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FICHAMENTO HALL, Stuart - A Identidade Cultural Da Pos-modernidade

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FICHAMENTO: HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. (Trad. Tomaz Tadeu da Silva & Guacira Lopes Louro). 11 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. Patrícia de Fátima Souza Costa 1 – A IDENTIDADE EM QUESTÃO “A questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social. Em essência, o argumento é o seguinte: as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declino, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui v
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  FICHAMENTO: HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. (Trad.Tomaz Tadeu da Silva & Guacira Lopes Louro). 11 ed. Rio de Janeiro: DP&A,2006.Patrícia de Fátima Souza Costa1  – A IDENTIDADE EM QUESTÃO “A questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social.Em essência, o argumento é o seguinte: as velhas identidades, que por tantotempo estabilizaram o mundo social, estão em declino, fazendo surgir novasidentidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto como um sujeito unificado.” (p.7)  Capitulos 3-4: identidades culturais  – comparar com EDUCAÇÃO DO CAMPO. “Para aqueles/as teóricos/as que acreditam que as identidades modernas estão entrando em colapso, o argumento se desenvolve da seguinte forma. Um tipodiferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas no final do século XX.” (p. 9)   1.1   Três concepções de identidade a) sujeito do Iluminismo: “(...) concepção da pessoa humana como um indivíduototalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, deconsciência e de ação (...) era uma concepção muito individualista do sujeito e de sua identidade (...)” (p. 10 -11)b) sujeito sociológico: “De acordo com essa visão, que se tornou a concepção sociológica clássica da questão, a identidade é formada na interação entre oeu e a sociedade. O sujeito ainda tem um núcleo ou essência interior que é o eu real , mas este é formado e modificado num diálogo contínuo com osmundos culturais exteriores e as identidades que esses mundos of  erecem.” (p. 11)c) sujeito pós-moderno: não tem identidade fixa, estável, permanente. “O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidadesque não são unificadas ao redor de um eu coerente. Dentro de nós háidentidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas.” (p. 13)  Os movimentos em torno da Educação do Campo surgiram justamente pelo fatode que não se encaixam na identidade em vigência, métodos urbanizados osquais sempre são impostos. Não há reflexão diante do que é ensinado. 1.2. O caráter da mudança na modernidade tardia “Um outro aspecto desta questão da identidade está relacionado ao caráter da mudança na modernidade tardia; em particular, ao processo de mudança conhecido como globalização e seu impacto sobre a identidade cultural.”  (p.14)Posicionamento de alguns autores:- Giddens: (...) à medida em que áreas diferentes do globo são postas eminterconexão umas com as outras, ondas de transformação social atingemvirtualmente toda a superfície da terra — e a natureza das instituições modernas (Giddens, 1990, p. 6)” (p. 15)- David Harvey: “ (...)fala da modernidade como implicando não apenas umrompimento impiedoso com toda e qualquer condição precedente , mas como caracterizada por um processo sem-fim de rupturas e fragmentações internas no seu próprio interior (1989, p. 12)” (p.16)- Ernest Laclau (1990): “As sociedades da modernidade tardia, argumenta ele, são caracterizadas pela diferença ; elas são atravessadas por diferentesdivisões e antagonismos sociais que produzem urna variedade de diferentes posições de sujeito — isto é, identidades — p ara os indivíduos.” (p.17)   1.3. O que está em jogo na questão das identidades? - Exemplifica questão do jogo das identidades e como elas não são unificadas apartir do juiz negro Clarence Thomas, o qual foi indicado à Suprema CorteAmericana por George Bush. Ilustra as conseqüências políticas da fragmentaçãoou pluralização de identidades. Ele representava uma identidade derepresentante negro e, ao mesmo tempo, o conservadorismo em termos delegislação. (p. 18-19)Os professores que atuam nas escolas do campo possuem uma identidade depedagogo ou militante? A questão das políticas públicas está acima dasmetodologias e o ensino contextualizado?  “De forma crescente, as paisagens políticas do mundo moderno são fraturadas dessa forma por identificações rivais e deslocantes — advindas, especialmente,da erosão da identidade mestra da classe e da emergência de novasidentidades, pertencentes à nova base política definida pelos novos movimentossociais: o feminismo, as lutas negras, os movimentos de libertação nacional, os movimentos antinucleares e ecológicos (Mercer, 1990).” (p.21)   2    – NASCIMENTO E MORTE DO SUJEITO MODERNO “O foco principal deste capítulo é conceitual, centrando -se em concepçõesmutantes do sujeito humano, visto como uma figura discursiva, cuja formaunificada e identidade racional eram pressupostas tanto pelos discursos dopensamento moderno quanto pelos processos que moldaram a modernidade,sendo- lhes essenciais.” (p.23)  O sujeito coloca-se no centro, não aceita as afirmações da Igreja sobre Deus estar no centro do universo. “As transformações associadas à modernidad elibertaram o indivíduo de seus apoios estáveis nas tradições e nas estruturas.Antes se acreditava que essas eram divinamente estabelecidas; não estavamsujeitas, portanto, a mudanças fundamentais. O status, a classificação e aposição de uma pessoa na grande cadeia do ser — a ordem secular e divinadas coisas — predominavam sobre qualquer sentimento de que a pessoa fosse um indivíduo soberano.” (p.25)  Falar em deslocamento de identidade não é algo simples.Há uma outra ruptura a partir do século XVIII. “Mas à medida em que as sociedades modernas se tornavam mais complexas, elas adquiriam uma formamais coletiva e social. As teorias clássicas liberais de governo, baseadas nosdireitos e consentimento individuais, foram obrigadas a dar conta das estruturasdo estado- nação e das grandes massas que fazem uma democracia moderna.” (p.29)Surge então concepção mais social do sujeito. Dois importantes eventoscontribuíram para isso: 1  –   “(...)biologia darwiniana. O sujeito humano foi biologizado — a razão tinha uma base na Natureza e a mente uni fundamento no desenvolvimento físico do cérebro humano.” (p.30); 2 –   Surgimento de novas ciências sociais. “(...)modelo sociológico interativo, com sua reciprocidade estável entre interior e exterior , é, em grande parte, umproduto da primeira metade do século XX, quando as ciências sociais assumemsua forma disciplinar atual. Entretanto, exatamente no mesmo período, umquadro mais perturbado e perturbador do sujeito e da identidade estavacomeçando a emergir dos movimentos estéticos e intelectuais associado com o surgimento do Modernismo.” (p. 32)   2.1. Descentrando o sujeito “(...)A primeira descentração importante refere - se às tradições do pensamentomarxista. Os escritos de Marx pertencem, naturalmente, ao século XIX e não aoséculo XX. Mas um dos modos pelos quais seu trabalho foi redescoberto ereinterpretado na década de sessenta foi à luz da sua afirmação de que os homens (sic) fazem a história, mas apenas sob as condições que lhes sãodadas .(p.34) “O segu ndo dos grandes descentramentos no pensamento ocidental do século XX vem da descoberta do inconsciente por Freud.”   (p.36). “Psicanaliticamente, nós continuamos buscando a identidade e construindo biografias que tecemas diferentes partes de nossos eus divididos numa unidade porque procuramos recapturar esse prazer fantasiado da plenitude” (p.39)   “O terceiro descentramento que examinarei está associado com o trabalho do lingüista estrutural, Ferdinand de Saussure. Saussure argumentava que nós nãosomos, em nenhum sentido, os autores das afirmações que fazemos ou dos significados que expressamos na língua.” (p. 40)   “O quarto descentramento principal da identidade vem de Foucault (...) destaca um novo tipo de poder, que ele chama de poder disciplinar , que se desdobraao longo do século XIX, chegando ao seu desenvolvimento máximo no início dopresente século (...)O objetivo do poder disciplinar consiste em manter asvidas, as atividades, o trabalho, as infelicidade e os prazeres do indivíduo , assimcomo sua saúde física e moral, suas práticas sexuais e sua vida familiar, sobestrito controle e disciplina, com base no poder dos regimes administrativos, doconhecimento especializado dos profissionais e no conhecimento fornecidopelas disciplinas das Ciências Sociais. Seu objetivo básico consiste em produzir um ser humano que possa ser tratado como um corpo dócil (Dreyfus e Rabinow, 1982, p. 135).” (p. 42)   “O quinto descentramento que os proponentes dessa posição citam é o impacto  do feminismo, tanto como uma crítica teórica quanto como um movimentosocial. O feminismo faz parte daquele grupo de novos movimentos sociais (...)” (p.44)   3. AS CULTURAS NACIONAIS COMO COMUNIDADES IMAGINADAS “(...) como este sujeito fragmentado é colocado em termos de suas identidades culturais.” (p. 47)   “O argumento que estarei considerando aqui é que, na verdade, as identidades nacionais não são coisas com as quais nós nascemos, mas são formadas etransformadas no interior da representação . Nós só sabemos o que significa seringlês devido ao modo como a inglesidade ( Englishness ) veio a serrepresentada — como um conjunto de significados — pela cultura nacional inglesa.” (p.48 -49)Ver representações sociais na Educação do Campo. Ler artigo. Os movimentossociais são representações sociais? 3.1. Narrando a nação: uma comunidade imaginada “(...) uma cultura nacional atua como uma fonte de significados culturais, um foco de identificação e um sistema de representação.” (p.57)   “As culturas nacio nais, ao produzir sentidos sobre a nação , sentidos com osquais podemos nos identificar, constroem identidades. Esses sentidos estãocontidos nas estórias que são contadas sobre a nação, memórias que conectamseu presente com seu passado e imagens que de la são construídas.” (p. 50 -51)   Como a escola do campo é imaginada, representada?Como é contada a narrativa da cultura nacional? 1 - narrativa da nação : “Ela dá significado e importância à nossa monótona existência, conectando nossas vidascotidianas com um destino nacional que preexiste a nós e continua existindoapós nossa morte. (p. 52); 2  –   “(...)ênfase nas srcens, na continuidade, na tradição e na intemporalidade.; 3  –   invenção da tradição: “(...)buscam inculcar certos valores e normas de comportamentos através da repetição, a qual, automaticamente, implica continuidade com um passado histórico adequado.” (p. 54); 4  – Mito fundacional: “(...) uma estória que localiza a srcem da nação,do povo e de seu caráter nacional num passado tão distante que eles se perdemnas brumas do tempo, não do tempo real , mas de um tempo mítico (p. 54-55); 5  –   “A identidade nacional é também muitas vezes simbol icamente baseadana idéia de um  povo ou folk puro,   srcinal (...)” (p.55)   3.2. Desconstruindo a identidade nacional: identidade e diferença O autor questiona o fato de que “(...)não importa quão diferentes seus membros possam ser em termos de classe, gênero ou raça, uma culturanacional busca unificá-los numa identidade cultural, para representá-los todoscomo pertencendo à mesma e grande família nacional. Mas seria a identidadenacional uma identidade unificadora desse tipo, uma identidade que anula esubo rdina a diferença cultural?” (p. 59)   “Uma cultura nacional nunca foi um simples ponto de lealdade, união eidentificação simbólica. Ela é também unia estrutura de poder cultural.” (p.59);“(...)A maioria das nações consiste de culturas separadas que só fo ram unificadas por um longo processo de conquista violenta (..)”; as nações sãosempre compostas de diferentes classes sociais; “(...)as nações ocidentais modernas foram também os centros de impérios ou de esferas neoimperiais deinfluência, exercendo uma hegemonia cultural sobre as culturas dos colonizados” (p. 61)   “Elas são atravessadas por profundas divisões e diferenças internas, sendo unificadas apenas através do exercício de diferentes formas de poder cultural. “ (p. 63)  As nações modernas são todas híbridas, culturais. “Assim, quando vamos discutir se as identidades nacionais estão sendo deslocadas, devemos ter em mente a forma pela qual as culturas nacionais contribuem para costurar as diferenças numa única identidade.” (p. 65)   4. GLOBALIZAÇÃO “( ...)na história moderna, as culturas nacionais têm dominado a modernidade e as identidades nacionais tendem a se sobrepor a outras fontes, mais particularistas, de identificação cultural.” (p. 67)   “(...) conseqüências desses aspectos da globalização sobr e as identidadesculturais, examinando três possíveis consequências: As identidades nacionais  estão se desintegrando , como resultado do crescimento da homogeneizaçãocultural e do pós-moderno global .; As identidades nacionais e outrasidentidades locais ou particularistas estão sendo reforçadas pela resistência àglobalização; As identidades nacionais estão em declínio, mas novas identidades — híbridas — estão tomando seu lugar. ” (p. 69)   4.1. Compressão espaço-tempo e identidade “(...)o mundo é menor e as distâncias mais curtas, que os eventos em umdeterminado lugar têm um impacto imediato sobre pessoas e lugares situados a uma grande distância.” (p. 69) 4.2. Em direção ao pós-moderno global? “ A medida em que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influênciasexternas, é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural.” (p. 74)orta “No interior do discurso do consumismo global, as diferenças e as distinçõesculturais, que até então definiam a identidade, ficam reduzidas a uma espéciede língua franca internacional ou de moeda global, em termos das quais todasas tradições específicas e todas as diferentes identidades podem ser traduzidas.Este fen ômeno é conhecido como homogeneização cultural .” (p.75)   5. O GLOBAL, O LOCAL E O RETORNO NA ETNIA Três qualificações ou contratendências principais: 1  –   “(...) há também uma fascinação com a diferença e com a mercantilização da etnia e da alteridade .H á, juntamente com o impacto do global , um novo interesse pelo local .” (p. 77); 2  –   “(...) a globalização é muito desigualmente distribuída ao redor do globo, entre regiões e entre diferentes estratos da população dentro dasregiões. Isto é o que Doreen Massey chama de geometria do poder da globalização.” (p. 78); 3 –   “(...) na crítica da homogeneização cultural é a questãode se saber o que é mais afetado por ela.” (p. 78) 5.1. The rest in the West Homogeneização das identidades sociais: “a) globaliza ção caminha em paralelocom um reforçamento das identidades locais, embora isso ainda esteja dentroda lógica da compressão espaço-tempo; b) A globalização é um processodesigual e tem sua própria geometria de poder ; c) A globalização retém algunsaspectos da dominação global ocidental, mas as identidades culturais estão, emtoda parte, sendo relativizadas pelo impacto da compressão espaço- tempo.” (p. 80-81) 5.2. A dialética das identidades “Num mundo de fronteiras dissolvidas e de continuidades rompidas, as velhascertezas e hierarquias da identidade britânica têm sido postas em questão. Numpaís que é agora um repositório de culturas africanas e asiáticas, o sentimentodo que significa ser britânico nunca mais pode ter a mesma velha confiança e certeza.” (p.84)Consequências da globalização: fortalecimento das identidades locais ouprodução de novas identidades. (p. 84) “(...) a globalização tem, sim, o efeito de contestar e deslocar as identidades centradas e fechadas de urna cultura nacional. Ela tem um efeito pluralizantesobre as identidades, produzindo uma variedade de possibilidades e novasposições de identificação, e tornando as identidades mais posicionais, maispolíticas, mais plurais e diversas; menos fixas, unificadas ou trans-históricas.Ent retanto, seu efeito geral permanece contraditório.” (p.87)   6  – FUNDAMENTALISMO, DIÁSPORA E HIBRIDISMO “(...)existem também fortes tentativas para se reconstruírem identidades purificadas, para se restaurar a coesão, o fechamento e a Tradição, frente aohibridismo e à diversidade. Dois exemplos são o ressurgimento do nacionalismo na Europa Oriental e o crescimento do fundamentalismo.” (p. 92)   “A tendência em direção à homogeneização global , pois, tem seu paralelo num poderoso revival da etnia , algumas vezes de variedades mais híbridas ousimbólicas, mas também freqüentemente das variedades exclusivas ou essencialistas mencionadas anteriormente.” (p. 95)  
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