Documents

Kollontai_ _O Trabalho Feminino No Desenvolvimento Da Economia_ _ NOVACULTURA

Description
historia, feminismo
Categories
Published
of 5
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
  01/04/2017 Kollontai: O Trabalho Feminino no desenvolvimento da Economia | NOVACULTURA.infohttps://www.novacultura.info/single-post/2015/09/30/Kollontai-O-Trabalho-Feminino-no-desenvolvimento-da-Economia 1/5 Kollontai: O Trabalho Feminino nodesenvolvimento da Economia 30.09.2015 Em sua busca por novas formas de economia e novos modos de vida que atendam aosinteresses do proletariado, a república soviética inevitavelmente cometeu uma série deerros, e por diversas vezes teve de corrigir e mudar sua linha. Porém, na esfera da criaçãosocializada e da proteção da maternidade, a república operária, desde seus primeirosmeses de existência, tem traçado o caminho correto para as mudanças futuras. E, nessaesfera, uma revolução profunda e fundamental está em curso. Neste país, onde apropriedade privada foi abolida e onde a política é ditada pelo desejo de apurar o nível daeconomia geral, agora é possível lidar com problemas que eram insolúveis sob o sistemaburguês. A Rússia soviética abordou a questão da proteção da maternidade, levando em conta asolução para o problema básico da república operária – o desenvolvimento das forçasprodutivas do país, o aumento e a restauração da produção. Para tanto, é necessário, emprimeiro lugar, voltar-se para as imensas forças dedicadas ao trabalho improdutivo e utilizar com eficácia todos os recursos disponíveis; e, em segundo lugar, garantir à repúblicaoperária um fluxo ininterrupto de novos trabalhadores no futuro, ou seja, garantir o aumentonormal da população. Adotando-se esse ponto de vista, a questão da emancipação das mulheres do fardo damaternidade soluciona-se por conta própria. O Estado operário estabelece um princípiototalmente novo: a criação das novas gerações não é uma questão familiar privada, masum interesse sócio-estatal. A proteção e salvaguarda da maternidade não é apenas dointeresse da própria mulher, mas, principalmente, do interesse da economia nacional, aolongo da transição para um sistema socialista: é necessário resgatar as mulheres do gastode energia improdutivo no ambiente familiar para que tal energia seja utilizada de modoeficiente para o benefício coletivo; é necessário proteger sua saúde a fim de garantir àrepública operária um fluxo de trabalhadores saudáveis no futuro. No Estado burguês, nãoé possível tratar a questão da maternidade dessa forma: as contradições de classe e a faltade unidade entre os interesses de economias privadas e da economia nacional se tornamimpedimentos. Em uma república operária, por outro lado, na qual as economias individuaisestão se dissolvendo na economia geral e as classes estão se desintegrando edesaparecendo, tal solução para a questão da maternidade é uma exigência da vida, énecessária. A república operária enxerga as mulheres, primeiramente, como membros daforça de trabalho, como unidades de trabalho vivo; a função da maternidade é vista como  01/04/2017 Kollontai: O Trabalho Feminino no desenvolvimento da Economia | NOVACULTURA.infohttps://www.novacultura.info/single-post/2015/09/30/Kollontai-O-Trabalho-Feminino-no-desenvolvimento-da-Economia 2/5 algo de grande importância, como uma função complementar que não é familiar e privada,mas social.“A nossa política acerca da proteção da maternidade e da infância”, como destacacorretamente Vera Pavlovna Lebedeva, “é baseada na imagem da mulher no processoprodutivo, a qual nós temos sempre em mente”.Porém, para que a mulher tenha a possibilidade de participar do trabalho produtivo semviolar sua natureza ou romper com a maternidade, é necessário dar um segundo passo; énecessário que o coletivo assuma todos os cuidados da maternidade que têm pesado tãointensamente sobre as mulheres, reconhecendo, assim, que a responsabilidade de criar ospequenos deixa de ser uma função da família privada e passa a ser uma função social doEstado. A maternidade passa a ser vista sob uma nova ótica. O poder soviético vê amaternidade como uma responsabilidade social. O poder soviético, com base nesseprincípio, esboçou uma série de medidas para remover o fardo da maternidade das costasdas mulheres e transferi-lo para as do Estado. O poder soviético se responsabiliza pelocuidado do bebê e pelo sustento material da criança através do subdepartamento deProteção da Maternidade e da Infância (chefiado pela camarada V.P. Lebedeva) e da seçãodo Narkompros (o Comissariado de Educação) dedicada à criação socializada.O princípio aceito pelo poder soviético no que diz respeito a essa questão é de que a mãedeixe de carregar a cruz da maternidade e experiencie apenas as alegrias provenientes docontato da mulher com seu filho. Obviamente, esse princípio está longe de ser realizado.Na prática, nós estamos muito aquém das nossas intenções. Em nossas tentativas deconstruir novos modos de vida e de viver, de emancipar a mulher trabalhadora dasobrigações familiares, nós sempre nos deparamos com os mesmos obstáculos: nossapobreza e a devastação da economia. Contudo, uma base já foi construída, os caminhos jáestão sendo apontados; a nossa missão é seguir em frente com firmeza e obstinação. A república operária não se limita à distribuição de benefícios e a prover financeiramentepela maternidade. Seu objetivo, acima de tudo, é transformar as condições de vida a fim detornar absolutamente possível que uma mulher seja, ao mesmo tempo, mãe e trabalhadora,além de preservar o bebê para o futuro da república, cercando-o do cuidado e da atençãonecessários. Desde os primeiros meses de existência da ditadura do proletariado naRússia, o poder operário e camponês tem sido bem-sucedido em sua missão de cobrir todoo país com uma rede de instituições que visam à proteção da maternidade e à criaçãosocializada das crianças. A mãe e a criança se tornaram um objeto de atenção especial napolítica soviética. Ao longo dos primeiros meses da revolução, durante os quais ocupei oposto de Comissária do Povo do Bem-Estar Social, eu considerava como minha missãoprimordial estabelecer o rumo que a república operária deveria tomar na esfera da proteçãodos interesses da mulher enquanto unidade de trabalho e enquanto mãe. Nesse período, asecretaria dedicada à proteção da maternidade foi estabelecida e passou a organizar modelos de “palácios da maternidade”. A partir de então, a camarada Vera PavlovnaLebedeva tem trabalhado com competência e entusiasmo, e a causa da proteção damaternidade floresceu e fincou raízes profundas. Desde o início de sua gestação, a mulher trabalhadora recebe assistência do poder soviético. Agora, há centros de atendimento àgestante e à lactante por todos os cantos da Rússia. Nos tempos do czar, existiam apenasseis centros de atendimento; agora, nós temos cerca de 200 deles e 138 lactários.Porém, é claro, o objetivo mais importante é libertar a mãe trabalhadora do trabalhoimprodutivo envolvido em atender às necessidades físicas da criança. Ser mãe nãosignifica, de modo algum, que a mulher deve trocar as fraldas, dar banho no bebê ou sequer permanecer ao lado do berço. A obrigação social da mãe é, acima de tudo, dar à luz umbebê saudável. A república operária deve, portanto, oferecer à gestante as condições maisfavoráveis possíveis; e a mulher, por outro lado, deve obedecer a todas as regras dehigiene ao longo de sua gestação, lembrando-se de que, durante esse período, ela não émais dona de si, mas, sim, está a serviço do coletivo, “produzindo” no interior de seupróprio corpo uma nova unidade de trabalho, um novo membro da república operária. Asegunda obrigação da mulher é amamentar seu bebê; apenas depois dessa etapa a mulher tem o direito de dizer que cumpriu com suas obrigações. As outras incumbências relativasaos cuidados dedicados à nova geração podem ser desempenhadas pelo coletivo.  01/04/2017 Kollontai: O Trabalho Feminino no desenvolvimento da Economia | NOVACULTURA.infohttps://www.novacultura.info/single-post/2015/09/30/Kollontai-O-Trabalho-Feminino-no-desenvolvimento-da-Economia 3/5 Obviamente, o instinto maternal é forte, e não há necessidade de suprimi-lo. Contudo, por que limitar esse instinto apenas ao amor e à criação de seu próprio filho? Por que nãopermitir que esse instinto com potencial valioso para a república operária se desenvolvasem restrições e alcance seu ponto mais alto, quando a mulher não só cuida de seuspróprios filhos, mas desenvolve uma afeição por todas as crianças?O slogan proposto pela república operária, “Não seja mãe apenas do seu filho, mas detodos os filhos dos operários e camponeses”, deve mostrar à mulher trabalhadora um novoponto de vista acerca da maternidade. Houve casos em que algumas mães, ainda quecomunistas, se recusaram a amamentar bebês que sofriam de má nutrição apenas por nãoserem “seus”. Tal comportamento é aceitável? A sociedade do futuro, imbuída de seusentimento e sua compreensão comunistas, ficará tão chocada com tais atos egoístas eantissociais quanto nós ficamos ao ler sobre a mulher da sociedade pré-histórica queamava seus filhos, mas era capaz de comer crianças de outras tribos. Ou, utilizando outroexemplo bastante frequente: a mãe que se recusa a amamentar seu bebê para evitar otrabalho de cuidar dele. E será que nós podemos permitir que o número de criançasabandonadas na Rússia soviética continue crescendo na atual proporção?É verdade que a srcem desses problemas está no fato de que a questão da maternidadevem sendo discutida, mas ainda não foi solucionada. Nesse difícil período de transição,centenas de mulheres sofrem o desgaste causado pelo duplo fardo do trabalho assalariadoe da maternidade. Não há creches, lares de crianças e lares de gestantes suficientes, e oauxílio financeiro não é capaz de acompanhar o aumento dos preços no mercado livre.Consequentemente, as mulheres trabalhadoras temem a maternidade e abandonam seusfilhos. O aumento do número de crianças abandonadas, por outro lado, também é umaevidência de que nem todas as mulheres da república operária entendem que amaternidade não é uma questão privada, mas uma obrigação social. Aqueles que trabalhamcom mulheres devem discutir essa questão e explicar às operárias, às camponesas e àsfuncionárias de escritório as obrigações da maternidade à luz da nova situação da repúblicaoperária. Ao mesmo tempo, é fundamental acelerar o trabalho de desenvolvimento dosistema de criação socializada e de proteção da maternidade. Quanto mais fácil for para asmães combinarem trabalho e maternidade, menor será o abandono de crianças.Nós já destacamos que a maternidade não requer que a mãe esteja permanentemente aolado da criança ou que se dedique exclusivamente à sua educação física e moral. Aobrigação da mãe para com seus filhos é garantir que seu crescimento e desenvolvimentose dê em um ambiente saudável e normal. Na sociedade burguesa, as crianças saudáveise felizes sempre pertencem às classes abastadas, e nunca às classes mais pobres. Comoisso se explica? Será que é porque as mães burguesas se dedicaram exclusivamente àeducação de seus filhos? Absolutamente. As mamães burguesas alegremente entregavamseus filhos aos cuidados de funcionárias contratadas: babás e governantas. Apenas nasfamílias pobres as mães carregam em suas costas todas as dificuldades da maternidade;as crianças ficam com as mães, porém morrem feito moscas. Não há qualquer condiçãopara uma criação normal: a mãe não tem tempo, então as crianças se criam na rua. Todamãe da classe burguesa logo transfere pelo menos uma parte da criação para a sociedade;ela manda seu filho para o jardim de infância, para a escola ou para um acampamento deférias. Uma mãe sensata sabe que a educação social é capaz de oferecer à criança algoque o amor materno mais exclusivo não consegue. Nos prósperos círculos da sociedadeburguesa, onde é mais importante que a criança seja educada de acordo com o espíritoburguês, os pais entregam seus filhos aos cuidados de babás, médicos e pedagogos.Profissionais contratados assumem o papel da mãe na supervisão dos cuidados físicos eda educação moral da criança, e resta à mãe apenas um direito natural e inalienável: odireito de dar à luz uma criança. A república operária não toma as crianças dos braços de suas mães à força, como versamos relatos fictícios dos países burgueses sobre os horrores do “regime bolchevique”; pelocontrário, a república operária procura criar instituições que permitam que todas asmulheres, e não apenas as mulheres ricas, tenham a oportunidade de criar seus filhos emum ambiente saudável e feliz. Em vez de levar mães angustiadas a largarem seus filhossob os cuidados de uma babá contratada, a Rússia soviética deseja que a operária e acamponesa possam trabalhar tranquilamente, sabendo que seu filho estará seguro nas  01/04/2017 Kollontai: O Trabalho Feminino no desenvolvimento da Economia | NOVACULTURA.infohttps://www.novacultura.info/single-post/2015/09/30/Kollontai-O-Trabalho-Feminino-no-desenvolvimento-da-Economia 4/5 mãos hábeis de uma creche, de um jardim de infância ou de um lar de crianças. A fim de proteger a mulher como reprodutora racial, a república operária criou “lares degestantes”, e vem tentando abrir novas unidades onde quer que elas sejam maisnecessárias. Em 1921, tínhamos 135 lares. Esses lares não são apenas refúgios paramulheres solteiras passando por um momento tão complicado de suas vidas, mas tambémpermitem que mulheres casadas se afastem do lar, da família e das aflições triviais doambiente doméstico e voltem todas as suas atenções para a recuperação de suas energiasapós o parto e para o cuidado do bebê durante as primeiras e mais importantes semanas desua vida. Depois desse primeiro momento, a mãe não é mais essencial para o bebê, mas,ao longo das primeiras semanas, ainda há, por assim dizer, uma ligação fisiológica entre amãe e o bebê, e, durante esse período, a sua separação não é recomendável. Vocêssabem bem, camaradas, com que satisfação as trabalhadoras e até mesmo as esposas deimportantes servidores do Estado aproveitam sua estadia nos lares de gestantes, ondeserão atendidas com amor e terão paz. Nós não precisamos nos valer de métodos deagitação para convencer as mulheres a utilizarem os lares de gestantes. O nosso problemaé a limitação dos recursos materiais da Rússia; nós somos pobres, o que torna difícilampliar a nossa rede, a fim de cobrir toda a área da Rússia operária com tais “postos deatendimento” para operárias e camponesas. Infelizmente, ainda não há um só lar degestantes nas áreas rurais, e, de modo geral, nós fizemos apenas o mínimo possível paraatender às mães camponesas. Na verdade, tudo que fizemos por elas foi organizar crechespara o período de férias, o que torna mais fácil para a mãe camponesa sair para trabalhar nas plantações, sem que o seu bebê sofra. Ao longo de 1921, foram inauguradas 689creches desse tipo, atendendo a 32.180 crianças. Para as mães que trabalham em fábricase escritórios, foram abertas creches nas fábricas e nas instituições, além daquelasdisponíveis a nível distrital e municipal. Não creio ser necessário enfatizar a enormeimportância dessas creches para as mães. O problema é que nós não temos crechessuficientes e não podemos atender a um décimo da demanda. A rede de organizações de educação social, que libertam as mães do peso do trabalhoárduo de cuidar de seus filhos, inclui, além das creches e lares de crianças que atendem aórfãos e crianças abandonadas até os três anos de idade, jardins de infância para criançasde três a sete anos de idade, “lares” infantis para crianças em idade escolar, clubes infantise, finalmente, casas-comunas infantis e colônias de trabalho para crianças. O sistema deeducação social também inclui refeições gratuitas para as crianças em idades pré-escolar eescolar. Vera Velichkina (Bonch-Bruyevich), revolucionária até o fim da vida, lutou comunhas e dentes por essa medida, cuja introdução, como já é sabido, nos ajudou bastante aolongo dos duros anos da guerra civil e livrou muitas crianças proletárias da fome e da morteem sua decorrência. A atenção do Estado às crianças fica também evidente na distribuiçãode leite gratuito, de rações especiais para os mais jovens e de roupas e sapatos para ascrianças necessitadas. Todos esses projetos estão longe de serem completos; na prática,nós atendemos apenas a uma pequena parcela da população. Contudo, até o momento,nós não conseguimos libertar o casal de todas as dificuldades envolvidas na criação dosfilhos, não porque seguimos na direção errada, mas porque nossa pobreza nos impede decumprir tudo que foi planejado pelo poder soviético. O rumo geral da política sobre amaternidade está correto, mas nossa falta de recursos nos freia. Até o momento, foiconduzido um número ainda modesto de experimentos. Ainda assim, eles deram resultadose revolucionaram a vida familiar, introduzindo mudanças fundamentais nas relações entreos sexos. Essa é uma questão que discutiremos em outra ocasião. A missão do poder soviético é, portanto, proporcionar as condições para que o trabalho damulher não seja desperdiçado em atividades não produtivas no lar e na criação dos filhos,mas que seja aplicado na geração de novas riquezas para o Estado, para o coletivo dostrabalhadores. Ao mesmo tempo, é importante preservar não apenas os interesses damulher, mas também a vida da criança, e isso se torna possível à medida que se permiteque a mulher combine trabalho e maternidade. O poder soviético tenta criar uma condiçãona qual a mulher não precise se prender a um homem a quem despreza apenas por não ter para onde ir com seus filhos, na qual a mulher não precise temer pela sua vida e pela vidade seu filho. Na república operária, não são os filantropos, com sua caridade humilhante,mas os operários e camponeses, companheiros na criação de uma nova sociedade, que seesforçam para ajudar a mãe trabalhadora e se empenham para amenizar o fardo da
Search
Tags
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks
SAVE OUR EARTH

We need your sign to support Project to invent "SMART AND CONTROLLABLE REFLECTIVE BALLOONS" to cover the Sun and Save Our Earth.

More details...

Sign Now!

We are very appreciated for your Prompt Action!

x