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HALL, Stuart. a Identidade Cultural Na Pos-Modernidade

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LIVRO: A identidade cultural da oos-modernidade Stuart Hall - loa edic;ao DP&A editora A IDENTIDADE CULTURAL NA POS-MODERNIDADE A IDENTIDADE EM QUESTAo 1 A IDENTIDADE EM QUESTAO A qu est ao da ideritidade est a sendo extensamente diseutida na teoria social. Em essen cia, 0 argumento e 0 seguinte: as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram 0 mundo social, estao em declinio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o individuo moderno, ate aqui visto como urn sujeito
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  LIVRO:Aidentidadeculturaldaoos-modernidadeStuartHall- loa edic;aoDP&Aeditora A IDENTIDADECULTURALNAPOS-MODERNIDADE 1 lidacommudancasnosconceitosdeidentidadeedesujeito.Asegundaparte (caps. 3-6) desenvolveesseargumentocomrelacaoa identidadesculturais- aquelesaspectosdenossasidentidadesquesurgemdenosso pertencimento aculturasetnicas,raciais,Iinguisticas,religiosase,acimadetudo,nacionais.Estelivroeescritoapartirdeumaposicaobasicamentesimpatica a afirrnacaodequeasidentidadesmodernasestaosendo descentradas ,istoe,deslocadasoufragmentadas.Seupropositoe 0 deexplorarestaafirrnacao,ver 0 queelaimplica,qualifica-laediscutirquaispodemsersuasprovaveisconsequencias.Aodesenvolver 0 argumento,introduzocertascomplexidadeseexaminoalgunsaspectoscontraditoriosqueanocaode descentracao ,emsuaformamaissimplificada,desconsidera.Conseqtientemente,asforrnulacoesdestelivrosaoprovisoriaseabertas a contestacao.Aopiniaodentrodacomunidadesociologicaestaaindaprofundamentedivididaquantaaessesassuntos.Astendenciassaodemasiadamenterecenteseambiguas.0proprioconceitocom 0 qualestamoslidando, identidade ,edemasiadamentecomplexo,muitopoueodesenvolvidoemuitopoucocompreendidonacienciasocialconternporaneaparaserdefinitivamenteposto a prova.Comooeorrecommuitosoutrosfenomenossociais,eimpossiveloferecerafirmacoesconclusivasoufazerjulgamentos A IDENTIDADEEMQUESTAO A questaoda ideritidade estasendoextensamentediseutidanateoriasocial.Emessencia, 0 argumentoe 0 seguinte:asvelhasidentidades,queportantotempoestabilizaram 0 mundosocial,estaoemdeclinio,fazendosurgirnovasidentidadesefragmentandooindividuomoderno,ateaquivistocomournsujeitounificado.Aassimchamada crisedeidentidade evistacomopartedeurnprocessomaisamplodemudanca,queestadeslocandoasestruturaseprocessoscentraisdassociedadesmodernaseabalandoosquadrosdereferenciaquedavamaosindividuosumaancoragemestavelnomundosocial. o prop6sitodestelivroeexploraralgumasdasquestcessobreaidentidadeculturalnamodernidadetardiaeavaliarseexisteuma crisedeidentidade ,emqueeonsisteessacriseeemquedirecaoelaestaindo.0livrosevoltaparaquestoescomo:Quepretendemosdizercom crisedeidentidade ?Queacontecimentosrecentesnassociedadesmodernasprecipitaramessacrise?Queformaselatoma?Quaissaosuasconsequenciaspotenciais?Aprimeirapartedolivro (caps.1-2) 7 8 A IDENTIDADEEMQUESTAo segurossobreasalegacces e proposicoesteoricasqueestaosendoapresentadas.Deve-seterissoemmenteaoseler 0 restantedolivro.Paraaqueles/asteoricos/asqueacreditamqueasidentidadesmodernasestaoentrandoemcolapso, 0 argumeritosedesenvolvedaseguinteforma.UrntipodifetentedemudancaestruturalestatransformandoassociedadesmodernasnofinaldoseculoXX.Issoestafragmentandoaspaisagensculturaisdeclasse,genero,sexualidade,etnia,racaenacionalidade,que,nopassado,nostinhamfornecidosolidasIocalizaccescomoindividuossociais.Estastransformacoesestaotambernmudandonossasidentidadespessoais,abalandoaideiaquetemosdenosproprioscomosujeitosintegrados.Estaperdadeurn sentidodesi estavelechamada,algumasvezes,dedeslocamentooudescentracaodosujeito.Esseduplodeslocamento-descentracaodosindividuostantodeseulugarnomundosocialeculturalquantadesimesmos-constituiuma crisedeidentidade para 0 individuo.Comoobserva 0 criticoculturalKobenaMercer, aidentidadesomentesetornaumaquestaoquandoestaemcrise,quandoalgoquesesupoecomofixo,eoerenteeestaveledeslocadopelaexperienciadaduvidaedaincerteza (Mercer, 1990, p.43).Essesprocessosdemudanca,tornadosemconjunto,representamumprocessodetransforrnacaotaofundamentaleabrangenteque ,9  A IDENTIDADECULTURALNAPOS-MODERNIDADE A IDENTIDADEEMQUESTAO somoscompelidosaperguntarsenao e apropriamodernidadequeestasendotransformada.Estelivroacrescentaumanovadimensaoaesseargumento:aafirmacaodequenaquiloque e descrito,algumasvezes,comonossomundopos-moderno,nossomostambem pos relativamenteaqualquerconcepcaoessencialistaou fixa deidentidade-algoque,desdeoIluminismo,sesupoedefinir 0 proprionucleoouessenciadenossoserefundamentarnossaexistenciacomosujeitoshumanos. Afim deexploraressaafirrnacao,devoexaminarprimeiramenteasdefinicoesdeidentidadee 0 caraterdamudancanamodernidadetardia.ecomelesedesenvolvia,aindaquepermanecendoessencialmente 0 mesmo-continuoou identico aele-aolongodaexistenciadoindividuo. 0 centroessencialdoeueraaidentidadedeumapessoa.Direimaissobreistoemseguida,maspode-severqueessaeraumaconcepcaomuito individualista dosujeitoedesuaidentidade(naverdade,aidentidade dele: jaque 0 sujeitodoIluminismoerausualmentedescritocomomasculino).Anocaodesujeitosociologicorefletiaacrescentecomplexidadedomundomodernoeaconscienciadequeestenucleointeriordosujeitonaoeraaut6nomoeauto-suficiente,maseraformadonarelacaocom outraspessoasimportantesparaele ,quemediavampara 0 sujeitoosvalores,sentidosesimbolos-acultura-dosmundosqueele/elahabitava.C.H.Mead,C.H.Cooleyeosinteracionistassimb6licossaoasfiguras-chavenasociologiaqueelaboraramestacoricepcao interativa daidentidadeedoeu.Deacordocomessavisao,quesetornouaconcepcaosociologicaclassicadaquestao,aidentidade e formadana interacao entre 0 eueasociedade.0sujeitoaindatemumnucleoouessenciainteriorque e 0 eureal ,maseste e formadoemodificadonumdialogocontinuocomosmundosculturais exteriores easidentidadesqueessesmundosoferecem.Aidentidade,nessaconcepcaosociologica,preenche 0 espacoentre 0 interior eo exterior -entre 0 .mundopessoale 0 mundopublico.0fato Tresconcepcoes deidentidade Paraospropositosdestaexposicao,distinguireitresconcepcoesmuitodiferentesdeidentidade,asaber,asconcepcoesdeidentidadedo:a)sujeitodoIluminismo,b)sujeitosociologicoec)sujeitopos-moderno. o sujeitodoIluminismoestavabaseadonumaconcepcaodapessoahumanacomoumindividuototalmentecentrado,unificado,dotadodascapacidadesderazao,deconscienciaedeacao,cujo centro consistianumnucleointerior,queemergiapelaprimeiravezquando 0 sujeitonascia 10 11 A IIJUNTIDADECULTURALNAPOS-MODERNIDADE dequeprojetamosa nosproprios nessasidentidadesculturais,aomesmotempoqueintemalizamosseussignificadosevalores,tornando-os partedenos ;contribuiparaalinharnossossentimentossubjetivoscomoslugaresobjetivosqueocupamosnomundosocialecultural. A identidade,entao,costura(ou,parausarumametaforamedica, sutura ) 0 sujeito a estrutura.Estabilizatantoossujeitosquantaosmundosculturaisqueeleshabitam,tornandoambosreciprocamentemaisunificadoseprediziveis.Argumenta-se,entretanto,quesaoexatamenteessascoisasqueagora estao mudando . 0 sujeito,previamentevividocomotendoumaidentidadeunificadae·estavel,estasetornandofragmentado;compostonaodeumaiinica,masdevariasidentidades,algumasvezescontraditoriasounao-resolvidas.Correspondentemente,asidentidades,quecompunhamaspaisagenssociais la fora equeasseguravamnossaconformidadesubjetivacomas necessidades objetivasdacultura,estaoentrandoemcolapso,comoresultadodemudancasestruturaiseinstitucionais.0proprioprocessodeidentificacao,atravesdoqualnosprojetamosemnossasidentidadesculturais,tornou-semaisprov i or i o,var i veleprohlernatico.Esseprocessoproduz 0 sujeitopos-modemo,conceptualizadocomonaotendoumaidentidadefixa,essencialoupermanente.Aidentidade 12  A IDENTIDADEEMQUESTAO A II>NTIDADECULTURALNAPOS-MODERNIDADE A IDENTIDADEEMQUESTAO torna-seuma celebracaomovel :formadaetransformadacontinuamenteemrelacaoasformaspelasquaissomosrepresentadosouinterpeladosnossistemasculturaisquenosrodeiam(Hall, 1987). E definidahistoricamente,enaobiologicamente. 0 sujeitoassumeidentidadesdiferentesemdiferentesmomentos,identidadesquenaosaounificadasaoredordeurn eu coerente.Dentrodenoshaidentidadescontraditorias,empurrandoemdiferentesdirecoes,detalmodoquenossasidentificacoesestaosendocontinuamentedeslocadas.Sesentimosquetemosumaidentidadeunificadadesde 0 nascimentoateamorteeapenasporqueconstruimosumacomodaestoriasobrenosmesmosouumaconfortadora narrativadoeu (vejaHall, 1990). Aidentidadeplenamenteunificada,completa,seguraecoerenteeumafantasia.Aoinvesdisso,amedidaemqueossistemasdesignificacaoerepresentacaoculturalsemultiplicam,somosconfrontadosporumamultiplicidadedesconcertanteecambiantedeidentidadespossiveis,comcadaumadasquaispoderiamosnosidentificar-aomenostemporariamente.Deve-seteremmentequeastresconcepcoesdesujeitoacimasao,emalgumamedida,simplificacoes.Nodesenvolvimentodoargumento,elassetornaraomaiscomplexasequalificadas. Nfio obstante,elasseprestamcomopontosdeapoioparadesenvolver 0 argumentocentraldestelivro. o ccroter da modonco no modernidadetardia efuturo,osquais,porsuavez,saoestruturadosporpraticassociaisrecorrentes(Giddens,1990,pp.37-8). Amodernidade,emcontraste,nao e definidaapenascomoaexperienciadeconvivenciacomamudancarapida,abrangenteecontinua,mas e umaformaaltamentereflexivadevida,naqual:Urnoutroaspectodestaquestaodaidentidadeestarelacionadoaocaraterdamudancanamodernidadetardia;emparticular,aoprocessodemudancaconhecidocomo globalizacao eseuimpactosobreaidentidadecultural.Emessencia, 0 argumento e queamudancanamodernidadetardiaternurncaratermuitoespecifico,ComoMarxdissesobreamodernidade: nassociedadestradicionais, 0 passado e veneradoeossimbolossaovalorizadosporqueconterneperpetuamaexperienciadegeracoes.Atradicao e urnmeiodelidarcom 0 tempoe 0 espac;o,inserindoqualqueratividadeouexperienciaparticularnacontinuidadedopassado,presenteaspraticassociaissaoconstantementeexaminadasereformadas a luzdasinforrnacoesrecebidassobreaquelaspr6priaspraticas,alterando,assim,constitutivamente,seucarater(ibid.,pp.37-8). Giddenscita,emparticular, 0 ritmoe 0 alcancedamudanca- a medidaemqueareasdiferentesdoglobosaopostaseminterconexaoumascomasoutras,ondasdetransformacaosocialatingemvirtualmentetodaasuperficiedaterra -eanaturezadasinstituicoesmodernas(Giddens, 1990, p.6).Essasultimasousaoradicalmentenovas,emcornparacaocomas.sociedadestradicionais(porexemplo, 0 estado-nacaoouamercantilizacaodeprodutose 0 trabalhoassalariado),outernumaenganosacontinuidadecomasformasanteriores(porexemplo,acidade),massaoorganizadasemtornodeprincipiosbastantediferentes.Maisimportantessaoastransformacoesdotempoedoespa90e0queelechamade desalojamentodosistemasocial -a extracao dasrelacoessociaisdoscontextoslocaisdeinteracaoesuareestruturacaoaolongode e 0 permanenterevolucionardaproducao, 0 abalarininterruptodetodasascondiccessociais,aincertezae 0 movimentoeternos...T~dasasrelacoes fixas econgeladas,comseucortejodevetusrasrepresentacoeseconcepcces,saodissolvidas,todasasrelacoesrecern-formadasenvelhecemantesdepoderemossificar-se.Tudoque e s6lidosedesmanchanoar...(MarxeEngels,1973,p.70). Associedadesmodernassao,portanto,pordefinicao,sociedadesdemudancaconstante,rapidaepermanente.Esta e aprincipaldistincaoentreassociedades tradicionais eas modernas .AnthonyGiddensargumentaque: 13 14 15  A 101NTIDAOECULTURALNAPOS MODERNIDADE A IDENTIDADEEMQUESTAO 1\ II)NTIOADECULTURALNAPOS-MODERNIDADE Osmodosdevidacolocadosemac;aopelamodemidadenoslivraram,deumaformabastanteinedita,detodosostipostradicionaisdeordemsocial.Tantoemextensao,quantaemintensidade,astransformacoesenvolvidasnamodernidadesaomaisprofundasdoqueamaioriadasmudancascaracteristicasdosperiodosanteriores.Noplanodaextensao,elasserviramparaestabelecerformasdeinterconexaosocialquecobrem 0 globe;emtermosdeintensidade,elasalteraramalgumasdascaracteristicasmaisintimasepessoaisdenossaexistenciacotidiana(Giddens,1990,p.21). DavidHarveyfaladamodernidadecomoimplicandonaoapenas urnrompimentoimpiedosocomtodaequalquercondicaoprecedente ,mascomo caracterizadaporurnprocessosem-fimderupturasefragmentacoesinternasnoseupropriointerior (1989,p.12).ErnestLaclau(1990)usa 0 conceitode deslocamento .Urnaestruturadeslocada e aquelacujocentro e deslocado,naosendosubstituidoporoutro,maspor umapluralidadedecentrosdepoder .Associedadesmodernas,argumentaLaclau,naoternnenhumcentro,nenhumprincipioarticuladorouorganizadorunicoenaosedesenvolvemdeacordocom 0 dsdobramentodeumaunica causa ou lei .Asociedade nao e, comoossociologospensarammuitasvezes,urntodounificadoeberndelimitado,umatotalidade,produzindo-se atr avesdemudancasevolucionariasapartirdesimesma,como 0 desenvolvimentodeumaflorapartirdeseubulbo.Elaestaconstantementesendo descentrada oudeslocadaporforcasforadesimesma.Associedadesdamodernidadetardia,argumentaele,saocaracterizadaspela diferenca ;elassaoatravessadaspordiferentesdivisoeseantagonismossociaisqueproduzemumavariedadedediferentes posicoesdesujeito -isto e, identidades-paraosindividuos.Setaissociedadesnaosedesintegramtotalmentenao e porqueelassaounificadas,masporqueseusdiferenteselementoseidentidadespodem,sobcertascircunstancias,serconjuntamentearticulados.Masessaarticulacao e sempreparcial:aestruturadaidentidadepermaneceaberta.Semisso,argumentaLaclau,naohaverianenhuma historia, Esta e umaconcepcaodeidentidademuitodiferenteemuitomaisperturbadoraeprovis6riadoqueasduasanteriores.Entretanto,argumentaLaclau,issonaodeverianosdesencorajar: 0 deslocamentoterncaracteristicaspositivas.Eledesarticulaasidentidadesestaveisdopassado,mastamberaabreapossihilidadedenovas urticulacoes: acriacaodenovasidentidades,a producao denovossujeitose 0 queelechamade recomposicao daestruturaemtornodepontosnodaisparticularesdearticulacao (Laclau,1990,p.40).Giddens,HarveyeLaclauoferecernleiturasurntantodiferentesdanaturezadamudancadomundop6s-moderno,massuasenfasesnadescontinuidade,nafragmentacao,narupturaenodeslocamentoconternumalinhacomum.Devemosterissoemmentequandodiscutirmos 0 impactodamudancacontemporaneaconhecidacomo globalizacao . cscalas indefinidasde espaco-tempo (ibid.,p. 21). Veremostodosessestemasmaisadiante.Entretanto, 0 pontogeralquegostariadeenfatizar e 0 das descontinuidades o queest6emjogono questco dosidentidodes? Ateaquiosargumentosparecembastanteabstratos.Paradaralgumaideiadecomoelesseaplicamaumasituacaoconcretaedoqueesta emjogo nessascontestadasdefinicoesdeidentidadeemudanca,vamostomarurnexemploqueilustraasconsequencias politicas dafragmentacaoou pluralizacao deidentidades.Em1991, 0 entaopresidentearnericano,Bush,ansiosoporrestaurarumamaioria'onservadoranaSupremaCorteamericana,(ncaminhouaindicacaodeClarenceThomas, 11m j niznegrodevisoespoliticasconservadoras. 16 17 18
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