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Construcao Civil Sustentavel a Utilizacao Do Bambu Em Divinopolis Minas Gerais 1166310 (1)

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  Construção civil sustentável: A utilização do bambu em Divinópolis Minas Gerais  Julho 2014 ISSN 2179-5568  –   Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 7ª Edição nº 007 Vol.01/2014 Julho/2014 Construção civil sustentável: A utilização do bambu em Divinópolis Minas Gerais Dayana Keitty Carmo Gonçalves  –   engdayana@hotmail.com  Master em Arquitetura Instituto de Pós-Graduação e Graduação  –   IPOG Divinópolis, MG, dezessete de outubro de 2012 Resumo  Este artigo é caracterizado pelo estudo da ultização do bambu em Divinópolis Minas Gerais.  Buscando analisar a frequência e seus motivos. A principal questão levantada neste artigo é a frequência com que o material é utilizado e as possíveis causas desse índice de utilização em Divinópolis  –   MG. Espera-se que os índices de utilização sejam baixos e que os principais motivos sejam a falta de profissionais especializados tanto para projetar como para executar e a inexistencia de lojas especializadas no material. Conhecer os índices de utilização e a  justificativa para tais valores, é o principal objetivo deste uma vez que com essas informações é possivel apontar direções para alavancar o uso do material, uma vez que o mesmo atende tanto aspectos estruturais, como estéticos e de conforto ambiental. O método de pesquisa utilizado neste foi de pesquisa bibliográfica e entrevista com questionário  fechado, composto por perguntas objetivas, sendo o método estatístico adotado o da amostragem aleatória simples, a referida entrevista foi realizada em Divinópolis Minas Gerais com dez arquitetos e dez engenheiros civis.    A pesquisa bibliográfica apontou para o  grande potencial do material, uma vez que o mesmo é renovável, com rápido crescimento,  possibilita o desenvolvimento local além de, gerar agilidade e economia na construção. Os dados da entrevista apontam uma baixa frequência de utilização do material, confirmando em partes a hipótese, sendo que a mesma foi refutada quanto a principal justificativa uma vez que a pesquisa apontou como principal razão a falta de informação técnica. Portanto a  pouca utilização das técnicas construtivas com a utilização do bambu, dentro da arquitetura regional mostra-se baseada em uma questão de divulgação de informação técnica, o que com os devidos investimentos poderá ser superado, uma vez conhecido o potencial do material e as condições favoráveis ao desenvolvimento de sua cultura na região.  Palavras-chave: Arquitetura. Sustentabilidade. Bambu. Divinópolis. 1. Introdução Após a identificação de inúmeros problemas ambientais e a constatação que a construção gera um grande impacto no meio ambiente, a atual tendência é uma busca por alternativas sustentáveis. Dentro desse cenário a construção civil interessa-se cada vez mais por materiais renováveis, que consigam atingir as cinco dimensões do desenvolvimento sustentável. A informação é a principal ferramenta para que se consiga a mudança de hábitos e rotinas. No cenário nacional, no entanto, as referências sobre a utilização do bambu como material para a arquitetura ainda estão presentes em pouco número, principalmente se comparadas com o cenário da America latina e oriente. Ainda dentro da concepção que a informação é a principal ferramenta para a mudança, e consciente da necessidade de práticas mais sustentáveis em Divinópolis Minas Gerais,  Construção civil sustentável: A utilização do bambu em Divinópolis Minas Gerais  Julho 2014 ISSN 2179-5568  –   Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 7ª Edição nº 007 Vol.01/2014 Julho/2014  principalmente devido a sua importância como referencia regional, o principal objetivo deste é conhecer o cenário na cidade e apontar suas possíveis causas, pois com o conhecimento das causas pode-se trabalhar no combate a essas e alavancar o uso do material. 2. Desenvolvimento sustentável Foi criada pela ONU em 1983, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, sendo essa comissão um organismo independente. Sobre a presidência da  primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, a comissão materializou um importante documento, o relatório Nosso Futuro Comum, sendo feita nele as primeiras conceituações oficiais sobre o desenvolvimento sustentável, por sinal o foco principal do relatório é justamente esse. É defino pelo relatório, no seu segundo capítulo “Em busca do desenvolvimento sustentável”, que desenvolvimento sustentável é: “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atendere m a suas próprias necessidades”.   Nesse é possível resaltar dois pontos fundamentais o de “necessidades, sobretudo as necessidades essenciais dos pobres no mundo, que devem receber a máxima prioridade”; e “a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente, impedindo- o de atender às necessidades presentes e futuras”.  Durante a ECO-92 foi amplamente reconhecida à importância de se assumir a ideia de sustentabilidade como norteadora em todas as iniciativas. Segundo Almeida (2002), o desenvolvimento sustentável, traz a dimensão ética e política, que deve considerar o desenvolvimento como uma ferramenta para a mudança social, democratizando o acesso aos recursos e distribuindo de forma equitativa os custos e  benefícios. Além da equidade social e equilíbrio ecológico, Donaire (1999) afirma que o desenvolvimento sustentável possui um terceiro apoio importante que é a questão do desenvolvimento econômico, no qual a extração de recursos, os investimentos financeiros e o desenvolvimento tecnológico devem trabalhar em harmonia. Sendo o desenvolvimento tecnológico fundamental para as metas de equilíbrio e desenvolvimento do progresso nos  países em desenvolvimento, tendo como resultado um equilíbrio ecológico e maior beneficio social equitativo. Sendo assim, é nos apresentado por Sachs apud Campos (2001), as cinco dimensões do desenvolvimento sustentável: Figura 1 - As cinco dimensões da sustentabilidade. Fonte: Sachs apud Campos (2001) a) A sustentabilidade social reflete que o desenvolvimento sustentável precisa ser capaz de criar uma civilização com equidade na distribuição de bens e rendas, reduzindo as diferenças sociais;  Construção civil sustentável: A utilização do bambu em Divinópolis Minas Gerais  Julho 2014 ISSN 2179-5568  –   Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 7ª Edição nº 007 Vol.01/2014 Julho/2014  b) A sustentabilidade econômica demonstra a importância da alocação eficiente dos recursos,  públicos e privados; c) A sustentabilidade ecológica prega uma mudança nas formas de consumo de recursos,  principalmente os não-renovaveis, além de que através do desenvolvimento tecnológico é  possível a melhor utilização dos recursos, gerando redução de resíduos e assim a conservação de energia; d) A sustentabilidade espacial trabalha com a importância de uma configuração rural-urbana em equilíbrio e; e) A sustentabilidade cultural é fundamental para o fortalecimento das raízes endógenas nos  processo de modernização, facilitando as soluções especificas. A busca pela sustentabilidade é um processo, sendo sua própria conceituação ainda esta em andamento, porém dentro dos resultados já atingidos, é possível observar o potencial do material uma vez que ele consegue facilmente atender as cincos dimensões propostas por Sachs apud Campos (2001). Dentro da arquitetura, o conceito de desenvolvimento sustentável pode se desdobrar no recente conceito de arquitetura sustentável que envolve mudanças de paradigmas, Casagrande (2000), afirma que para se abordar o tema das construções sustentáveis é fundamental levar em conta a interdisciplinaridade do conceito, sendo que para uma edificação se encaixar no conceito, sendo tão relevantes aspectos técnicos e econômicos como aspectos ambientais. Ainda de acordo com Casagrande (2000), é importante agregar características locais e de agentes em um raio de aproximação, que podem de alguma maneira gerar interferências no  projeto, sendo que esse conceito é aplicável tanto em zonas urbanas como rurais. Para a construção ser caracterizada como sustentável há de se levar em conta um conjunto de critérios como, por exemplo, uso de materiais recicláveis, orientação da implantação, eficiência energética entre outros. Esse conjunto de critérios se adequadamente utilizados acabam por promover o desenvolvimento sustentável em suas cinco dimensões. 3. Contexto histórico e panorama brasileiro da utilização do bambu Segundo Recht (1994), a utilização do bambu é amplamente conhecida e remonta a pré-história, principalmente na região do Sul da Ásia e China, tendo potencial tanto para construção de habitações como pontes. Existem registros de pontes, que há cinco mil anos, venciam grandes vãos com o auxilio de cabos de fibras de bambu. Há de se ressaltar também a utilização para alimentação humana e animal, medicamentos, utensílios domésticos e implementos agrícolas. Pimentel (1997) afirma que a utilização do bambu na construção civil, provoca o surgimento de incontáveis sistemas construtivos baseados no material.  Na Ásia o bambu ressalta-se pela extensa e intensa utilização, servindo como exemplo o Taj Mahal, que srcinalmente possui sua estrutura composta por bambu, sendo apenas recentemente substituída por aço. Além da Ásia, podemos citar Peru, Equador, Costa Rica e Colômbia, como países que tem o uso na construção civil amplamente difundido, tendo diversas edificações que confirmam o  potencial do material. Hoje se busca trazer o bambu para a construção civil, além das técnicas vernaculares, apresentando-o como uma opção de material de qualidade. De acordo com Morado (1994), o bambu é um material economicamente viável, pois é encontrado facilmente em quase todo o mundo, sendo adequado para edificações de baixo  Construção civil sustentável: A utilização do bambu em Divinópolis Minas Gerais  Julho 2014 ISSN 2179-5568  –   Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 7ª Edição nº 007 Vol.01/2014 Julho/2014 custo, podendo ser integrado no sistema moderno de produção de construções. Sendo que diversas construções como tendas, casas, templos e até mesmo vilas inteiras já é há centenas de anos erguidos através da arquitetura vernacular. Através da analise desse sistema  produtivo, novas soluções que apliquem tecnologia podem surgir. Glenn (1950) apresenta o bambu como o material apresentando grande leveza e alta resistência mecânica, deixando a desejar apenas se comparado com o titânio e o Kevlar. A resistência à tração é claramente superior a da madeira e do concreto, sendo ultrapassada apenas pelo aço. Comparando o peso especifico e a resistência à tração, chega-se facilmente a conclusão que o material possui alta eficiência estrutural, sendo superior aos materiais estruturais tradicionais.  No campo da botânica o bambu é classificado como bambuseae, que na verdade representa um grupo parte da família das gramíneas. Sendo uma planta lenhosa, angiosperma e monocotiledônea. A luz do conceito de desenvolvimento sustentável, Morado (1994) afirma que em substituição a madeira o bambu é uma excelente opção. Sendo o bambu uma planta com rápido crescimento, ao contrario da madeira, chegando a apresentar 25 centímetros por dia, sendo  possível em 40 dias ter o seu crescimento completo e em 3 anos estar com o processo de lignificação e silidificação iniciado. Apesar a srcem misteriosa da palavra bambu, Vidal (2003) atribui o titulo de primeiro autor sobre o bambu a Ctesias, que era médico na corte da Pérsia. Há também a hipótese que a  palavra tem surgido de mambum, que é o nome dado pelos nativos Mambu à planta na Índia. Porém o certo é que na pré-história o bambu já era significativamente utilizado pelo homem. O elemento da idografia chinesa Chu, é nada mais que a estilização de dois caules de bambu com ramos e folhagens. De acordo com Pimentel (1997) mesmo sendo reconhecido como material de grande utilidade o bambu é estigmatizado pela sociedade que o taxa de material de categoria inferior. Partindo da teoria neoclássica econômica, de que o valor depende da utilidade, o material poderia ser muito mais favoravelmente valorizado, pois suas inúmeras qualidades apresentam diversas utilidades. Utilidades essas, que o trabalhador rural conhece muito bem, mas ainda não as tem consagradas. Um ponto de grande desvalorização do material é justamente a abundancia em que as moitas e touceiras são encontradas nas propriedades rurais. Sendo que quanto maior a abundancia de um determinado artigo, menor é o interesse pela aquisição de outro exemplar.  No Brasil a cultura do bambu como material de construção, ainda é inexistente, não sendo  possível encontrar, como na Colômbia, o material em lojas de madeira. O conceito amplamente difundido é de que o material possui enorme vulnerabilidade e de que se não for adequadamente tratado contra insetos seu desempenho acaba deixando a desejar, acaba por reduzir sua utilização, tendo em vista que em lojas especificas a madeira é oferecida já  processada, pronta para seu emprego. Porém ainda de acordo com Pimentel (1997), é claro o potencial que o material tem, sendo que o apoio ao emprego do material em larga escala por políticas públicas, tem capacidade de reduzir significativamente os custos da construção civil, gerando renda e emprego com a sua cadeia produtiva. Infelizmente como já descrito, o material sofre com o preconceito da sociedade, que ignora suas propriedades, e ainda generaliza que mercadorias artesanais e naturais não possuem
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