição do texto manuscrito para o computador. Aos prezados leitores e em particular à autora do texto apresentamos as nossas sinceras desculpas e publica- mos o texto integral, devidamente corrigido. Mais uma vez tivemos o privilégio de ouvir a Professora Ana Paula Arnault, trazer-nos renovados olhares sobre o roman- ce post-modernismo, desta vez sobre O Delfim, romance de José Cardoso Pires que, em 1968, inaugurou o post- modernismo em Portugal. É uma obra que representa uma re-invenção de tradições estéticas da escrita, uma obra que abriu caminho a novos rumos ficcionais do post-modernismo, muito próximo de correntes da literatura norte-americana. Foi focada a importância do sentido simbólico na obra, que diz respeito à vida da população da Gafeira, numa perspetiva ideológica e empenhamento neo-realista de critica social onde interagem opressores, poderosos, ricos e a classe dos pobres, trabalhadores dominados, escravizados. É evidente a preocupação social do autor-narrador nas várias marcas de hipotextos da obra, na riqueza pluridiscursiva do texto e na técnica interseccionista tão presente ao longo de toda a tessi- tura narrativa, contribuindo para a criação de um universo diegético “extraordinariamente fascinante”. Deixou-nos esta conferencista um forte desejo de releitura de O Delfim, atentos às constantes interpelações do autor para, como disse A. P. Arnaut, podermos corresponder aos apelos à “competência do leitor no encaixe semântico dos estilhaços” que vão sendo facultados nas estéticas do modernismo/post-modernismo. A. P. Arnaut deixa-nos sempre mais e mais ávidos das suas excelentes lições. M. Edite Ferreira OFCI/CD | OFICINA DO IDOSO/CENTRO DE DIA: FESTA DE NATAL Mais uma Festa de Natal da ANAI - Oficina do Idoso. Este ano (2016) além do lanchinho habitual, os utentes e seus con- vidados puderam assistir à leitura, pela utente Fátima Dinis, de poemas da autoria do seu fale- cido pai. Depois seguiu-se uma representação teatral onde alguns uten- tes da Oficina, Arménio Teixeira, Cátia Oliveira, José António, Luísa Paulo, Manuela Fonseca, Manuela Teixeira e Teresa Lopes, deram o seu melhor para divertir os restantes com as suas atuações. Desta vez usufruímos da prestação de amigas especiais… e desse modo uniu-se a juventude, com a idade mais avançada. Depois de exibida a peça, procedeu-se ao já tradicional “Sorteio de Natal”, onde se rifaram e entregaram, os três (3) magníficos prémios. Arménio Teixeira UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: A NOSSA FESTA DE NATAL A nossa festa de Natal teve, este ano, lugar na 4ª feira, dia 14 de dezembro e contou com dois momentos: o primeiro teve lugar no salão nobre da sede da ANAI, pelas 16h30, com a participação da turma de Literatura Portuguesa. Foi um delicioso momento durante o qual professora e alunos lembraram os seus Natais de outros tempos, trazendo à memória dos presentes pinceladas do passado que muito emocionaram. Às 18h30, e já no Hotel D. Inês, começou o segundo momento da nossa festa de Natal. Depois da abertura feita pelo Senhor Presidente da ANAI e da leitura do belo texto que nos deu sobre o Natal, a coordenadora da UTL, Helena Carneiro, leu um texto, de sua autoria, sobre a escritora e sua amiga, Maria Ondina Braga, que o grupo AEDO, de seguida, evocou lendo o interessante conto “Natal Chinês “ integrado da obra “A China fica ao lado”. Durante o jantar-convívio, algumas turmas participaram com muito entusiasmo e dedicação: as turmas de Inglês com canções de Natal, as turmas de Pintura com postais pintados nas aulas e vendidos aos presentes a favor da ANAI; e, finalmente, as turmas de Cavaquinho com um momento musical que já vai sendo marca nos nossos jantares. Creio poder dizer que, para todos, foi um convívio de Natal caloroso e muito alegre. Maria Helena Carneiro Página 3 BOLETIM DA ANAI UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: PASSEIO CULTURAL A LISBOA NO DIA 13 DE NOVEMBRO De manhã, a visita guiada à Casa-Museu Rafael Bordalo Pinheiro, ao Campo Grande, permitiu-nos contactar com algumas gravuras e peças de cerâmica bem representativas de um caricaturista e ceramista genial. Criador de personagens e figuras tão peculiares quanto polémicas, como o Zé Povinho, o Gato Pires, a Galinha Choca (a Economia) ou a Grande Porca (a Política), só para referir algumas, pois são os animais em geral e as plantas que o inspi- ram nas peças de cerâmica mais conhecidas e que Bordalo Pinheiro moldou ao ínfimo pormenor. Nesta exposição têm lugar de destaque o PRATO MESA POSTA, peça de arte naturalista que explora em detalhe a gastro- nomia portuguesa; a TALHA MANUELINA, peça de grandes dimensões e inspirada nos Descobrimentos, em estilo neoma- nuelino, onde se destacam dois medalhões laterais representando Camões e o Infante D. Henrique; o BARRIGAS, que caricatura o político no Parlamento, visto com o humor mordaz do artista. No piso superior, uma exposição temporária intitulada DIÁLOGOS IMAGINÁRIOS entre Rafael Bordalo Pinheiro e Paula Rego evidencia temas e tópicos comuns, a saber, ambos têm grande predileção pelos animais e certos tipos populares. A caricatura, os bichos transformados em humanos (ou vice-versa), tendo em vista a crítica social e o humor sarcástico pre- sente na obra de ambos, sugerem afinidades. De resto, Paula Rego teve desde cedo Bordalo como uma referência, pois conhecia os seus desenhos de os ver em jor- nais em casa dos seus avós. De tarde, o programa era diferente mas igualmente aliciante: ida à Ópera no Teatro Nacional de São Carlos, para assistir ao REI ÉDIPO (Oedipus Rex) de Stravinsky. Baseada na história da tragédia de Sófocles, a obra foi estreada em 1927, com texto de Jean Cocteau, revertido para latim pelo amigo abade Jean Daniélou. Com direção musical de Leo Hussain e encenação de Ricardo Pais, assistimos a interpretações excelentes a cargo do Coro do Teatro Nacional de São Carlos e da Orquestra Sinfónica Portuguesa, acompanhados de vozes excecionais nos principais papéis (Édipo,Jocasta) ,que se potenciam num cenário quase minimalista. Cá fora o cenário é outro, mas também ele nos fala de cultura e de literatura: é o Largo de Camões, é Fernando Pessoa, que morou ali num primeiro andar de um daqueles prédios, que nos acorrem ao espírito. No final, rumámos a Coimbra mas a Helena Carneiro quis fazer-nos uma surpresa, que se transformou numa espécie de caça ao tesouro! Andámos de autocarro pela Avenida 24 de Julho, à procura do Galo de Joana Vasconcelos até que, já a noite caía, o vimos: lá estava ele, enorme, brilhando na Ribeira das Naus. M.J.D. UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: CONVÍVIO DE ALUNOS DO PROFESSOR ALFREDO REIS RENOVAR Convívio natalício—gastronómico Seja o Natal p’ra crentes e não crentes Ele será sempre um outro nascimento A leitura deste poema foi—o post- sobremesa de paz e esperan- Seja real o sonho, o sentimento ça que a colega Lina ofereceu ao grupo de alunos do Professor Ou apenas um dia de presentes Alfredo Reis, que à sua volta sempre se reúne nesta época, atraídos por um sentimento de amizade e alegria que as suas Terá valor no mundo ocidental lições nos transmitem. Se for vivido em paz e harmonia Obrigada Professor! E noutras latitudes fantasia… Nem se sabe que existe tal Natal Feliz Natal para todos! Normélia Dias Como da morte dá p’ra renascer Se não houver amor, nem houver pão Se pára de bater o coração Humanos somos todos, deuses não Mas gota a gota temos de entender Que dar amor e paz é renascer! Lina Céu Página 4 BOLETIM DA ANAI UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: VISITA À VISTA ALEGRE E A ÍLHAVO — 5 NOVEMBRO O autocarro chegou ao Largo da Vista Alegre pouco depois das 10h da manhã. Havia muito para ver no magnífico largo: a Fábrica da VA, a Capela de Nossa Senhora da Penha de França, o Museu da Fábrica, o Hotel Montebello e outras atra- cões. Um sítio excelente! Começámos por visitar a Capela, agora renovada com os trabalhos de limpeza e restauro, na qual um guia turístico foi explicitando referências temporais e artísticas. Capela do final do séc. XVII, por desígnio do bispo de Miranda, D. Manuel de Moura Manuel, num lugar que, na época, fazia parte da sua quinta pessoal. Por fora, domina o branco nos altos-relevos (Nossa Senhora e o Menino), indiciando o pré-barroco da época da sua construção. Duas torres sineiras compõem a simetria depurada do espaço. O interior, pequeno, mas com profusa orna- mentação, é uma obra de arte. Azulejos setecentistas, abóbada pintada a fresco, retábulo-mor em mármore, talha doura- da nos dois altares, túmulo do fundador,...: todo o recheio merece do visitante uma atitude de contemplação e de espan- to. Seguiu-se o Museu da Fábrica da Vista Alegre: arte decorativa em porcelana e em vidro (primeira fase dos trabalhos da Fábrica), mostram um gosto clássico e requintado nas peças apresentadas. Fundada em 1822 por José Ferreira Pinto Basto, tornou-se o núcleo principal daquela zona, onde o industrial mandou construir um bairro para operários, um Teatro, um Posto de Saúde e outras zonas de serviços que apelassem à instalação de famílias naquela bela região ribei- rinha, banhada pela ria de Aveiro. O Museu não desilude ninguém: explicita as fases de elaboração e o gradativo apuro dos materiais utilizados, informa sobre os pintores contrata- dos para a decoração de peças (Victor Rousseau seria um dos primeiros, favorecendo a criação de uma Escola de pintura, ainda hoje famosa). O uso do ouro na decoração, a cria- ção de esculturas de perfeitíssimo recorte e a apresentação de pinturas explicativas têm guindado a Fábrica à obtenção de prémios em certames internacionais. Chegada a hora do almoço, rumámos ao Hotel Montebello, construído de raiz nas traseiras do largo VA, merecedor de cinco estrelas, um lugar bucólico virado à paisagem amena e líquida do braço da ria que ali chega. O serviço foi de muita qualidade e o ambiente entre os amigos da ANAI sempre excelente. Por ali ficaríamos tempos infindos, em saborosa conversação e visita às três lojas de por- celanas e vidros… mas não se esgotara ainda a «ordem de trabalhos» do passeio conimbri- cense. Rumámos então ao centro de Ílhavo, para visita ao seu magnífico Museu Marítimo, centrado nas atividades de pesca graúda nos Mares do Norte, bem como na pesca costei- ra artesanal e na recolha do moliço para fertilização de terras de cultivo, feita pelos famosos moliceiros da Ria de Aveiro. Surpreendente foi o contacto com enormes barcos de dimen- são real, da época da pesca à linha nos mares da Gronelândia, e das várias divisões do navio, como a cozinha, os beli- ches, bem como de específicas áreas de trabalho. Em relação à ria, numa sala exibiam-se dois grandes moliceiros (tamanho natural, uma vez mais), com o pitoresco das suas proas pintadas e a beleza das suas velas brancas enrola- das… a pintura de quadros (de grandes pintores, alguns de Ílhavo) e algumas fotografias da «faina» do mar e da ria, permitiam visualizar o movimento das grandes naus, a dimensão humana de quem lá trabalhava, o aspeto histórico dos primeiros palheiros e a tristeza das mulheres de luto eterno por quantos familiares tinham sido colhidos por tempestades. A miniatura de algumas embarcações célebres permite ao visitante conhecer a história secular de grandes navios de pes- ca ainda hoje presentes em exposição de veleiros de todo o mundo. O labor nas marinhas de sal também esta contemplado pela presença dos barcos e das alfaias usadas para recolher o sal. Entretanto, com tantos pormenores interessantes, a visita chegava ao fim, não sem antes visitarmos o tanque dos baca- lhaus, onde cerca de uma dezena dos famosos espécimes («gadus mohrua» de águas frias da Noruega) nada calma- mente em aquários próprios, proporcionando um momento de beleza, serenidade e contacto com o ambiente marinho. Saímos de Ílhavo, muito satisfeitos com as visitas feitas, e rumámos a Coimbra, pensando já noutro passeio tão ou mais rico do que este. Júlia São Marcos, 19-11-2016 OFCI/CD: OFICINA DO IDOSO/CENTRO DE DIA: MAGUSTO Como vai sendo hábito a Oficina do Idoso da ANAI, levou a efeito o tradicional “Magusto de S. Martinho”, onde não faltaram as delicio- sas castanhas assadas e / ou cozidas, tão a gosto dos seus uten- tes e demais convivas. Além das ditas castanhas não faltaram os diversos aperitivos que, fossem doces e/ou salgados, souberam às mil maravilhas… E, para quem podia… lá estavam as bebidas lico- rosas, sem faltar—é evidente—a jeropiga, alguma caseira e ofere- cida por vários amigos. Foi mais um dia para recordar. Pena é que nem todos os utentes entendam a expressão maior a que se destinam estes eventos, e teimem em não aderir. Arménio Gomes Teixeira Página 5 BOLETIM DA ANAI UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: PAPEL DE RASCUNHO—UM PORTO DESCONHECIDO O Porto, sítio onde Portugal cresceu, é hoje o centro vital do Norte, uma cidade onde o tempo firmou raízes na memória das gentes e a História deixou marcas que se não apagam no nosso imaginário. Seriam razões mais que bastantes para nos puxarem mais uma vez a viagem até lá, não fosse agora outro o nosso objetivo. Assim, sem menosprezo pelo seu “ex- libris”, a Torre dos Clérigos, pelo morro da Sé, pela Ribeira ou pela Praça da República, lugares ímpares já percorridos de sobejo noutras alturas, o nosso propósito centrou-se numa óptica diferente: o reencontro com a memória viva da cidade. Antes, porém, nada melhor que abordarmos o seu pulsar a partir da periferia: o porto de Leixões, porta aberta para a cidade com o seu terminal de cruzeiros, o Forte de S. Francis- co Xavier (Castelo do Queijo) com posição dominante sobe o Atlântico, a Foz, zona inter- classista salpicada de esplanadas, bares e jardins à beira-mar e Matosinhos, onde se tor- nou obrigatória a paragem na Igreja do Bom Jesus. Iniciada no século XVI, sofreu inúme- ras alterações com relevo para as do período barroco, no século XVIII, onde se destaca o revestimento de toda a capela-mor em talha dourada. De planta em cruz latina, de três naves, a fachada surge reedificada sob a traça de Nicolau Nasoni. Prosseguimos para o interior da cidade e, apeados junto ao edifício do Hospital Real de Santo Antó- nio, classificado Monumento Nacional desde 1910, demos início ao périplo que nos levou até ao Ban- co de Materiais da Câmara Municipal, instalado no palacete dos Viscondes de Balsemão. Aí se mos- tram materiais caracterizantes da arquitetura portuense (azulejos, estuques, ferros), bem como outras valências que visam a salvaguarda deste património precioso. Mas além dos elementos de cedência, é notável o acervo museológico existente, cerca de 17 mil azulejos, que vão desde motivos hispano- árabes aos padrões do século XVII e seguintes. A partir daqui, foi o palmilhar de ruas e travessas até aos Aliados onde acadeirámos para o almoço. Reconfortado o estômago, embrenhámo-nos no tecido urbano marcado pelas origens medievais da cidade donde retirámos uma imagem de coerência e homogeneidade. Em cada pedra ou recanto, em nichos que o tempo quase engoliu, na teia de ruas e vielas, nos degraus gastos de escadas, no colorido da roupa a secar numa ruazinha estreita, o nosso olhar encontrou-se com o passado de muitas décadas, cada dia renascido para a vida dos que ali moram. Desaguámos na Rua das Flores, onde seria desperdício não visitar o Museu da Misericórdia, considerado, em junho do cor- rente ano, o melhor museu português. Caía a noite quando nos maravilhámos com a Sacristia da Sé, onde o périplo se concluiu. Carlos M. Rodrigues UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: PAPEL DE RASCUNHO—HISTÓRIA DA ARTE VISITOU EXPOSIÇÃO DE AMADEU SOUSA CARDOSO E MIRÓ No passado dia 10 de Dezembro, a turma da Histór
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