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FARIA, Monica Lima de. Comunicação, Imagem e Imaginário Do Herói Contemporâneo

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  V Mostra de Pesquisa da Pós-Graduação  – PUCRS, 2010 V Mostra de Pesquisa da Pós-Graduação Comunicação, Imagem e Imaginário do Herói Contemporâneo Mônica Lima de Fraia, Maria Beatriz Furtado Rahde(orientador) 1  Doutorado em Comunicação Social, PUCRS    Resumo Este projeto de pesquisa apresenta a figura do herói como um meio de comunicação no mundo contemporâneo. Estes heróis, suas imagens e simbologias têm um papel muito importante na mente dos indivíduos, pois geram fantasias e sonhos, alimentando imaginários. Introdução Desde a Antiguidade, dos clássicos heróis mitológicos, passando pelo herói medieval cristão e pelo justo e leal herói moderno (Campbell, 2007), a figura da personagem heróica vem se modificando até a contemporaneidade. Hoje, vivendo em uma condição pós-moderna torna-se difícil encontrar ou definir a figura do herói. Sendo assim, o herói é a figura da passagem sobre as adversidades, seno vitorioso ou não, é uma representação de superação e que comunica algo, uma mensagem de conotações diversas dependendo de suas várias facetas de acordo com o meio. Porém, se o herói e sua história existem com objetivos definidos, para contar e ensinar algo às pessoas, quem é e qual é a função do herói contemporâneo? O que forma o seu imaginário? Metodologia Para realizar esta pesquisa, atingir o objetivo, responder as questões-problema e verificar a tese hipotética, este projeto sugere a Hermenêutica de Profundidade (HP) de Thompson (1995) como caminho metodológico. A Hermenêutica de Profundidade caracteriza-se como um método qualitativo, que caracteriza-se por produzir dados descritivos  passíveis de análises interpretativas, permitindo verificar significados intrínsecos ao fenômeno estudado. 271  V Mostra de Pesquisa da Pós-Graduação  – PUCRS, 2010 Assim, seguindo o método proposto pelo autor, a pesquisa será desencadeada em três fases, propõe-se na primeira parte - análise sócio-histórica  – a aplicação da análise no objeto de estudo heróis, em que será verificada a  situação espaço temporal   do surgimento do deles e função em diversos períodos históricos; após essa etapa serão relacionados os campos de interação  dos heróis, a estrutura social   da qual eles fazem parte e os meios técnicos  que  possibilitam a sua disseminação. Simultaneamente será estudado o imaginário, levantando dados através de pesquisa  bibliográfica sobre o assunto, e temas relativos ao estudo da imagem. A fase seguinte - análise formal ou discursiva  – se constituirá do estudo de diversos autores sobre o objeto heróis, em que serão coletadas informações que permitirão a fase final de interpretação e reinterpretação. O mesmo se dará em relação ao imaginário contemporâneo e em outros momentos históricos. A última etapa da pesquisa - interpretação / reinterpretação  – será aquela na qual se compilarão as idéias e informações coletadas nas fases anteriores e serão concluídos os resultados, havendo ou não respostas às perguntas problematizadas. Início da Discussão A razão derrubou o mito, e assim, o herói é desacreditado, derrotado, “a teia onírica do mito ruiu; a mente se abriu à plena consciência desperta; e o homem moderno emergiu da ignorância antiga, tal como uma borboleta de seu casulo, ou tal como o sol, de madrugada, do útero da mãe noite” (Campbell, 2007, p.372). Na contemporaneidade outro tipo de herói surge, segundo Campbell: O herói morreu com o homem moderno; mas, como homem eterno – aperfeiçoado, não específico e universal – , renasceu. Sua segunda e solene tarefa e façanha é, por conseguinte (...), retornar ao nosso meio transfigurado, e ensinar a lição de via renovada que aprendeu (Campbell, 2007,p.28). O herói contemporâneo é oriundo de uma condição pós-moderna. Uma condição que subverte antigos e modernos valores morais e os reestruturam de novas maneiras. Sendo assim, e considerando o herói como uma figura de comunicação, uma vez que representa valores, lições e ideologias de seu tempo, cabe-se uma pesquisa cuidadosa sobre os novos heróis, os heróis contemporâneos surgidos através de transformações, “contravenções” – como afirma Harvey (1992) – e necessidade de novos pensamentos. Quais são então os novos pensamentos dos novos heróis? Em que meios eles surgem? São realmente tolerantes a posturas divergentes? São estas e outras perguntas que esta 272  V Mostra de Pesquisa da Pós-Graduação  – PUCRS, 2010  pesquisa pretende abordar, tentando desvelar se existe realmente características que definam a figura do herói contemporâneo e seu imaginário. O imaginário, segundo Maffesoli (2001, p.75), é “o estado de espírito de um povo.  Não se trata de algo simplesmente racional, sociológico ou psicológico, pois carrega também algo de imponderável, um certo mistério da criação ou da transformação”, ou seja, para Maffesoli não é possível simplesmente “definir” o imaginário, este é então uma espécie de sentimento coletivo para o autor, que perpassa a racionalidade. Assim, os heróis se tornam e são parte do imaginário das pessoas, manifestados de maneiras e em lugares diversos ao longo da história. De acordo com Durand (2004, p.430), “a verdadeira liberdade da vocação ontológica das pessoas repousa precisamente nessa espontaneidade espiritual e nessa expressão criadora que constitui o imaginário”. Essa necessidade de heróis faz com que eles sejam criados, mistificando-os (Eco, 2004). Assim, esses heróis que comunicam e são consumidos, acabam influenciando seus leitores, determinando modas, influenciando pensamentos e ditando valores de suas épocas. O imaginário dos heróis – mitológicos, medievais, modernos e contemporâneos – é exatamente a relação subjetiva formada entre as figuras heróicas e os sujeitos, existindo aí uma interação e certa relação de poder, os heróis ditando regras e divulgando ideologias. Este estudo encontra-se em desenvolvimento, sendo ainda insipiente de resultados conclusivos, porém, já no estágio inicial, apresenta potencialidades para o desenvolvimento de novas pesquisas. Referências CAMPBELL, Joseph. O Heróis de Mil Faces . São Paulo: Pensamento, 2007. DURAND, Gilbert. As Estruturas Antropológicas do Imaginário . São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1997.  ______________. A Imaginação Simbólica . Lisboa: Edições 70, 1993. ECO, Umberto. Apocalípticos e Integrados . Coleção debates. São Paulo: Perspectiva, 2004 . HARVEY, David. Condição pós-moderna . São Paulo: Loyola, 1992. MAFFESOLI, Michel. A Trasfiguração do Político – a tribalização do mundo . Porto Alegre: Sulina, 2005.  _________________. O Imaginário é uma Realidade .  Revista FAMECOS  . Porto Alegre: no.15, agosto 2001,  p. 74 - 81. THOMPSON, John B. Ideologia e Cultura Moderna . Petrópolis: Vozes, 1995. 273
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