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Formiguinhas_Lygia Fagundes Telles.doc

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  Agora você vai ler um conto deLygia Fagundes Telles (Brasil, 1923). As formigas uando min!a rima e eudescemos do t#$i %# era &uase noite.Ficamos im'veis diante do vel!o soradode %anelas ovaladas, iguais a dois ol!ostristes, um deles vaado or uma edrada. *escansei a mala no c!+o ea ertei o rao da rima. -  sinistro. /la me im eliu na dire+o da orta. T0n!amos outra escol!aen!uma ens+o nas redondeasoerecia um reo mel!or a duas oresestudantes, com lierdade de usar oogareiro no &uarto, a dona nos avisara or teleone &ue od0amos aerreei4es ligeiras com a condi+o de n+o rovocar incêndio. 5uimos a escada vel!0ssima,c!eirando a creolina. - 6elo menos n+o vi sinal dearata - disse min!a rima. A dona era uma vel!a aloa, de eruca mais negra do &ue a asa dagra7na. 8estia um desotado i%ama deseda %a onesa e tin!a as un!as aduncasrecoertas or uma crosta de esmaltevermel!o-escuro descascado nas ontasencardidas. Acendeu um c!arutin!o.-  você &ue estuda medicina - erguntou so rando a umaa na min!adire+o.- /studo direito. edicina : ela. A mul!er nos e$aminou comindierena. *evia estar ensando emoutra coisa &uando soltou uma aoradat+o densa &ue recisei desviar a cara. Asaleta era escura, atul!ada de m'veisvel!os, des arel!ados. o so# de al!in!a urada no assento, duasalmoadas &ue areciam ter sido eitascom os restos de um antigo vestido, osordados sal icados de vidril!o. - 8ou mostrar o &uarto, ;ca nos't+o - disse ela em meio a umacesso de tosse.Fe um sinal ara &ue asegu0ssemos. - < in&uilino antes devocês tam:m estudava medicina, tin!aum cai$otin!o de ossos &ue es&ueceua&ui, estava sem re me$endo neles. in!a rima voltou-se= - >mcai$ote de ossosA mul!er n+o res ondeu,concentrada no esoro de suir aestreita escada de caracol &ue ia dar no&uarto. Acendeu a lu. < &uarto n+o odia ser menor, com o teto em declivet+o acentuado &ue nesse trec!o ter0amos&ue entrar de gatin!as. *uas camas, doisarm#rios e uma cadeira de al!in!a intada de dourado. o ?ngulo onde oteto &uase se encontrava com oassoal!o, estava um cai$otin!o coertocom um edao de l#stico. in!a rimalargou a mala e ondo-se de %oel!os u$ou o cai$otin!o ela ala de corda.Levantou o l#stico. 6arecia ascinada.- as &ue ossos t+o miudin!os@5+o de criana - /le disse &ue eram de adulto. *eum an+o.- *e um an+o  mesmo, a gentevê &ue %# est+o ormados... as &uemaravil!a, : raro  ea es&ueleto dean+o. / t+o lim o, ol!a a0 admirou-se ela. Trou$e na onta dos dedos um e&uenocr?nio de uma rancura de cal. - T+o ereito, todos osdentin!os@- /u ia %ogar tudo no li$o, mas sevocê se interessa ode ;car com ele. <an!eiro : a&ui ao lado, s' vocês : &uev+o usar, ten!o o meu l# emai$o. Ban!o&uente, e$tra. Teleone, tam:m. a:das sete s nove, dei$o a mesa osta nacoin!a com a garraa t:rmica, ec!emem a garraa - recomendou coando acaea. A eruca se deslocouligeiramente. 5oltou uma aorada ;nal= -+o dei$em a orta aerta sen+o meugato oge.Ficamos nos ol!ando e rindoen&uanto ouv0amos o arul!o dos seusc!inelos de salto na escada. / a tosseencatarrada. /svaiei a mala, de endureia lusa amarrotada num caide &ueen;ei num v+o da veneiana. 6rendi na arede, com dure$, uma gravura deCrassmann e sentei meu urso de el7ciaem cima do travesseiro. Fi&uei vendomin!a rima suir na cadeira,desatarra$ar a l?m ada ra&u0ssima &ue endia de um ;o solit#rio no meio do  teto e no lugar atarra$ar uma l?m adade duentas velas &ue tirou da sacola. <&uarto ;cou mais alegre. /mcom ensa+o, agora a gente odia ver&ue a rou a de cama n+o era t+o alvaassim, alva era a e&uena t0ia &ue elatirou de dentro do cai$otin!o. /$aminou-a. Tirou uma v:rtera e ol!ou elouraco t+o reduido como o aro de umanel. Cuardou-as com a delicadea com&ue se amontoam ovos numa cai$a.- >m an+o. Dar0ssimo, entende /ac!o &ue n+o alta nen!um ossin!o, voutraer as ligaduras, &uero ver se no ;mda semana comeo a montar ele.Arimos uma lata de sardin!a &uecomemos com +o, min!a rima tin!asem re alguma lata escondida,costumava estudar at: a madrugada ede ois aia sua ceia. uando acaou o +o, ariu um acote de olac!a aria. - *e onde vem esse c!eiro - erguntei are%ando. Fui at: o cai$otin!o,voltei, c!eirei o assoal!o. - 8ocê n+o est#sentindo um c!eiro meio ardido-  de olor. A casa inteira c!eiraassim - ela disse. / u$ou o cai$otin!o ara deai$o da cama.o son!o, um an+o louro decolete $adre e caelo re artido no meioentrou no &uarto umando c!aruto.5entou-se na cama da min!a rima,cruou as ernin!as e ali ;cou muitos:rio, vendo-a dormir. /u &uis gritar, temum an+o no &uarto@, mas acordei antes.A lu estava acesa. A%oel!ada no c!+o,ainda vestida, min!a rima ol!ava;$amente algum onto do assoal!o.- ue : &ue você est# aendo a0- erguntei.- /ssas ormigas. A areceram dere ente, %# enturmadas. T+o decididas,est# vendoLevantei e dei com as ormigas e&uenas e ruivas &ue entravam emtril!a es essa ela resta deai$o da orta, atravessavam o &uarto, suiam ela arede do cai$otin!o de ossos edesemocavam l# dentro, disci linadascomo um e$:rcito em marc!a e$em lar.- 5+o mil!ares, nunca vi tantaormiga assim. / n+o tem tril!a de volta,s' de ida - estran!ei.- 5' de ida.ontei-l!e meu esadelo com oan+o sentado em sua cama. - /st# deai$o dela - disse min!a rima e u$ou ara ora o cai$otin!o.Levantou o l#stico. - 6reto de ormiga@e d# o vidro de #lcool.- *eve ter sorado alguma coisaa0 nesses ossos e elas descoriram,ormiga descore tudo. 5e eu osse você,levava isso l# ra ora.- as os ossos est+ocom letamente lim os, eu %# disse. +o;cou nem um ;a o de cartilagem,lim 0ssimos. ueria saer o &ue essasandidas vêm uar a&ui. Des ingouartamente o #lcool em todo o cai$ote./m seguida, calou os sa atos e, comouma e&uilirista andando no ;o dearame, oi isando ;rme, um : diantedo outro na tril!a de ormigas. Foi evoltou duas vees. A agou o cigarro.6u$ou a cadeira. / ;cou ol!ando dentrodo cai$otin!o. - /s&uisito. uito es&uisito. - <&uê- e lemro &ue otei o cr?nio emcima da il!a, me lemro &ue at: calceiele com as omo latas ara n+o rolar. /agora ele est# a0 no c!+o do cai$ote, comuma omo lata de cada lado. 6or acasovocê me$eu a&ui- *eus me livre, ten!o no%o deosso@ Ainda mais de an+o. /la coriu ocai$otin!o com o l#stico, em urrou-ocom o : e levou o ogareiro ara amesa, era a !ora do seu c!#. o c!+o, atril!a de ormigas mortas era agora uma;ta escura &ue encol!eu. >maormiguin!a &ue esca ou da matana assou erto do meu :, %# ia esmag#-la&uando vi &ue levava as m+os  caea,como uma essoa deses erada. *ei$ei-asumir numa resta do assoal!o.8oltei a son!ar aEitivamente, masdessa ve oi o antigo esadelo com ose$ames, o roessor aendo uma ergunta atr#s da outra e eu mudadiante do 7nico onto &ue n+o tin!aestudado. As seis !oras o des ertadordis arou veementemente. Travei acam an!ia. in!a rima dormia com acaea coerta. o an!eiro, ol!ei comaten+o ara as aredes, ara o c!+o decimento,  rocura delas. +o vi  nen!uma. 8oltei isando na onta dos :s e ent+o entreari as ol!as daveneiana. < c!eiro sus eito da noitetin!a desa arecido. <l!ei ara o c!+o=desa arecera tam:m a tril!a doe$:rcito massacrado. /s iei deai$o dacama e n+o vi o menor movimento deormigas no cai$otin!o coerto.uando c!eguei or volta dassete da noite, min!a rima %# estava no&uarto. Ac!ei-a t+o aatida &ue carregueino sal da omelete, tin!a a ress+o ai$a.omemos num silêncio vora. /nt+o melemrei.- / as ormigas- At: agora, nen!uma.- 8ocê varreu as mortas /la ;coume ol!ando.- +o varri nada, estava e$austa.+o oi você &ue varreu - /u@ uandoacordei, n+o tin!a nem sinal de ormiganesse c!+o, estava certa &ue antes dedeitar você %untou tudo... as, ent+o,&uem@/la a ertou os ol!os estr#icos,;cava estr#ica &uando se reocu ava. - uito es&uisito mesmo./s&uisit0ssimo.Fui uscar o talete de c!ocolatee erto da orta senti de novo o c!eiro,mas seria olor +o me arecia umc!eiro assim inocente, &uis c!amar aaten+o da min!a rima ara esseas ecto, mas ela estava t+o de rimida&ue ac!ei mel!or ;car &uieta. /s argi#gua-de-colnia Flor de a+ or todo o&uarto (e se ele c!eirasse como um omar) e ui deitar cedo. Tive o segundoti o de son!o, &ue com etia nasre eti4es com o tal son!o da rova oral,nele eu marcava encontro com doisnamora dos ao mesmo tem o. / nomesmo lugar. !egava o rimeiro emin!a aEi+o era lev#-lo emora daliantes &ue c!egasse o segundo. <segundo, desta ve, era o an+o. uandos' restou o oco de silêncio e somra, avo da min!a rima me ;sgou e metrou$e ara a su er0cie. Ari os ol!oscom esoro. /la estava sentada na eirada min!a cama, de i%ama ecom letamente estr#ica.- /las voltaram.- uem- As ormigas. 5' atacam de noite,antes da madrugada. /st+o todas a0 denovo.A tril!a da v:s era, intensa,ec!ada, seguia o antigo ercurso da orta at: o cai$otin!o de ossos or ondesuia na mesma orma+o at:desormigar l# dentro. 5em camin!o devolta.- / os ossos/la se enrolou no coertor, estavatremendo.- A0 : &ue est# o mist:rio.Aconteceu uma coisa, n+o entendo maisnada@ Acordei ra aer i i, devia serumas três !oras. a volta, senti &ue no&uarto tin!a algo mais, est# meentendendo <l!ei ro c!+o e vi a ;ladura de ormigas, você se lemra +otin!a nen!uma &uando c!egamos. Fuiver o cai$otin!o, todas se tranando l#dentro, l'gico, mas n+o oi isso o &ue&uase me e cair ra tr#s, tem umacoisa mais grave= : &ue os ossos est+omesmo mudando de osi+o, eu %#descon;ava mas agora estou certa, ouco a ouco eles est+o... /st+o seorganiando.- omo, se organiando/la ;cou ensativa. omecei atremer de rio, eguei uma onta do seucoertor. ori meu urso com o lenol.- 8ocê lemra, o cr?nio entre asomo latas, n+o dei$ei ele assim. Agora :a coluna verteral &ue %# est# &uaseormada, uma v:rtera atr#s da outra,cada ossin!o tomando o seu lugar,algu:m do ramo est# montando oes&ueleto, mais um ouco e... 8en!a ver@- redo, n+o &uero ver nada./st+o colando o an+o, : issoFicamos ol!ando a tril!ara id0ssima, t+o a ertada &ue nela n+ocaeria se&uer um gr+o de oeira. 6ulei-a com o maior cuidado &uando uies&uentar o c!#. >ma ormiguin!adesgarrada (a mesma da&uela noite)sacudia a caea entre as m+os.omecei a rir e tanto &ue se o c!+o n+oestivesse ocu ado, rolaria or ali detanto rir. *ormimos %untas na min!acama. /la dormia ainda &uando sa0 araa rimeira aula. o c!+o, nem somra de  ormiga, mortas e vivas desa areciamcom a lu do dia.8oltei tarde essa noite, um colegatin!a se casado e teve esta. 8imanimada, com vontade de cantar, asseida conta. 5' na escada : &ue melemrei= o an+o. in!a rima arrastara amesa ara a orta e estudava com o uleumegando no ogareiro.- Go%e n+o vou dormir, &uero ;carde vigia - ela avisou. < assoal!o aindaestava lim o. e aracei ao urso.- /stou com medo. /la oi uscar uma 0lula araatenuar min!a ressaca, me e engolir a 0lula com um gole de c!# e a%udou a medes ir.- Fico vigiando, ode dormirsossegada. 6or en&uanto n+o a areceunen!uma, n+o est# na !ora delas, :da&ui a ouco &ue comea. /$amineicom a lu a deai$o da orta, sae &uen+o consigo descorir de onde rotam Tomei na cama, ac!o &ue nemres ondi. o to o da escada o an+o meagarrou elos ulsos e rodo iou comigoat: o &uarto, Acorda, acorda@ *emorei ara recon!ecer min!a rima &ue mesegurava elos cotovelos. /stava l0vida. /vesga. - 8oltaram - ela disse.A ertei entre as m+os a caeadolorida. - /st+o a0 /la alava num tommi7do, como se uma ormiguin!a alassecom sua vo.- Acaei dormindo em cima damesa, estava e$austa. uando acordei, atril!a %# estava em lena movimenta+o./nt+o ui ver o cai$otin!o, aconteceu o&ue eu es erava...- < &ue oi Fala de ressa, o &ueoi/la ;rmou o ol!ar ol0&uo nocai$otin!o deai$o da cama.- /st+o mesmo montando ele. /ra idamente, entende < es&ueleto %#est# inteiro, s' alta o êmur. / osossin!os da m+o es&uerda, aem issonum instante. 8amos emora da&ui.- 8ocê est# alando s:rio- 8amos emora, %# arrumei asmalas.A mesa estava lim a e vaios osarm#rios escancarados. - as sair assim, de madrugada6odemos sair assim- Hmediatamente, mel!or n+oes erar &ue a ru$a acorde. 8amos,levanta@- / ara onde a gente vai- +o interessa, de ois a gentevê. 8amos, vista isto, temos &ue sairantes &ue o an+o ;&ue ronto.<l!ei de longe a tril!a= nunca elasme areceram t+o r# idas. alcei ossa atos, descolei a gravura da arede,en;ei o urso no olso da %a ona e omosarrastando as malas elas escadas, maisintenso o c!eiro &ue vin!a do &uarto,dei$amos a orta aerta. Foi o gato &uemiou com rido ou oi um gritoo c:u, as 7ltimas estrelas %#em alideciam. uando encarei a casa, s'a %anela vaada nos via, o outro ol!o era enumra.Hn I5emin#rio dos DatosJDes onda no caderno1.*e &ue orma o es aocontriui, nesse te$to, ara a constru+o doclima da !ist'ria2.< &ue o antigo in&uilinotin!a es&uecido no&uarto 6or &ue essedetal!e im ressionou asmoas3.Hdenti;&ue a situa+oinicial e a &uera dessasitua+o nessanarrativa.K.Hdenti;&ue o cl0ma$( arte culminante doconto em &ue ocorre umato de grande tens+o),o conEito e sua solu+o. .Hdenti;&ue, no te$to, umtrec!o &ue !# ersoni;ca+o ee$ li&ue-a.M.esse conto, &uem : onarrador da !ist'riaual : o oco narrativo
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