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BOLETIM CEDES AGOSTO-DEZEMBRO 2015 ISSN Uma conversa com Hanna Pitkin e Nancy Rosenblum

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BOLETIM CEDES AGOSTO-DEZEMBRO 2015 ISSN Uma conversa com Hanna Pitkin e Nancy Rosenblum Tradução de Alessandra Maia Terra de Faria * Resumo: A presente entrevista com Hanna Pitkin aconteceu na
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BOLETIM CEDES AGOSTO-DEZEMBRO 2015 ISSN Uma conversa com Hanna Pitkin e Nancy Rosenblum Tradução de Alessandra Maia Terra de Faria * Resumo: A presente entrevista com Hanna Pitkin aconteceu na Universidade da Califórnia, Berkeley, na primavera de A professora Pitkin é autora de livros bem conhecidos por acadêmicos e estudantes de ciências sociais, sociologia política, teoria política e ciência política. Seu livro The concept of representation, publicado em 1967 pela University of California Press é conteúdo obrigatório já de algumas gerações de cursos de pós-graduação no Brasil, especialmente quando a discussão é representação política. Hanna Pitkin ganhou o prêmio Skytte em 2003, em Ciência Política por seu pioneiro trabalho teórico, predominantemente sobre o problema da representação. Nessa entrevista ela discute com a Professora Nancy L. Rosenblum acerca de seu trabalho sobre representação, sobre o republicanismo de Maquiavel e o estudo de gênero, as primeiras análises conceituais em teoria política, defesa (advogacy) e organização, e sob o prisma pessoal, sua infância, primeiras influências e trajetória acadêmica. A professora Hanna Pitkin é autora de livros bem conhecidos por acadêmicos e estudantes de ciências sociais, sociologia política, teoria política e ciência política. Seu livro The concept of representation, publicado em 1967 pela University of California Press é conteúdo obrigatório já de algumas gerações de cursos de pós-graduação no Brasil, especialmente quando a discussão é representação política. Esse título e o também conhecido Wittgenstein and Justice (de 1972, pela mesma editora), muitas vezes chegam aos estudantes e acadêmicos brasileiros através da circulação de um artigo em português Representação: Palavras, Instituições e Ideias, publicado em 2006, pela revista Lua Nova 1. Influência e referência de inúmeros trabalhos, a remissão à autora com frequência perpassa temas variados que vão desde a conceituação da república, do constitucionalismo, da soberania, e aglutina também várias ênfases democráticas sobre participação, deliberação e legitimidade; não obstante, Pitkin também é mobilizada em estudos de caso, trabalhos empíricos sobre conselhos, políticas públicas, accountability * Professora do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio. 1 PITKIN, Hanna Fenichel. Representação: Palavras, Instituições e Ideias. Lua Nova, São Paulo, 67: 15-47, Originalmente Representation, publicado em Terence Ball; James Farr; Russell Hanson (orgs.). Political innovation and conceptual change. Cambridge, Cambridge University Press, Traduzido para o português por Wagner Pralon Mancuso e Pablo Ortellado. 54 e sociedade civil. Curiosamente, seu trabalho ainda permanece dentre aquelas lacunas editoriais no Brasil: não está disponível em português, para além do mencionado artigo, nenhuma obra na íntegra da autora. Nesse sentido, a tradução da presente entrevista apresenta comentários acerca de seus dois trabalhos mais recentes sobre Maquiavel e Hannah Arendt, traços da sua biografia e influências relatadas pela autora sobre sua trajetória intelectual, compiladas no texto publicado em 02 de março de 2015 pela The Annual Review of Political Science. 2 TRAJETÓRIA PESSOAL Prof. Nancy Rosenblum: Hanna, vamos começar com uma questão sobre suas origens. Prof. Hanna Pitkin: Eu nasci em Berlim, filha de intelectuais judeus de esquerda, em Não era um bom lugar para nascer, dada a pertença e o momento histórico, e, em 1933, meus pais nos tiraram de lá. Sem dúvidas, eu estaria morta se eles não o tivessem feito (eu sou bem antiga; na verdade, poderia estar morta agora do mesmo jeito). Nós fomos primeiro para Oslo, na Noruega, porque meu pai era um psicanalista freudiano e havia treinado alguns analistas noruegueses que tinham voltado à Noruega para clinicar. Eles, fora de dúvidas, ao ver as circunstâncias na Alemanha, o convidaram para ir para Oslo e começar um grupo de estudos por lá. E então nós fomos pra lá, mas por várias razões meus pais queriam voltar ao continente, e dois anos mais tarde nos mudamos para Praga, aonde havia muitos analistas judeus alemães refugiados. Penso que à época que voltamos para Praga meus pais sabiam que era temporário, porque todos esperavam para ver quando seria o Anschluss 3, a Alemanha tomando a Áustria. Além disso, a Áustria tinha seus próprios antissemitas. Assim, meus pais iniciaram as solicitações para vir para os Estados Unidos, e quando eu tinha seis anos, quase sete, nós viemos para Los Angeles onde também havia muitos analistas judeus refugiados. A cada vez que mudávamos, meu pai era convidado não sei dos detalhes eu suponho que eles garantiam pra ele alguma renda por um tempo determinado ou algo assim. 2 PITKIN, Hanna Fenichel; ROSENBLUM, Nancy. A Conversation with Hanna Pitkin. Annu. Rev. Polit. Sci :1 10. Link para o site da revista: polisci.annualreviews.org ; link para o artigo original em inglês disponível em /annurev-polisci Anschluss termo em alemão que significa a anexação/conexão da Austria com a Alemanha nazista em março de NR: Quais foram as primeiras influências recebidas, seja por parte da sua família ou por uma escola, que prefiguraram sua vida como intelectual? HP: Bem, eu suponho que a primeira e óbvia influência é o status de refugiada em si a mudança de idiomas, e a questão (quando eu tive idade suficiente para formular, pelo menos em Praga, senão antes) por que nós continuamos nos mudando assim? Eu sabia que existia aquela pessoa chamada Hitler, e por aí em diante. Meus pais tentaram me explicar - ao alcance do meu entendimento - o melhor que puderam, assim, meu interesse no mundo da política e nas linguagens certamente remonta a esse momento. Meus pais eram certo tipo de marxistas, nunca foram filiados ao partido, mas aquilo que passou a ser denominado Companheiros de Viagem ( Fellow Travelers ), e eu tinha uma tia que era membro do Partido e que viveu conosco por um tempo em Berlim antes de partirmos. NR: Então você estava rodeada por discussão política? HP: Sim. Agora, estou certa que havia também coisas não discutidas na minha frente, sobre as quais aprendi mais tarde. NR: Seu trabalho está ligado à linguagem e às palavras, e você mencionou possuir um prazer idiossincrático em palavras. Você acabou de dar uma explicação, a das trocas de idiomas, mas eu ponderava se o seu pai, que era o famoso psicanalista Otto Fenichel, e fez parte dos anos heroicos da psicanálise... HP: Terceira geração. Ele não foi analisado por Freud pessoalmente. Eu não sei sobre o heroico. Talvez. E ele era um professor, nesse sentido ele pode ter parecido heroico para muitos analistas. Definitivamente, ele escreveu um importante manual didático. NR: Está correto - The Psychoanalytic Theory of Neurosis 4. Seria essa uma influência? Eu poderia imaginar que a psicanálise teve algum efeito sobre a sua atenção para com as palavras. HP: Deve ter. Era parte do interesse mais geral dos meus pais em palavras e ideias. Minha mãe, por exemplo, era muito interessada em pedagogia. Ela foi, por algum tempo, professora no jardim de infância, e alguns psicanalistas, incluso meu pai, estavam interessados em como educar crianças de forma a não torná-las tão neuróticas. Eles eram também muito lúdicos, e leitores, e por isso havia jogos de palavras aos montes, discussões sobre livros, leitura em voz alta um para o outro, leitura em voz alta 4 Publicado em português FENICHEL, Otto. Teoria Psicanalítica das Neuroses - Fundamentos e Bases da Doutrina Psicanalítica. Rio de Janeiro: Atheneu, 1998, 665 p. 56 pra mim, com certeza, composição de estórias e poemas, primeiro pra mim, mais tarde também com minha participação. NR: Você se lembra dos livros iniciais que mais lhe marcaram desde a infância? HP: Bem, é claro. Havia um livro do alfabeto. Eu queria muito que meus pais me ensinassem a ler, porque eu os via lendo o tempo todo. Eu queria ser igual a eles, assim do jeito que as crianças pequenas fazem, e eu queria parecer mais com eles. Mas minha mãe sentia que ela mesma tinha sido forçada a aprender coisas e como se comportar adequadamente cedo demais, e por resultado não tinha tido uma infância feliz. Ela queria que eu tivesse uma infância descontraída, por isso ela se recusou a me ensinar a ler. Quando pela primeira vez me puseram em um jardim de infância eu não gostei nem um pouco, e rapidamente adoeci, e enquanto estava adoentada, de cama, perguntei a ela, Por que eu tenho que ir para essa escola? e ela disse Bem, você vai pra escola. Você aprende a ler e a escrever. Você quer ler e escrever, não quer? Ao invés de responder, eu apenas pedi à ela para me trazer o livro do alfabeto. Na hora que eu melhorei da gripe, ou seja lá o que fosse, eu tinha aprendido sozinha o alfabeto. Minha mãe foi legal o suficiente e procurou pra mim um jardim de infância melhor. Está aqui uma influência inicial como você pediu. NR: Quando foi que você decidiu por uma carreira acadêmica? Quantos anos você tinha e você sabia desde então que seria alguma coisa no estilo da teoria política? HP: Bom Deus, não! Eu sempre fui bem na escola, e sempre me mantive estimulada durante o processo educacional porque eu ia me saindo bem. E que eu saiba eu nunca decidi que queria uma carreira acadêmica. Eu certamente me lembro, durante os momentos rigorosos na pós-graduação e na escrita da tese, em considerar seriamente alguma outra opção de carreira. Eu ainda não era comprometida com uma carreira. Eu certamente era comprometida com a empreitada intelectual. Esta era em muitos aspectos minha vida interior. NR: Qual foi o seu primeiro emprego? HP: Meu primeiro emprego provavelmente foi dando aulas particulares para uma criança mais nova de matemática e outros assuntos ou seja, o ensino desde muito cedo. Na verdade, eu tenho uma história muito anterior a essa, mas não era um emprego: numa época em que a minha mãe dirigia um jardim de infância na sua sala de estar, da qual eu tomava parte. Eu era ainda um bebê ou dificilmente um pouco mais que isso, e em algum momento eu supostamente peguei um lenço e me pus a assoar o nariz de todas as outras crianças que estavam à minha volta. Então, se você considera 57 esse um papel que cabe à uma professora, eu o aprendi desde muito cedo com a minha mãe. NR: Desde o início você viu essa carreira uma vez que se tornou uma carreira enquanto algo que envolvia na mesma medida lecionar e escrever. HP: Sim, eu lecionei um bom tempo de maneira informal e sobre conteúdos variados, antes mesmo de adquirir o status de professora auxiliar como estudante de pósgraduação. Mas desde essa época, eu sempre tive o hábito de ao mesmo tempo escrever coisas. REPRESENTAÇÃO NR: The Concept of Representation foi seu primeiro livro. Karl Friedrich o resenhou, se não me engano, na American Political Science Review. Ele escreveu, Um tratado magistral o qual eu posso dizer que teria ficado orgulhoso de tê-lo feito. Esse livro tem tido uma vida bem longa. Ele ainda está nas prateleiras de meus alunos. O que a levou a esse projeto? HP: Durante meu primeiro ano de trabalho na pós-graduação, na UCLA, eu cursava um seminário com Thomas Jenkin, e o T.D. Weldon s Vocabulary of Politics 5 tinha acabado de ser publicado. Era apenas o início do interesse nos conceitos políticos enquanto um subcampo da teoria política. E, sem nenhum motivo aparente, eu escolhi a representação. Eu vim para Berkeley, e trabalhei por um tempo. Eu apliquei para voltar para a pós-graduação em ciência política, porque esse era o único campo no qual eu sentia que poderia conseguir uma bolsa, tendo em vista que essa era a minha área de graduação. Em Berkeley, eu conheci Stanley Cavell, que mais tarde se integrou à faculdade de filosofia de Berkeley. Ele me apresentou ao trabalho de J.L. Austin e à filosofia da linguagem cotidiana, como por vezes ela é chamada. E eu me lembro de perguntar à Sheldon Wolin, que viria a presidir minha banca e para quem eu tinha sido professora assistente, se eu deveria escrever uma tese sobre um conceito e adotar essas técnicas de alguma maneira. Eu realmente não sabia sobre o quê eu estava falando. Mas Wolin disse, Por que não? E eu escolhi o conceito de representação, por conta daquele artigo que eu já havia escrito. Eu não fazia ideia de para onde aquela investigação caminharia, 5 WELDON, T.D. Vocabulary of Politics. Baltimore: Penguin Books, 1953, 212p. 58 de verdade, e consequentemente, demorou muito, e perdi muito tempo com aquilo que eventualmente se tornaria apenas o primeiro capítulo anos. NR: Agora eu preciso lhe fazer uma pergunta que um aluno meu de pós-graduação gostaria que eu lhe fizesse: olhando de volta agora para aquele livro, haveria alguma coisa que você mudaria ou teria feito diferente, ou existiriam novos aspectos seja em termos de desenho institucional ou psicológico que lhe fariam repensar alguma coisa que você escreveu? HP: Com frequência eu me deparo com uma questão para a qual eu diria sim e não. Não no sentido de que eu parei de pensar sobre a representação depois de publicar o livro e esse é o padrão geral pra mim. A síndrome é quase se tratava de Woody Allen ou Groucho Marx? Eu não tenho certeza Qualquer clube que me aceitasse, eu não me importaria em fazer parte dele. Eu sempre sinto que qualquer coisa sobre a qual eu tenha escrito na verdade não merece muita atenção. Eu tendo a deixar as coisas meio no gelo quando termino um trabalho sobre elas, e foi assim que eu deixei de lado a representação. Mas aí eu ganhei o Prêmio Skytte pelo livro, e eles me pediram que ao receber o prêmio eu apresentasse um artigo sobre aquele tema. Ao que eu respondi, Eu não mexo com isso há décadas, e eles retrucaram Não importa. Desse modo, eu pensei sobre o tema, e constatei que sim ainda havia algo que eu não tinha considerado naquele livro que deveria ser considerado. Assim, eu escrevi um pequeno ensaio sobre se, de fato, pode existir tal coisa chamada democracia por modos de representação, ou se talvez esses dois conceitos possam estar de algum modo em conflito ou em tensão. NR: Bom, essa é uma terrível deixa para a próxima questão que eu tinha para propor. Uma grande parte da teoria democrática hoje em dia pessoas que escrevem no seu campo são no mínimo ambivalentes sobre a representação, e você já falou sobre algumas delas. Você já disse, que por um lado e isso está no livro a representação, a delegação, coordenação, federação, e outros tipos de autorização são compatíveis com a democracia, mas você também expressou que essa não é uma aliança fácil. Então, fale um pouco mais sobre isso, talvez voltando a esse ensaio que acabou de mencionar. HP: Democracia é uma dessas palavras versáteis, mas se por democracia se quer dizer algo como o demos governando por si mesmo ou o demos governando o estado ou a polis a ambiguidade já está construída em torno do demos. O que se quer dizer é que o demos é distinto de alguma outra classe ou segmento da sociedade e decide por toda a sociedade, ou se quer dizer que todos decidem por si e um pelo outro conjuntamente? 59 Eu sou propensa à última interpretação quando me considero uma democrata com d minúsculo, e se essa leitura é adotada haverá então uma grande dificuldade em considerar uma democracia para um vasto conjunto de pessoas qualquer, porque elas não têm como estar todas reunidas ao mesmo tempo e falar umas com as outras. Mesmo que elas tenham e Facebook, ou o que seja, existem limites para quantas pessoas você pode estar em contato, para ouvir ou falar simultaneamente. Quando nós estamos tentando decidir se um estado particular, ou governo, ou organização é democrático, do que se está realmente falando é se existe algo como um autogoverno popular em exercício ou não. E pode haver centenas de critérios para isso, e maneiras de mensurar esses critérios, atribuir-lhes pesos, e que em alguma medida se pode converter em uma conclusão geral. A democracia nunca é perfeita, sempre uma questão de grau. E essa é uma das razões pela qual o termo é tão escorregadio. A representação pode fazer uma grande sociedade governável de forma relativamente democrática, mas, obviamente ela não será tão democrática quanto uma pequena constituição (polity) pode ser. É uma questão de juízo. NR: Eu penso que essas reflexões e seu livro são especialmente relevantes para os teóricos democráticos de hoje que estão pensando sobre todo tipo de desenho imaginativo. Algumas vezes eles são, na verdade experimentos, como esses júris cidadãos que têm sido testados, e às vezes são propostas imaginárias tal qual adotar uma litocracia. Mas em todos esses casos a questão sobre o que os faz representativos porque podem eles ser responsáveis por, ou agir em nome de... HP: O que os torna representativos ou o que os torna democráticos? Relacionados, mas não a mesma questão. NR: Certo. Isso está muito vivo na teoria democrática hoje. HP: Eu sei disso, e acredito que esta é a razão pela qual meu livro ganhou o prêmio que ganhou. O mérito não é do livro, na verdade. WITTGENSTEIN E ANÁLISE CONCEITUAL NR: A abordagem conceitual que você adotou em The Concept of Representation, de fato, se tornou o foco do seu trabalho sobre Wittgenstein. Eu vou ler um trecho: Desde que seres humanos não são meramente animais políticos, mas também animais dotados do uso da linguagem, suas atitudes são forjadas por suas ideias. O que eles fazem e 60 como o fazem vai depender de como eles veem a si mesmos em seu mundo, e isso, por sua vez, depende dos conceitos através dos quais eles veem. Desse modo, você concluiu que a contribuição de Wittgenstein para a teoria política era a consciência acerca dos conceitos, a sensibilidade para o teórico no uso da linguagem. Eu ponderava hoje isso nos parece evidente. Quando você escreveu não era o quê era a teoria política à época que você fez isso, em certa medida, um manifesto? HP: A teoria política estava apenas começando a ter um interesse efetivo e isso com o aparecimento do livro do Weldon, até onde eu sei. De certa forma, na medida em que a teoria política sempre envolveu a atenção às palavras, e às mudanças de significado das palavras, e à interpretação de conceitos ambíguos. Agora, tornar isso um foco explícito e até mesmo próximo a uma metodologia técnica isso era novidade. E por certo que isso envolve perigos porque ao tornar algo uma metodologia técnica é provável que se perca o contato com a substância do que está sendo estudado. Mais energia é gasta (e, de fato, era gasta), na metodologia do que na questão substantiva a ser estudada. NR: Você acha que isso ocorre com as pessoas que realizam análise conceitual hoje em dia que aquilo que começou com uma meticulosa e diferenciada abordagem perdeu o fio da meada? HP: Não, eu não quero dizer isso e não estou certa de que estou suficientemente atualizada na leitura de todos que fazem análise conceitual hoje para fazer esse tipo de julgamento. Eu considero que esse é um perigo constante para qualquer nova forma de procedimento em um campo intelectual: você busca ensinar outras pessoas como prosseguir um modo produtivo de pensamento, e por isso, por sua vez, você ministra um curso sobre isso. Esse curso, contudo, vai tomar tempo, que talvez pudesse ter sido gasto em algum outro curso, talvez com um conteúdo mais substantivo. NR: Você ainda hoje ministra cursos de pós-graduação. É esse tipo de abordagem que você adota nos seus cursos? HP: Sim. Desde o começo, de tempos em tempos fiz coisas que envolveram análise conceitual. Já faz um bom tempo desde a última vez que dediquei um curso inteiro apenas à metodologia. Se estiver usando uma metodologia em um curso, tenho que ensinar um pouco sobre ela para os alunos. 61 MAQUIAVEL E FEMINISMO NR: Vamos nos voltar para o seu estudo sobre o republicanismo de Maquiavel 6 e sua conexão ao heroísmo, e ao militarismo, e à sua degeneração do privado e do familiar. Você investigou a ansiedade dele em ser viril o suficiente a preocupação que ele nutria sobre qual o significado de ser homem. E você levou a virilidade para
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