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Contioutra.com-Um Olhar Sobre a Velhice

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  Um olhar sobre a velhice   www.contioutra.com /um-olhar-sobre-a-velhice/Fernanda Villas BoasDurante muitos anos o atendimento mais comum para o idoso foi o asilo, um recurso reconhecido pela necessidadede abrigo e proteção por abandono ou inexistência do grupo familiar. A partir dos anos 70, com a aceleração do processo de envelhecimento no país, vão sendo criados recursos paraatender às necessidades e anseios manifestados pelo número crescente de idosos.Tanto os recursos institucionais, como os comunitários se dirigem à integração do idoso na sociedade. A partir domomento em que o idoso fica dentro de casa, ele perde a iniciativa, a capacidade de fazer novas relações, acriatividade desaparece e eles passam a produzir várias doenças físicas e psicológicas.Para atender esta crescente população idosa, com a promoção da saúde, surgiram aos poucos programas eatividade física e serviços para a terceira idade. Estes grupos têm srcem na comunidade e proporciona aressocialização e o exercício da mobilidade, com opções para que os idosos se sintam independentes e tome suasiniciativas próprias. Abordar-se-á a atividade física no capítulo III. A família sofreu transformações do ponto de vista sócio-econômico, mas ainda se constitui em um núcleo de apoioe atende às funções de socialização, cuidado, proteção e ajuda econômica para com os idosos.Quando a idade avança, as condições do idoso o submetem à fragilização e atingido este quadro, os membros dafamília devem estimular sua independência, valorizando a capacidade física e intelectual que ele ainda possui. Até meados do século XX, os psicólogos deram pouca ou nenhuma atenção ao desenvolvimento do adulto nasegunda metade da vida.Grande parte dos estudos da psicologia se concentrava na juventude, baseados na ideia de Sigmund Freud de quea personalidade se forma na infância e permanece relativamente idêntica durante a idade adulta.Carl G. Jung lançou os alicerces de uma psicologia analítica voltada para a idade adulta ao defender a ideia deindividuação, processo que se dá ao longo de toda a vida – e pelo qual nos tornamos os seres humanos completosque estamos destinados a ser. Pois, dizia ele, que nenhum de nós vem ao mundo por acaso, tendo a vida um umafinalidade única. Ao considerarmos que o envelhecimento não ocorre baseado em um plano-mestre, mas sim como resultado deeventos ao longo da história de cada um, destacamos estas Teorias Biológicas do Envelhecimento. ( HAYFLICK,1994:225. ) -Alteração na aparência e nas capacidades das pessoas que envelhecem 1-A pele frequentemente torna-se enrugada, seca e seborréica e aparece ceratose actinica;2-O cabelo torna-se grisalho e mais fino; a calvície acentua-se;3-A deterioração dos dentes provoca sua queda;4-A altura e o peso tendem a diminuir;5-As cavidades toráxicas e abdominal aumentam;6-As orelhas alongam-se e o nariz alarga-se;7-As células adiposas invadem a musculatura e a forçamuscular diminui;8-A postura e altura são afetadas por alterações músculo-esqueléticas; 1/4  9-A densidade óssea diminui, influenciada por sexo e raça;10-Há alteração na absorção, distribuição, excreção e na cinética de ligação de drogas11-Há perda de células insubstituíveis, principalmente no cérebro, coração e músculos;12-A musculatura esfriada diminui aproximadamente pela metade aos 80 anos;13-Há declínio de neurotransmissores como dopamina, noradrelina, serotonina, hidroxilase e acetilcolina; aumentode monoaminoxidase (MAO).  – Alterações na personalidade do idoso 1-Redução da capacidade de controle dos afetos;2-Irritabilidade;3-Depressão;4-Desconfiança;5-Susceptibilidade;6-Autoritarismo;7-Rigidez;8-Apego ao passado, tendência a idealizá-lo;9-Misoneísmo (aversão ao novo);10-Propensão ao isolamento;11-Misantropia (aversão à sociedade, a outras pessoas e à convivência);12-Preocupação excessiva com a propriedade e a segurança;13-Dificuldade de adaptação a situações novas;14-Conflito habitual com as gerações jovens;15-Consciência de dificuldades aumentadas na aquisição de conhecimentos;16-Redução dos interesses;17-Tendência a ocupar-se repetidamente dos mesmos temas;18-Recusa em aceitar o envelhecimento e em reduzir seu estilo de vida e suas possibilidades. Ao considerarmos que o envelhecimento não ocorre baseado em um plano-mestre mas sim como resultado deeventos ao longo da história de cada um, destacamos estas  Teorias Biológicas do Envelhecimento.  ( HAYFLICK,1994:225. ) 1-Teoria da Exaustão  – o corpo contém uma quantidade fixa de energia que é gradualmente dissipada,desenrolada como uma corda de relógio. 2-Teoria da Acumulação  – o material deletério que se acumula dentro das células acaba por matá-las com ocorrer do tempo (ex: lipofuccina ou corpos de hirano). Desenvolve-se tardiamente na vida. 3-Teoria da Programação Biológica  – as células são geneticamente programadas para viver por um períodoespecífico de tempo, morrendo inevitavelmente após o término desse tempo. 4-Teoria do Erro  – com a senescência, alterações ocorrem na estrutura da molécula do DNA (ácidodesoxirribonucléico). Quando os erros são transmitidos para o RNA (ácido ribonucléico) mensageiro há um grandedesenvolvimento de enzimas de defesa que levam, finalmente, à morte da célula e do organismo. 5-Teoria da Eversão  (ligação cruzada) – há uma mudança nas ligações que unem as cadeias de polipeptídeos docolágeno, assim tornando-o menos permeável e elástico e, portanto, menos capaz de manter a vida normal. 6-Teoria Imunológica  – com o tempo, há uma redução nos mecanismos protetores do sistema imune, que podemse tornar autoagressivos, levando à destruição dos tecidos corporais. 7-Teoria do “Relógio do Envelhecimento”  – diz-se que este “relógio” reside no hipotálamo. O hipotálamo éfundamental para uma variedade de funções endócrinas e cerebrais e a perda de células neste local tem um papelparticularmente importante no declínio dos mecanismos homeostáticos com a idade. 8-Teoria dos Radicais Livres  – os radicais livres podem causar danos ao DNA. A ligação cruzada do colágeno e oacúmulo de pigmentos da idade são causados por radicais livres (moléculas com elétrons ímpares que existemnormalmente no corpo, bem como produzidos por radiação ionizante, ozônio e toxinas químicas. 2/4  Recentemente, o cientista Giusepe Attardi do Instituto de Tecnologia da Califórnia e outros pesquisadores na Itália,em artigo na Science, informam ter encontrado um tipo de mutação genética relacionado com o envelhecimento emgeral. Esta descoberta poderá comprovar que, pelo menos em termos, a velhice é resultado de mutação no DNA,que acreditam possam ser atribuídas à ação dos radicais livres ou a um cansaço do sistema de auto-reparação daspróprias células. (23.10.1999:12.Ciência.JB).É difícil determinar o início do período final da vida, quer sob o ponto vista médico, quer sob o ponto de vista social.Se para uns a idade da aposentadoria marca o seu começo, para outros ela é arbitrariamente fixado aos 75 anos.Para outros, ainda, o aparecimento dos primeiros sinais de dependência é que evidencia a entrada definitiva nestetempo de declínio.Dentre os mitos médicos sobre o envelhecimento há o que diz que a velhice começa aos 65 anos de idade. Esta éa ideia que poderia ser chamada de ‘envelhecimento burocrático’. Com a necessidade de estabelecer um limiteexato para a concessão de benefícios e aposentadorias, para a estratificação de dados populacionais e outros éque surgiram os números ‘mágicos’ de 60 e 65 anos de idade para limitar as faixas etárias de adultos e idosos. Por que não 61, 63?Os maiores efeitos do estabelecimento de uma idade delimitadora parece ser a “comodidade burocrática” e aconsiderável carga psicológica colocada sobre os indivíduos ao serem rotulados de ‘velhos’ ou ‘idosos’, com todasas consequências pessoais, sociais e culturais que advém disso. (JACKBEL NETO 1996:15) Ao se desvincular da vida pública para mergulhar num mundo particular e privado, o idoso se vê excluído doespaço mais amplo em que se movia até então. Marginalizado, confinado aos estreitos limites para onde asociedade o expulsa, vai perdendo socialmente uma identidade conhecida para mergulhar numa espécie de limbo. Agora é um aposentado e deve se retirar para a quietude de seus aposentos, se deixar ver o menos possível ecriar à sua volta um silêncio respeitoso seguindo a mesma trilha de todos os outros velhos excluídos. Pode parecer exagerada a afirmação, mas não há qualquer dúvida quanto à realidade: a sociedade rejeita aquele que não maisproduz e já não gera riqueza.É nossa cultura que despreza e agride homens e mulheres envelhecidos, sua memória e conhecimento paraaceitar apenas o velho que ainda contribui de alguma forma para o crescimento. Assim são aceitos políticos, artistas e criadores em geral, porque eles continuam como força atuante emodificadora.Na velhice, a diminuição do poder aquisitivo, a solidão, a perda de identidade, o não acolhimento da singularidadee da diferença deste tempo de vida, tudo contribui para enfraquecer ainda mais o idoso, já destituído de seuspapéis sociais. Na própria família, ele é segregado desde que não seja mais útil e produtivo. Esta violência contra oidoso tem crescido com o pensamento da atualidade, onde só é aceito quem é belo, atraente e rico.Cada pessoa, ao longo de sua trajetória existencial, vive de modo singular suas mudanças biológicas, psicológicas,intelectuais e espirituais, compondo assim o seu ciclo de vida. E é esta composição que poderá garantir aexperiência de envelhecer sem a fragmentação consequente das transformações internas e externas que ocorremem cada ser, mais acentuadamente, à medida que envelhecem. Durante nossa vida, o corpo vai gradativamente sedesgastando, mas a mente tem a capacidade de tornar-se cada dia mais viva e ativa.O envelhecimento exprime ao mesmo tempo uma ideia de perda e outra de aquisição. Nossa sociedade reserva àuventude o benefício e à velhice o déficit.Um dos aspectos do envelhecimento, a aquisição, concerne a história de vida do indivíduo, enquanto a perda, –outro elemento que é citado com mais frequência – se refere ao que é mais visível, e surge da dificuldade emdiscernir o limite entre o envelhecimento normal, o patológico e o patogênico. 3/4  O envelhecimento, como processo normal, é a expressão da temporalidade da pessoa, adere à história de suavida. Envelhecemos como vivemos, nem melhor, nem pior. Trata-se de uma questão de equilíbrio entreaquisição/perda. (JACK DE MESSY,1992:16). A capacidade do homem de reconhecer a limitação de sua existência e agir em conformidade com essa descobertapode ser sua maior conquista psicológica. A aceitação da transitoriedade é efetuada pelo ego, que realiza otrabalho emocional que precede, acompanha e segue as separações. Sem esses esforços não se poderia alcançar uma concepção válida do tempo, dos limites e da inconstância das catexias.Mas a vida, como dizia Rainer Maria Rilke a propósito de Rodin, “está nas pequenas coisas como nas grandes: noque é apenas visível e no que é imenso”. (FERREIRA, 1997 :360.) A natureza faz lentamente o seu caminho e o corpo vai pouco a pouco se adaptando às limitações inerentes aotempo vivido. Do velho não se exige a força física e as leis e costumes o dispensam dos encargos que pedem maisvigor. Perdidos os prazeres da boa mesa e do perfeito desempenho sexual, restam possibilidades de substituiçãopor outros prazeres em tempos de urgência e fazeres atropelados.O cuidado com o físico é primordial para asensação de segurança e bem-estar.Sendo a vida o solo nutriente da alma, não podemos perder o contato com o contínuo vir-a-ser no estar vivos.Quem fracassar em acompanhar o processo de vida, ficará suspenso, tenso e rígido, olhando para o passadocomo se fosse a única razão de engajamento. Assim, as pessoas se retiram ou são retiradas do processo vital,fixando-se em recordações com um medo secreto da morte.Mas a velhice longe de ser passiva e inerte pode ser sempre atarefada e fervilhante, ocupada em atividadesrelacionadas com o gosto de cada um. Pois a vida não é uma operação passiva e um organismo tem de se abrir esair em busca daquilo que precisa – tornando a vida um exercício de busca e exploração de todos os possíveis.Para Alexander Lowen, (1975:50)“uma pessoa é a soma de suas experiências da vida, cada uma das quais é registrada na sua personalidade eestruturada em seu corpo”. A leitura do nosso corpo é uma leitura infinita. O registro corporal é, sem dúvida, aquele que fornece ascaracterísticas da pessoa de idade avançada: cabelos brancos, ou calvície, rugas, reflexos menos rápidos,compressão da coluna vertebral, enrijecimento.E como ninguém existe fora do corpo vivo, é através dele que nos expressamos e nos relacionamos com o mundoà nossa volta. Se somos nosso corpo e nosso corpo somos nós, ele poderá expressar quem somos e dizer denossa forma de estar no mundo. O corpo é um sistema energético e a energia está envolvida no movimento detodas as coisas, tanto vivas quanto inertes. 4/4
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