Documents

o Ensino de Geografia e a Educação Do Campo. Reflexões Sobre a Prática Docente

Description
Artigo apresentado na V Semana Internacional de Pedagogia, na Universidade Federal de Alagoas.
Categories
Published
of 10
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
    V SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA III ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE TRABALHO DOCENTE E FORMAÇÃO I SEMINÁRIO DE ALFABETIZAÇÃO LEITURA E COGNIÇÃO DE ALAGOAS ISSN: 1981 3031  1 O ENSINO DE GEOGRAFIA E A EDUCAÇÃO DO CAMPO: Reflexões Sobre a Prática Docente Gênesis Delfino das Chagas 1   E-mail: genesischagas@gmail.com RESUMO   A reflexão da prática docente no ensino de geografia no âmbito da educação do campo deve ser uma ação constante, partindo do pressuposto de que o professor se configura como mediador no processo de ensino aprendizagem. Assim, reforçar a importância de uma prática docente que esteja atrelada a cultura geográfica do aluno, ou seja, as suas percepções enquanto indivíduo pertencente a determinado lugar, este com seus significados e afeições, configura o objetivo central deste trabalho, uma vez que o aluno do campo está inserido num contexto sociocultural distinto daquele vivenciado pelos que residem no perímetro urbano, deste modo a prática docente deve estar sincronizada as especificidades do campo, viabilizando um ensino contextualizado e que leve em consideração o cotidiano do aluno. Para tanto se propõe uma revisão bibliográfica à cerca das discussões inerentes à prática docente, a educação do campo e ao ensino de geografia, no sentido de entender como essa prática docente, realizada de forma contextualizada, pode contribuir no âmbito escolar de forma positiva. Neste sentido espera-se que o papel do professor, enquanto mediador entre o aluno e conhecimento, seja reforçado no que tange a um ensino crítico e reflexivo voltado às práticas específicas do campo. Assim, entender as bases da Educação do campo, seu processo histórico e os princípios que a norteiam, é extremamente relevante para compreender a atual configuração desse modelo de educação, o que reflete de forma direta na prática docente. Palavras-chave:  Educação do Campo. Ensino de Geografia. Prática Docente 1 INTRODUÇÃO Para estudar as especificidades do campo e dos indivíduos que lá residem principalmente àquelas correlatas à prática pedagógica é necessário entender que os “vários conceitos, como a família, enquanto proprietária dos meios de produção, o trabalho na terra e os valores e tradições que const ituem o patrimônio sociocultural” (MENDES, 2005, p. 22) destes sujeitos, interferem diretamente na compreensão da “importância dessas informações para a formação dos jovens do campo” (BISPO e MENDES, 2008, p. 93). Contudo, mesmo com a possibilidade existente de a geografia ser um recurso importante que auxilia no entendimento da realidade, o ensino desta disciplina nas escolas, durante muito tempo, servia apenas para transmitir listas de informações descontextualizadas e passíveis de esquecimento (PINESSO, 2003). 1  Especialista em Educação do Campo - Centro de Educação - CEDU pela Universidade Federal de  Alagoas - UFAL; Graduado em Geografia / Licenciatura  –  UFAL / Prof. Monitor de Geografia da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas na Escola Dom Otávio Barbosa Aguiar.    V SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA III ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE TRABALHO DOCENTE E FORMAÇÃO I SEMINÁRIO DE ALFABETIZAÇÃO LEITURA E COGNIÇÃO DE ALAGOAS ISSN: 1981 3031  2 Esta realidade expõe a necessidade de mudança da geografia ainda ensinada nas escolas, em busca de uma disciplina transformadora, para que se consiga produzir/reproduzir um conhecimento vivo, que se renova e se transforma. Desta maneira, o docente deve estar sempre vigilante à realidade dos educandos, uma vez que para a construção de um ensino crítico o ponto de partida deve ser a realidade dos alunos. É relevante entender que a educação no campo está vinculada, após sua srcem no processo de luta dos movimentos sociais para enfrentar à expropriação de terras, à construção de um modelo de desenvolvimento rural que inclua os diversos sujeitos sociais do campo, ou seja, que se oponha ao modelo de desenvolvimento dominante que sempre privilegiou os interesses dos grandes proprietários de terra no Brasil, e também está ligada a um projeto maior de educação da classe trabalhadora, onde as bases estão firmadas na necessidade da construção de outro projeto de sociedade e de Nação (MOLINA & FREITAS, 2011).  A adaptação da escola à vida no campo foi sugerida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 e pelas Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, aprovadas em 2001. Assim, toda proposta didático-pedagógica, seja ela no campo ou na cidade, deve ser organizada de acordo com leis e diretrizes, mas levando em consideração a realidade local. Contudo usualmente, o parâmetro é das escolas urbanas, e isso não tem colaborado para a compreensão da realidade do campo por parte dos alunos. Esta realidade chama à reflexão para a necessidade de se criar e implantar políticas específicas que contribuam para a anulação desse processo discriminador e fortaleça, assim, a identidade das comunidades locais (BISPO & MENDES, 2008).  A função da educação do campo é justamente a valorização do trabalhador rural, dando mais oportunidade e dignidade ao camponês. Ao ensino da geografia compete resgatar e auxiliar a identidade de homem do campo, contribuindo assim para uma melhor compreensão do lugar e do mundo onde vive (ALVES & MAGALHÃES, 2008). Diante do exposto essa pesquisa visa reforçar a importância de uma prática docente que esteja atrelada a cultura geográfica do aluno, ou seja, as suas percepções    V SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA III ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE TRABALHO DOCENTE E FORMAÇÃO I SEMINÁRIO DE ALFABETIZAÇÃO LEITURA E COGNIÇÃO DE ALAGOAS ISSN: 1981 3031  3 enquanto indivíduo pertencente a determinado lugar, este com seus significados e afeições. 2 BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO NO CAMPO O sistema educacional na época do Brasil colônia não era considerado prioridade. Desta forma, as pessoas que praticavam as atividades agrícolas, ou seja, escravos (índios e negros africanos) e os colonos imigrantes encontravam-se em situação de desvantagem, eles não podiam esperar políticas educacionais, pois, não se considerava necessário saber ler e escrever para trabalhar com a terra (BREITENBACH, 2011). De acordo com Ghiraldelli (2006), no ano de 1930, a educação, de modo geral, começou a chamar mais atenção, principalmente em função do manifesto escolanovista (movimento que defendeu a educação enquanto exclusivo elemento verdadeiramente eficaz para a construção de uma sociedade democrática) e também porque, com a urbanização e industrialização do país, boa parte do povo brasileiro começou a projetar que seus filhos poderiam, uma vez fora da zona rural, escapar do serviço braçal desgastante. Depois da década de 30 do século passado, a escola institucionalizou-se no campo, contudo, esse processo entrou em vigor sem considerar “a população a quem se destinava, o contexto onde estava situada, as relações sociais, produtivas e culturais e a necessidade de formaç ão sócio profissional desse povo” (SILVA, 2004, p.117). A partir da década de 1950-1960 começam a surgir e se consolidar movimentos ligados às mais variadas instâncias sociais como: Movimentos de Cultura Popular (MCP), do qual participou Paulo Freire, o Movimento de Educação de Base (MEB), criado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e os Centros Populares de Cultura (CPC), criados pela União Nacional dos Estudantes (UNE). É nessa emergência da educação popular nos anos de 1960 que o educador Paulo Freire demarca uma proposta de educação libertadora (ANTÔNIO & LUCINI, 2007, p.180). O ponto de vista da educação a partir das classes trabalhadoras, através do princípio de uma educação que liberta e projeta a vida humana para além das desigualdades, tornou-se uma referência para se pensar na educação popular. A    V SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA III ENCONTRO LUSO-BRASILEIRO SOBRE TRABALHO DOCENTE E FORMAÇÃO I SEMINÁRIO DE ALFABETIZAÇÃO LEITURA E COGNIÇÃO DE ALAGOAS ISSN: 1981 3031  4 colocação da proposta de Freire nos anos de 1960 irá sobreviver à intensa repressão sofrida pelo povo brasileiro no período da ditadura militar, até porque as Comunidades Eclesiais de Base (CEB), organizadas e mantidas pelo setor progressista da Igreja Católica, continuam a existir e a atuar (ANTÔNIO & LUCINI, 2007). Durante vários anos a formação destinada às classes populares do campo, associou- se a um modelo “importado” da educação ur  bana. Esse tratamento teve uma parte de descaso e subordinação dos valores contidos no meio rural e marcava uma inferioridade quando comparado ao espaço urbano. O campo encontrava-se censurado na sociedade brasileira e os preconceitos, estereótipos e outras conotações aumentavam cotidianamente. Essa constatação foi mencionada por Leite (2002, p.14) na seguinte observação:  A educação rural no Brasil, por motivos socioculturais, sempre foi relegada a planos inferiores e teve por retaguarda ideológica o elitismo, acentuado no processo educacional aqui instalado pelos jesuítas e a interpretação político- ideológica da oligarquia agrária, conhecida popularmente na expressão: “gent e da roça não carece de estudos. Isso é coisa de gente da cidade ” . Com a aprovação da Constituição de 1988 e do processo de redemocratização do país, surgem discussões em torno dos direitos sociais da população do campo, ao mesmo tempo em que se consegue aprovar políticas de direitos educacionais extremamente significativas, estabelecendo o compromisso do Estado e da sociedade brasileira em oferecer a educação para todos, respeitando suas particularidades culturais e regionais. Em acordo com essas concepções foram elaboradas e implementadas reformas educacionais que desencadearam alguns documentos fundamentais, dentre eles a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 (SANTOS, 2012).  Apesar da implantação da Constituição, a educação do campo tem sido historicamente marginalizada na construção de políticas públicas, sendo por diversas vezes tratada como política compensatória. Neste contexto “a educação para os povos do campo é trabalhada a partir de um currículo essencialmente urbano e, geralmente, deslocado das necessidades e da realidade do campo” (SOUZA & REIS, 2009 p. 19).  É neste contexto que é relevante enfatizar que as lutas dos movimentos sociais do campo, mais especificamente o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Search
Similar documents
View more...
Tags
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks
SAVE OUR EARTH

We need your sign to support Project to invent "SMART AND CONTROLLABLE REFLECTIVE BALLOONS" to cover the Sun and Save Our Earth.

More details...

Sign Now!

We are very appreciated for your Prompt Action!

x