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O PODER LEGITIMADOR DE SERÁPIS EM DISPUTA NA ÉPOCA ANTONINA (96-192):

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS INSTITUTO DE HISTÓRIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA COMPARADA Caroline Oliva Neiva O PODER LEGITIMADOR DE SERÁPIS EM
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS INSTITUTO DE HISTÓRIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA COMPARADA Caroline Oliva Neiva O PODER LEGITIMADOR DE SERÁPIS EM DISPUTA NA ÉPOCA ANTONINA (96-192): Um estudo comparado entre a iconografia monetária alexandrina e os Acta Alexandrinorum Rio de Janeiro 2017 O PODER LEGITIMADOR DE SERÁPIS EM DISPUTA NA ÉPOCA ANTONINA (96-192): Um estudo comparado entre a iconografia monetária alexandrina e os Acta Alexandrinorum Caroline Oliva Neiva Dissertação submetida à banca examinadora como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em História Comparada pelo Programa de Pós-Graduação em História Comparada. Orientador: Prof. Dr. Wallace dos Santos Moraes Coorientadora: Prof.ª. Drª. Regina Maria da Cunha Bustamante Rio de Janeiro 2017 ii O PODER LEGITIMADOR DE SERÁPIS EM DISPUTA NA ÉPOCA ANTONINA (96-192): Um estudo comparado entre a iconografia monetária alexandrina e os Acta Alexandrinorum Caroline Oliva Neiva Dissertação submetida à banca examinadora como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em História Comparada pelo Programa de Pós-Graduação em História Comparada. Prof. Dr. Wallace dos Santos Moraes (Orientador) Prof.ª Drª. Regina Maria da Cunha Bustamante (Coorientadora) Prof. Dr. André Leonardo Chevitarese Prof. Dr. Deivid Valério Gaia Profª. Drª. Andréia Cristina Lopes Frazão da Silva Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira Lima Rio de Janeiro 2017 iii CIP - Catalogação na Publicação N417p Neiva, Caroline Oliva O poder legitimador de Serápis em disputa na época Antonina (96-192): Um estudo comparado entre a iconografia monetária alexandrina e os Acta Alexandrinorum / Caroline Oliva Neiva. -- Rio de Janeiro, f. Orientador: Wallace dos Santos Moraes. Coorientadora: Regina Maria da Cunha Bustamante. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de História, Programa de Pós- Graduação em História Comparada, História Comparada. 2. Serápis. 3. Numismática. 4. Acta Alexandrinorum. 5. Dinastia Antonina. I. Moraes, Wallace dos Santos, orient. II. Bustamante, Regina Maria da Cunha, coorient. III. Título. Elaborado pelo Sistema de Geração Automática da UFRJ com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). iv Agradecimentos Meus primeiros agradecimentos são dados a Deus, por sempre guiar, proteger e iluminar meus passos, ensinando-me a ter sabedoria e perseverança frente aos obstáculos. Agradeço, de mesmo modo, a você Paulo, obrigada por todos esses anos de companheirismo, amizade, amor e cuidados. Sem dúvida alguma, sem os seus incentivos e sua inabalável fé em mim e na minha capacidade, esta dissertação não seria concluída. Agradeço também ao querido amigo Caio. Obrigada por fazer parte da minha vida há tantos anos, partilhando as felicidades e tristezas desde o Ensino Fundamental. À amiga Zamara agradeço por me ouvir e estar presente em todos os momentos em que precisei. Obrigada por dividir as angústias da graduação e do mestrado comigo. Amigos como vocês são raros, e espero levar-lhes para todo o sempre. Também sou grata à professora Regina Bustamante, minha orientadora desde a graduação. Obrigada por estar presente auxiliando-me e incentivando-me nessa longa jornada. Ao professor Deivid Gaia também agradeço a confiança em meu trabalho, e os incentivos que sempre me deste. Sou grata também ao professor André Chevitarese a generosidade em avaliar minha pesquisa e seus apontamentos para aprimorar meu trabalho. Ao professor Wallace Moraes agradeço pela gentileza em aceitar orientar-me. À Professora Andréia Frazão agradeço por aceitar fazer parte de minha Banca de Qualificação e Defase de Mestrado. E, ao professor Alexandre Cerqueira, agradeço a gentileza em fazer parte de minha Defesa de Mestrado. Agradeço também ao professor Luís Eduardo Lobianco a quem sempre estimei. Sem a sua ajuda inicial, ainda na graduação, eu jamais teria me apaixonado pelo Egito Romano, pelos Antoninos e pelas Moedas. À minha família também sou agradecida pelo apoio e liberdade que sempre me deram em escolher meus próprios caminhos. Sou igualmente grata à Capes pelo apoio financeiro sem o qual esta pesquisa não poderia ter sido desenvolvida. E, também, sou grata à Secretaria do PPGHC por todo apoio prestado durante o curso do Mestrado. v Nossa vida não é aquela que vivemos, mas, sim, aquela que lembramos, e como a lembramos, para poder contar sua história. MÁRQUEZ, Gabriel Garcia. Vivir para Contarla. Bogotá: Grupo Editorial Norma, vi Resumo Largamente difundido na cunhagem monetária alexandrina, o poder legitimador de Serápis e sua relação com os governantes Lágidas e Romanos foram representados em variadas tipologias, algumas repetidas por diferentes governantes e outras, frutos de inovações. O objetivo desta dissertação de mestrado consiste em verificar as possíveis motivações que levaram aos Imperadores Antoninos (96-192) a cunharem variadas tipologias monetárias, consideradas inovadoras, contendo representações do caráter legitimador de Serápis. Temos por hipóteses a necessidade de os Imperadores Antoninos reafirmarem a sua legitimidade através de Serápis, pois a mesma poderia estar sendo questionada pelos provinciais, consideramos também a possível existência de algum tipo de identificação pessoal entre o Imperador e o culto a divindade Serápis. Analisaremos as representações iconográficas de Serápis na numismática alexandrina, durante o governo dos Imperadores Antoninos ( d.c.), a partir da aplicação do Método Iconológico de E. Panofsky (1991), transformando dessa forma, o discurso imagético num discurso literário, identificando mensagens contidas nas representações iconográficas. Aventa-se verificar se haveria alguma relação entre as cunhagens realizadas pelos Imperadores Antoninos e contexto sócio-político alexandrino do II século. A fim de se examinar esta hipótese seguiremos a proposta de J. Kocka (2003) acerca da História Comparada, propondo um estudo comparado entre o discurso contido nas representações iconográficas de Serápis cunhadas em moedas alexandrinas durante o governo dos Imperadores Antoninos ( d.c.), e o discurso literário presente num fragmento dos Acta Alexandrinorum, analisando comparativamente o discurso imperial e o provincial, buscando-se inter-relações entre estas documentações. Em consonância com a perspectiva comparada de J. Kocka, o caráter heurístico, descritivo e analítico serão base para a consecução de nossa proposta comparativa. Descritivamente, a comparação se dará na busca por semelhanças/diferenças, transformações/permanências, possibilitando uma análise profunda da documentação material. Heurística e analiticamente, a proposta de comparação entre duas documentações de natureza distinta se faz possível, possibilitando um novo olhar sobre objetos outrora estudados, proporcionando o surgimento de novas problemáticas que direcionem a pesquisa. Palavras-Chave: História Comparada Serápis Numismática Acta Alexandrinorum Dinastia Antonina vii Abstract Widely diffused in the Alexandrian monetary coinage, Serapis's legitimizing power and its relationship with the Ptolemies and Romans rulers were represented in varied typologies, some repeated by different rulers and others, coming from innovations. The objective of this master's thesis is to verify the possible motivations that led to the Antonines Emperors (96-192) to coined various monetary typologies, considered innovative, containing representations of the legitimizing character of Serapis. We hypothesize the need for the Antonines Emperors to reaffirm their legitimacy through Serapis, as it might be questioned, we also consider the possible existence of some kind of personal identification between the Emperor and the Serapis cult. We will analyze the iconographic representations of Serapis in the Alexandrian coinage during the rule of the Antonines Emperors ( AD), using the Iconological Method of E. Panofsky (1991), thus transforming the imaginary discourse into a literary discourse, identifying messages contained in the iconographic representations. With the purpose of verifying if there was any relation between the coinage made by the Antonines Emperors and the Alexandrian socio-political context of the second century In order to examine this hypothesis, we will follow J. Kocka's (2003) proposal on Comparative History, proposing a comparative study of the discourse contained in the iconographic representations of Serapis minted in Alexandrian coins during the rule of the Antonines Emperors ( AD) ), And the literary discourse present in a fragment of Acta Alexandrinorum, comparatively analyzing the imperial and provincial discourse, seeking interrelations between these documentations. In accordance with the comparative perspective of J. Kocka, the heuristic, descriptive and analytical character will be the basis for the achievement of our comparative proposal. Descriptively, the comparison will be made in the search for similarities / differences, transformations / permanencies, allowing a deep analysis of the material documentation. Heuristically and analytically, the proposal of comparison between two documents of a different nature is made possible, allowing a new look at previously studied objects, providing the emergence of new problems that guide the research. Key-Words: Comparative History Serapis Numismatic Acta Alexandrinorum Antonine Dinasty viii SUMÁRIO Lista de Imagens Lista de Mapas Lista de Tabelas Lista de Abreviaturas e Siglas Introdução Capítulo 1: O Poder Legitimador de Serápis Poder, Legitimidade e Representação Discutindo os conceitos A Alexandria de Serápis Serápis de Alexandria Capítulo 2: Tipologias Monetárias de Serápis Transformações e Permanências entre os Lágidas (305 a.c. 30 a.c.) e os Romanos (30 a.c. 192 d.c.) A Numismática Alexandrina As Representações de Serápis na Numismática Alexandrina Dos Lágidas (305 a.c a.c.) aos Imperadores Antoninos (96-192) Capítulo 3: Os Acta Alexandrinorum: Uma Análise de Resistência ao poder Imperial Os Acta e a Papirologia Acta Alexandrinorum: Uma Análise de Resistência ao poder Imperial Capítulo 4: O Poder Legitimador de Serápis em Disputa Demandas de reforço à Legitimidade Imperial Um diálogo entre moedas e trechos dos Acta Alexandrinorum Serápis e os Imperadores Antoninos: Relações de afinidade entre os Imperadores e a divindade Serápis Conclusão ix Catálogo Numismático: Fichas Catalográficas Anexo: Acta Alexandrinorum Documentação Referências Bibliográficas x Lista de Imagens Figura 1 Serapeum de Alexandria Figura 2 Æ Drachma Cláudio Figura 3 Æ Tetradrachma - Ptolomeu IV 217 a.c Figura 4 Æ Drachma Antonino Pio Figura 5 Æ Dracma Adriano Figura 6 Æ Drachma Antonino Pio Figura 7 Æ Drachma Adriano Figura 8 Æ Tetradrachma de Bilhão Cômodo Figura 9 Æ Hemidrachma Vespasiano Figura 10 Æ Diobol Antonino Pio Figura 11 Æ Dracma - Adriano Figura 12 Æ Drachma Nero Figura 13 Æ Drachma Trajano Figura 14 Æ Drachma Adriano Figura 15 Æ Dracma Marco Aurélio Figura 16 Æ Diobol Cômodo Figura 17 Æ Drachma - Ptolomeu III 230 a.c Figura 18 Æ Drachma - Adriano Figura 19 Æ Drachma Trajano Figura 20 Æ Drachma Trajano xi Figura 21 Æ Dracma Adriano Figura 22 Æ Drachma Adriano Figura 23 Æ Dracma Adriano Figura 24 Æ Ttradrachma de Bilhão Cômodo Figura 25 Æ Drachma - Antonino Pio Figura 26 Æ Dracma Marco Aurélio Figura 27 Æ Diobol Antonino Pio Figura 28 Æ Drachma Marco Aurélio xii Lista de Mapas MAPA 1 Alexandria no final do Reinado de Cleópatra VII MAPA 2 Organização Administrativa do Egito Lágida e Romano - 42 Nomós MAPA 3 Rotas Comerciais entre o Egito Lágida e Romano, o Mediterrâneo e o Oriente xiii Lista de Tabelas TABELA 1 Cunhagem Monetária Alexandrina de Augusto a Cômodo. 79 xiv Lista de Abreviaturas e Siglas BMC - British Museum Catalogue of Greek Coins D A. Dattari. Nummi Augg. Alexandrini I. Cairo: (Cairo 1901), II (Cairo 1902). DS - A. Savio. Catalogo completo della collezione Dattari: numi augg. alexandrini: 323 tavole con l'aggiunta di oltre 7000 monete rispetto al catalogo del Trieste: 1999 E K. Emmett. Alexandrian coins G - A. Geissen. Katalog Alexandrinischer Kaisermünzen der Sammlung des Instituts für Altertumskunde der Universität zu Köln I-V. Opladen: L - London, British Museum M - J.G. Milne. A Catalogue of the Alexandrian Coins in the Ashmolean Museum. Oxford: 1933 NY - New York, American Numismatic Society O - Oxford, Ashmolean Museum P - Paris, Bibliothèque Nationale RPC I A. Brunett, M. Amandry. Roman Provincial Coinage. London, Paris, RPC II - A. Brunett, M. Amandry. Roman Provincial Coinage. London, Paris, S Sear. Greek Imperial Coins and their values. London, S Sear. Roman Coins and their values. London, SNG Cop. Syllogé Nummorum Graecorum Denmark. SV Svornos. Ta Nomismata ton Kratous ton Ptolemaion. Atenas, xv INTRODUÇÃO Durante a graduação o estudo das interações socioculturais entre os Imperadores romanos e os provinciais egípcios, mais especificamente os cidadãos alexandrinos nos despertou grande interesse. Naquele período, dedicamo-nos a pesquisa dos discursos de poder contidos em moedas cunhadas em Alexandria durante o governo dos Imperadores Antoninos (96-192), com o objetivo de identificar nas representações iconográficas mensagens dos governantes direcionados aos provinciais. Entendemos a moeda como importante mecanismo de comunicação entre o Imperador e os provinciais. Considerando a circularidade monetária no âmbito urbano, a moeda abrange áreas e indivíduos em que o discurso literário, os pronunciamentos de soberanos, as vitórias militares, ou mesmo a imagética de líderes poderiam não alcançar, se configurando como elemento de propaganda. Concordamos com Cláudio Carlan (2013, p.50) ao considerarmos a moeda como transmissora de uma ideologia e do poder político. Nesse sentido, as amoedações emitiam mensagens de poder de um soberano. Pelo metal precioso, ou não, em que estava lavrada, ela veiculava também a ideologia comum a uma civilização [...] ou a orientação política de um governante. As suas legendas, tipos, refletiam a estrutura político-ideológica de um povo ou de vários povos, como também retratavam o fato vivido, seu dia a dia, suas conquistas. (CARLAN, 2013, p.51) Compreendemos a moeda como suporte imbuído de valioso discurso, uma vez que era idealizada/forjada para dar sentido a uma fala. Carlos Noreña (2011, p.251) considera que as mensagens contidas nas moedas são transmitidas através do design, composto tanto pela parte imagética (tipo) quanto pela parte textual (legendas), considerando tanto o anverso (cara) quanto o reverso (coroa). Para alcançarmos o (s) sentido (s) das mensagens veiculadas nas moedas necessitamos ler a moeda como um todo, interpretando imagem e texto como parte de um único discurso. De acordo com Peter Burke (2004, p.234), as representações imagéticas se apresentam como testemunha ocular 1 de seu tempo, uma vez que retratam percepções, indivíduos e eventos inseridos num contexto político-social-cultural específico. Dentre as muitas operações que Burke identifica serem comuns aos estudiosos das imagens, uma se destaca como essencial para 1 Peter Burke (2004) cunha o termo testemunha ocular para trabalhar como todo tipo de imagem, aplicamos sua acepção no estudo das representações imagéticas contidas em moedas. o estudo das representações imagéticas cunhadas nas moedas como importante documento histórico. O testemunho das imagens necessita ser colocado no contexto, ou melhor, em uma série de contextos no plural (cultural, político, material, e assim por diante), incluindo as convenções artísticas para representar [...] em um determinado lugar e tempo, bem como os interesses do artista e do patrocinador original ou do cliente, e a pretendida função da imagem. (BURKE, 2004, p.237) Em nossa monografia, as variadas representações iconográficas cunhadas nas moedas alexandrinas propiciaram uma interpretação em que fora valorizada a formação culturalmente híbrida da sociedade alexandrina. Neste estudo inicial, uma grande variedade de divindades e elementos culturais foram analisados buscando-se compreender as mensagens contidas nas representações imagéticas, e como estas se relacionavam com a realidade social, política, econômica e cultural alexandrina durante o II século, período de governo da dinastia Antonina (96-192). Dentro desta grandiosa diversidade cultural, a divindade Serápis e suas representações imagéticas em variadas tipologias numismáticas, suscitaram inúmeros questionamentos, especialmente no concernente ao caráter político da divindade. Serápis é uma divindade egiptohelenística cujo culto 2 desde sua origem esteve relacionado à legitimação dos governantes Lágidas 3 e à cidade de Alexandria 4, da qual era protetor. Expandiu-se principalmente entre os cidadãos alexandrinos e nas comunidades gregas dentro do Egito Lágida 5, não tendo sido muito popular dentre as camadas egípcias nativas, características estas que se mantiveram durante o período romano 6. De cunho marcadamente político, como apresentam Dunand (1991), Frankfurter (1998), Lobianco (2006, 2012) e Gralha (2009), o culto a Serápis foi associado à legitimação do poder 2 No primeiro capítulo desta dissertação apresentaremos as origens do culto a Serápis. 3 O período Lágida ou Ptolomaico compreendeu os anos de governo no Egito dos descendentes de Ptolomeu I Sóter (305 a.c 285 a.c), de 305 a.c. a 30 a.c., chegando ao fim com a morte de Cleópatra VII e a anexação do Egito por Roma. 4 Alexandria, capital do Egito Lágida e Romano, situa-se no Delta do Nilo entre o Lago Mareótis e uma calma baía banhada pelo Mediterrâneo. A tradição narra que foi o próprio Alexandre o Grande ( a.c.) que desenhou os traçados da cidade, mas foi durante o reinado dos Lágidas que Alexandria se tornou uma das maiores cidades do Mediterrâneo. 5 Nas cidades de Canopus, Mênfis e Oxyrhynchus, cidades estas de maioria grega, foram encontrados vestígios arqueológicos do que fora o Serapeum, templo dedicado a Serápis. Em Saqqara, cidade de origem faraônica, também foi encontrado um Serapeum adaptado do antigo centro de culto de Ápis. Em Alexandria residia o maior de todos eles, localizado no alto de uma colina no distrito de Rakótis. (FRANKFURTER, 1998). 6 O período de dominação romana no Egito se iniciou em 30 a.c. com a anexação das terras nilóticas por Otaviano e se estendeu até 395 d.c., quando com a divisão do Império Romano entre Ocidental e Oriental, o Egito passou ao comando dos bizantinos, cujo domínio se manteve até 642 quando Egito foi conquistado pelos mulçumanos. 17 real dos governantes Lágidas e, posteriormente, este aspecto foi apropriado pelos governantes Romanos. A iconografia de Serápis, muito semelhante à de Zeus, destoando apenas pelo uso kálathos 7 como coroa e pela semelhança com Hades, quando representado ao lado de Kérberos 8, portava a imagem de um homem à moda grega, barbado e vestindo o himátion 9, representação esta que em nada se assemelhava à estética faraônica. A ponte entre o novo governo que se estabelecia e o passado faraônico seria consolidada pela associação de Serápis à Ísis na construção de um casal divino (GRALHA, 2009, p.62-65) complementado por Harpokrates, o Hórus menino, conformando assim a tríade alexandrina (BAKHOUM, 1999, p.75). A cunhagem monetária contendo representações imagéticas de Serápis se iniciou no período Lágida e se expandiu durante o domínio romano. Ao longo dos séculos, muitas tipologias foram mantidas, como a representação dos bustos sobrepostos de Serápis e Ísis, iniciada com Ptolomeu IV Philopator ( a.c.) 10, e também novas imagéticas foram cunhadas, mantendo a força de Serápis como legitimador dos governantes. No que tange ao caráter legitimador de Serápis durante o período Romano, Barry (1988, p.178) apresenta a existência de duas posturas distintas. A partir do governo de Otaviano, a figura de Alexandre o Grande como modelo de governante legítimo, foi propagada. A dinastia Julio-Cláudia (14-68) 11 se associou à imagem de Alexa
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