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O real e o simbólico e os impactos globais na cultura contemporânea: uma experiência no ensino das línguagens da Comunicação 1

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FÓRUM NACIONAL DE PROFESSORES DE JORNALISMO (FNPJ) 10º ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES DE JORNALISMO MODALIDADE DO TRABALHO: COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA GRUPO DE TRABALHO: PROJETOS PEDAGÓGICOS E METODOLOGIAS
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FÓRUM NACIONAL DE PROFESSORES DE JORNALISMO (FNPJ) 10º ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES DE JORNALISMO MODALIDADE DO TRABALHO: COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA GRUPO DE TRABALHO: PROJETOS PEDAGÓGICOS E METODOLOGIAS DE ENSINO COORDENADORA: PROFª VALCI ZUCOLOTO O real e o simbólico e os impactos globais na cultura contemporânea: uma experiência no ensino das línguagens da Comunicação 1 Lúcia Márcia Carvalho Lemos 2 RESUMO Este artigo tem como objetivo apresentar recursos didáticos empregados em um curso de Especialização em As Linguagens da Comunicação no mundo contemporâneo na Universidade do Vale do Rio Verde (UNINCOR). Tem como referência dois trabalhos: as reflexões desenvolvidas por alunos em torno das revistas Nova e Cláudia, no Curso de Especialização da UNINCOR e o estudo de A imagem da mulher nas revistas Boa Forma e Corpo a Corpo, desenvolvido por alunas do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). A temática se relaciona com uma das atividades acadêmicas necessárias à obtenção de crédito parcial no Programa das duas universidades. A escolha de uma metodologia, parcialmente diferente das empregadas no restante do curso, foi de grande valia para que os alunos pudessem desenvolver seus questionamentos e reflexões, promovendo um questionamento crítico e criativo. PALAVRAS-CHAVE: construção do conhecimento, análise crítica, real e simbólico. INTRODUÇÃO O Programa de Especialização em As Linguagens da Comunicação no mundo contemporâneo da Universidade do Vale do Rio Verde (UNINCOR) campus de Três Corações - iniciou suas atividades em O curso busca atender à necessidade de proporcionar instrumento teórico capaz de estimular a indagação e a pesquisa de problemas relativos à linguagem e à estética dos meios de comunicação de massa. Trata-se, pois, de oportunidade de capacitação aos profissionais e estudiosos da 1 O real e o simbólico: impactos globais, regionais e locais é uma das disciplinas do Curso de Especialização em Linguagens da Comunicação no Mundo Contemporâneo da Universidade do Vale do Rio Verde (UNINCOR) - campus de Três Corações-, ministrada pela Profª Lúcia Márcia C. Lemos. 2 Lúcia Lemos é especialista de Jornalismo, Educação e Ciência pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). 2 Comunicação, Linguagem e Literatura, Ciências Sociais, e outros, para a conscientização, reconhecimento e produção, dos diferentes usos da linguagem no que hoje se designa como tecnocultura. Este termo entendido como no pensar de Sodré (1996) 3, que diz não apenas abranger os tradicionais meios de comunicação de massa televisão, rádio, jornais, revistas, publicidade mas ainda as variadas formas comunicacionais do presente tecnológico, os rizomas, próprios ao espaço que vem sendo progressivamente criado pelas redes telemáticas. 4 INSTRUMENTAÇÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA Tendo como referência a experiência adquirida no Programa de Pós-Graduação da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), no ano de 2006, decidimos adotar a mesma metodologia na UNINCOR. Os alunos, em numero de 13, desenvolveram trabalhos de análise de mídia impressa no segmento revista, bem como de alguns livros didáticos do ensino fundamental e médio da rede pública e particular, em Minas Gerais. Dstacamos as reflexões desenvolvidas em torno das revistas Nova e Cláudia. Como pano de fundo, o estudo de A imagem da mulher nas revistas Boa Forma e Corpo a Corpo, desenvolvido por Caroline Petian Pimenta e Lúcia Márcia Carvalho Lemos. 5 A intenção da escolha da metodologia empregada foi oferecer a possibilidade de o aluno se tornar mais do que um ser passivo na etapa de aprendizagem. Acreditamos que o aluno pode se tornar um agente pensante que veja nessas ferramentas a oportunidade ideal, estimulado pela possibilidade de formar e trocar conhecimentos. Através de textos de apoio enviados pelo yahoogroups, objetivos foram explicados, bem como as ferramentas a serem utilizadas. Foi quase que uma aula sobre conceitos, métodos e conhecimentos que queríamos partilhar. Trazer aos poucos e posteriormente, em cada aula, o estímulo ao uso das novas tecnologias de informação, bem como ensiná-los a refletir e a construir um conhecimento crítico e criativo, como argumenta Demo. 6 3 SODRÉ, Muniz. (1996). Reinventando a cultura, a comunicação e seus produtos. Barcelona: Editorial Gedisa, p Dados disponíveis em: http://www.unincor.br/pos/cursos/web%20especializacao/especialização%20em%20as%20linguagen s%20da%20cnmcontemporaneo.htm . Data de acesso: julho de Petian Pimenta e Lemos são alunas no Programa de Pós-Graduação da UMESP. 6 DEMO, Pedro. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de Habermas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, p 3 Ou mesmo dentro dos princípios elaborados pela UNESCO, conhecido como Relatório Delors, em que a educação é vista como aprendizagem que gira em torno do verbo aprender e não do ensinar e cujos pilares são: aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas. Finalmente, aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. 7 O processo de aprendizagem não é somente transmitir o conhecimento e sim ensinar como usá-lo, como modificá-lo e até mesmo discordar dele. Temos as ferramentas, só falta usar. 8 Os textos principais de reflexão foram escolhidos com a ajuda da Coordenadora do Curso, profª Drª Aparecida Maria Nunes e disponibilizados para os alunos, em forma de cópias xérox. Em um total de dez textos, mais outros oito deles complementares (partilhados via web), formaram um aporte teórico para que os alunos pudessem refletir sobre a produção da mídia atual, com olhar crítico. Pressupostos teóricos de Barthes, Brandão, Kellner, Maingueneau e Véron foram a base para apresentações, em sala (Powerpoint). LER CRITICAMENTE A REALIDADE Como trabalho final da matéria, cada grupo escolheu analisar produtos específicos da mídia impressa e livros didáticos do ensino fundamental e médio da rede pública e particular, em Minas Gerais. Esta escolha se deu pelo fato de grande parte dos alunos ser professor. Alguns referenciais teóricos de Citelli (1997 e 1998) e Baccega também os ajudaram, uma vez que estes autores trabalham a inter-relação entre Comunicação/Educação. Oliveira Soares (2002) 9, chama isso de educomunicação. O primeiro autor diz que as inter-relações estão presentes tanto em situações educativas, 7 DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, ZANETT, Humberto. Por que não usar web 2.0 e redes sociais no ensino? In: Webinsider, 07 de dezembro de 2006, às 13h05. 9 Ismar de Oliveira Soares é coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo NCE/USP. Ele define educomunicação como um conjunto de ações cuja finalidade é integrar às práticas educativas o estudo sistemático dos sistemas de comunicação, criar e fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos e melhorar o coeficiente expressivo e comunicativo das ações educativas. Informações em: SOARES, I. Gestão comunicativa da educação: caminhos da educomunicação. In: Revista Comunicação e Educação. Editora Ano VII, jan./abr. 2002, p 4 formais ou não formais, quanto em ações comunicacionais específicas das mídias, o que vale dizer que situações educativas são também comunicativas e situações comunicativas são também educacionais. Configuram-se, assim, um campo teóricoprático a partir do processo de interlocução originário em ambas as áreas. 10 Já, Baccega vê a construção do campo comunicação/educação como novo espaço teórico capaz de fundamentar práticas de formação de sujeitos conscientes é tarefa complexa, que exige o reconhecimento dos meios de comunicação como um outro lugar do saber, atuando juntamente com a escola. (BACCEGA, 1999, p ). 11 Como exemplo, o trabalho dos alunos Aline Ferreira Fernandes, Cynthia Siqueira e José Luiz Pereira Nogueira, que analisaram as revistas femininas Cláudia e Nova. CONSIDERAÇÔES FINAIS Acreditamos que a escolha de uma metodologia, parcialmente diferente das empregadas no restante do curso, foi de grande valia para que os alunos pudessem desenvolver seus questionamentos e reflexões. As análises, de uma maneira geral, foram simples. Mas foram os meios, os primeiros passos para que os discentes possam ler criticamente a realidade e construir conhecimento, de uma maneira sistemática e constante. A educação possui a relação com fins, valores, afetos e sentimentos, cidadania e direitos humanos, aos quais os meios deverão servir. (DEMO, p. 33). Por outro lado, como são educadores, possam também ser educomunicadores. Como anexos: 1. Análise das revistas femininas Cláudia e Nova Apresentação em PP. 2. A imagem da mulher nas revistas femininas nas revistas Boa Forma e Corpo a Corpo. 10 CITELLI, A. O. Comunicação e educação: a linguagem em movimento. São Paulo: SENAC, BACCEGA, Maria Aparecida. Comunicação & Educação: do mundo editado à construção de mundo. In: Comunicação & Informação, Goiânia, v. 2. nº 2, jul/dez/1999. 5 ANEXO 2 - A IMAGEM DA MULHER NAS REVISTAS BOA FORMA E CORPO A CORPO 12 Caroline Petian Pimenta e Lúcia Márcia Carvalho Lemos RESUMO Este estudo busca refletir o processo discursivo sobre a imagem da mulher em revistas que falam sobre estética. As reflexões propostas são baseadas nas considerações teóricas sobre identidade, gênero e discursos especializados. O trabalho analisa textos e contextos de quatro exemplares das revistas Boa Forma e Corpo a Corpo - em seus aspectos de linguagem e na relação com a realidade social mais abrangente, de acordo com os princípios da Análise Crítica do Discurso. Compreendemos que estes periódicos se constituem como uma possibilidade de identificação para mulheres que buscam o bem estar físico e psíquico, uma vez que eles abordam, também, este tipo de demanda. Acreditamos que as publicações analisadas servem para reproduzir estereótipos associados à imagem feminina, deixando evidente que, apesar das inúmeras conquistas nas últimas décadas, a consolidação efetiva de uma nova mulher ainda não foi plenamente alcançada. Palavras-chave: discurso; análise crítica de discurso; mídia e gênero. ABSTRACT This research aims to think issues the women social representation ways at media discourse. The proposed reflexions are based upon the theoretical grounds on the identity, genre and specialized discourses. The work analyses four examples from the magazines Boa Forma and Corpo a Corpo - in its linguistic aspects and contexts, in its relation to the wider social context according to principles of Critical Discourse Analysis.We understand that the periodics are constituted as a possibility of identification for those women who search for the physics good health, whether those are directed for feminist demand. We believed that the analyzed magazines are to be useful to reproduce associated stereotypes to image s feminine, evidenced that in spite of the innumerable conquests at latest decades a real consolidation of a new woman aren t completely reached. Key-words: discourse; critical discourse analysis; media and genre. 12 Trabalho apresentado como requisito parcial na disciplina Discursos Especializados ministrada pela Profª Drª Elizabeth Moraes Gonçalves, no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), em novembro de 2006. 6 INTRODUÇÃO O corpo e a beleza são temas que encontram campo para investigação no universo da comunicação. O corpo é meio ou instrumento de comunicação verbal e nãoverbal e, portanto, cultura. Mas é a idéia da beleza feita de proporções ideais que permeia todos os períodos históricos. Os padrões de beleza e estética têm sido impostos de forma hegemônica, pela sociedade, principalmente através da mídia. Tomando como perspectiva essa visão multidisciplinar, este trabalho busca verificar de que forma um certo recorte de editorias de revistas de grande circulação - segmentada sobre o gênero - está construindo discursivamente uma identificação de mulher. Nesta introdução, tratamos da concepção de corpo e discurso do mito da beleza. Nossa perspectiva teórica é a da Análise do Discurso de base enunciativa. Este estudo - considerando a noção e discurso como prática de linguagem socialmente constituída - pretende traçar um perfil genérico dos dois periódicos para, depois, passar ao reconhecimento de enunciados vinculados à forma de falar sobre a estética feminina, como processos de identificação de sujeitos, numa relação de gênero e em mídia segmentada para o público feminino. Permeando todo esta reflexão, verificar como se configuram essas novas formas de conceber o corpo e a beleza, na atualidade. Bem como isso pode influenciar a produção de subjetividades. Finalizamos com a análise das matérias de capa desses magazines. Os periódicos analisados e que correspondem aos meses de agosto e setembro deste ano, pertencem às editoras Abril e Símbolo. A 1ª, ocupa confortável posição de líder hegemônica em circulação, assinaturas e publicidade no Brasil. À esta editora pertence a publicação Boa Forma. A Editora Símbolo foi fundada em 1987, com o lançamento da revista Corpo a Corpo. É a terceira maior editora do país, tem oito títulos de circulação nacional e todos para o público feminino. Seus vários periódicos apresentam o mesmo perfil editorial de títulos da concorrente. Houve época que as duas editoras abriam uma espécie de concorrência consigo mesmas, - pertenciam ao mesmo grupo empresarial - dando uma impressão de livre mercado que dissimulava uma situação perto de monopólio. Atualmente esta situação é um pouco diferente, pelo fato de serem realmente concorrentes. Ambas as revistas - Boa Forma e Corpo e Corpo - têm uma linha editorial ampla, que envolve desde ginástica e dietas a cosméticos, moda e saúde. 7 As revistas de gênero e o discurso do mito da beleza - De acordo com Umberto Eco (2004), ao traçar um panorama breve da história da beleza, percebe-se que ao longo do tempo a beleza foi conceituada de três formas distintas. A primeira é quando se acredita que a beleza é algo inerente ao objeto. A segunda, quando o belo passa a existir na mente e no gosto do sujeito. E a terceira é quando se passa a relativizar o conceito de beleza, relacionando-o à cultura e aos hábitos. Mas é a idéia da beleza feita de proporções ideais que permeia todos os períodos históricos. Parece que em todos os séculos se falou da beleza da proporção, mas, segundo as épocas [...], o sentido dessa proporção e desses padrões foi mudando ao longo dos tempos ', diz Eco (2004. In: Revista Época, 2006). Da chamada beleza grega ', presente nas estátuas dos séculos anteriores à era cristã, passando pelos pitagóricos da Idade Média e chegando aos nossos dias, as relações de precisões geométricas leiam-se medidas perfeitas - sempre demarcaram preferências estéticas. A partir de meados dos anos 50 e começo dos anos 60, um novo discurso sobre a beleza e os cuidados com o corpo foi articulado e se propagou através da imprensa: a idéia de que modificar o corpo era não só possível, mas também necessário (grifo nosso). Nesse momento, principalmente os anúncios de cosméticos e outros produtos para o cuidado com o corpo insistiam sobre a idéia do prazer da transformação corporal (OLIVEIRA, 2005). O século XX celebrou o sincretismo da beleza e a mídia - Ah, ela difunde aquela que é para consumo, explica Eco (In: revista Época, 2006). O discurso de que qualquer um pode ser belo, desloca a responsabilidade do não conseguir para o próprio indivíduo. Mesmo que a genética venha tentar provar que os traços físicos e, portanto, a beleza, são pré-determinados (MARQUES, s/d): Você corre o risco de ficar gorda?- descubra se esse é o seu futuro através do que você como hoje ; Seu cabelo tem jeito soluções reais para falta de brilho, volumão, arrepiado... ; Não há desculpa: sempre há oportunidade de se fazer uma cirurgia plástica, dietas e exercícios (Corpo a Corpo, agosto e setembro de 2006). A psicóloga Eliane Regina Marques argumenta que vivemos na sociedade da imagem, onde a mulher inserida neste contexto se fica submissa à tirania da eterna juventude, sofrendo intervenções cirúrgicas para manter a plástica e a imagem idealizada, pré-estabelecida. Há uma cisão entre corpo e mente - que são partes indissociáveis e se influenciam mutuamente. A mulher moderna vem 8 se tornando escrava desta imagem corporal e se distanciando de seus sentimentos mais genuínos de feminilidade (MARQUES, s/d). Analistas da área acreditam que a cultura, hoje, preconiza que as mudanças feitas na aparência devem servir para que o indivíduo se sinta bem consigo mesmo. Silva de Oliveira (2005) fala que ao que tudo indica, as mudanças na interioridade tem que passar antes pelo exterior, ou ainda ficar apenas na superficialidade. E essas são características próprias da sociedade de consumo. De acordo com a cronista Danuza Leão, seja qual for sua idade, elas são presas pelos discursos ideológicos que constroem a imagem da beleza feminina. Segundo esta perspectiva, as mulheres são ou deveriam ser magras, brancas, ricas o bastante para se vestir e se maquiar segundo a última moda, eternamente jovens e felizes, sem imperfeição, dóceis e passivas, heterossexuais, preocupadas com a compra de produtos de beleza e com o seu dever de agradar sexualmente aos homens (MARTINS de ALMEIDA, 2005). Esta imagem, como Leão diz, mostra que, se essa preocupação for a constante maior, [...] não sobra tempo para mais nada em sua vida. Mas qual o interesse em saber da taxa de juros? No máximo, a cotação do dólar: que deve estar sempre na ponta da língua - ficam de lado a aquisição de conhecimentos, a realização pessoal e a profissional (LEÃO, 2006). Em termos culturais, as poucas horas disponíveis serão preenchidas com as revistas nacionais e estrangeiras de moda e modismos. [...] Como essas informações mudam a cada dia, o momento de se aprofundar é durante a pedalada ou a corrida na esteira brinca, ainda, a cronista (id., ibid.). Vimos que esse não é o mesmo cenário que ditou os papéis às mulheres no passado. Mas especialistas acreditam, é ainda, e sempre, a mulher e seu corpo a serviço do homem, das empresas e das instituições patriarcais. ANÁLISE DO CORPUS BOA FORMA - Os focos principais são: saúde, beleza física e auto-estima - sempre dando ênfase a dietas e exercícios físicos. A editora da revista, Cecília Reis, escreve: Boa Forma acredita que perder o excesso de peso faz um bem danado para a saúde, para a cabeça e para a auto-estima a gente aposta nisso todos os meses (agosto de 2006). 9 Atrizes, apresentadoras e outras famosas estão por toda parte do periódico, mostrando seus corpos torneados e apresentando suas dicas de beleza e alimentação. Boa Forma gosta de um corpo sarado e mostra o caminho para chegar lá [...] (REIS, agosto de 2006). A utilização de famosas contando seus truques é uma forma de legitimar a fala e levar credibilidade à leitora, já que são pessoas conhecidas. Assim, as leitoras se identificam. Segundo Carlos Vogt 13, belo, bonito, sublime, gracioso, pitoresco, trágico etc.: essas qualificações, que funcionam como predicados em nossos julgamentos estéticos, são, sob sua forma substantiva (o belo, o bonito, etc.), aquilo que hoje se convencionou chamar de categorias estéticas. Muitas são os periódicos que falam sobre beleza e gênero. Verón (2005, p. 219) explica que as revistas que cobrem mais ou menos os mesmos temas - isto é, dificilmente distinguíveis quanto a seu conteúdo - podem revelar-se muito diferentes umas das outras no plano do contrato de leitura. Segundo o autor, como já referido anteriormente, é a enunciação que cria o vínculo entre o suporte e o leitor. Márcio Seligmann-Silva 14 em artigo Sobre
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