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FACULDADE CÁSPER LÍBERO Mestrado em Comunicação DOUGLAS BIANCHINI O DISCURSO ESTÉTICO DE LADY GAGA NA CONTEMPORANEIDADE

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FACULDADE CÁSPER LÍBERO Mestrado em Comunicação DOUGLAS BIANCHINI O DISCURSO ESTÉTICO DE LADY GAGA NA CONTEMPORANEIDADE SÃO PAULO 2015 DOUGLAS BIANCHINI O DISCURSO ESTÉTICO DE LADY GAGA NA CONTEMPORANEIDADE
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FACULDADE CÁSPER LÍBERO Mestrado em Comunicação DOUGLAS BIANCHINI O DISCURSO ESTÉTICO DE LADY GAGA NA CONTEMPORANEIDADE SÃO PAULO 2015 DOUGLAS BIANCHINI O DISCURSO ESTÉTICO DE LADY GAGA NA CONTEMPORANEIDADE Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação Stricto Sensu da Faculdade Cásper Líbero para a obtenção do título de Mestre em Comunicação. Orientador: Prof.ª Dra. Simonetta Persichetti. SÃO PAULO 2015 BIANCHINI, Douglas O discurso estético de Lady Gaga na contemporaneidade/ Douglas Bianchini São Paulo, f.: il.; 30 cm. Orientador: Professora Dra. Simonetta Persichetti Dissertação (Mestrado) Faculdade Cásper Líbero, Programa de Mestrado em Comunicação. 1. Estética. 2. Monstro. 3. Lady Gaga. 4. Política. 5. Cultura. 6. Contemporaneidade. I. Persichetti, Simonetta. II. Faculdade Cásper Líbero, Programa de Mestrado em Comunicação. III. Título. Dedico al pequeño en estatura, pero grande de corazón. AGRADECIMENTOS Uma dissertação de mestrado, apesar do processo solitário a que qualquer investigador está destinado, reúne contribuições de várias pessoas. Por isso agradeço: A Deus (que ainda não descobri ao certo, mas sei que inquieta-me e me conduz). Aos meus pais, exemplos de generosidade, Deoni José Bianchini e Dejanir Bianchini, que me aguardam no dia da volta sempre com os sorrisos que me devolvem o meu lar. E em nome deles agradeço a minha família: Viviane Bianchini (irmã), Fernando Marmentini Narciso (agregado II), Thabatta Fernanda Bianchini Narciso (sobrinha); Tatiane Bianchini Pinheiro (irmã), Paulo Cesár Pinheiro (agregado I), João Paulo Pinheiro (sobrinho). Acreditam nas minhas escolhas, apoiam minhas iniciativas e incentivam-me sempre. A minha professora e orientadora Simonetta Persichetti. Companheirismo, paciência e atenção nas orientações e ensinamentos. Sempre grato. Obrigado. Ao amigo leal e fiel André dos Santos Ferreira. Força na luta e alegria nas conquistas. A amiga Raíssa Menegotto. A felicidade do sorriso, a paz do abraço. Renato Augusto Tampellini. Companheiro de todas as horas. A alegria necessária para salvar cada dia. A brincadeira séria para vencer a vida. Em nome dele agradeço também a Joana Bezerra Cordeiro dos Santos. Tornaram-se família. A insuportável amável Sílvia Renata Bueno da Silva. Nem tão longe que não possa ver, nem tão perto que se possa tocar. E em nome dela, amigos especiais: Karen koerich Gerber, Antônio Carlos de Almeida Campos, Rafaella Koppe Lacerda Franco, Luiz Rodrigo da Silva, Aline Pompermayer, Márcia Aparecida de Almeida, Leandro Ramos Morelli, Pedro Machado Basaglia, Gabriella Schunck e Mislene Medeiros Bueno. Roberto Bertini Monteiro Cezar. Luz no meu caminho. Entende minhas escolhas e opções. Inspira-me a querer ser mais que fui. Minha gratidão. A professora Ramayna Lira de Souza. Atenção e carinho a cada reencontro. Pelo cuidado e empenho nos ensinamentos e por ter se revelado uma verdadeira amiga. Muito obrigado. A indiscutível amizade de Kátia Valeria Barros da Rocha Brasileiro. E em seu nome aos companheiros, dentro e fora da academia: Ingrid Baquit, Carolina Chamizo Henrique Babo, Liliane Aparecida Pellegrini Pereira e Augusto Rafael Brito Gambôa. Rimos, choramos e nos ajudamos mutuamente. Ao professor Cláudio Novaes Pinto Coelho. Solidariedade e presteza. Privilégio de ser seu aluno. Dimas Antônio Künsch. Professor e amigo. Ao professor Antônio Roberto Chiachiri. Valiosos são os seus ensinamentos. Exemplo a ser seguido. Luzinete dos Santos Jesus, Daniel de Souza Britto, Andréia Munhoz Lopes Fernandes e Josilene Victor. Obrigado pela paciência e apoio. A Lady Gaga. Perturba-me e questiona. Me faz querer dançar. A você Edimar Vicente da Silva o principal e mais sincero dos meus agradecimentos. Tornei-me o que sou graças a você. Sempre presente e com saudade. Possuir amigos e professores que pensam de formas tão distintas, enriquece significativamente a minha formação. Agradeço a enorme diversidade que me rodeia e que, apesar de me desorientar às vezes, me ajuda a captar diferentes olhares sobre a mesma realidade. Digamos que o monstro é o que combina o impossível com o proibido. (Foucault). RESUMO A presente pesquisa tem por objetivo o estudo da estética em Lady Gaga levando em consideração sua ação performática em função de minorias e critica aos conteúdos midiáticos que nos cercam. Para tanto, a primeira etapa da pesquisa está dedicada à definição e exemplos do conceito de monstro. Monstros ameaçam, suas potencialidades são destruidoras, por isso corporificam e causam medo, horror e demarcam os espaços fronteiriços do que é possível à experiência humana. Isto posto, servem como base para exemplificar e discutir o discurso político e a existência midiática da cantora na contemporaneidade. A monstruosidade está no fato de Lady Gaga (persona e personagem) ser capaz de habitar a fronteira tensionada entre o real e o simulacro, o belo e o grotesco, o humano e o monstruoso. Ela nos serve, ao mesmo tempo, para confirmar normas, enquanto delas distantes; e questioná-las, enquanto faz parte delas. E assim, a cantora faz parte e é agente do simulacro, onde a estética, como teoria geral de uma sedução poderosa e de um poder sedutor, toma o lugar da política ideológica. Por fim, partindo da discussão teórica a partir do conceito de monstro, serão propostas breves (re)leituras dos videoclipes: Paparazzi e Bad Romance. Palavras-chave: Estética. Monstro. Lady Gaga. Política. Cultura. Contemporaneidade. ABSTRACT The upcoming research has as a goal the study of Lady Gaga s aesthetics when taking into consideration her performances towards helping minorities while criticising the media that surrounds us. To do so, the first step of the research is dedicated to exemplifying and defining the concept of a monster. Monsters threaten, they re potentially destructive, therefore embodying and causing fear, horror and setting the threshold of what is tangible to the human experience. That said, they serve as a basis to exemplify e discuss the political speech and the singer s contemporary presence in the media. The monstrosity is in the fact that Lady Gaga (persona and character) is capable of inhabiting the frontier between real and simulation, the beauty and the grotesque, the human and the monstrous. She works to ratify and question norms, while belonging to them. Hence, the singer is an agent of the simulacrum, where aesthetics, as a general theory of a powerful seduction and a seductive power takes the place of ideological politics. Lastly, starting from the theoretical discussion from the concept of monster, brief readings of the videoclips Paparazzi and Bad Romance are to be proposed. Keywords: Aesthetics. Monster. Lady Gaga. Politics. Culture. Contemporaneity. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 Hipérbole (O excesso é feito carne ) Vestido usado no Video Music Awards Figura 2 Discurso em favor de gays e lésbicas ao Senado Americano...52 Figura 3 Criador e Criatura (Comparação de figurinos) Figura 4 Criador e Criatura (Comparação de figurinos) Figura 5 Jo Calderone (Alter ego masculino de Lady Gaga)...57 Figura 6 Lady Gaga encarna alter ego masculino no clipe de Yoü And I...58 Figura 7 Lady Gaga sangra na performace do Video Music Awards Figura 8 Mansão luxuosa (Cenário Paparazzi)...74 Figura 9 Cenas na cama e notas de dinheiro...74 Figura 10 Objetos de Lady Gaga, dinheiro e capa de jornal...75 Figura 11 Lady Gaga é empurrada da sacada...76 Figura 12 Queda à la Alfred Hitchcock...77 Figura 13 Manchetes: A queda de Lady Gaga (Morte metafórica)...78 Figura 14 Lady Gaga é um manequim de cera (Simulacro)...78 Figura 15 Lady Gaga dançando de muletas após a queda...79 Figura 16 Performace sensual em sofá dourado...79 Figura 17 Mulheres mortas (Vítimas da Fama)...80 Figura 18 O Beijo andrógeno...80 Figura 19 Coreografia da Fama...81 Figura 20 Lado monstruoso da Fama...82 Figura 21 Ela também é o veneno...83 Figura 22 Lady Gaga comete um assassinato...84 Figura 23 Lady Gaga é presa e jornais noticiam o fato...85 Figura 24 Fotos para Ficha Criminal de Lady Gaga...85 Figura 25 Lady Gaga também é rainha...89 Figura 26 Eis que surge o monstro...94 Figura 27 O quetionamento e a dualidade...95 Figura 28 A hipérbole e o mostruoso...98 Figura 29 Violação de identidade Figura 30 Revelação da monstruosidade Figura 31 Lady Gaga é a mercadoria Figura 32 A cantora é pele e fogo Figura 33 Lady Gaga à la McQueen Figura 34 Adeus ao fantoche Figura 35 Ruptura e revelação...105 SUMÁRIO INTRODUÇÃO...12 CAPÍTULO 1 O MONSTRUOSO TAMBÉM HABITA O LADO DE CÀ DA FRONTEIRA A CRIATURA DE FRANKENSTEIN AS FRONTEIRAS E O FALSO DUALISMO DE DRÁCULA...37 CAPÍTULO 2 SIMULACRO OU TRÂNSITO: A BELA, O MONSTRO E O BARROCO...41 CAPÍTULO 3 O GÊNESE DO VIDEOCLIPE: IMAGENS, LINGUAGENS E ESTÉTICA PAPARAZZI: LADY GAGA E A REPRESENTAÇÃO DA IMAGEM O DESEJO E O INDIVÍDUO CONTEMPORÂNEO DE BAD ROMANCE...88 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...112 12 O discurso sobre as ausências, o discurso dos sonhos, das esperanças, têm o seu lugar na interioridade de nós mesmos, explodindo, emergindo, irrompendo sem permissão, para invadir e embaraçar o mundo tranquilo, racional e estabelecido de nossas rotinas institucionais (ALVES, 2000, pag. 25). INTRODUÇÃO Nasci numa pequena cidade do interior e percebo hoje o quanto minha vida foi marcada em consequência de tal acontecimento tanto familiar, quanto sóciogeográfico ou até mesmo cultural resultando daí inúmeras questões que impulsionaram minha trajetória até o presente momento. Considero que a mistura cultural e social que permeava minha infância, forjou minha arte de viver, possibilitando-me um jeito de ser e pensar muitas vezes diferente do que era esperado, trazendo-me diferenças e exclusões. A diferença é que, hoje, não tenho vergonha de ser quem sou. Na busca pela compreensão do olhar do outro sobre minha identidade, percebi, que a estranheza traduzida em alteridade, subjetividade poderia ser o meu maior trunfo, se explorada com inteligência. Recordo que, enquanto meus colegas de infância repetiam o texto da cartilha, eu ocupava meus pensamentos filosofando com meus botões assuntos como política, comportamento, história das civilizações e tantos outros que encontrava nos livros, fiéis companheiros de uma infância com muita televisão também. Estas leituras, faziam-me pensar muito em todo o contexto em que vivia, inquietavam-me, alimentavam minha 13 curiosidade, movendo-me a questionar, a investigar e a conhecer mais profundamente o que me cercava e me cerca até hoje. A filosofia dos botões é também o que me trouxe ao mestrado e com certeza é o que me levará mais a frente. Como fiel consultor sempre que necessário da fantasia, arrisco dizer: é ela que ainda faz algum sentido de possiblidade para se entender e discutir a vida na contemporaneidade. Pois, há muito valemo-nos da fantasia para dizer, de modo eufêmico, verdades cotidianas. O mundo vive transformações social, cultural, política, científica, tecnológica, estética resultantes de um longo processo de mudanças de hábitos, exemplos a seguir, formas de pensar e agir que estão além dos aspectos objetivos e da lógica. Tendo em vista, surgem a todos os momentos novos personagens, novas identidades, novos comportamentos. Surge Lady Gaga (persona e personagem) objeto de estudo desta pesquisa. Mas vale ressaltar que tais mudanças nem sempre são postas a vista de maneira positiva e tão pouco aceitas como normais. A cantora Lady Gaga através da estética, como discurso político, contempla aspectos subjetivos e sensíveis de ver e compreender o mundo contemporâneo e (re)apresentando algumas mudanças mais recentes. Tais mudanças afetam a vida social, trazem à luz novos comportamentos que muitas vezes são considerados inapropriados, inadequados e até monstruosos no sentido literário da palavra. Levando em consideração estas alterações a questão que se fará presente na pesquisa é uma tentativa de explicar como o discurso estético de Lady Gaga esta diretamente vinculado à contemporaneidade e a sociedade midiatizada. Além de responder a pergunta: Como a cantora Lady Gaga redimensiona e redefine, enquanto produto midiático, uma proposta performática tanto em função de minorias, quanto crítica aos conteúdos midiáticos que nos cercam? A adoção de uma resposta em relação a Lady Gaga acarreta três implicações: 1) a adoção de uma regra que, à maneira de uma resposta prática, guia nosso entendimento em relação a cantora e seu discurso estético, e esta presente no primeiro capítulo da pesquisa, ou seja, um estudo onde o monstro deixa de ser algo ficcional e passa a se fazer presente na literatura, na arte e na vida; 2) a pressuposição de teorias que guiam nossa forma de interpretar a cantora ao qual se dedica o segundo capítulo; e 3) uma disposição que evoca o ficcional a partir da realidade que deve ser percebida na análise dos videoclipes Paparazzi e Bad Romance no terceiro capítulo, os tendo como linguagem audiovisual. Para tanto, o referencial teórico que tem por base e metodologia a pesquisa bibliográfica a qual possibilita dois resultados: aprofundamento e 14 especialidade na área cujo tema de pesquisa se apoia, e fornecer a sustentação teórica nos permite uma maior clareza na formulação do problema de pesquisa, bem como ajuda na interpretação apontando um novo olhar para a cantora Lady Gaga atrelado sempre ao conceito de monstro na contemporaneidade inicialmente resgatado e exemplificado por monstros do século XIX na pesquisa. Pensar Lady Gaga inserida no contemporâneo é, antes de tudo, colocar-se numa situação de fragmentação, quebra, fratura, desligamento. Contemporâneo é um estado de espírito, uma condição: de forma alguma a cantora pode ser tida como um dado temporal, justifica-se aí o resgate a elementos e figuras que podem retornar a atualidade sempre que necessário. As reflexões a que esta pesquisa propõe dar voz tem por base o pensamento de Giorgio Agamben 1 sobre o agora e funcionam, aqui, como um apanhado geral de ideias que servem, no propósito a que se dispõem pensar a estética, a politica, a comunicação e o mundo em que vivemos. O contemporâneo para Agamben pode ser pensando através do conjunto de conceitos: atemporal, escuro e arcaico. O autor afirma que o nosso tempo é a forma de um demasiado cedo que é, também um demasiado tarde, de um já que é, também, um ainda não, ou seja, a contemporaneidade é uma singular relação com o próprio tempo, que adere a este e, ao mesmo tempo, dele toma distância, logo atemporal. Tendo por consciência essa relação especial com o passado a contemporaneidade tem outro aspecto que se inscreve no presente marcando-o, sobretudo como arcaico, e só quem percebe no mais moderno e recente os indícios e suas origens pode ser contemporâneo, é o caso de Lady Gaga. Pois a origem da cantora não está situada só em um passado cronológico: é contemporânea ao devir histórico e não cessa de funcionar nele. A distância e, ao mesmo tempo, a proximidade que definem a contemporaneidade têm seu fundamento nessa proximidade com a origem, que em nenhum ponto bate com tanta força como no presente. Agamben sugere ainda, uma última relação com o escuro, pois o contemporâneo é aquele que mantém fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas o escuro. Portanto, conseguir ver na escuridão é a condição de ser contemporâneo ao seu próprio tempo. Tendo em mente que o escuro do tempo não é uma ausência e sim uma construção histórica, podemos entender que ser contemporâneo é justamente ignorar as supostas luzes que provém da época para 1 Para um conhecimento mais aprofundado sobre o que é ser contemporâneo e também para entendê-lo toda vez que esse conceito aparecer no decorrer desta pesquisa sugere-se a leitura de AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo? In: O que é o contemporâneo e outros ensaios. Tradução de Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009, pag 15 descobrir as suas trevas, e de certa maneira é o que a cantora faz através da estética e seu discurso político expondo o monstruoso. Nesta direção, o referencial teórico composto basicamente pelos autores: Arlindo Machado, Christopher Lasch, Gilles Lipovetsky, Guy Debord, Jean Baudrillard, Karl Marx, Mario Perniola, Martine Joly, Michel Foucault, Sigmund Freud, Wolfgang Haug, dentre outros nos intima a fazer do presente (a contemporaneidade) o nosso problema, a sermos capazes de nos tornarmos diferentes de nós mesmos e a fazermos um diagnóstico do que estamos fazendo com nosso tempo. Juntos estes autores criam um marco conceitual novo e poderoso que nos ajuda a compreender problemas vivenciados pela sociedade contemporânea presente no discurso estético de Lady Gaga, permitindo dar outras respostas para antigas perguntas, ou melhor, fazer novas perguntas para encontrar outros significados e produzir novos sentidos. O primeiro capítulo desta pesquisa é composto por um estudo sobre o conceito de fronteiras e monstro. No qual as discussões sobre as referências ao monstruoso são exemplificadas e estabelecidas através de monstros da literatura com base em (re)leituras de: Frankenstein ou o moderno prometeu de Mary Shelley e Drácula de Bram Stoker. Além, das seguintes obras e seus respectivos autores como base teórica: Em Os Anormais, obra de autoria de Michael Foucault, aciona-se toda uma gama de noções que remetem a uma compreensão crítica do conceito de monstro na pesquisa, também as relações de poder e das práticas discursivas e não discursivas que o sustentam, possibilitando-o pensar na História e na contemporaneidade em termos de relações, tensões, conflitos que, enfim e também, levam à constituição dos ditos anormais ou de maneira mais clara a criação de monstros. O capítulo apoia-se também nos estudos de Jeffrey Coehn (Pedagogia dos monstros - os prazeres e os perigos da confusão de fronteiras), Julio Jeha (Monstros e monstruosidades na literatura), Omar Calabrese (A Idade Neobarroca) e Sérgio Bellei (Monstros, Índios e Canibais: ensaios de crítica literária e cultural) para complementar, entender e exemplificar o conceito de monstro (real ou imaginário) que faz parte e é constituinte de nossa cultura. Entendido como ser localizado na fronteira o monstro é a diferença feita carne; ele mora no nosso meio. O monstro aparece como símbolo da relação de estranheza entre nós e o mundo que nos cerca, é o modelo de todas as pequenas desigualdades da cultura. O monstro está presente na História e nas histórias dos últimos séculos, sendo figura decisiva que nos permite entender as articulações (que podem ser entendidas como fronteiras) de poder, da cultura e os campos do saber na contemporaneidade. 16 O segundo capítulo exemplifica como Lady Gaga usa o Barroco que em sua ânsia pelo artifício e imitação, sugere interpretar a cantora a partir de uma metanarrativa (simulacro ou trânsito), além de descrever de forma mais detalhada quem é Lady Gaga. A base teórica deste capítulo são os autores e suas respectivas obras: Mario Perniola (Pensando o ritual: Sexualidade, Morte, Mundo) e Jean Baudrillard (Simulacros e Simulação) que nos falam sobre o-não-ser que de alguma forma é. Com os conceitos de simulacro de Baudrillad e trânsito do Perniola o capítulo pode ser visto como uma possível legenda (latim: legendum lenda, lendas que fazem ver qualquer coisa) sobre o ser mais caracterizado por não-ser nascido, criado e mantido na contemporaneidade, que não recusa paradoxos e ambiguidades em sua existência artificial. Afinal, o verdadeiro discorre sobre algo como ele realmente é, enquanto a cópia discorre sobre outro como sendo o mesmo daquilo que é. Também fazem parte deste capítulo às teorias sobre a Indústria Cultural dos autores Theodor W. Adorno e Max Horkheimer na obra Dialética do Esclarecimento. O terceiro capítulo, além de reforçar o caráter de linguagem audiovisual presente nos videoclipes Paparazzi e Bad Romance tendo como referência as teorias de Arlindo Machado e Thiago Soares sobre este gênero, consiste-se na análise de ambos: 1) a ironia com a cultura de
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