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O Discurso Científico - Uma Análise Pechetiana - João Flávio Almeida

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Analise Pechetiana sobre o discurso científico mediado pelas tecnologias da informação.
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  O DISCURSO CIENTÍFICO: UMA ANÁLISE PECHETIANA.  João Flávio de Almeida RESUMO Pensadores como Bourdieu, Latour, Rossi, Merton e Ianni deixaramvaliosas contribuições eistemol! icas sobre o nascer e o #a$er cient%&co'(entre as rinciais estão os conceitos de camos e alianças' )ste textotentará detectar al uns e#eitos discursivos da contemoraneidade, * artirdo re#erencial te!rico da análise do discurso de Mic+el Pc+eux, -uetrabal+am a ideolo ia * #avor da cincia e da m%dia, INTRODUÇÃO Bourdieu lança mão do conceito de campos de forças  ao descrever omodo com -ue as instituições nascem, le itimam.se e atuam socialmente' /artir de sua obra 'Para uma sociologia da ciência'  0B12R(I)2, 34567,abordaremos trs conceitos ara este texto8 camos, con9itos entrecamos, e caital cient%&co' )ste ensador exõe a ideia de -ue cadacamo de #orças : dotado de uma estrutura eculiar, bem como de esaçosde con9itos ela manutenção ou trans#ormação desse camo' ;ada camo,como se v com o cient%&co e com outros mais, de#orma o esaço em -uese envolvem e con#erem.l+e determinada estrutura'<esta investi ação Bourdieu detectou, ainda, -ue cada camocon9ita com os demais camos em busca de le itimação' (edu$.se, lo o,-ue o n%vel de con9ito não : o mesmo entre todos os camos, visto -ueal uns deles não concorrem diretamente' ;ontudo, o con9ito não se dásomente nesta re ião intercampos , externa, como tamb:m se dá+ermeticamente no interior de cada um' ;ada =o ador, em seu camo, lutaara estabelecer.se como ator relevante, buscando lu ar de reseito eestabilidade, e ao lutar ela le itimação individual, cada =o ador acaba,indiretamente, or #ortalecer e le itimar todo seu camo'Bourdieu insere, ainda, o conceito marxista de >caital> ao descrevero otencial de cada camo de se estabelecer e de se le itimar' ;ada =o ador acumula seu caital, e cada camo acumula todo o caital somadode todos seus =o adores' 1 caital de um =o ador deende dos seusdi#erentes trun#os -ue ossam arantir.l+e vanta em sobre seus rivais' <o  camo cient%&co, o caital : uma es:cie articular de caital simb!lico#undado no >recon+ecimento de con+ecimento>, mais at: do -ue o r!riocon+ecimento em si'1 caital, ortanto, ara -ue se constitua como caital, : distribu%dode #orma desi ual, re ulando as ossibilidades de ascensão e deconsolidação em mel+ores esaços dentro de cada camo' 2m cientistacom alto caital ocua uma osição tal -ue a estrutura acaba or oerar emseu #avor' )m ?ltima inst@ncia ode.se di$er -ue cada =o ador de#ende earre imenta seu camo como #orma de auto arre imentação, ois -ue oen#ra-uecimento de seu camo de atuação si ni&caria seu r!rioen#ra-uecimento como =o ador'Latour, anteriormente at:, lançou o conceito de >alianças>,exlicitando a #orma com -ue a entes de uma determinada comunidade seintera em com outras' Ao lon o de sua obra  Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora' 0LA12R, 34C67, ele acoman+acientistas e cata exatamente os instantes e as #ormas com -ue aliançassão #eitas e #ortalecidas' )m al uns instantes ele conceitua de #orma maiscate !rica8 ;omo em O príncipe , de Ma-uiavel, a construção ro ressivade um im:rio : uma s:rie de decisões -uanto a alianças8com -uem osso colaborarD Euem devo excluirD ;omo ossoobter a &delidade desteD ) a-uele, será con&ávelD )sseorta.vo$ : di no de cr:ditoD Mas o -ue não ocorreu aMa-uiavel : -ue essas alianças odem transcender os limitesexistentes entre seres +umanos e >coisas>' 0LA12R, 34C6, '6G7' Fa$endo uma breve intersecção entre os ensamentos destes doisensadores, odemos =ustaor #acilmente o conceito de >alianças> aos>con9itos de camos>' )sta concatenação de conceitos nos ermite umvasto anorama das relações -ue se estabelecem em busca ou damanutenção do oder' Assim, odemos di$er -ue um camo, na tentativade alar ar seu caital, necessita de alianças e de >emr:stimos> de caitalde outro camo no es#orço de redu$ir o caital do seu anta onista direto,ara assim, se le itimar e #ortalecer suas bases'<os s:culos HI e HII vimos crescer um movimento, contradit!rioao vi ente . talve$ at: em decorrncia de certos excessos nas ráticas da+e emonia cat!lica . -ue começa a an+ar coro, contudo -ue careceu se  arre imentar, somar caital e >virar o =o o> com o clero' A revoluçãocient%&ca começa a tomar #orma com (escartes, Bacon, alileu e outros0R1KKI, 6637 -ue, il+ados e sem or ani$ação, eram ameaçados oumandados * #o ueira' Foi neste momento +ist!rico -ue sur iram outroscamos -ue começaram a an+ar #orça, al:m do cient%&co8 orotestantismo e a bur uesia caitalista' A aliança entre eles : clara eráida' 1 rotestantismo re a a descentrali$ação do oder e do caital dasmãos do clero, e =usti&ca e incentiva a roseridade &nanceira dos +omens0M)R1<, 34567' A bur uesia se re#u ia no rotestantismo, e o caitalismocresce, contudo recisando de novas tecnolo ias de rodução e de &loso&as-ue minorassem o oder das tradições anti as -ue blo-ueavam os novosmodos de ne !cio' Assim, a cincia moderna nasce rotestante ecaitalista' ) o mesmo odemos di$er dos outros dois camos8 nascerammisturados, aliados, e aos oucos tomam #orma r!ria, cada um' Parcerias-ue erduraram at: o Iluminismo, -uando dois dos camos erceberam -ueum destes camos arceiros =á era descartável8 a #: nas reli iões, ois -ue(eus então torna.se uma adversidade a vários conceitos &los!&cos e #%sicos,al:m de tra$er em si valores :ticos -ue con9itam com o caitalismobur us' 2m novo camo, todavia, tomou #orma e #orça nas ?ltimas d:cadas,e tem sido de rande valia em alianças com a cincia e com o caitalismo8 a rande m%dia' 1tavio Ianni c+ama este camo de >1 novo r%ncie>, a-uele-ue realmente conse uiu uni&car os ovos e #a$er as trans#ormações -uel+e conviesse 0IA<<I, 6637' )m sua estação, a m%dia . maiseseci&camente o =ornalismo, em seus diversos meios . #e$ uso de conceitoscient%&cos ara se le itimar como orta.vo$ da verdade e de #atos' <asmãos de randes con lomerados &nanceiros, os meios de comunicaçãotornaram.se valiosas #erramentas do discurso consumista do caitalismo01MPK1<, 344C7' ;omo orta.vo$ da verdade, -ue #a$ uso deesecialistas na de#esa de seus ar umentos, os meios de comunicaçãotornaram.se necessários ara todo e -ual-uer camo no -ue se re#ere *a-uisição de caital e de se uidores' )m temos de lobali$ação e deencurtamento de dist@ncias, : muito vanta=oso divul ar os conceitos dedeterminado camo em um meio dotado de tanto oder de disseminação';omo se dá, em nossos dias, eseci&camente a aliança>m%diacincia>D Eual : a necessidade m?tua de ambos os camosD <este  resente ro=eto #aremos uma análise do discurso da >verdade>, elo -uesust:m a aliança cincia=ornalismo8 atributo necessário a ambos, econ-uistado atrav:s de uma arceria na -ual cada um con#ere >verdade> aooutro' ) atrav:s da ilusão da transarncia, dos es-uecimentos e dotrabal+o -ue se #a$ * artir da ideolo ia, ambos os camos se dotamrecirocamente desta dita verdade , numa le itimação m?tua' ANÁLISE DO DISCURSO PECHETIANA ;omo #unciona a lin ua em no instante da construção do >#ato> nanot%ciaD Para tal análise #aremos uso do re#erencial te!rico desenvolvido orMic+el Pc+eux, em sua Análise do (iscurso' )ste autor de&ne o discursocomo sendo e#eito de sentidos entre locutores, um ob=eto s!cio.+ist!ricocircunscrito no lin u%stico' ;onsidera, ainda, -ue a lin ua em : um sistemaem -ue a ambi uidade e os #uros são constituintes, e não de#eitos,de&nindo a discursividade como a inserção de e#eitos materiais da l%n ua na+ist!ria, incluindo a análise do ima inário na relação dos su=eitos com alin ua em'1s trabal+os de Pc+eux 034457, Romão 0667, 1rlandi 034447 ePaNer 066O7 delinearam um ercurso de investi ação a reseito do lu ar dam%dia na ideolo ia' Kob a ação da ideolo ia 0P;)2H, 34G47, torna.senatural o aarecimento de aenas um sentido nos &lmes, documentários,textuali$ações midiáticas etc, marcando um imedimento ara o su=eitocon=eturar -ue os sentidos oderiam ser outros, distintos da-ueles -ue seestabelecem como dominantes ou =á le itimados' Assim, o discursomidiático #a$ circular uma suosta coincidncia entre os atos de lin ua eme os #atos uros, instalando o mote da transarncia e da univocidade,como se não existissem outros modos de di$er, relatar, narrar #atos,entrevistar ersonalidades, cobrir eventos e #a$er reorta ens' (essa #orma,aa am.se os enunciados dos e sobre os e-u%vocos, &ssuras, sabotando aossibilidade de -ue a imrecisão, a inexatidão, os não.ditos e osilenciamento ossam ser ditos' Instaura.se, ortanto, um ideário coletivo em -ue, ao su=eito.consumidor desse discurso, resta crer -ue existe uma e-uivalncia, termo atermo, entre as alavras e o mundo, entre os relatos e os #atos' isto dessa#orma, está marcado um lu ar suostamente constitu%do ela ausncia de
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