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O Cinema como meio e forma de multiletramento

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RESUMO Viver num mundo no qual a globalização não é mais uma ideia, mas sim uma realidade concreta e pulsante, exige que formemos cidadãos aptos a ler os sinais multissemióticos e multimodais que são emitidos a todo momento e que vêm de toda parte.
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    O CINEMA COMO MEIO E FORMA DE MULTILETRAMENTO Arthur Felipe de Oliveira Fiel !   1.   af_fiel@yahoo.com.br RESUMO Viver num mundo no qual a globaliza•‹o n‹o Ž mais uma ideia, mas sim uma realidade concreta e pulsante, exige que formemos cidad‹os aptos a ler os sinais multissemi—ticos e multimodais que s‹o emitidos a todo momento e que vm de toda parte. Neste mundo, juntar s’labas, formar e ler palavras n‹o atendem mais as necessidades b‡sicas para concretizar a pr‡tica cidad‹, o letramento tradicional mostra-se, hoje, ineficaz. Por isso, o presente artigo apresenta-lhes o conceito de multiletramento no ‰mbito escolar e como o cinema pode contribuir para isso, sendo ele, ao mesmo tempo, um meio e tambŽm uma forma para concretizar tal pr‡tica. PALAVRAS-CHAVE: CINEMA, EDUCA‚ÌO, MULTILETRAMENTO. ABSTRACT Live in a world in which globalization is no longer an idea but a concrete and pulsating reality requires that we form citizens able to read the multisemiotics and multimodal signals that are emitted at all times and that come from everywhere. In this world, join syllables, form and read words no longer meet the basic needs to realize the citizen practice, the traditional literacy shows up today, ineffective. Therefore, this article presents to them the concept of multiliteracy in schools and how cinema can contribute to this, being at the same time, a means and a way to implement the practice. KEYWORDS: CINEMA, EDUCATION, MULTILITERACY. INTRODU‚ÌO ƒ socialmente atribu’da a pedagogos e, especialmente, a professores de l’ngua portuguesa, o dever e o desafio de formar leitores. PorŽm, formar leitores na contemporaneidade exige do   docente uma rela•‹o de grande intimidade com as novas tecnologias de informa•‹o e comunica•‹o  –   TICS  –   e os meios multimidi‡ticos. Isto, devido aos novos caminhos trilhados  pela humanidade que indicam uma revolu•‹o no meio de conceber e ensinar linguagens, pois, a globaliza•‹o cultural exige do educando, e do educador, n‹o s— o dom’nio de sua l’ngua materna, mas tambŽm o dom’nio de linguagens presentes na cultura global, a exemplo do cinema e audiovisual e seus desdobramentos digitais. Para Belloni (2002, p. 30): Os incr’veis avan•os tŽcnicos em eletr™nica, inform‡tica e redes vm criando um novo campo de a•‹o, novos processos sociais, mŽtodos de trabalho, mudan•as culturais  profundas, novos mŽtodos de aprender e perceber o mundo (e, portanto de intervir nele), com repercuss›es significativas no campo da educa•‹o, a exigir transforma•›es radicais nos mŽtodos de ensino e nos sistemas educacionais.   ƒ preciso, contudo, considerar os seguintes pressupostos: a) a leitura n‹o se restringe apenas ao ato de juntar letras e s’labas para formar palavras, nem apenas ao ato de atribuir som ˆ palavra escrita, como reza o senso comum, ela vai alŽm, chegando ˆ fase de atribui•‹o de significados, ou seja, produ•‹o de sentidos; b) desde a inf‰ncia, os indiv’duos possuem contato com a mœsica, a fotografia, o cinema e outras formas de representa•›es de mundo que possuem uma linguagem  pr—pria, este fato implica num repert—rio cultural pertencente ˆ crian•a mesmo antes de chegar ˆ escola; e, c) As TICS trouxeram importantes e necess‡rias possibilidades de escolariza•‹o e multiletramentos. Logo, partindo desses pressupostos, cabe ao corpo escolar pensar e repensar did‡ticas e metodologias que sejam capazes de unificar o conhecimento de mundo prŽvio, inerente aos alunos, ˆs novas possibilidades de letramento. A respeito disso, Orlandi (2000, p. 40) afirma que: A convivncia com a mœsica, a pintura, a fotografia, o cinema, com outras formas de utiliza•‹o do som e com a imagem, assim como a convivncia com as linguagens artificiais poderia nos apontar para uma inser•‹o no universo simb—lico que n‹o Ž a que temos estabelecido na escola. Essas linguagens n‹o s‹o alternativas. Elas se    articulam. E Ž essa articula•‹o que deveria ser explorada no ensino da leitura, quando temos como objetivo trabalhar a capacidade de compreens‹o do aluno. Com base nisso, o presente artigo visa a expor, atravŽs de um levantamento bibliogr‡fico, a necessidade de um multiletramento no ambiente escolar, e como o cinema pode contribuir para isso, sendo ele, ao mesmo tempo, um meio e tambŽm uma forma para concretizar tal pr‡tica. MULTILETRAMENTOS De acordo com Ferreira (2004), o termo letramento significa: “ 1. Ato ou efeito de letrar(-se); 2.  Bras. Educ. Ling . Estado ou condi•‹o de indiv’duo que se utiliza da leitura e da escrita, ou de exerc-las como instrumentos de sua realiza•‹o e de seu desenvolvimento social e cultural. ”  Soares (1997) define o termo como o estado ou condi•‹o de quem n‹o apenas sabe ler e escrever, mas cultiva as pr‡ticas sociais que usam a escrita. Logo, o significado pr‡tico de letramento est‡ bem mais voltado ˆ utilidade do uso da leitura e escrita para a efetiva concretiza•‹o da cidadania. Um novo conceito de letramento surge a partir do momento em que percebe-se o predom’nio de sons, imagens e outras linguagens na m’dia e cultura mundial, alŽm das novas possibilidades  pedag—gicas que foram introduzidas por elas no ‰mbito escolar. Este conceito leva em conta a multiplicidade cultural das popula•›es mundiais e tambŽm a multiplicidade semi—tica de constitui•‹o textual. Lorenzi e P‡dua ( apud   ROJO, 2012, p.40) afirmam que: [...] os letramentos escolares foram significativamente ampliados com mudan•as culturais e tecnol—gicas no processo de alfabetiza•‹o dos alunos, com predomin‰ncia dos textos multimodais. Houve um impacto crescente da leitura de imagens e ‡udios. ƒ importante esclarecer que, segundo ROJO (2012), o prefixo "multi", quando adicionado ao termo letramento, n‹o restringe o seu significado ˆs mœltiplas pr‡ticas de leitura e escrita. Para   ela, as pr‡ticas de letramento envolvem, tanto a multiplicidade de linguagens, semioses e m’dias envolvidas na cria•‹o de significa•‹o para os textos multimodais, como tambŽm, a pluralidade e diversidade cultural trazida pelos autores/leitores contempor‰neos a essa cria•‹o de significa•‹o. As novas linguagens, introduzidas pelo avan•o tecnol—gico, tm car‡ter multissemi—tico e multimodal, pois s‹o compostas por mœltiplos elementos lingu’sticos (verbais e n‹o-verbais), e exigem uma capacidade elevada de compreens‹o e significa•‹o por parte do seu pœblico, seja ele leitor ou espectador. Dessa forma, surge a necessidade de inserir o aluno numa nova pr‡tica de letramento, diferente da tradi•‹o escolar, que o torne capaz de compreender com clareza as semioses dos discursos existentes, os letramentos multissemi—ticos. A respeito disso, Dias (et al. apud   ROJO, 2012) elaboraram uma proposta que considera o aluno um sujeito imerso num universo cosmopolita, e multimídia, pois, “muitas vezes, é nas telas extracurriculares (em casa ou nas lan houses ) que os alunos v‹o entrar em contato com as m ultissemioses e aprender a combinar conhecimento e entretenimento”. Para esses autores:   Se antes um leitor era um sujeito que tinha uma rela•‹o solit‡ria com as formas impressas de leitura, hoje, ap—s o advento da internet, a globaliza•‹o tem desencadeado efeitos mœltiplos sobre a circula•‹o, a produ•‹o e a recep•‹o de informa•›es, na medida em que os meios de comunica•‹o e as novas tecnologias atravessam as fronteiras de um meio cultural pr—ximo, local ou nacional, e nos aproximas de uma cultura mundial, globalizada. (Dias et al . apud   ROJO, 2012, p.83) O multiletramento torna-se, assim, uma pr‡tica necess‡ria para a efetiva forma•‹o de sujeitos cr’ticos, Žticos, e aptos a atuar dentro da sociedade na qual est‹o inseridos. Com isso, os docentes estariam contribuindo n‹o apenas para o sucesso escolar de seus alunos, mas tambŽm  para uma pr‡tica social pautada na conectabilidade e interatividade exigidas pela cultura vigente em nossa ordem social. O CINEMA EM SALA DE AULA   Ao longo do œltimo sŽculo a sociedade viu-se transformada devido ao avan•o das TICS. Esta transforma•‹o fez com que uma vasta gama de informa•›es chegasse a crian•as, jovens, e adultos, de forma quase simult‰nea, adentrando e alterando o ambiente e as formas de intera•‹o social. Entendendo o cinema como um aparato tecnol—gico de grande valor real e simb—lico, o  presente artigo defende a ideia de que a experincia cinematogr‡fica precisa ser melhor aproveitada na escola, pois, desde o seu surgimento, o cinema tem sido usado como uma forma de educar e instruir. Contudo, a rela•‹o cinema/educa•‹o vai muito alŽm do campo da educa•‹o formal e escolar. Para Soares (2004, p.110): “uma educação que se mostra com face polissêmica e se processa de um modo singular: d‡-se n‹o por palavras, mas por olhares, gestos, coisas, pelo lugar onde vivem. ” . Logo, o cinema Ž uma representa•‹o do real que precisa ser devidamente lida e compreendida. ƒ nesse sentido que compreende-se o qu‹o necess‡ria Ž a atua•‹o da escola na forma•‹o de indiv’duos cr’ticos e conscientes de seu papel social. Para Franco ( apud   PRETTO, 1996, p. 274) a escola “não deve competir com a mídia, mas travar com ela um jogo dialético”. Outro fato que n‹o pode ser desprezado Ž a ludicidade dos meios audiovisuais e o encantamento que estes  provocam em seu espectador, em especial, nas crian•as. A respeito disso, Moran (2007) afirma: A crian•a tambŽm Ž educada pela m’dia, principalmente pela televis‹o. Aprendem a informar-se, a conhecer - os outros, o mundo, a si mesmo - a sentir, a fantasiar, a relaxar, vendo, ouvindo, tocando as pessoas na tela, que lhe mostram como viver, ser feliz e infeliz, amar e odiar. A rela•‹o com a m’dia eletr™nica Ž prazerosa -ninguŽm obriga - Ž feita atravŽs da sedu•‹o, da emo•‹o, da explora•‹o sensorial, da narrativa - aprendemos vendo as est—rias dos outros e as est—rias que os outros nos contam. Mesmo durante o per’odo escolar a m’dia mostra o mundo de outra forma - mais f‡cil, agrad‡vel, compacta - sem precisar fazer esfor•o. Ela fala do cotidiano, dos sentimentos, das novidades. A m’dia continua educando como contraponto ˆ educa•‹o convencional, educa enquanto estamos entretidos. (MORAN, 2007) Sendo assim, ao utilizar-se do cinema em sala de aula, o professor alia ˆ sua metodologia o componente lœdico, o que pode deixar a sua aula mais prazerosa para aqueles que est‹o ali para

Cap

Oct 7, 2019
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