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O REMIX NA PRODUÇÃO DE NARRATIVAS TRANSMÍDIA: NOVA FORMA DE NARRAR NA CULTURA DA CONVERGÊNCIA - Arice Cardoso Tavares e Dulce Márcia Cruz

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Resumo: O presente trabalho tem por objetivo analisar a produção de narrativas transmídia (NT) divulgadas na web, buscando em suas constituições o remix e discutindo a questão da cultura da convergência. O remix, aqui tomado como produto e/ou processo técnico-semiótico que vem se mostrando como elemento central nas práticas discursivas no contexto da cibercultura, é elemento constante na produção das NT. A observação se dá sob o prisma das “leis” fundadoras da cultura digital que constituem o tripé: a liberação do polo da emissão, a questão da conexão em rede e a reconfiguração do formato das mídias e novas práticas sociais. O artigo objetiva contribuir para uma observação mais significativa do remix em NT, visto tanto como uma técnica de produção como um método de criação, para discutir o conceito de narrativas, realizando a observação prática de um objeto. Metodologicamente, a pesquisa incluiu a análise de material audiovisual e a organização destes dados à luz das categorias analíticas de estratégias interpretativas no texto e estratégias de compreensão e expansão narrativa. Palavras-chave: remix, cibercultura, narrativas transmídia, cultura da convergência.
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  O REMIX NA PRODUÇÃO DE NARRATIVAS TRANSMÍDIA:NOVA FORMA DE NARRAR NA CULTURA DA CONVERGÊNCIA Arice Cardoso Tavares (1); Dulce Márcia Cruz (2)   Universidade Federal de Santa Catarina, aricetavares@gmail.com; Universidade Federal de Santa Catarina,dulce.marcia@gmail.com  Resumo: O presente trabalho tem por obetivo analisar a produ! o de narrativas transm#dia ($T)divul%adas na &eb' buscando em suas constitui!es o remix  e discutindo a uest o da cultura daconver%*ncia+ O remix ' aui tomado como produto e,ou processo t-cnico.semi/tico ue vem semostrando como elemento central nas práticas discursivas no conte0to da cibercultura' - elementoconstante na produ! o das $T+ A observa! o se dá sob o prisma das leis 3undadoras da culturadi%ital ue constituem o trip-4 a libera! o do polo da emiss o' a uest o da cone0 o em rede e arecon3i%ura! o do 3ormato das m#dias e novas práticas sociais+ O arti%o obetiva contribuir para umaobserva! o mais si%ni3icativa do remix  em $T' visto tanto como uma t-cnica de produ! o como umm-todo de cria! o' para discutir o conceito de narrativas' realizando a observa! o prática de umobeto+ Metodolo%icamente' a pesuisa incluiu a análise de material audiovisual e a or%aniza! o destesdados 5 luz das cate%orias anal#ticas de estrat-%ias interpretativas no te0to e estrat-%ias decompreens o e e0pans o narrativa+ Pala!as #$ae 4 remi0' cibercultura' narrativas transm#dia' cultura da conver%*ncia+ %&INTRODUÇÃO As narrativas 3azem parte da vida do homem desde sua ori%em+ As re3le0es sobrenarrativas e 3ormas de narrar come!am pelo 3il/so3o Arist/teles em sua obra  Poética  e seestendem at- a atualidade+ Arist/teles' com sua obra de 667 a+C' pode ser considerado uemdeu o %rande in#cio 5s discusses sobre as rela!es entre o modo de narrar e a representa! odo cotidiano' bem como todos os e3eitos sobre' at- ent o' ouvintes e leitores+ A pro3undidadecom ue este 3il/so3o abordou e analisou a tra%-dia at- hoe permanece como obra re3er*nciapara a compreens o da narrativa+$arrativa' em seu sentido mais amplo' - a denomina! o de um conunto de estruturastransmitidas hist/rica e culturalmente' as uais s o delimitadas pelo n#vel do dom#nio de cadaindiv#duo e pela combina! o de t-cnicas e,ou habilidades lin%u#sticas+ As palavras eenuncia!es s o consideradas por Mi8hail 9a8htin (2::) como elementos centrais dasnarrativas e tamb-m responsáveis pela produ! o de si%ni3icados pelos sueitos+ Tradicionalmente orais ou escritas' hoe as narrativas v*m tomando outrascaracter#sticas' passando por uma verdadeira e0pans o+ O papel a%ora n o - apenas dapalavra+ <ma%ens' sons' v#deos e m=sicas passam a compor estas narrativas' a%ora (83) 3322.3222contato@conedu.com.br www.conedu.com.br  compreendidas como um 3en>meno ideol/%ico por e0cel*ncia e capazes de representar de3orma verdadeira as rela!es sociais+?oe s o in=meras as possibilidades de narrar+ As hist/rias' a%ora' podem serproduzidas por combina!es de m#dias' resultado da tecnolo%ia di%ital interativa+ A 3orma decontar hist/rias vem mudando' s o novas 3ormas de produzir te0tos' ue se mesclam comima%ens' letras' sons e outros tantos recursos+ $ovas maneiras de contar advindas de práticassociais di3erenciadas' com o uso de m=ltiplas lin%ua%ens midiáticas' o ue' cada vez mais'propicia a or%aniza! o de e0peri*ncias por meio de hist/rias ue articulam acontecimentoscom v#deos' te0tos' 3otos' vozes' desi%n+ As novas narrativas' denominadas transm#dia outransmidiáticas (@COAB<' 2:11; 2:16)' as uais ser o apresentadas e de3inidas a se%uir's o 3oco de discuss o e análise neste trabalho+$este arti%o tamb-m destacamos o remi0 como t-cnica de produ! o das narrativastransm#dia+ Ainda ue seus princ#pios constitutivos lhe seam anteriores' oriundos da m=sica'o remi0 vem se mostrando como elemento central nas práticas discursivas no conte0to dacibercultura+ Discusses sobre a cultura da conver%*ncia ($E<$@' 2::F) permear o estete0to e 3echaremos com uma análise de uma narrativa veiculada nas redes sociais+ G cada vez mais crescente a 3acilidade de acesso e produ! o de di3erentes materiaisculturais' especialmente via redes' o ue vem mudando muito a maneira como nosrelacionamos com te0tos' v#deos e ima%ens e o ue nos traz in=meras outras e0peri*ncias'uma vez ue passamos de consumidores a consumidores,produtores+ en8ins (2::F) sinaliza ae0ist*ncia de novos ambientes' em ue a intera! o e participa! o do p=blico (at- ent o apenasconsumidor) como produtores midiáticos torna.se cada vez mais inevitável+stamos na cultura di%ital' passando por um processo de reor%aniza! o de todas ases3eras da a! o humana mediadas pelas tecnolo%ias di%itais+ Hivemos em rede' nossosdispositivos est o interconectados e s o conver%entes' temos' hoe' a possibilidade de montara nossa pr/pria 3rui! o' nossa pr/pria mistura de material m#diatico+ Mais ue ser consumido'o conte=do anda conosco' mora em nossa mente' em nossos aparatos tecnol/%icos' em nossosbolsos+ Ielo aspecto da cultura' a 3acilidade de altera! o de todo material di%ital produzido%era tamb-m novas possibilidades de uso+ G o ue essin% (2::J) de3ine como culturaalterável (Bead.Krite Culture)' uando os produtos culturais dei0am de ser apenas paraconsumo' permitindo a recombina! o e produ! o de produtos novos a partir dos interesses dop=blico consumidor,produtor+Dentro desse conte0to' se a%re%am 5s produ!es te0tuais na rede outras semioses uepassam a compor o te0to (som' ima%em' m=sica' movimento)+ As possibilidades de leitura e (83) 3322.3222contato@conedu.com.br www.conedu.com.br  produ! o de te0tos (hiperte0tos) hipermodais se multiplicam na cultura di%ital+ @omoscapazes de citar ima%ens e sons untos' criar v#deos sobre te0tos e te0tos sobre m=sicas e untar tudo isso+ As cita!es entre eles s o mi0adas unto+ sta mistura produz um novotrabalho criativo' o remi0' bastante encontrado nas produ!es de narrativas transm#dia+Ior $arrativas Transm#dia ($T) entendemos toda narrativa ue se desenvolve emdi3erentes (e m=ltiplas) plata3ormas de m#dia+ m cada um desses espa!os' as narrativas seentrela!am e contribuem para a compreens o das hist/rias+ @colari (2:16) de3ine as $T comoum tipo de relato ue se e0pande por meio de m=ltiplos meios e plata3ormas decomunica! o' no ual uma parte dos consumidores assume um papel ativo no processo dee0pans o+ (@COAB<' 2:16' p+ 6L' tradu! o nossa)+O 3ato de as narrativas se desenvolverem em mais de um espa!o' muitas vezesparalelamente' n o pode comprometer a compreens o da narrativa como um todo' nem acompreens o de uma determinada parte espec#3ica+ Cada um dos meios no ual a hist/ria (ouas hist/rias) -,s o contada,s apresenta,m blocos narrativos ue somados compem um arconarrativo maior' o ual compreende todos os demais+ De acordo com en8ins (2::F)' cada3ranuia deverá ser autossu3iciente' permitindo ue o consumidor possa ter a compreens odas hist/rias' sem a necessidade de transitar em todos os meios nas uais ela - narrada+ Ioroutro lado' - importante destacar ue para a maior compreens o - importante o consumidorter acesso e transitar por todas estas plata3ormas em ue a narrativa se e0pande' o uecertamente enriuecerá sua e0peri*ncia de leitura+   O sur%imento das $arrativas Transm#dia alterou si%ni3icativamente a produ! o denarrativas de nosso tempo; mudando a 3orma como as hist/rias s o apresentadas' a maneiraue ocorrem as produ!es' como tamb-m o modo como o receptor se relaciona com os te0tos+G o ue nos diz Aranha (2:11)4 stas novas atribui!es do leitor demandam' por conse%uinte' novas 3ormas delidar e pensar o te0to+ G importante ue ele estea alinhado com a l/%ica dastecnolo%ias envolvidas (impresso' áudio' v#deo' multimodal) para ue seaposs#vel perceber a pr/pria e0ist*ncia  da narrativa+ @e o leitor n o - capaz dereconhecer o te0to' n o será' por via de conseu*ncia' capaz de acessá.lo' dereconhec*.lo' de 3ru#.lo+ (ABA$?A' 2:11' p+ 6) A rela! o entre receptor,leitor e o material midiático passa a ser mais e0plorat/ria'pois al-m da narrativa ue está em suas m os ele passa a investi%ar' encontrar e e0ploraroutras plata3ormas em ue as narrativas s o distribu#das+ Al-m disso o leitor se converte emprodutor prosumidores(produtor  consumidor)' e encontra na remi0a%em uma 3orma dematerializar suas produ!es+   Iara emos (2::7)' a re.mi0a%em - o princ#pio ue re%e a (83) 3322.3222contato@conedu.com.br www.conedu.com.br  cibercultura+ O autor entende re.mi0a%em como o conunto de práticas sociais ecomunicacionais de combina!es' cola%ens' cut.up de in3orma! o a partir das tecnolo%iasdi%itais+ (MO@' 2::7' p+1)+ G importante destacar aui ue esta prática de misturar' dereutilizar' recombinar e produzir novos te0tos,m#dia,produtos n o - nova+ la está presente'há bastante tempo' especialmente na N arte' o Cinema' com adapta!es de obras literáriaspara 3ilmes' de 3ilmes para uadrinhos e assim por diante' mas ainda - mais comum nam=sica' em ue estes recortes e (re)monta%ens P remi0 P há muito s o usados como umat-cnica de produ! o' um m-todo de cria! o+O ue - a novidade ent oQ Ior ue discutir o 3en>meno remi0 nas $arrativasTransm#diaQ A novidade' hoe' - ue esses processos acontecem atrav-s dos meios di%itais+ Gatrav-s da remi0a%em ue a produ! o de novos produtos vem sendo potencializada eampliada+ Como á dissemos' as $arrativas produzidas atualmente e ue circulam na &eb'possuem a caracter#stica de misturar %*neros' m#dias' modalidades' lin%ua%ens e te0tos' essa -uma propriedade presente e marcante no Rmbito da cultura di%ital (ou da cibercultura remi0'como denomina emos S2::7)+ an8shear e Enobel (2:11) destacam a %rande relevRnciadesta cultura remi0 para a sociedade' pois envolve o uso e dom#nio de in=meras 3erramentastecnol/%icas ue' em sua maioria' est o dispon#veis a ualuer momento e em ualuer lu%ar'mas ue muitas vezes n o insti%am o desenvolvimento criativo+ Os autores descrevem remi0como a prática de tomar arte3atos culturais' combiná.los e manipulá.los de modo a %erar umnovo tipo de misturas e produtos criativos (A$E@?AB; E$O9' 2:11' p+1:7' tradu! onossa)+Considerado um processo t-cnico.semi/tico o remi0 vem sendo o m-todo maispresente na produ! o de narrativas na cultura di%ital' e para isso s o empre%ados dois modosbásicos de monta%em4 a seuencia! o ou intercala! o e a sobreposi! o ou composi! o+ Aseuencia! o (intercala! o) corresponde ao encadeamento de determinados se%mentos(recortes de v#deos' ima%ens)' respeitando.se ou n o a seu*ncia em ue apareciam nas obras.3onte' enuanto ue a sobreposi! o (composi! o) corresponde 5 associa! o de di3erentescamadas ou 3ai0as de áudio simultRneas ue passam a constituir uma unidade+ 9astante comuns nas narrativas ue circulam na &eb' podemos analisar o remi0 tendocomo base as mesmas leis 3undadoras da cultura di%ital (MO@' 2::7)4 a libera! o dopolo da emiss o' a uest o da cone0 o em rede e a recon3i%ura! o do 3ormato das m#dias enovas práticas sociais+ A uest o da libera! o da emiss o si%ni3ica' em simples palavras' uevoc* pode,deve produzir e distribuir in3orma!es+ As di3erentes produ!es da ciberculturav*m mostrando ue o ue está em o%o com a circula! o de in3orma! o - a mani3esta! o (83) 3322.3222contato@conedu.com.br www.conedu.com.br
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