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Boletim ANAI - n.º26 .abril 2017

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BOLETIM DA ANAI Numero 26 1 de abril de 2017 ANAI | ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE APOIO AO IDOSO EDITORIAL De ramo em ramo e de folha em folha... Ou a comemoração do Dia Mundial da Poesia e da Árvore Assinalou a Universidade do Tempo Livre da Associação Nacional de Apoio ao Idoso, em 21 de março de 2017, o Dia Mundial da Poesia e o Dia Mundial da Árvore. E não podia ser de outra forma, sob pena de defraudar as responsabilida- des que tem. Assim realizou uma visita à Mata de Vale de Canas, orientada pelo Eng.º Américo Quadros; promoveu a leitura de poemas, a cargo da Tertúlia Aedo e dos associados. Em apoio, foi publicada uma antologia, a que se resolveu dar o título genérico De ramo em ramo ou de folha em folha. Convergem no título cambiantes vários que entre os ramos e folhas se acolhem e se escondem. Ramo a ramo, gomo a gomo, folha a folha crescem as árvores e as plantas. De ramo em ramo saltitam as aves e entre os ramos fazem os seus ninhos. De ramo em ramo passa ou salta o macaco, desliza o esquilo; entre os ramos se refugiam e acolhem ani- mais. De folha em folha cai a gota de água e perpassam as abelhas em busca do pólen das flores. Dos gomos rebentam as folhas... E, chegado o outono, ganham cor as folhas e a mais ligeira brisa as faz tombar, deixando despidos os ramos; multicores, arrastam-nas os ventos e as primeiras chuvas... E esse tombar outonal aparece afinal como símbolo tantas vezes usado para o declinar da vida. E tantos outros aspetos se poderia aqui lembrar... Pois tantos assuntos ou temas deslizam sob o título, quer seja ele tomado num sentido mais direto, quer se olhe num entendimento mais metafórico. E podem abranger também a presença das árvores que povoam a infância ou momentos da existência. Ou então falar ainda das folhas do outono, da natureza ou da vida. E quantas vezes passamos a vida a saltar de galho em galho e no fim, sem remédio, vemo-nos pendurados no último ramo?... Quanto mais não vale o incentivo do poeta Eugénio de Andrade (Ofício de paciência, 1994) para agir como os pássa- ros que nenhum «permite à morte dominar / o azul do seu canto» – ou, diria, a nossa vida: Não queiras transformar em nostalgia Nesta edição: o que foi exaltação, Editorial 1 em lixo o que foi cristal. A velhice, UTL | Universidade do Tempo Livre—Apresentação da atividade: Encon- 2 tros de reflexão para uma vida mais alegre o primeiro sinal de doença da alma, UTL | Universidade do Tempo Livre— Almada Negreiros—Uma forma 3 às vezes contamina o corpo. de ser moderno Nenhum pássaro permite à morte dominar UTL | Universidade do Tempo Livre—Cátedra Sousa Fernandes 4 o azul do seu canto. OFCI | Oficina do Idoso / Centro de Dia—Carnaval Faz como eles: dança de ramo em ramo. UTL | Universidade do Tempo Livre—Visita ao Alto Minho 5 UTL | Universidade do Tempo Livre—Nova disciplina 6 UTL | Universidade do Tempo Livre—Dia Mundial da Poesia e da Árvore UTL | Universidade do Tempo Livre—Workshop de Bonsai José Ribeiro Ferreira UTL | Universidade do Tempo Livre: Visita ao MNAC e Mosteiro de S. 7 Vicente de Fora UTL | Universidade do Tempo Livre: Visita de estudo a Londres 8 UTL | Universidade do Tempo Livre: Visita de estudo a Londres 9 Contactos 10 ANAI | Contribua para a ANAI ao preencher o seu IRS Agenda Página 2 BOLETIM DA ANAI UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: APRESENTAÇÃO DA ATIVIDADE—ENCONTROS DE REFLEXÃO PARA UMA VIDA MAIS ALEGRE A todos um Ano de 2017 com Paz, Saúde e Alegria. A fórmula acima é muito comum nos votos de Boas Festas. Porquê? Talvez por pensarmos que Paz, Saúde e Alegria é a mistura certa para a Felicidade. Só que ela encerra conceitos que têm muito que se lhes diga. Paz! O que é a Paz? Quando se fala em Paz, pensa-se em serenidade. Os budistas, mestres da meditação, são conhecidos pela sua serenidade, verdadeira ou aparente. Há pouco, saiu a público o resultado de um estudo orientado pela cientista Elizabeth Blackburn, prémio Nobel da Medicina ou Fisiologia em 2009, que sugere que a meditação pode retardar o envelhecimen- to e prolongar a vida. Será? E como é que a meditação faz isso, explicado cientificamente. E como se faz meditação? Jesus dizia aos Apóstolos: “Deixo-vos a Paz, dou-vos a minha Paz.” De que Paz é que Ele falava? Se pensarmos no tempo em que viveu e como morreu, bem como a maioria dos Apóstolos, onde estava afinal a sua Paz? Saúde! Segundo o estudo de Elizabeth Blackburn, parece que a meditação faz bem à saúde. Mas não há muitos comportamentos e atitudes que podemos melhorar ou alterar para aumentarmos a probabilidade de ter mais saúde? Há uma tríade chinesa para um bom envelhecimento que aconselha: Comer metade, andar o dobro, e rir o triplo. Felicidade! Quem não a quer? E o que é a Felicidade? Pode dizer-se: ‑ Agora é que nos vamos preocupar com isso, quando já estamos tão avançados na estrada da Vida? Sim, porque cada um de nós já usou mais de metade do seu tempo de vida. E não será uma obrigação de todo o ser humano, procurar a felicidade, mesmo nos escombros da Vida? E, quando digo “escombros da vida” não me estou a referir só à idade, mas a situações que arruinaram a vida de tantas pessoas: A morte de alguém muito amado; o aparecimento de uma doença grave; uma queda mal dada… Que fazer? Ficar, como dizem que era o lema dos estudantes de Coimbra, a “seguir o curso sem sair do leito”? Os resul- tados quer académicos quer no crescimento pessoal são péssimos, pois a falta de exercício físico e mental leva a uma rápida deterioração. Qual é então o caminho para um envelhecimento com qualidade, sem esquecer que estamos a envelhecer desde o dia em que nascemos? Georg Eliot, uma romancista inglesa do séc. XIX, dizia que “Nunca é tarde para sermos o que pode- ríamos ter sido”. Será? Mas por que não tentar? Nas crónicas do Prof. Pedroso de Lima pode ler-se: “Aprendi que a arte de sentir o sentir dos outros, pode transformar um descampado num jardim”. Aqui está algo que nos pode ajudar: aprender a sentir o sentir dos outros que o Professor via como uma arte. E a religião? Também ajuda? Como? Que religião? E a espiritualidade? E o sentido da Vida? Poderemos aumentar o significado das nossas vidas junto dos filhos, netos, irmãos, amigos? Seremos capazes de ter uma relação de ajuda em relação a eles, quando disso necessitem? Como proceder? Que cuidados ter? Fica assim a ideia de alguns temas em que se pode trabalhar nestes Encontros (se houver pessoas interessadas, claro). E como surgiu a ideia destes Encontros? Há pouco tempo, houve um período em que me vinha à cabeça, muitas vezes, a frase que tinha ouvido ao Doutor Daniel Serrão, recentemente falecido: “Com a morte de cada Homem, termina um universo específico”. E pensava: aprendi tanto na vida, estudei tanto, fiz um percurso difícil, acho que cresci. Mas agora, de que serve tudo isso? Ao falar desta minha inquietação a um bom e querido amigo, ele sugeriu: Por que não pões o que sabes a render parti- lhando-o com os outros? E… aqui estou, propondo-me dinamizar estes Encontros, antes que o universo que é cada um de nós se apague. Não pretendo ensinar conhecimentos científicos como se isto fosse um curso, porque não é. Mas em cada Encon- tro, partindo de uma frase, uma história, um poema, um texto, um jogo, um exercício vamos procurar em conjunto promo- ver o nosso crescimento, num clima de simplicidade e Alegria. por Isabel Maria Cunha Página 3 BOLETIM DA ANAI UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: ALMADA NEGREIROS—UMA FORMA DE SER MODERNO A Universidade dos Tempos Livres fez mais uma deslocação a Lisboa, onde, ao contrário de Coimbra, tudo acon- tece a nível de arte… e não só, para se recrear com uma excelente exposição e visitar um maravilhoso Convento que, embora já exista desde o século XVI, e tenha resistido ao terramoto de 1755, só agora começa a ser conhecido. Bastantes alunos da universidade sénior marcaram presença neste evento, o que é sempre agradável, que con- tou com um final feliz, um passeio e um chá em Lisboa Factory, em Marvila: uma zona de lazer que é fruto de um interes- sante aproveitamento de velhos armazéns, com estabelecimentos dos mais variados produtos. Partimos de madrugada, oito horas da manhã, tão cedo que a rapaziada ainda não começara a sair das discote- cas e, após a contagem de cabeças feita pelo nosso Professor, rumámos à Fundação Calouste Gulbenkian, com uma bre- ve paragem para um agradável café. ALMADA NEGREIROS 1893-1970 A exposição, “José de Almada Negreiros – uma maneira de ser moderno” está muito bem organizada, a guia foi simpática e o Almada Negreiros tem uma obra maravilhosa, embora nunca tenha frequentado nenhuma faculdade de Belas Artes. Figura carismática, mediática, polémica e popular é considerado um dos nomes mais conhecidos da arte por- tuguesa do século XX, dedicando-se, além da pintura, à escrita e dança. A moda foi um fenómeno social e cultural que se desenvolveu no período conturbado da primeira Grande Guerra, durante o qual muitas mulheres tiveram de recorrer ao trabalho fora de casa e simplificar a sua forma de vestir, aparecen- do, por exemplo, o uso das calças. Foi o início das etapas no sentido da emancipação da mulher. No dealbar do século XIX, as revistas femininas, cinemas, jornais e os magazines, deram início à loucura da moda. Foi neste período que Alma- da Negreiros principiou a sua atividade realizando quatro painéis para a “Alfaiataria Cunha”, comparando a moda da elite dos séculos XVIII e parte do XIX com o traje moderno da primeira década do século XX . Pintou quadros para o café Brasileira, “ As banhistas”, um” auto-retrato em grupo”. As formas da sua predilecão são as pessoas, pintando “Os acrobatas” “Arlequim e Columbina”, “a criada” e “maternidade”. O grande quadro do “Fernando Pessoa” (1954), obra emblemática dos anos 50, foi executada para o restaurante Irmãos Unidos. Amigo de António Ferro, desde o tempo do Orfeu, colabora com o Secretariado Nacional, que lhe realiza a 1ª exposição, Almada- Trinta anos de desenho, e ganha o prémio Columbano. Simultaneamente, Almada escreveu as novelas: Saltimbancos, Mini Fataxa, Ka Quadrado Azul, Histoire du Portu- gal, Dia Claro. Tem, ainda, três intervenções: Ultimatum Futurista, Gerações Portuguesas do século XX e Manifesto ao Viana. Uma obra muito extensa e magnífica. Fernando Pessoa Banhistas CONVENTO DOS CARDAES O Convento dos Cardaes foi fundado por D. Luísa de Távora para a Ordem das Carmelitas Descalças em 1681, mantendo-se até ao decreto de extinção das Ordens Religiosas femininas, em 1833, sendo posteriormente concedido à Associação da Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos. O edifício de traça barroca tem um exterior austero e um interior profusamente decorado, que considero maravi- lhoso. Desde a portaria à Igreja, Comungatório, Sacristia, Sala Mariana, Sala da Paixão, Sala do Capítulo e Coro Alto, tudo é resplandecente e decorado com imagens e pinturas maravilhosas. Uma visita demorada, muito bem explicada, que deixou saudades. A maravilhosa Igreja Apolino Teixeira Página 4 BOLETIM DA ANAI UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: CATEDRA SOUSA FERNANDES Um grupo de sócios e alunos da Universidade do Tempo Livre visitou, dia 23 de fevereiro, o Observatório Geofísico e Astronómico. O acervo museológico é constituído por um vasto número de instrumentos de observação e medição astronómica e geofísica. Conta ainda, na sua coleção com mapas e cartas celestes. A maioria do espólio é constituído por peças do séc. XVIII e XIX. Iniciamos a visita com a brilhante apresenta- ção do Doutor João Fernandes com o tema: “Observatório Geofísico e Astronómico da U C: mais de 200 anos de História contados em 15 minutos!”. Tivemos o privilégio de visitar a coleção museológica, guiada pelo Sr. Claudino Romeiro. Susana Pinto OFCI/CD: OFICINA DO IDOSO/CENTRO DE DIA: CARNAVAL O Centro de Dia da ANAI participou ontem, dia 23 de fevereiro, numa Matiné de Car- naval no Salão do Centro Social de Desporto e Cultura de Ribeira de Frades. A ativi- dade promovida pelo CDLS 3G de Coimbra contou com a participação de inúmeras instituições, do concelho de Coimbra, que desenvolvem respostas sociais na área da terceira idade. Foi uma tarde bastante animada, onde reinou a diversão e o con- vívio. Sónia Vinagre OFCI/CD: OFICINA DO IDOSO/CENTRO DE DIA: DIA INTERNACIONAL DA MULHER O dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Uni- das, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres. Este dia é festejado em muitos países do mundo e foi também comemora- do, com entusiasmo e animação, na Oficina do Idoso. Depois de uma bela “Feijoada” que a todos deliciou, foram distribuídos aos participan- tes pequenas lembranças e o poema “Discreta Distende o Fio”, escrito pelo Diretor, Sr. Prof. Ribeiro Ferreira, alusivo à Mulher. Seguidamente deu-se cumprimento à programação estabelecida para a tarde deste dia festivo: -Apresentação de lindíssimos diapositivos com fundo musical e imagens alusivas à Mulher; momento de poesia; apresentação da peça “A Carta Trocada e as Outras Duas”; algumas cantigas tradicionais portuguesas; e, para finalizar, a apresen- tação da hilariante peça “As 4 Velhas + 2 …E Não Só”, que arrancou sonoras garga- lhadas à entusiasmada plateia. A elaboração dos diapositivos e o ensaio de todo o elenco, foram realizadas pelo Sr. Arménio Teixeira, grande amigo e voluntário na Ofi- cina do Idoso há longos anos. Para encerrar as comemorações, utentes, convidados e funcionários reuniram-se para um pequeno lanche em que a Secretária da Direção aproveitou para agradecer a comparência de todos e agradecer, igualmente, a todas as funcionárias e à Sr.ª Dr.ª Sónia Vinagre todo o empenho e dedicação a esta Casa. Isabel Cristina Martins Ferraz Página 5 BOLETIM DA ANAI UTL| UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: VISITA AO ALTO MINHO Aos 18 dias do mês de março de 2017, pelas 8 da manhã, partiu um grupo de vinte viajantes rumo ao Alto Minho para, entre outras finalidades, conhecer histórias de contrabando e de emigração. Os deuses colaboravam com um sol cordial a cobrir o caminho e os viajantes usufruíam da boa luz e de amena temperatu- ra. E quando lhes foi dada a primeira estação prevista, estavam em Monção à porta do Palácio da Brejoeira, propriedade privada só há poucos anos aberta a visitantes, embora sendo Património Nacional desde 1910. Diz a informação que “ é uma grandiosa construção em estilo neoclássico dos princípios do século XIX” e que “ é um conjunto notável – Palácio, capela, bosques, jardins, vinha e adega antiga (onde estagia atualmente a Aguardente Velha) que seduz e encanta pela harmonia que dele emana”. Estávamos na região dos vinhos Alvarinho e ali, na Quinta da Brejoeira, são produzidos dos melhores e nessa produção assenta o principal provento da Sociedade Anónima que a última dona da quinta consti- tuiu. Saímos reconfortados por uma degustação vínica. Registe-se que no Palácio da Brejoeira aprendemos que o colchão da cama do Rei era cheio de crinas de cavalo, o mais higiénico que existia ao tempo. A guia da viagem, Iolanda Soares, já tinha dado provas noutras caminhadas da ANAI. Gentil, graciosa e bem preparada, ministrava ensinamentos enriquecedores. Dali partimos para o Convento dos Capuchos – Hotel Rural, onde teríamos aposentadoria. A tarde foi destinada a conhecer Monção. O cuidado revelado nas ruas e no património sobressaíam. Destacamos o Museu do vinho Alvarinho. Interessante o edifício, todo preparado para o objetivo preten- dido e o seu conteúdo informativo. O nosso olhar foi orientado para um interessante candeeiro no teto, feito de garrafas de cada um dos produtores de Alvarinho convidados a que as oferecessem e assim se sentissem implica- dos no Museu. E de novo terminámos com uma bela degustação de vinhos Alvarinho acompanhada de saborosos pão e queijo de Monção. Ali ouvimos histórias de contrabando, atividade muito praticada no lugar em certas épocas de carência económica. A guia Iolanda já tinha narrado algumas histórias saborosas que ali foram acrescentadas de outras experiências de contrabando vividas. Mais tarde travámos conhecimento com a memória do poeta João Verde, que não era das nossas relações, mas que ali nasceu e ali tem poesia que dá brilho a Monção. Resto de tarde livre para assentar aprendizagens e relaxar. No dia seguinte esperava-nos Melgaço. Com metade da população de Monção, tem um património construído invejável. Tudo é limpeza, cuidado e envolvimento dos habitantes. Ali produz-se o melhor dos Alvarinhos. Caminho a fazer-se, fomos surpreendidos por um interessantíssimo Museu de Cinema, ali onde o cinema não tem lugar. A história que justifica o seu surgir ali também é curiosa. Jean Loup Passek , diretor do Festival de Cinema de La Rochelle, fez filmagens sobre emigração e conheceu emigrantes de Melgaço. Estes convidaram-no a visitar a sua terra e o realiza- dor francês apaixonou-se e lá comprou casa onde passava grandes temporadas. Acabou por doar todos os seus objetos de colecionador ao Município de Melgaço. Como resultado, o Museu de Cinema de Melgaço é um belo representante da memória da pré-história do cinema , ou seja, até ao aparecimento do animatógrafo dos Irmãos Lumière. Há ali objetos e instrumentos de encantamento: além de lanternas mágicas, podem ver-se phantascopes, fenakiscópios, zootropos, praxinoscópios e teatros ópticos. Há cartazes interessantíssimos com muitos anos, das primeiras memórias do cinema. Na sala de exposições temporárias vimos uma exposição dedicada a Charles Chaplin. Depois nova visita muito enriquecedora : o Espaço Memória e Fronteira com testemunhos da emigração que, naqueles lugares, foi torrencial, a par de muitos testemunhos de contrabando, dois fenómenos reveladores do Portugal de miséria que foi o nosso País durante tantos anos. Tantas marcas de sofrimento profundo! O país que condenava à miséria muitos dos seus habitantes era o mesmo que os proibia de passar a fronteira. E a emigração a salto, com todo o sofrimento inerente, está ali testemunhada. De carro, de burro, a pé ou a nado, tudo servia para ir procurar modos de vida dignos fora de uma Pátria que não era de acolhimento. Muitas histórias de vida ali estão documentadas e a dor sobressai da maior parte delas. Gente que por vezes nem a 4ª classe tinha e que não sabia nada do mundo partia para o desconhecido profundo: nem língua de comunicação nem saber nem horizontes. Mas ali, naquele Espaço de Memória, logo à porta numa placa bem visível: “Centro Local de Apoio à Integração de Imi- grantes”. E o orgulho aflora em nós, País que quer ser de acolhimento. Muito enriquecidos, partimos para Castro Laboreiro almoçar vaquinha cachena, raça típica destes lugares. Depois desce- mos ao rio Trancoso, aquele que, num ponto alto do mapa, faz fronteira entre Portugal e Espanha. Aproveitámos a pequena ponte de madeira que faz a ligação, onde uma placa sinaliza um E e um P com uma linha no meio, para fincarmos os pés nos dois lados e assim registarmos, por instantes, a nossa ubiquidade – estivemos em dois países ao mesmo tempo. Terminemos ressaltando dois aspetos: uma viagem é muito do que é quem a guia. E a nossa guia soube transmitir saber com paixão. Soube aliar património natural e construído, aspetos históricos, humanos, sociais e económicos. O segundo aspeto é o louvor ao 25 de abril que Monção e Melgaço são. Ali está o que de melhor podemos ter: o exercício do poder local. Ali estão demonstrações de valorização no cuidado com que tudo é tratado e disponibilizado ao nosso olhar e na impulsionação do cidadão em defender o que lhe pertence. Falta apenas um pormaior: a harmonia do nosso grupo de vinte companheiros de jornada, que contribuiu para o prazer e a vivência amável de dois belos dias de vida. Obrigados à ANAI. Lídia Martins. Página 6 BOLETIM DA ANAI UTL | UNIVERSIDADE DO TEMPO LIVRE: NOVA DISCIPLINA Avisam-se os estimados alunos da ANAI, e demais interessados, que estão abertas as inscrições para um mini-curso que versará sobre o tema das Grandes Riquezas do Brasil. O minicurso ser
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