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Causas da decadência dos povos peninsulares, Antero de Quental

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Prefácio de Eduardo Lourenço (loose ideas): -Em suma, as Causas são uma crítica à cultura peninsular (Portugal e Espanha) com fundamentos religiosos e de carácter ideológico. -O texto aplica-se ainda hoje para explicar algumas diferenças europeias (entre os peninsulares e nórdicos) como a falta de inovação e os atrasos tecnológicos (elucida o Liberalismo tardio como um exemplo em PT). -Antero pensa que a divisão religiosa entre catolicismo e reformismo levou a que a Península ficasse órfã de uma
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  Prefácio de Eduardo Lourenço (loose ideas):-Em suma, as Causas são uma crítica à cultura peninsular (Portugal e Espanha) comfundamentos religiosos e de carácter ideológico.-O texto aplica-se ainda hoje para explicar algumas diferenças europeias (entre os peninsularese nórdicos) como a falta de inovação e os atrasos tecnológicos (elucida o Liberalismo tardiocomo um exemplo em PT).-Antero pensa que a divisão religiosa entre catolicismo e reformismo levou a que a Penínsulaficasse órfã de uma das grandes causas da nossa decadência: a Inquisição e poderes da Igrejacatólica. Esta divisão também levou a uma divergência social e cultural europeia, bem comocientífica e de ideias ao entrarmos para o século das Luzes.-Antero dá ideia que critica muito a sociedade Portuguesa por ser tão pouco céptica e assentaros valores do cristianismo sem contestação. Este fenómeno leva à falta de liberdade e depensamento/crítica por parte da sociedade. Não ter havido guerras de religião digamos queafectou o debate em PT.-Antero prezava os Jesuítas pela sua doutrina de Obediência.-Foi a decadência pós-descobrimentos que levou Antero a evocar e a expor as causas dadecadência dos povos peninsulares.Discurso:-Não só o tipo de ideias que unem os homens mas também o amor e procura desinteressadada verdade. O facto de não haver repulsa imediata e precipitada é condição necessária para odebate e alcance da verdade e soluções.-Duas características do homem peninsular: -espírito de independência local; -srcinalidade degénio inventivo.-O nosso génio precisa rever-se nas suas criações.-O peninsular é extremamente religioso, mas fazem a religião não a aceitam feita.-A caridade triunfava sobre preconceitos da raça e crença, de onde os Santos provinham dopovo.-Marcos e figuras de destaque peninsular pela sua inteligência e brilhantismo: -Romancero; -Averróis; -Ibn-Tofail; -Lendas do Cid; -Infantes da Lara; -Catedral de Burgos; -D. Henrique; -Bartolomeu Dias; -Fernão Magalhães; -Cristóvão Colombo; (literatura) -Camões; -Cervantes; -Sá de Miranda; -Lope de Vega (sábios) Miguel Servet; -Sepúlveda; -Sanches, mestre deMontaigne (humanistas) André de Resende; -Diogo de Teive; -Tarragona; -Damião de Góis; -António Augustin; Teófilo de Braga e suas obras (Arte de Furtar, Romances picarescos, Farsaspopulares, Teatro Espanhol, etc.)  (73); Juan de Padilla (77); -Adam Smith (81); -Livros sobreagricultura em Portugal: Memória, Alexandre Gusmão; La economia graria del Portogallo,  Camillo Pallavicini; -História da Agricultura em Portugal, Rebelo da Silva; -D. João de Castro conquistador; -Jacinto Freire  autor da biografia de J. Castro em que o heronizava.-Estudos geográficos e grandes navegações tiveram por detrás um trabalho cognitivo ecientífico de louvar.-Os governantes à entrada no Renascentismo não conseguiram manter a áurea da península.-Filosofia neoplatónica vs Escolástica-Arquitectura manuelina imortalizada por Murillo, Ribera, Velásquez.-Portugal desmorona-se no início século XVII com a monarquia anómala dos Felipes deEspanha, perdendo influência política, trabalhos de inteligência, economia social, na indústriae por fim nos costumes.-As liberdades locais, a independência, a descentralização como as iniciativas locais dasComunas e das Forais começam a extinguir-se para dar lugar um regime monárquico maiscentralizado e absolutista. O povo jamais é preponderante nas decisões nacionais, acabam-seas cortes, perde-se a oportunidade de criar uma classe média forte e interventiva.-A desmoralização da sociedade afectou a inovação e criatividade, o pensamento e asrcinalidade. Não houve um único intelectual do século XVIII ou XIX que fosse português ouespanhol. A Europa nobilitou-se pela ciência, nós degradámo-nos pela falta dela.-Os costumes passaram a ser de corromper, vício, brutalidade.-Casuísta (página 53)-As causas de tal depravação são três. A primeira de índole moral, transformação doCatolicismo pelo Concílio de Trento, a segunda política, a implementação do Absolutismo e aruína das liberdades locais, e por fim, económica, o desenvolvimento das Conquistaslongíquas. (página 55). Uma grande revolução se deu nestas três áreas no século XVI.-Ao passo que os pares europeus incorporavam nos seus costumes a liberdade moral apelando para o exame e consciência individual que vão contra os princípios católicos doConcílio de Trento onde o pensamento livre e razão humana são um crime contra deus  classemédia  directora dos reis era vista como um motor para o progresso da população masameaça para as monarquias  indústria  enraizou novas concepções de Direito,transformando a força em trabalho e conquistas em comércio.-Opinião episcolpal defendia uma conciliação, concertação entre os apoiantes de uma Reformae a Igreja Católica, enquanto o Papado em Roma queria fortificar a ortodoxia, concentrandotodas as forças não num consenso mas sim numa centralização da Igreja.-As três principais linhas da Reforma podem ser vistas na página 60 e reflectem basicamenteuma liberalização e humanização da religião católica.-Ultramontanismo  -Gustavo Adolfo responsável pelo término da Guerra dos Trinta Anos.-Igreja Católica como responsável pela guerra religiosa que houve na Polónia no século XVII.-O catolicismo afectou a Península Ibérica através da Inquisição: -delação é uma virtude; -expulsão de Judeus e Moiros empobrece as duas nações, paralisa o comércio e indústria e dáum golpe mortal na agricultura de todo o Sul de Espanha; -perseguição dos cristãos-novosfaz desaparecer os capitais; -torna impossível o concílio além-mar entre conquistadores econquistados; -métodos de ensino brutais e que asfixiam a invenção.-O ideal da educação jesuítica é um povo de crianças mudas, obedientes e imbecis.-O catolicismo ofuscou a criatividade e espírito de liberdade e pensamento da sociedade eajudou ao absolutismo em termos políticos. Na Idade Média, nobreza e clero junto com asComunas, municípios e instituições populares tinham poder junto da coroa, através das Cortesonde todas as classes sociais eram representadas e tinham voto.-A nossa monarquia aristocrática de ser tão direccionada para a nobreza asfixiou a classe dasciências, indústria e inovação em emersão, a burguesia.-Essa monarquia, acostumando o povo a servir, habituando-o à inércia de quem espera tudode cima, obliterou o sentimento instintivo da liberdade, quebrou a energia das vontades,adormeceu a iniciativa; quando mais tarde lhe deram a liberdade, não a compreendeu; aindahoje não compreende, nem sabe usar dela.-O terceiro factor da decadência é o económico: as Conquistas. A Península teve umbrilhantismo sublime na fase dos Descobrimentos, epopeias e conquistas aliadas de poesia ricae única. O erro foi na aposta contínua nesta política sem perceber que na Idade Moderna ofuturo era a Ciência, o descobrir do pensamento e não a poesia e brutalidade da Conquista ealcance de poder físico (antes poder intelectual). As palavras de ordem passaram a serindústria e trabalho (regime de Economia Política) e não guerra e poder.-O capital que advém da guerra (e do comércio também) só é real e produtivo quando é fixadonum local e nas indústrias desse local  um pouco a doença holandesa aplicada ao comércio eoutros factores de prosperidade (inclusive recursos naturais das colónias claro está). Vejamosa diferença da aplicação da riqueza do comércio por parte da Península (despesismo-consumo) e de Inglaterra (fomento da indústria e agricultura - investimento).-Raciocínio da página 83 até 87: -agricultor e proprietário foi em busca da glória provenienteda Conquista e Descoberta; -Agricultura caiu em colapso; -Índia passou a ser o nosso únicoactivo; -Só as classes mais abastadas é que beneficiavam com o comércio porque eram elasque comercializavam os produtos; -Todo o rendimento que vinha das mercadorias indianas erapara importar cereais ou outros produtos industriais; -Ficámos ociosos; -Introdução daescravatura e a verdadeira fonte de fomento  o trabalho livre  ficou ofuscado.-Página 90 e 91 faz um sintetiza tópicos importantes do discurso.  -Fomos os portugueses intolerantes e fanáticos dos séculos XVI, XVII e XVIII: somos agora osportugueses indiferentes do século XIX () Éramos mandados, agora somos governados, osdois termos quase que se equivalem. (página 92)-Boa síntese e nota: Finalmente, do espírito guerreiro da nação conquistadora, herdámos uminvencível horror ao trabalho e um íntimo desprezo pela indústria. (página 92)-() nós preferimos ser uma aristocracia de pobres ociosos, a ser uma democracia prósperade trabalhadores. É o fruto que colhemos duma educação secular de tradições guerreiras eenfáticas! (página 93)-Brilhantes remate: Somos uma raça decaída por ter rejeitado o espírito moderno: regenerar-nos-emos abraçando francamente esse espírito. O seu nome é Revoluçã: revolução não querdizer guerra, mas sim paz: não quer dizer licença, mas sim ordem, ordem verdadeira pelaverdadeira liberdade. Longe de apelar para a insurreição, pretende preveni-la, desesperando-a, a podem obrigar a lançar mão das armas. Em si, é um verbo de paz porque é o verbohumano por excelência. (página 94)-Cristianismo como catalisador de transformação e queda do Império Romano e da transiçãopara o Mundo Moderno, portanto duas etapas da história do Homem. 
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