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o POETA E A H1STOR1A: DRUMMOND, 0 OBSERVADOR NO ESCR1TOR10

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o POETA E A H1STOR1A: DRUMMOND, 0 OBSERVADOR NO ESCR1TOR10 Chove no passado, chove na memoria. o tempo e 0 mais cruel dos escultores e trabalha no barra.' Por que se escrevem diarios? - e com essa pergunta
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o POETA E A H1STOR1A: DRUMMOND, 0 OBSERVADOR NO ESCR1TOR10 Chove no passado, chove na memoria. o tempo e 0 mais cruel dos escultores e trabalha no barra.' Por que se escrevem diarios? - e com essa pergunta que Carlos Drummond de Andrade abre 0 livro 0 observador no escrit6rio: paginas de diario, publicado em 1985 e reline registros em fragmentos do escritor, datados de 1943 a A forma de diario ja nos traz a sensa ;ao de que 0 escritor via, aos poucos, decompondo a historia em imagens e nao em estorias, isto e, a constru ;ao de uma totalidade a partir do imbricamento de partes que se fundem e se completam, fragmentos que nao neeessariamente constituem narrativas, segundo 0 autar fazendo lembrar coisas literarias e politicas daquele Brasil sacudido par ventos contrarios. (l985, p.08) a valor biografico (BAKHTIN, 1997), presente nas biografias, autobiografias, diarios, constitui 0 principio organizador do vivido e pode dar forma it consciencia, it visao, ao discurso que se tern sobre a propria vida. Em outras palavras, ainda segundo Bakhtin, os valores biograficos podem determinar os atos praticos e suas finalidades; san as formas e os valores de uma estetica da vida . (1997, p.166) Dentro do genero memorialistico hibrido, 0 livro constitui urn misto de diario - com anota ;6es do dia a dia sem a ambi ;ao de estabelecer e prop or urn padrao. Assim, registra visitas it familia Portinari, morte de Mario de Andrade, visitas e conversas com Manuel Bandeira, Vinicius de Morais e outros; observa ;6es lirieas acerca de uma tarde 4.e chuva fina; passeio por Ipanema com 0 caehorrinho Puck e as impress6es sobre predios, sacadas e ruas; observa ;6es sobre 0 cotidiano e a produ ;ao litera ria, desde 0 bizarro telefonema de uma professora de Letras questionando se avaria ;ao do tom de cor, do papel branco, do livro As impurezas do branco foi proposital (e a resposta da editora: motivos economicos)ate 0 desabafo Esse diabo do Baudelaire, dizendo que a imaginac;ao consiste em trabalhar todo dia. E onde fica a minha preguic;a de intelectual, que se imagina produtora de grandes obras quando a inspirac;ao for servida? (l985, p.64); e memoria, nos registros de fatos e acontecimentos externos como a entrevista com Luis Carlos Prestes, a fundac;ao da Associac;ao Brasileira de Escritores (ABDE), a politica getulista e a antigetulista. o conjunto resulta na construc;ao da historia montada em pequenas pec;as, cuidadosamente escolhidas, a partir da forma singular do di,l.rio de quem se autodenomina observador no escritorio . 0 lugar de onde fala - 0 escritorio - configura 0 predominio da observac;ao no lugar do senso pratico da experiencia vivida. 0 texto, no entanto, desenvolve-se na tensao, do poeta, para compreender a teia complexa entre tradic;ao e modernidade, ac;ao politica coletiva e interesses individuais, na efervescencia politico-cultural, especial mente do Estado Novo. Expoe, pois, a tensao entre a ac;ao politica militante e a atividade de pensador consciente, critico e escritor que precisa justificar-se apenas pela sua obra. Medita\;ao entre quatro paredes: Sou urn animal politico ou apenas gostaria de ser? Esses anos alimentando 0 que julgava ideias politicas socialistas e eis que se abre 0 ensejo para defende-ias. Estou preparado? Posso entrar na militfillcia sem me engajar num partido? Minha suspeita e que 0 partido, como forma obrigat6ria de engqjamento, anula a liberdade de movimentos, a faculdade que tern 0 espirito de guiar-se por si mesmo e estabelecer ressalvas a orienta\;ao partidaria.(...) Resta 0 problema da a\;ao politica em bases individualistas, como pretende a minha natureza. Ha uma con- J,radic;ao insoluvel entre minhas ideias, e talvez sejam apenas uto i- as consoladoras rninha ina tidao' p;~~iodo se i-p'articul;~-~;;nsivel,-~roveitode '~~~-g'e;ai:i-;;;p~l, ----~..... ~~-,... .---_. -,...._.--. ....- ''''''''--- as vezes dura, senao liiipleqosa. Nao quero ser urn energurneno, urn ;ctario, urn passi~~al o~ umfrio dornesticado, conduzido por pajavras de ordem.(...) Se a inexorabilidade, a rnalicia, a crueza, 0 oportunisrno da a\;ao politica me desagradam, e eu,no fundo, quero ser urn intelectual politico sern experirnentar as impurezas da a\;ao politica? (ANDRADE, 1985, p.3 1) A longa citac;ao fez-se necessaria para expor a turbulencia interior do poeta que, associada as suas observac;oes no diario, direciona 0 conjunto de imagens que desconstroem a linearidade e univocidade na interpretac;ao da historia e da cultura. A principio, aspectos gerais mostram nuances do pensamento politico que marcou 0 Estado Novo. A Republica decepcionara pelas contradic;oes devidas aos grupos heterogeneos que a compunham; foram tantos os conflitos internos que a sua derrocada implicara em desmoralizac;ao das instituic;oes chamadas liberais , vistas como sinonimo do Estado dividido e desarticu- J lado. A partir dos anos 30, as ira- um Estado hegemonico, i!!!~gra- ~. '- -- '... do, monolitico diante do pensamento tido como inovador, capaz de tv-v~,\-(- associar moderrix~a io e autoritarismo. As~~ec~s sidade~de iri;:- j\..,'~ dernizar as instituic;~~nalismo vigoroso tanto quanta 0 autoritarismo, aliados ao ideal salvacionista de renovar as tradic;oes, constituem as bases do pensamento politico brasileiro, no periodo de (CHACON, V., 1977, pai)os principios de nacionalidade pautam-se na unidade politica, pela continuidade administrativa e, para ser coerente a fonte do caudilhismo positivista, a defesa da supremacia da autoridade central. o termo ~arao faz parte do discurso dos articuladores do Estado Novo: FrancisCO' Lampos, Lindolfo Collor, Gustavo Capanema, Agamenon Magalhiies, Lourival Fontes, Salgado Filho, Gois Monteiro. o proprio Getulio Vargas demonstra, por seu empenho, ter a consciencia da vinculac;ao desse termo com a modernizac;ao burocratica.tece-se, por tais meios, a~ comlliexa..ji tradi ao e modernizac;ao: 0 regime do presidente com a reforma das instituic;oes. Ora, se na Republica era a cidade considerada como um organismo cance\oso, sujeita a violenta pratica da ordem, sob a roupagem higienista, no Estado Novo san as instituip5es 0 objeto da reforma moralizante e autoritaria, em nome do novo e do moderno. 0 maior exemplo disso resume-se na burocracia de carreira, capaz de par em as!.~. aorg~~izac;ao nacio~al a ~~2_~fa i!fs J:~g.j.tQ..cgJieIlllb1i~C!..Y~lhe:. Os termos, no entanto, para ambas as praticas asssemelham-se. Para 0 Rio Civiliza-se predominam expressoes como arejar , desinfetar , urbanizar com 0 brac;o da ordem pelo progresso. A modernizac;ao burocratica valem termos tais como metodos , disciplina , eficien- cia , reorganiza ;;ao , harmonia , urn ensino sistematico e sua aplica ;;ao , convergindo para 0 completo desenvolvimento e 0 plano politico da na ;;ao . Aqui, portanto, 0 Setor Civil moderniza-se. Nas primeiras paginas de seu diario, Drummond registra 0 ensaio de novos habitos nos modernos espa ;;os que anunciavam condi ;;oes ideais de trabalho. Dias de adapta ;;ao a luz intensa, natural, que substitui as lampadas acesas durante 0 dia: as divisoes baixas de madeira, em lugar de paredes; aos moveis padronizados (antes obedeciam a fantasia dos diretores ou ao acaso dos fornecimentos) (ANDRADE, 1985, p.13) A fim de alcan ;;ar as metas de moderniza ;;ao, Vargas realiza 0 apelo da ~e de~ as for ;;as- do Tenentismo ao lute ralismo - proposta que estremece as diferentes posturas entre os intelectuais, envolvendo desde uma inteligencia tida como conservadora (Alceu Amoroso Lima, Afonso Arinos, Otavio de Faria, Paulo Prado, Augusto Frederico Schmidt) ate uma intelectualidade considerada mais solidaria e simpatica as reformas profundas, de cunho social, como Graciliano Ramos, Jose Lins do Rego, Gilberto Freyre, Jorge Amado, Erico Verissimo, Jose Americo de Almeida, Di Cavalcanti, Candido Portinari, Heitor Villa- Lobos, Ribeiro Couto e 0 proprio Drummond, entre muitos outros. Algumas revistas concentram a organiza ;;ao dessas icteias, entre elas a Hierarchia(Rio de Janeiro), com Plinio Salgado e San Tiago Dantas; Revista de estudos juridicos e sociais (Rio de Janeiro), com Americo Lacombe, Otavio de Faria, Helio Osana; Politica (Sao Paulol, de Candido Mota Filho, Menotti Del Picchia. Dentre as maio res revistas culturais e ideologos estao:cultura Politica (Rio de Janeiro), com a colabora ;;ao da elite oficial do regime, atraindo Gilberto Freyre e Nelson Werneck Sodre; Brasil Novo (Sao Paulo), subsidiada pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) e Plan alto (Sao Paulo), ambas fundadas por Cassiano Ricardo.(CHACON, 1977, p. 93) De particular importancia pelo fato de congregar 0 melhor da elite intelectual da epoca, esta 0 jornal carioca A Manha que, atraves do Suplemento Literario AutoreseLi'Vros' participa intensamente do momenta cultural e politico. E interessante observar que a sombra protetora de A Manha em sua sede a rua Evaristo da Veiga, no Rio de Janeiro, nasce a A~ ;ao_BJ.a:iileira_de-EsGritQres CABDE), Eundada em 1942, inicialmente consjitui-se..o_manibal Machado, Alvaro Lins, ~~~deira, ~gxip-9 JuniQr.:,L~i Carneiro, Drummond, Ca~;'ano Rjgr9~~fons9-.. Minos, Asgojild9_E.erelr!!._- Mucio Leao, Vinichis~de Morais Ribeiro Couto e Francisco de Assis Barbosa. Se, num primeiromomento;-aj'mdesillgepor-mspira ;;ao corporativista indireta do Estado Novo, isto e, a administra ;;ao racionalizada de determinados interesses, converte-se depois em urn orgao de resistencia a ele. Concentrando-se no relato e imagens das lutas e debates para a funda ;;ao da Associa ;;ao Brasileira de Escritores, Drummond revel a linhas politicas marcantes do processo politico-cultural brasileiro, com expressao acentuada durante 0 Estado Novo, isto e, 0 dilema tradi ;;ao e modernidade, especialmente na defesa do tecnocracismo, contaminado, porem, pelos la ;;osde amizade e favor. Os conflitos da realidade politica sao muitos e impedem 0 observador de permanecer com suas reflexoes. ~ljr.2...yi:-~u1a!:tq.l!ql'~~ ~s de amizade e dependencia no estabelecimento de rela ;;oesprofissi -. -' -'-'.._ _---~ ~ja e!!.c.?_tau~~.~ena confian a.e cq!lsideraso~s pes~~~is~o desvencilhar-se da delicada situa ;;ao em que dizer nao, a urn eci; implica, simultaneamente, ser coerente consigo mesmo? Campos deseja que eu de forma jornalistica mais adequada ao texto. Eis ai urn pedido que me deixa perturbado. Devo favores a esse homem que me acostumei a admirar por sua inteligencia poderosa, e que e tao ligado a ~migos_meus. Como recusar a tarefa? Esquivome delicadamente. (ANDRADE, 1985, p. 38) A sutileza e a discri ;;ao do escritor nao sobrevivem incolumes a pressao externa. A complexidade do momenta politico mexe com as suas mais profundas convic ;;oes, como a de que uma atitude arbitraria nao justifica outra. A sua recusa ao.edido de Francisco Campos de dar forma jornalistica a urn texto de Eduardo Gomes gu.e. i.o.centivaria urn golpebranco, e na a adianta. Os mentor~ dessa icteia sustentam-na em reuniaocoitios intelectuais, marcando com voz alta, sua indigna- ;;ao,distante da sutileza do seu agir costumeiro. Surpreendo-me saindo do meu silencio natural e berrando, ao ouvir que 0 plano de oposi\;ao a Getu1io e transferir 0 governo ao Presidente do Supremo Tribunal. E 0 golpe! A agita\;ao da sala e tamanha que Luis Werneck de Castro propiie 0 encerramento da sessao.(andrade, 1985, p.38) A revela~ao feita pelo poeta de que seu ate de rebeldia foi marti\-~ ~ cado pela emo~ao, pela indigna~ao, e nao por urn planejamento de M-~~ a~ao criti~a, :svazia, pa.ra 0 leito:,. a postura do intelectual firme em \(({~, suas convlc~oes, com atltudes pohtlcamente planejadas, determinadas ~w-- e racionais. No entanto, mostrar a fragilidade, a duvida e a tensa in- 11'-' ' decisao representa urn raro ate de coragem. Isto porque sabemos que 0 passado recebe continuamente novos olhares, iluminados no presente por perfis e interesses diversos. No diario, a sua rela~ao com 0 pass ado nao alimenta a mistifica~ao e, na escolha do que lembrar, destaca-se a recusa de espelhar-se uno: expor-se dilacerado, e urn ate intelectual de coragem. E, ainda, a escolha do que lembrar, exercitada por Drummond nesse diario, traz-nos urn ambiguo e complexo movimento: as fragilidades do intelectual, suas dores e dilemas, revestem-se dos anacronismos da realidade cultural. Se, por urn lado, 0 conflito do escritor consigo mesmo entre a a~ao politica militante e a critic a independente parece ter alcan~ado urn climax, por outro, gradativamente, intensifica-se a percep~ao do movimento das contradi~6es na aparente ordenada realidade exterior. Primeiro, a tomada de consciencia de que as palavras fervem muito, e mais, do que as atitudes, isto e, na entao Uniao dos Trabalhador~~~l.!ais illji) - ~za~clq!!s'~1._0!.i~ os discursos inflamam-se e-as a~6es perdem-se no dificiremaraiihado da realidade politica. A UTI continua fervendo... em palavras. (..)Como antes, dividemse as opinioes. (Eu mesmo nao estarei dividido, no fundo? Deixei meu trabalho no Gabinete de Capanema para ter 0 gosto de militar contra Getlilio e seu continuismo, ec.~g~e sou ~~ara 0 lado que n~~.q.uer.c-o~lo, a fim de colher dividendos politicos antigetiiltanos...entenda-se).(andrade, 1985, p. 39) Em seguida, 0 descredito quanta a possibilidade de exito da a~ao conjunta de intelectuais sobre uma realidade tao dilacerada e confusa; a incerteza quanta aos principios e objetivos em tome dos quais se reunem o grupo de escritores,jomalistas, etc. Especialmente no poeta Drummond a divisao permanece e a vontade politica envolve-se num turbilhao de inseguran~a, adquirindo uma unica forma: a perplexidade a duvida. A tortuosidade, 0 emaranhamento das linhas politicas que parecem negar-se a si mesmas e no entanto obedecem a uma logica fria! Tudo isso e muito complicado e tira a minha naturalidade, a minha verdade pessoal, 0 meu compromisso comigo mesmo.(andrade, 1985, p. 39) Alem do continuismo, quer pelo corporativismo, quer pela corrup~ao, aflora do texto, tambem, 0 movimento, como num jogo, entre 0 Brasil das a~6es reais (como os brasileiros as realizam) e 0 dos discursos, liberais ou fascistas. No lugar da competitividade do mercado, 0 empreguismo, em vez das regras, a burla. Para a grande maioria, a fome e 0 abandono a propria sorte. Como urn quebra-cabe~a onde os fatos apreendidos a superficie organizam-se, na sucessao de manchetes de jomais, comp6em urn jogo egul!!~..a,_atualidade.lesume.jluuios P~~ caitig l;(a.-.f4j~i~:a: a promessa de mudan~as e~truturais que, de verdade, nada mudam. Desapareceu urn vagao de carne da Central. Carregado. Policias do Rio, Estado do Rio, Sao Paulo e Minas, em articula\;ao, apuram 0 caso dos remedios falsificados. Prisoes e apreensoes. Poucas pessoas pagam as quantias devidas, nas Tesourarias, por falta de Fiscaliza\;ao. Mexico resolve abater e incinerar gada brasileiro em quarentena ou devolve-lo ao Brasil. Surge nova fila: ados aposentados e pensionistas do Instituto. (ANDRADE,1985, p.60 e 61) Essa cole~ao de manchetes, montada no diario, com data de julho de 1946, antecipa a reflexao do poeta que transformara a duvida em constata~ao, acerca da fragilidade da atua~ao politica do intelectuai, de oposi~ao, frente ao Estado Novo. a plenario aprovou a declara\;ao e tudo acabou em paz, com a formula posi\;ao de combate do escritor transformada em posi\;ao de vigilancia , e 0 repudio i1 ditadura de classe ado\;ada e ampliada para qualquer forma ou sistema de ditadura . Como e dificil aos escritores a escolha da palavra certa! A ironia da lugar a melancolica certeza: novos choques, fatal- mente, ocorrerao no futuro, sem proveito alguma para a fragil, imperfeita e caricatural democracia brasileira, em que os escritores, artistas e cientistas san parte minima e desprestigiosa. (andrade, 1985, p. 78) Os text os de Historia registram que os anos do Estado Novo representam uma renova ;:ao na concep ;:ao de cultura no Brasil, a partir da tentativa de se estabelecer uma mentalidade mais democrcitica acerca da educa ;:ao como direito de todos. No entanto, a mobilidade aparente para a ascensao social realiza-se pelo acaso loterico, isto e, 0 conhecimento e 0 talento san reconhecidos pela prcitica de antigos recursos - 0 privilegio da indica ;:ao a uma sinecura na burocracia. Assim os famosos cargos de confian ;:a contradizem as propostas de disciplina, eficiencia e racionalidade do discurso de moderniza ;:ao. Segundo Silviano Santiago (1989), 0 pr.o.hl.~ajorg~~ as equipes de trabalho nao se formam sob principios da etica profissional, mas sob formas-.q.ehi~~~q~iza~ao pelo m-an-d-on!s.mo, iyaidad~, 0 emplegyi.:ulj,o, _ ~.,. a corrup ;:ao. --.ACQiiseqiiencia disso esta tambem na precaria consistencia de principios ideologicos, propicia a vigencia do sectarismo e das concep ;:6es maniqueistas, mesmo entre aqueles, cujo discurso contradiz tal pratica. Ora, a essa altura fecha-se 0 circulo do movimento das contradi- ;:6es:se, num mesmo contexto, os intelectuais prop6em reformas em seus discursos e divulgam-nas, em grupos e institui ;:6es compostos e dirigidos por la ;:osde amizade, isso significa que nao passam imunes as caracteristicas culturais da realidade em que vivem. Se 0 continuismo, o vazio - deixado pelas promessas de reforma - e 0 privilegio matizam os principios democrciticos de conteudos tradicionais, de valores pessoais e oligarquicos, no conjunto social, atingem, por sua vez, os intelectuais, tanto em seu discurso, como na sua prcitica. E proprio e possivel ao intelectual, ate a primeira metade do seculo XX, discutir e exercer uma poderosa critica a temas como a ciencia enquanto urn exercicio tecnico afastado de uma reflexao sobre os seus proprios fins; a grave disjun ;:ao entre mercado e produ ;:ao cultural; 0 progresso tecnico que molda, ambiguamente, 0 progresso politico do intelectual, dividindo-o entre a sobrevivencia (nos jornais ou expondo suas obras no mercado) e a fun ;:ao politica de renova ;:ao. Todavia, no caso brasileiro, outras regras nao pod em, ao mesmo tempo, ser quebradas: as do patronato que levam as benesses do emprego publico, do favor publico e da carreira prestigiosa. Em resumo, as icteias da razao instrumental, cujo eixo sustenta-se na defesa da disciplina, eficiencia e organiza ;:ao, mesclam-se as leis das rela- ;:6espessoais e subserviencia. Os intelectuais se defrontam com uma complexa realidade social e para explica-ia ha a tenta ;:ao (a que poucos resistem) da via simplificada dos reducionismos, da transferencia de model os teoricos, de nacionalismos de todo tipo. Para ler essa realidade cultural, 0 pensador Francisco de Oliveira criou para economia brasileira e sua rela ;:ao com 0 capitalismo mundial uma alegoria: 0 ornitorrinco. Diz 0 autor: 0 que e 0 ornitorrinco? Altamente urbanizado, pouca for ;:ade trabalho e popula ;:aono campo, dunque nenhum residuo pre-capitalista; ao contrario, forte agrobusiness. Urn setor industrial da Segunda Revolu ;:ao Industrial completo, avan ;:ando, tatibate, pela Terceira Revolu ;:ao, a molecular-digital ou informcitica. (OLIVEIRA, 2003, p.133) Estimulado pelo terreno cultural a sua volta, Drummond tambem cria uma alegoria para poeticamente dizer, com sua voz solitaria, mas que tern ressonancia, as contradi ;:6es, anacronismos, disparates que envolvem 0 papel do intelectual no dicilogo com a Historia e frente a complexidade do presente. Registra, no seu diario, os mo.- tl vimentos desencontrados , subitos de urn ~Q roxo claro .a poesia, segundo 0 autor, com sua delicadeza e fragilidade aparentes cabe a tarefa de desmontar , diluir , interpretar 0 conjunto esdruxulo que toma conta, de forma absurda e violenta (apesar do breve sorriso que 0 humaniza) de nosso cotidiano. \ v- - Urn leopardo v~i de roxo claro pela rua. E urn navia, urna estatua, \ c...4 -' v-' '- urn cora ;ao perverso, urn espectro, urn sorriso breve, saa muitas ~ d,- caisas desencontradas e subitas, que cabe a poesialru:l!1!retar es- ~' ~
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