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O poder nos traços do humor: a Elite política imperial nas páginas da Revista Illustrada. Rio de Janeiro,

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O poder nos traços do humor: a Elite política imperial nas páginas da Revista Illustrada. Rio de Janeiro, Aristeu Elisandro Machado Lopes 1 Resumo: A Revista Illustrada foi fundada por Angelo Agostini em 1876 no Rio de Janeiro. O periódico ilustrado abordava em suas páginas de humor temáticas variadas. Entre elas, a política do tempo mereceu uma atenção especial. Nesse sentido, a proposta desta comunicação tem por objetivo averiguar um grupo específico de ilustrações que noticiaram e satirizaram os presidentes dos Conselhos de Ministros do Império do Brasil e seus ministros. Ao longo dos anos de sua circulação no Brasil Imperial o periódico acompanhou as mudanças políticas que provocaram a queda, e em seguida a ascensão, de membros dos partidos Liberal e Conservador os quais constituíam a elite política imperial. É possível considerar, como uma das hipóteses de trabalho, que os políticos que ocuparam o principal cargo na administração do Império, abaixo apenas do Imperador Dom Pedro II, surgiram nas ilustrações em comentários críticos, representados em cenas cômicas e, assim, aproveitados para satirizar os partidos que se alternavam no poder. Dessa forma, a Revista Illustrada, um dos principais periódicos ilustrados que circularam no século XIX, é avaliada como uma fonte peculiar e especial para analisar a história política do Brasil imperial. Peculiar devido a abordagem dada as notícias, ou seja, relacionada com o humor, um dos objetivos dos jornais de ilustrações. E especial porque possibilita através de seus traços analisar o percurso de um grupo de homens que se dedicaram a política imperial. Palavras-chave: Imprensa ilustrada política Rio de Janeiro Considerações iniciais A imprensa ilustrada que circulou no Brasil do século XIX se caracterizou por suas ilustrações relacionadas ao humor. Contudo, ao mesmo tempo que publicavam em suas páginas desenhos humorísticos, também desenvolviam uma sátira aguçada. Os periódicos ilustrados alcançaram notoriedade nas últimas décadas do século XIX circulando nas principais cidades brasileiras. O Rio de Janeiro, centro político do Império do Brasil, foi o local no qual os jornais de ilustrações mais se desenvolveram. Entre outros, destacaram-se: Semana Illustrada ( ), A Vida Fluminense ( ), O Mosquito ( ), O Mequetrefe ( ) e a Revista Illustrada ( ). Nesse conjunto, a Revista Illustrada de Angelo Agostini alcançou um sucesso que até aquele momento nenhum outro periódico havia conquistado. Monteiro Lobato (1956, p.16) nas Ideias de Jeca Tatu, ao 1 Doutor em História (UFRGS), Professor Adjunto da Universidade Federal de Pelotas, Departamento de História e Programa de Pós-Graduação em História comentar sobre a caricatura no Brasil, assim se referiu ao periódico: Quadro típico de cor local era o do fazendeiro que chegava cansado da roça, apeava, entregava o cavalo a um negro, entrava, sentava-se na rede, pedia café a mulatinha e abria a Revista. Todos os periódicos acima apresentavam uma gama variada de temas e assuntos espalhados por suas páginas, especialmente naquelas dedicadas às ilustrações. Sem se descuidar das questões reivindicadas e consideradas importantes para o Brasil e que eram discutidas entre a geração surgida nas décadas finais do império, os artistas responsáveis pelas ilustrações dos periódicos dedicaram-se, com afinco, a questões políticas. Averiguar uma das vertentes desse conjunto variado de imagens é o objetivo deste trabalho. Em outras palavras, o desenvolvimento deste texto será realizado a partir da produção escrita e visual referente ao mundo político do Brasil imperial. Nesse contexto, foram selecionadas aquelas dedicadas a satirizar um dos Presidentes dos Conselhos de Ministros do Império, Lafayette Rodrigues Pereira responsável pela formação do Gabinete executivo do Império entre 1883 e Cabe explicar ainda que para este trabalho foram selecionadas apenas textos e ilustrações veiculadas na Revista Illustrada. A Revista Illustrada de Angelo Agostini A Revista Illustrada iniciou suas atividades em janeiro de O periódico trazia no texto de sua apresentação uma referência implícita ao seu fundador: E notem bem que não sou nenhum calouro (...) sou, pelo contrário, um veterano, já há muito calejado nas lides semanais, que, tendo se recolhido temporariamente aos bastidores, volta agora resfolgado a cena (Revista Illustrada, 01/01/1876). O veterano era Angelo Agostini que, de fato, não era um novato no trabalho com periódicos ilustrados. Nascido na Itália em 1843, Agostini se mudou para Paris aos nove anos, permanecendo na capital francesa cerca de oito anos. Ele veio para o Brasil em 1859 e se estabeleceu em seus primeiros anos na cidade de São Paulo iniciando sua carreira de caricaturista com o lançamento de dois periódicos: Diabo Coxo ( ) e Cabrião ( ) (BALABAN, 2009). Ao se mudar para o Rio de Janeiro em 1867 contribuiu com o periódico Arlequim, substituído no ano seguinte por A Vida Fluminense, no qual ficaria até 1871 quando então assumiu o periódico O Mosquito, permanecendo neste até No ano seguinte, portanto, começava a veiculação da Revista Illustrada. 2 O periódico contou na parte ilustrada, além de Agostini, com a colaboração de outros artistas como Bento Barbosa, Hilário Teixeira e Antonio Bernardes Pereira Netto. Este contribuiu com as ilustrações da Revista a partir de 1888 e, de maneira direta, após a saída de Agostini ainda nesse ano devido a sua mudança para Paris. Sobre a substituição Herman Lima (1963, p.903) destaca que Pereira Netto se tornaria mesmo quase um duplo, pela facilidade inaudita com que substituiria o mestre italiano. Pereira Netto permaneceu na Revista Illustrada até o encerramento de suas atividades em 1898 (OLIVEIRA, 2006, p.104). Ao longo dos anos de circulação os temas relacionados a política sempre surgiram em suas páginas abordados, quase sempre, com recursos do humor. Entre as temáticas, os Presidentes dos conselhos de ministros do Império do Brasil não foram desconsiderados. Entre os grupos que constituíam a elite da política brasileira do século XIX, o mais importante era aquele formado pelos ministros. Eles eram os agentes do poder executivo, cujo titular era o Imperador, que tinha total liberdade em escolhê-los (CARVALHO, 1996, p.49). Os ministros compunham um Gabinete que deveria desempenhar as funções administrativas do império, enquanto o Imperador desempenhava o Poder Moderador, o que lhe dava plenos direitos para demitir o presidente do conselho e convocar outro para formar um novo gabinete. Após a criação do cargo do Presidente do Conselho de Ministros em 1847 o Imperador passou a escolher apenas o presidente que deveria selecionar seus auxiliares, constituindo o Gabinete formado por sete membros (CARVALHO, 1996, p.49). Ao longo dos 49 anos do reinado de Dom Pedro II, houve 48 gabinetes, com uma média de quase um por ano (IGLÉSIAS, 1992, p.199). Contudo, vale considerar que na presidência de alguns gabinetes nomes se repetiram, como o Duque de Caxias que em três ocasiões entre 1856 e 1857, 1861 e 1862 e organizou o Gabinete. Ainda, as mudanças constantes no cargo de presidente do Conselho de ministros levava a uma certa alternância entre os dois partidos monárquicos, o Partido Liberal e o Partido Conservador (HOLANDA, 2005). Essa situação possibilitou a criação da expressão: nada tão parecido com um saquarema do que um luzia no poder (MATTOS, 2004, p.115). Essa frase, que identifica os saquaremas aos conservadores e os luzias aos liberais foi utilizada comumente a partir de meados do século XIX. Segundo Ilmar Mattos (2004, p.115) a frase serviu para caracterizar, com base numa ótica negativa, os partidos políticos no 3 Brasil, quer estejam falando dos do Segundo Reinado, que estejam se referindo aos de época mais recente. Agostini, o artista da Revista Illustrada, foi um homem atualizado com as questões políticas do Império do Brasil e certamente conhecia a expressão. Assim, aproveitou-se dela ao elaborar os desenhos humorísticos veiculados no seu periódico ao abordar as alternâncias dos partidos, a disputa entre os políticos e as quedas e ascensões dos presidentes. Vale ressaltar que desde o final dos anos 1860, com a queda do Gabinete Zacarias, os conservadores se mantiveram no poder ao longo dos anos No entanto, os liberais retornaram a ocupar o principal cargo político do Império no final dessa década e se mantiveram no poder até meados dos anos Entre a ascensão, a queda e a formação de um novo Gabinete, a Revista Illustrada acompanhou 11 presidentes entre o primeiro ano de sua circulação até o final do Império do Brasil. Em 1876, quando o periódico foi lançado, presidia o Conselho o Duque de Caxias; já nos meses anteriores a Proclamação da República o periódico acompanhou as crises que levaram a derrocada em 1889 do Gabinete comandado por João Alfredo Correa de Oliveira, importante na atuação, ao lado da Princesa Isabel, pela Abolição dos Escravos em 1888 (JUNIOR, 2004). O seu substituto, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, ficaria no poder até a Proclamação da República em A posição da Revista Illustrada, no que se refere a esses Presidentes, foi, predominantemente, crítica. Única exceção é feita ao tratamento dado pelo periódico a João Alfredo, devido ao fim da escravidão que era a principal bandeira de reivindicação do periódico. Contudo, essa posição amigável não perdurou e quando de sua demissão do cargo o periódico já o satirizava em suas páginas. O posicionamento crítico do periódico pode ser averiguado num momento peculiar da história dos presidentes do conselho de ministros quando um político liberal, mas com um passado republicano, foi convocado por Dom Pedro II para organizar o Gabinete; esta questão é o cerne da análise que será desenvolvida a seguir. Um peculiar presidente do conselho: Lafayette Rodrigues Pereira, meio republicano, meio monarquista 4 Lafayette Rodrigues Pereira ( ), nasceu na cidade mineira de Queluz 2 e foi um político de destaque no Brasil Imperial. Em 1870 o Partido Republicano foi oficialmente fundado no Rio de Janeiro e entre os signatários do Manifesto Republicano estava Lafayette Rodrigues, o qual também atuou no Clube Republicano e colaborou na redação da jornal República entre 1870 e 1874 (BOEHRER, 2000, p.41-47). Logo após a entrada dos liberais no poder com o Gabinete presidido por Sinimbu em 1878 ele se tornaria Ministro da Justiça. A posição do político logo seria tratada na Revista Ilustrada numa de suas crônicas. O texto foi publicado na Revista Ilustrada em 04/05/1878 pouco após a formação do Gabinete dos liberais. A crônica intitulada O Cavalo de Tróia e assinada pelo pseudônimo Junio, iniciava pedindo que respeitassem o senhor Lafayette, uma vez que ele conserva ainda puras as suas crenças republicanas e que o fato de ter aceitado o cargo de ministro era uma tática de guerra. A estratégia era composta pelo dolo e a manha e, conforme o periódico, esses recursos foram usados pelos antigos como na guerra entre Grécia e Tróia narrada por Homero na Ilíada. O jornal assegurava que iguais soluções eram empregadas em terras brasileiras, e que para alcançarem seus objetivos os republicanos enviaram um presente para o Império: Há quase dez anos que o partido republicano dá caça a nossa velha monarquia. Vendo-a, porém, forte e com mantimento ainda para muito tempo, recorreu ao estratagema helênico. O Sr. Lafayette é o cavalo de Tróia que os republicanos destacaram para o ministério e que há de destroçar a monarquia; é um presente de grego que os republicanos fizeram a S. M o imperador. Assim, afiançava o colaborador do periódico, não havia motivos para tantas críticas a Lafayette Pereira, o republicano sincero e capaz de todos os sacrifícios em bem da causa que abraçou. No final, o autor defendia o ministro, embora não comungasse de suas ideias, mas, ao contrário, declarava ser monarquista, muito monarquista. O texto da Revista foi escrito num tom irônico para satirizar o ministro e suas mudanças de posição política: antes republicano e agora liberal. Comparado com o cavalo de Tróia, o ministro surge como um presente para o Imperador Dom Pedro II, o qual aceitou a regalia; uma vez dentro do governo, o republicano Lafayette iria usar de todos os seus recursos para acabar com a Monarquia e implantar em seu lugar a República. A sátira ainda salientava que há dez anos os republicanos tentavam dar fim à Monarquia; mesma quantidade de anos que a Guerra de Tróia durou até a entrada do cavalo na cidade. 2 Atualmente a cidade se chama Conselheiro Lafaiete, uma homenagem a Lafayette Rodrigues Pereira. 5 O mesmo tom irônico foi dado ao noticiar o período de férias dos ministros, relatando as cidades para as quais deveriam se dirigir. Infelizmente, segundo a opinião do periódico, alguns deles não viajariam, como o Lafaytte Pereira, considerado meio senador, meio deputado, meio republicano, meio monarquista. (Revista Illustrada, 06/12/1879) A sátira a ele destacava sua mudança partidária e os cargos políticos que havia desempenhado em sua carreira até aquele momento. Lafayette Pereira foi presidente das Províncias do Ceará e Maranhão nos anos 1860, após tornou-se deputado e teve seu nome incluído na lista tríplice enviada ao Imperador como candidato ao Senado pela Província de Minas Gerais; mesmo não sendo o mais votado foi o escolhido e assumiu o cargo em Somente se retirou do Senado em 1883 para assumir, a convite do Imperador, o cargo de Presidente do Conselho de ministros. O novo quadro da reorganização política brasileira não passou despercebido na Revista Illustrada que, novamente, aproveitou o passado político do novo presidente para abordar sua chegada ao cargo mais prestigiado da administração imperial. Ao longo dos meses em que permaneceu no poder entre 24 de maio de 1883 e 06 de junho de 1884 a Revista publicou aproximadamente 28 desenhos ilustrados nos quais Lafayette Rodrigues Pereira aparece diretamente envolvido com a política de seu Gabinete. A ascensão de Lafayette começou quando terminou a gestão do Gabinete formado pelo Marques de Paranaguá. Contudo, mesmo pedindo demissão do cargo, Paranaguá se dispôs a colaborar com Dom Pedro II na formação de um novo Gabinete. É provável que o seu auxílio estava relacionado ao fato de não deixar que no seu lugar fosse chamado um membro do Partido Conservador, o que de fato não aconteceu já que Lafayette, assim como Paranaguá, era filiado ao Partido Liberal. A Revista Illustrada passou, então, a narrar, como numa história em quadrinhos a busca pelo novo Presidente, enfatizando que ela era feita por salvadores da Pátria. Nos desenhos ilustrados analisados a seguir o periódico enfatizava que a nomeação de Lafayette Rodrigues foi feita somente depois que todos os possíveis presidentes previstos por Dom Pedro II recusaram o cargo. No primeiro quadro o desenhista apresentou o Diógenes paranaguaense, numa alusão ao ex-presidente associado ao filósofo grego Diógenes de Sínope. Uma das anedotas folclóricas sobre o filósofo afirmava que ele andava de dia pelas ruas com uma lanterna acesa procurando por homens verdadeiros, virtuosos. Essa é a mesma tarefa desempenhada por Paranaguá. Contudo, conforme a legenda do desenho afirmava, percorreu toda a cidade sem encontrar coisa que lhe servisse (Figura 1). No quadro seguinte 6 parece que o Diógenes brasileiro encontra uma solução. Ao avistar do Largo do Paço a cidade de Niterói lembrou-se de José Bonifácio, mas a dificuldade estava em resolvê-lo a aceitar. No terceiro quadro surgem outras figuras de destaque do Partido Liberal, trata-se, conforme o periódico, da comissão de resolvedores. Constituíam esse grupo os conselheiros Gaspar Silveira Martins, Senador Dantas e Bezerra de Meneses; os três foram ao encontro de José Bonifácio, agora chamado pelo periódico de novo salvador, levando a túnica, o manto e o resplendor e convencê-lo que deveria salvar a Pátria. Os elementos que são levados pelos conselheiros e a forma como o periódico chama os possíveis candidatos ao cargo remete a outra questão aproveitada nesse momento pelo periódico. Em outras palavras, ao transformarem os políticos procurados para ocupar o cargo no salvador da Pátria, fazem uma referência a crença religiosa em Jesus Cristo como o salvador do mundo. Para o periódico a ocupação do cargo político tinha um efeito salvador semelhante àquele desempenhado por Jesus Cristo na salvação da Humanidade. Assim, aceitar a túnica, o manto e o resplendor era uma demonstração de sacrifício pelo Império do Brasil que no começo dos anos 1880 começava a enfrentar uma cada vez mais organizada oposição: O que ocorreu na década de 1880, foi a ampliação do espaço público através de associações, conferências, imprensa, livrarias, confeitarias, clubes, mobilizações populares, etc (MELLO, 2007, p.14). Apesar do contexto de politização do Rio de Janeiro ocorrer com mais afinco nos anos finais da década, já no seu começo a situação política não era calma. Desde os anos 1870 começou a ser formar na capital do Império um grupo de opositores ao regime monárquico constituído a partir de matrizes políticas diferenciadas, entre as quais estavam os abolicionistas e republicanos (ALONSO, 2002). Aquele que assumisse a tarefa de constituir o Gabinete teria que lidar com essa oposição; é provável que José Bonifácio importante nome na luta contra a escravidão tenha negado tal convocatória justamente para não entrar em contradição com a causa abolicionista. Conforme a Revista, ele procurou o imperador e recusou a função: O novo salvador indicado e implorado apresentou-se ao Todo Poderoso: desistiu da honrosa incumbência e entregou a roupa de salvação (Figura 2). Essa legenda está nos desenhos da página 8 que compõem o segundo quadro da continuação da história em quadrinhos. É nessa página que o Imperador surge na história pela primeira vez. Ele é apresentado vestindo um traje peculiar: não está vestido com casaco e calças como os demais que aparecem nos desenhos como também não está com o seu traje de gala. Dom Pedro II, apesar de trazer um coroa com raios de sol, parece vestir um camisolão. A visão do imperador, criada por Agostini, não se distancia de outras produzidas pelo artista e 7 compartilhada por outros desenhistas do império. Lilia Schwarcz (1998. p.420) destaca que o Imperador representado nas caricaturas, sobretudo a partir de meados dos anos 1870, era descrito como um Pedro Banana ou Pedro caju, que pensava em viagens, tinha mania de erudição e era sonolento. A forma desleixada com foi apresentado nesses desenhos não foge a essa regra. A interpretação do artista da Revista que era repassada aos leitores ganha mais sentido ao se verificar que ele está, nos três momentos nos quais aparece nessa página, de chinelos, ou seja, numa situação cômoda em seu palácio apenas esperando que o seu novo presidente se apresente para governar o país. Sem substituto, Paranaguá retoma a busca pelo novo presidente: O Diógenes do Paço foi de novo encarregado de descobrir um homem que quisesse aceitar a honrosa incumbência de organizar ministério. O quadro apresenta Paranaguá novamente com a lanterna e com os apetrechos destinados ao salvador ; contudo, como não achara coisa melhor, resolveu atirar com todo o aparelho de salvação no Dantas (pai) 3. No entanto, apesar de aceitar inicialmente, Dantas igualmente recusa o cargo afirmando que Esta situação política não é lá para que digamos quase tantos conservadores como liberais. A explicação da fala de Dantas e o porquê de não aceitar o cargo aparecem somente no penúltimo quadro quando, então, revela que o número de conservadores na câmara é o empecilho. Dantas resolve se dirigir ao paço e entregar a roupa de salvador. O imperador surge um tanto impaciente com a falta de uma solução, conforme a legenda Dom Pedro II indaga: Então ninguém o quer? Nem o Dantas!! Por fim, o imperador responde: Já sei, sei ; e aponta a solução para o impasse: Mandem-me o Lafayette, ouviu?. No último quadro aparece Lafay
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