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BOLETIM CATEQUÉTICO: PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DE UM IDEÁRIO PEDAGOGICO CATÓLICO MODERNO

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BOLETIM CATEQUÉTICO: PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DE UM IDEÁRIO PEDAGOGICO CATÓLICO MODERNO Evelyn de Almeida Orlando / Pontifícia Universidade Católica do Paraná 1 Palavras-chave: Impressos;
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BOLETIM CATEQUÉTICO: PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DE UM IDEÁRIO PEDAGOGICO CATÓLICO MODERNO Evelyn de Almeida Orlando / Pontifícia Universidade Católica do Paraná 1 Palavras-chave: Impressos; Formação Docente; Pedagogia Católica INTRODUÇÃO Este trabalho tem como objetivo apresentar o Boletim Catequético como um impresso produzido de forma estratégica pelos educadores católicos mineiros visando conformar o campo doutrinário da pedagogia em sólidas bases católicas. A produção deste impresso foi uma iniciativa do Departamento Arquidiocesano de Ensino Religioso de Belo Horizonte, encampado pelo padre Álvaro Negromonte, em 1936, voltado para formar as professoras mineiras em professoras/catequistas, atendendo as demandas que foram apontadas nessa direção no 1º Congresso Católico de Educação, realizado em 1934, na cidade do Rio de Janeiro. Este periódico faz parte da Biblioteca Pedagógica do Monsenhor Álvaro Negromonte e, ao lado do livro A Pedagogia do Catecismo, compõe um projeto de formação docente empreendido pelo padre através dos impressos. Apesar de ser este um impresso de caráter local, pode-se dizer que sua circulação na ficou restrita à capital mineira, o que pode ser percebido pela contribuição de professoras do Rio de Janeiro e do Ceará, sobretudo, além daquelas do próprio interior de Minas. Através de impressos pedagógicos de naturezas distintas, Negromonte objetivava, com o incentivo da Igreja, aparelhar o professorado católico com os conhecimentos doutrinário e pedagógico necessários para que se engajasse na luta pela recristianização da sociedade, em âmbito local e nacional. Considerar esses impressos como fontes significa compartilhar com Antônio Nóvoa de que, em relação à imprensa, é difícil encontrar um outro corpus documental 1 que traduza com tanta riqueza os debates, os anseios, as desilusões e as utopias que têm marcado o projeto educativo dos últimos dois séculos (1997, p. 30). Pela sua agilidade de produção e circulação o periódico permite captar aspectos do cotidiano educacional e coloca em circulação questões e problemáticas de seu próprio tempo, assim como revela as relações de força que se estabelecem entre teoria prescrita e as práticas efetivadas, as apropriações e os novos saberes produzidos a partir dessas relações, as aproximações e distanciamentos entre a tradição e inovação. Este periódico se destaca ainda por permitir duas dimensões de análise que ajudam a compreender o entrecruzamento das esferas político-pedagógicas em seus discursos: o caráter diferenciado da educação religiosa brasileira, ressaltando iniciativas congêneres internacionais para pensar nesse diálogo que os intelectuais católicos estabeleceram com as correntes escolanovistas e o papel atribuído aos professores nessa tarefa de recristianização da nação através da reforma da sociedade pelo ensino de catecismo. Nesse aspecto, os quarenta e dois números analisados contribuíram para veicular um modelo de pedagogia católica que aliava elementos da pedagogia moderna entendida como arte de ensinar com alguns dos enunciados das escolas novas. Incorporados ao catolicismo, os princípios da Pedagogia Moderna, que serviram para modelar a escola paulista do final do século XIX, dividem o cenário educacional com muitos enunciados escolanovistas. Os enunciados e as prescrições veiculadas no Boletim Catequético dão mostras de como essa renovação do campo educacional católico estava impregnada de modos de fazer, tão marcados pela Pedagogia Moderna do início do século. As questões que emergem a partir daí, estimulam a pensar em como se deu a apropriação dos enunciados escolanovistas nos discursos pedagógicos veiculados pelo grupo católico em torno desse periódico? E como esse tipo de impresso e repertório pedagógico incidiu na reconfiguração do campo educacional no Brasil? FORMANDO PROFESSORES CATÓLICOS, UM EXÉRCITO DE EDUCADORES A SERVIÇO DA IGREJA Com esse objetivo, foi fundado o Boletim Catequético, em 1936, em Belo Horizonte. É importante considerar que a criação do Boletim Catequético não foi uma 2 iniciativa isolada do padre Álvaro Negromonte. Ela fez parte do conjunto de iniciativas realizadas pelo Arcebispo D. Cabral, no sentido de implementar os resultados da Assembléia Catequética Nacional, realizada em 1928, naquele Estado. A primeira delas, como já foi assinalado no capítulo anterior, foi a criação do Departamento Arquidiocesano de Ensino Religioso de Belo Horizonte, em 1932, sob a direção do padre Álvaro Negromonte, um grande entusiasta da catequese, com a finalidade de promover o ensino religioso nas escolas primárias e grupos escolares da Capital. (Arquidiocese: 28 apud DANTAS, 2002, p. 50). Além do Boletim, eram programadas atividades formativas para o ano letivo, como cursos intensivos e Semanas Catequéticas, enfocando os mais diversos assuntos referentes à formação do catequista e sua atuação em sala de aula: Evangelhos, Sacramentos da Igreja Católica, Psicologia Evolutiva e Formação de Valores e Hábitos, dentre outros. O conteúdo dos boletins, como também a organização dessas atividades, era preparado por uma equipe de catequistas e professoras que colaboravam com o Pe. Álvaro Negromonte. (Arquidiocese,1974 apud Dantas 2002, p. 50) Não foi por acaso que o primeiro volume do Boletim trazia na capa o endosso de D. Cabral, apresentando o periódico como uma iniciativa mais oportuna, de mais imediata aplicação. Em boa hora o padre Álvaro Negromonte empreendera executá-la (D. Cabral, 1936, p. 8). Através desse periódico, Negromonte implementou um projeto de formação de catequistas, utilizando um contingente que já existia e crescia continuamente: o professorado católico. O êxito dessa estratégia representava um aumento expressivo no número de catequistas e refletia um projeto arrojado e ambicioso. O fato de ter sido implantado em Minas contava com a força da tradição católica no estado. Mas, para a hierarquia eclesiástica, em tempos de Ação Católica, não bastava apenas se dizer católico. Era preciso a mobilização e o engajamento de todos os católicos na reconstrução da cristandade no Brasil. No âmbito da educação, faltava aparelhar os professores, dando a eles lições de saber, saber fazer e inculcando o ensino religioso em suas práticas cotidianas, quase como uma extensão das suas convicções e 3 da sua fé. Foi embasado nessa proposta que Negromonte apresentou o Boletim Catequético: Chegam-nos de toda a parte as queixas mais sentidas dos sacerdotes e das professoras acerca do catecismo. Aqueles lamentam a falta de catequistas que cuidem das centenas de crianças, de que eles não podem cuidar pessoalmente, e que as professoras públicas não ensinem catecismo nas escolas; estas lamentam a falta de manuais, de programas e, sobretudo, de conhecimento de religião. Enquanto isso, as crianças vão crescendo sem a indispensável formação cristã, de que depende uma verdadeira católica e a consequente salvação eterna. [...] Reconhecemos, entretanto a procedência das queixas de uns e de outras; os padres não têm os auxiliares que precisam, as professoras não estão aparelhadas para ser catequistas. Queremos auxiliá-los. Eis aí, a razão deste Boletim. Ficamos muito longe de atingir plenamente o nosso alvo, de realizar as ambições que tanto nos animam. Não faz mal. Começamos a fazer alguma coisa... que não existia. Continuaremos a alimentar nosso ideal: a formação integral das catequistas. E iremos vivendo a nossa realidade. Consolamo-nos em não ficar de braços cruzados, com medo da grandeza da tarefa. Sentimos que isso é melhor do que lastimar... E não disfarçamos as nossas esperanças. As professoras mineiras são católicas na sua quase totalidade. Amam a Deus, amam a Igreja, amam os seus alunos. Fazer dessas crianças, verdadeiros cristãos, filhos dedicados da Igreja, fiéis servidores de Deus - é o ideal de todas. Nós vamos cooperar com elas na realização deste ideal. Contamos também com o auxílio de cada uma das professoras católicas, de cada uma das catequistas de Minas, para podermos fazer o bem que desejamos, podermos viver e crescer, com a graça de Deus, para a glória de Deus (Negromonte, ano I, nº 01, p. 1, 04/1936) As estratégias discursivas utilizadas tinham como objetivo convencer o professorado mineiro de que ensinar o catecismo em suas salas de aula era uma tarefa ligada a uma causa maior, de âmbito nacional, que possuía como escopo a recatolicização da sociedade e, portanto, merecia a adesão de todos. Essa chamada à colaboração dos professores deveria refletir, primeiramente, na própria formação desse professorado, que passava a se construir e representar nessas bases. E, por conseguinte, visava a formação dos seus alunos, considerando-os, a longo prazo, como futuros cidadãos católicos convictos, aptos e dispostos a intervir na sociedade. Além disso, o Boletim foi um veículo utilizado por Negromonte para dar visibilidade às suas idéias educacionais e às suas ações em prol da educação católica, 4 marcando cada uma das suas iniciativas e produções bibliográficas como inaugurais e pioneiras na renovação da pedagogia católica. Ao longo do tempo em que ficou a frente do Boletim, e mesmo depois, todos os livros que publicou foram largamente divulgados, ainda no prelo, neste periódico e contavam, frequentemente, com uma recomendação de leitura feita por outros agentes do corpo eclesiástico, ressaltando o pioneirismo, o mérito e a importância da iniciativa. O padre Guilherme Boing foi um dos maiores propagadores das suas obras, atestando sobre elas em diversos números do periódico. Através dessa prática, o Boletim contribuiu ainda, de forma efetiva, para fazer circular os livros do padre dentro de um corpus de leituras autorizadas e prescritas pela hierarquia católica, que configuravam os saberes pedagógicos norteadores das práticas educativas da Igreja entre as décadas de 30 e 60 do século XX. Esse tipo de dispositivo, que foi se configurando e dando forma ao Boletim como um veículo de formação de professores, mas também de promoção social do editor e do grupo que estava em seu entorno, deve ser lido também na materialidade do periódico. Não só os conteúdos veiculados pelo Boletim, mas as mudanças que ocorreram na fórmula editorial, ao longo dos anos pesquisados, produziram sentidos que acentuavam os usos desse impresso na conformação de um campo pedagógico, doutrinário e político. Os dispositivos textuais e materiais tornaram-se os fios condutores do meu olhar para esse projeto que, sob o rótulo da formação de catequistas, comportava ainda, múltiplos objetivos e interesses pessoais e coletivos do grupo que foi se organizando em torno desse projeto, em dado momento. Com um formato de 15cm (largura) x 22cm (altura) e treze páginas, com raras exceções, o Boletim não possuía uma estrutura rígida, mas apresentava uma lógica de organização interna que agrupava os artigos e as seções de acordo com os interesses abordados. Nessa ordem, alguns protocolos orientavam a leitura: na capa, uma nota de alguma autoridade, como selo de legitimidade. O editorial, geralmente assinado pelo próprio Negromonte, trazia uma questão teórica ou problemática, as seções e os artigos internos eram selecionados de forma a complementar a problemática anunciada no editorial, sem muita rigidez. É possível perceber essa coesão mais evidente em alguns volumes do que em outros. Logo depois do editorial, os artigos e seções tratavam da formação doutrinária e pedagógica das professoras, atravessados por elementos que poderiam ser utilizados nas salas de aula como ferramentas didáticas (jogos, textos para 5 leitura, exercícios) e pelas propagandas. Tais dispositivos faziam com que o impresso pudesse ser utilizado tanto do ponto de vista teórico, uma vez que fornecia lições temáticas, quanto do ponto de vista didático. Produzido pela Igreja para os professores, contou com a colaboração de representantes dessa categoria, também como articulistas e responsáveis de seções, como é o caso de Waleska Paixão, principal colaboradora do periódico, que assinava uma seção em todos os números, desde sua fundação, Maria Luísa Cunha, uma das mais recorrentes articulistas da Revista do Ensino, representante ilustre das mulheres católicas mineira, e Evangelina Gonzaga, professora do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, apontado por Negromonte como seu laboratório experimental dessa pedagogia renovada no âmbito do catecismo. A figura dessas três professoras merece destaque pela sua recorrência no periódico, mas é importante assinalar que elas não foram as únicas a contribuírem com o Boletim, que contava com a colaboração de outras articulistas, inclusive de outros estados, como era o caso de Celina Didier, de Pernambuco e Delfina Figueira de Melo, do Rio de Janeiro. Essa estratégia de instituir autores que estabelecessem uma certa paridade com o público leitor, pelo gênero e pela função exercida, servia para fortalecer a crença desses leitores em relação à exiquibilidade da tarefa proposta. Faz parecer, ainda, que as vozes ressonantes não eram impostas hierarquicamente, mas eram fruto de um projeto construído na sua horizontalidade, atendendo aos interesses comuns de um grupo, o que produzia um sentido, um sentimento maior de pertença da parte de todos os agentes envolvidos. Entre estes, situam-se os que colaboram diretamente com a produção do Boletim, os que colaboram indiretamente, assinando numa categoria diferenciada de consumidor do periódico, como mantenedor compromissado, e os leitores/consumidores desse produto, que eram os grandes responsáveis pela continuidade do projeto. Ao mesmo tempo, esse procedimento discursivo faz com que os professores/autores apareçam como partícipes de uma rede de sociabilidade que vai se consolidando em torno da temática da renovação do ensino religioso, projetando os personagens dessa história, em suas diferentes posições sociais e culturais, como sujeitos que possuem uma representação de distinção, tanto no campo educacional, como no religioso 2. 6 Talvez tenha sido essa distinção o elemento motivador da participação dos professores no periódico. Participar dos debates, experimentar e compartilhar os resultados dessa experiência, publicizando-os em algumas colunas do Boletim e nos Congressos e Semanas de Educação promovidas pelo Estado e também divulgadas no Boletim Catequético, eram formas de fazer parte e se afirmar nesse campo político e pedagógico que se organizava por diferentes caminhos. Por outro lado, a participação dessas professoras como parte de uma elite cultural, que vinha atuando na escolarização dos saberes religiosos, inserindo a doutrina católica no bojo dos saberes escolares, instaurava na cultura escolar, reconhecida como legítima e universalmente válida, o arbitrário da cultura católica. Essa conversão de um arbitrário cultural em cultura legítima conforme Bourdieu (1992), corresponde à força da classe ou grupo social que o sustenta. De uma maneira geral, para esse autor, os valores arbitrários, capazes de se impor como cultura legítima, seriam aqueles sustentados por determinadas classes, portadoras de habitus de distinção, dentre as quais, ele situa os professores. Essa perspectiva de análise abre o horizonte para o investimento do padre Negromonte em chamar as professoras a participarem desse projeto de escolarização do catecismo, mobilizando um quantum variado de capitais na produção de uma cultura escolar católica, e, por conseguinte, legítima. A materialidade do Boletim é indicativa das práticas que formalizam o uso desse impresso, assim como os protocolos de leitura põem em relevo as expectativas do autor e editor face ao público leitor constituído. Nesse sentido, vários foram os dispositivos materiais que orientaram a produção, a distribuição e a circulação das diretrizes pedagógicas que nortearam a renovação do ensino religioso no Estado de Minas e, posteriormente, no Brasil. Do ponto de vista metodológico, inicialmente, considerei realizar a análise deste periódico, entre o período de 1936 a 1945, por acreditar ter sido este o ano em que seu fundador teria deixado a direção do Boletim, ao se mudar para o Rio de Janeiro. Essa estratégia permitiria analisar o primeiro ciclo de existência do periódico, sob a direção do padre Álvaro Negromonte. Todavia, não foi possível localizar todos os números dos Boletins, assim como também não foi possível identificar quando, exatamente, o padre deixou a direção do periódico. Mantendo a hipótese de que sua permanência foi até 1945, os volumes editados sob sua direção chegariam a um total aproximado de 98, dos 7 quais localizei apenas 42. Desses volumes, dispersos nos arquivos da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte e da Biblioteca da PUC Minas, foi possível agrupar todos os volumes de 1936 a Os de 1940 não foram localizados e, quanto aos de 1941, foram localizadas apenas as edições dos meses de fevereiro, março, abril, maio e julho 3. O papel dos Boletins Catequéticos na Biblioteca Pedagógica de Álvaro Negromonte, o configura como um tipo de caixa de utensílios, tal como define Carvalho: Índices da permanência ou ruínas de estratégias historicamente datadas de organização do campo da Pedagogia, livros e revistas pedagógicas configurados como caixas de utensílios não circularam apenas na década de 1890, durante o chamado período áureo das realizações educacionais republicanas em São Paulo. Eles circulam ainda nas décadas de seguintes, concorrendo com outros impressos, organizados segundo outras regras. A Revista do Ensino e a Revista Escolar são testemunhos desse modo de conceber e organizar o campo normativo da Pedagogia que guarda forte relação com a concepção de pedagogia como arte de ensinar, organizando-se como caixa de utensílios e fornecendo modelos de lições e materiais para o uso do professor [...] (CARVALHO, 2006, ) Da mesma maneira, O Boletim Catequético pelo caráter interativo e contínuo que possui apresentam, ao fornecer pequenas lições de cunho pedagógico e doutrinário, acaba por se constituir, um dos melhores observatórios do movimento social na obra da escola e da formação (NÓVOA, 1997, p. 46). CONSIDERAÇÕES FINAIS Foi a partir de Minas Gerais que o Monsenhor Álvaro Negromonte produziu a maior parte da sua Biblioteca Pedagógica e desenvolveu seu projeto de formação de professores/catequistas através do Boletim Catequético. Desde a recolocação do ensino religioso como componente curricular nas escolas públicas, a aliança estabelecida entre a tradição católica e a inovação pedagógica no campo educacional delimitava, para a primeira, orientar os fins da educação enquanto a inovação pedagógica que se 8 instaurava, sobretudo com base na Psicologia da criança, orientava a renovação dos métodos. O processo de produção do Boletim levou em consideração uma representação de professora como agente responsável pela inculcação dos valores e hábitos católicos nos futuros cidadãos. Tal missão, entretanto, demandava um perfil considerado como apropriado, não só para o exercício da tarefa educativa, mas para a posição de visibilidade que essas mulheres passavam a ocupar, sob o aval da Igreja. O engajamento das mulheres na obra social e educativa da Igreja serviu para que houvesse uma revisão das características consideradas tipicamente femininas. Atributos como a passividade, outrora considerados quase como inerentes às mulheres, não cabiam mais em um contexto onde essas mesmas mulheres começavam a brigar e ganhar, aos poucos e com grande custo, alguns espaços na sociedade. Usar essa disposição para a militância em favor das ações educativas foi uma das estratégias adotadas pela Igreja para fabricar professoras/catequistas. Com isso, ampliava-se a esfera de ação da mulher burguesa, aumentava seu poder de expressão e de visibilidade, tornando-a partícipe de um projeto maior político e social em defesa dos interesses do catolicismo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Boletim Catequético. Belo Horizonte: Editora São José, nº 1-38, Ano I - IV, Boletim Catequético. Belo Horizonte: Editora São José, nº 49 52,
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