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Os fatos do passado nas notícias de hoje

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Resumo Palavras-chave Revista Eletrônica do Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero Edição nº 1, Ano I - Dezembro 09 Artigo Os fatos do passado nas notícias de hoje O discurso da história
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Resumo Palavras-chave Revista Eletrônica do Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero Edição nº 1, Ano I - Dezembro 09 Artigo Os fatos do passado nas notícias de hoje O discurso da história e a construção das narrativas jornalísticas Eliza Bachega Casadei* Se adotarmos a perspectiva de que a tradição representada pelos dados históricos é deslocada da inter-relação entre os indivíduos e passa a ser gerida em uma esfera midiatizada, a forma como a imprensa utiliza a História para explicar as notícias da atualidade revelaria uma dinâmica da forma como o passado (e o próprio presente) pode ser re-significado. Este trabalho propõe o estudo da produção de sentido feita pela veiculação destes dados nas revistas Veja, Época, Carta Capital e IstoÉ e dos enquadramentos de memória operados por elas no que concerne às narrativas jornalísticas mobilizadas e aos inventários de discursos mediados. Narrativas Jornalísticas. Reconstrução do Passado. Efeitos de Real. Abstract Adopting the perspective that the tradition represented by the historical events is transferred from the relationship between individuals in direction to the sphere of media, the way that the press uses history to explain the news should reveal some forms that the past (and the present itself) has its meaning changed. This paper proposes the study of the meaning production made by the historical happenings in the news at the revues Veja, Época, Carta Capital e IstoÉ and by the reshaping of memory concerned to the journalistic narratives and the inventories of discourse. Keywords Journalistic Narratives. Past Reconstruction. Effects of Real. * Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Programa de Pós Graduação em Ciências da Comunicação, área de concentração I (Teoria e Pesquisa em Comunicação), linha de pesquisa 3 (Linguagem e Produção de Sentido). yahoo.com.br. 2 Jill Edy chama a atenção para um fato curioso. Segundo a autora, embora seja bastante comum a afirmação de que os jornalistas fazem o primeiro rascunho da História, uma atenção muito menor tem sido prestada para aqueles que fazem a reescrita. Frequentemente, os segundos rascunhos da História também são escritos por jornalistas (EDY, 1999: 72). A autora insiste que a mídia foi um instrumento muito importante na construção da memória coletiva nacional do século XX nos Estados Unidos. E, além disso, as histórias apresentadas na mídia, por toda a carga emocional que se revestem, são muito mais impressionantes do que a apresentada em sala de aula. Enquanto esta ensina a história com uma cuidadosa atenção para a apresentação objetiva dos fatos, a mídia pode encorajar algumas conexões pessoais com o passado que está associado à memória coletiva. Isso sugere que, embora o tempo presente seja a veia mestra nos estudos sobre o jornalismo - pois, como bem coloca Franciscato (2001), nos gêneros jornalísticos, o tempo presente não é uma qualidade adicional ao conteúdo, mas o próprio demarcador de sua especificidade em relação aos demais conteúdos midiáticos o estudo do passado retratado nas reportagens também revela a complexidade dos efeitos sociais da imprensa. No mês de Abril de 2009, as revistas Veja, Época, Carta Capital e IstoÉ publicaram, juntas, um total de 571 matérias 1. Destas, 429 (ou 75%) reportavam eventos anteriores ao ano de Em algumas edições, este número é ainda mais impressionante. Na edição do dia 1 de Abril de 2009, essa porcentagem atingiu 94% das matérias publicadas na Carta Capital 2. John B. Thompson (1998) tem uma perspectiva interessante neste sentido quando afirma que as tradições, definidas como quaisquer coisas que são transmitidas ou trazidas do passado, não foram extintas pela modernidade. Muito pelo contrário, a midiatização teria dado uma vida nova às tradições na medida em que as libertam das interações face a face. Na perspectiva deste autor, o enfraquecimento do poder da tradição dar-se-ia em seus aspectos de fundamentação da ação e da autoridade tradicional, portanto, aspectos normativos e legitimadores. Em outros, porém, notadamente enquanto articuladores de sentidos para o mundo e enquanto criadores de um sentimento de pertença, as tradições ainda reteriam muito de sua importância, mesmo que essa esteja essencialmente modificada. As alterações estão relacionadas ao fato de que o material simbólico que compõe a tradição está cada vez mais apartado da interação social em ambientes comuns. As tradições não desaparecem, mas perdem sua ancoragem nos locais compartilhados da vida cotidiana (THOMPSON, 1998: 165). Sob essa perspectiva, o passado, enquanto articulador de interpretações do mundo, ainda conserva grande parte de sua força, mesmo que ela tenha sido deslocada para outros mediadores simbólicos e não sirva mais como um modelo de ação tão bem posto quanto nas sociedades tradicionais. Outros autores endossam a perspectiva de Thompson, na medida em que também reconhecem uma continuidade no valor de explicação que o passado encerra. Le Goff (2003) insere a imprensa em um contexto de aumento da oferta da memória coletiva que deixa de ser matéria somente de museus e arquivos. Isso porque a invenção da prensa 1 Por matérias estamos nos referindo a todos os textos que ocupavam uma página ou mais da revista. 2 No mês de abril de 2009, a revista Carta Capital foi a publicação que mais fez referência a fatos ocorridos antes do ano de A média das cinco edições publicadas neste mês foi de 83,22% (com variação de 75,75% a 94,59%). A revista Veja foi a que teve menor porcentagem, com uma média de 69,17% (com variação entre 54,16% e 77,77%). Entre as duas, a revista IstoÉ apresentou 70,74% de matérias deste tipo (variação de 62,5% a 85,71%) e a Época com 76,15% (variação de 72,72% a 78,12%). Comtempo Edição nº 1, Ano I - Dezembro 09 3 revoluciona a memória ocidental uma vez que coloca o leitor em contato com um volume enorme de memórias coletivas. Essa abordagem é consoante com a opinião de Eric Hobsbawm que, ao refletir sobre o uso da História para finalidades políticas, afirma que ela essa parcela das ciências humanas não se configura no cotidiano das pessoas como uma espécie de memória ancestral ou de tradição coletiva. A História, nesse sentido, é vista como o que as pessoas aprenderam (...) de compiladores de artigos para revistas e programas de televisão (HOBSBAWM, 2005: 20). Se adotarmos a perspectiva de que a tradição representada pelos dados históricos é deslocada da inter-relação entre os indivíduos e passa a ser gerida em uma esfera midiatizada, a forma como a imprensa utiliza a História para explicar as notícias da atualidade revelaria uma dinâmica própria dos processos pelos quais o passado (e o próprio presente) pode ser re-significado. Este trabalho propõe o estudo da produção de sentido feita pela veiculação dos dados históricos nas revistas Veja, Época, Carta Capital e IstoÉ publicadas no primeiro semestre de 2009 e dos enquadramentos de memória operados por elas no que concerne às narrativas jornalísticas mobilizadas e aos inventários de discursos mediados. Diante dessa perspectiva, apresentaremos alguns aspectos interdiscursivos existentes entre a narrativa da História e a apresentação do presente posta em operação pelo jornalismo a partir de dois parâmetros: (1) os efeitos de sentido que são mobilizados a partir da inserção dos dados históricos nas reportagens e; (2) os interdiscursos que são mediados a partir do jogo de reenvio mobilizado por essas narrativas históricas. Para isso, utilizaremos a perspectiva da Análise de Discurso de Linha Francesa, tomando como conceitos operatórios a Teoria das Implicitações - que articula as condições de formulação dos enunciados (pressupostos) às inferências edificadas a partir dessas formulações (subentendidos) combinada com a análise sobre os efeitos de real engendrados pelos discursos históricos. Pressupostos e Subtendidos no Discurso Histórico: Para Oswald Ducrot, a língua não pode ser concebida como um código de comunicação fechado; deve ser entendida tal como um jogo, ou melhor, como o estabelecimento das regras de um jogo que se confunde com a existência cotidiana (DUCROT, 1972: 12). Caso contrário, estaríamos admitindo que os conteúdos expressos graças a ela são exprimidos de maneira explicita (...) assim, o que é dito no código é totalmente dito, ou não é dito de forma alguma (DUCROT, 1972: 13). A realidade da língua abarca, no entanto, o fato de que muitas vezes temos necessidade de, ao mesmo tempo, dizer certas coisas, e de poder fazer como se não tivéssemos ditos: de dizê-las, mas de tal forma que possamos recusar a responsabilidade de tê-las dito (DUCROT, 1972: 13). E é desta forma que a linguagem se apresenta como um jogo de remissões entre conteúdos explicitamente postos e outros que estão apenas implícitos. Mais do que isso, todo o conteúdo que é dito carrega consigo uma série de interdiscursos não ditos. Com bem expli- Comtempo Edição nº 1, Ano I - Dezembro 09 4 ca Zandwais (1990: 15), se por um lado a língua pode se representar como um objeto atestado e transparente, por outro, pode se constituir num lugar que se configura por ocultamentos, resistência, negligências, camuflagem, ambiguidades, ou, ainda, enfrentamentos. Para Ducrot, portanto, determinadas significações dos enunciados simplesmente não podem ser ditas em determinadas situações. Desta forma, os componentes retóricos as moldam de maneira que o que é dito representa a forma mais forte que certa enunciação poderia ser posta em dado contexto, formando um sentido que é, em última análise, apenas teórico. Nesta distância entre a significação e o sentido estão os implícitos da linguagem. Estes lugares implícitos da língua podem ser estudados a partir dos conceitos operatórios dos pressupostos e dos subentendidos. Os pressupostos são elementos inscritos nos enunciados (e que carregam marcas linguísticas, como determinados verbos, advérbios e conjunções chamados de marcadores de pressuposição ) que norteiam e delimitam as direções a serem tomadas pelos interlocutores. Ou seja, é a plataforma comum (ou elementos que precisam ser inferidos) que permite que determinados enunciados sejam entendidos. Como bem explica Fiorin (2002: 182), trata-se de um recurso argumentativo que aprisiona o leitor dentro de uma determinada lógica do texto criada pelo autor, uma vez que, quando o posto é tido como verdadeiro, o pressuposto também o é ou seja, o pressuposto é apresentado como evidente e indiscutível. Um pressuposto diz respeito às condições lógicas de existência de um enunciado. Uma peça de teatro [por exemplo] se inscreve num universo comum pressuposto, a partir do qual o entendimento é possível (GOMES, 2008: 19). Ou seja, pressupor não é dizer o que o ouvinte sabe ou o que se pensa que ele sabe ou deveria saber, mas situar o diálogo na hipótese de que ele já soubesse (DUCROT, 1987: 20). Os subentendidos, por sua vez, não carregam marcas linguísticas inscritas nos enunciados. Eles estão mais relacionados ao contexto de produção da fala e às possíveis interpretações por parte dos ouvintes. Enquanto os pressupostos produzem informações já dadas pelos itens gramaticais e lexicais que constituem os enunciados, os subentendidos se constituem em informações novas que podem ser obtidas pelo interlocutor, a partir de um cálculo semântico-discursivo (ZANDWAIS, 1990: 32). O subentendido, desta maneira, responsabiliza o leitor por determinada interpretação do texto interpretação esta induzida pela própria enunciação. É a partir destes elementos que podemos entender como as narrativas históricas existentes nas reportagens mobilizam discursos outros, que se diferenciam daqueles postos quando analisamos somente o nível dos conteúdos explícitos dos textos. Na revista Carta Capital de 22 de Abril de 2009, por exemplo, a greve de fome de Evo Morales é comparada aos atos de Gandhi durante a luta pela independência da Índia. A partir de determinadas marcas de pressuposição ( analogamente simboliza, por exemplo) a reportagem constrói um solo comum de pressupostos que autorizam que os atos de Evo Morales se Comtempo Edição nº 1, Ano I - Dezembro 09 5 coloquem como passíveis de serem comparados com os de Gandhi. De acordo com a matéria: Mesmo com todo o prestígio conferido à prática por Mohandas Gandhi, é raro que greves de fome consigam resultados políticos práticos. (...) Gandhi não impressionou os britânicos por sua santidade ou humildade e, sim, por dar rosto e voz aos anseios de independência de centenas de milhões de indianos, cuja ira explodiria caso seu símbolo e sua esperança de solução pacífica morressem por responsabilidade dos colonialistas. Sem pretender ser santo, Evo Morales analogamente simboliza a esperança de conquista pacífica de dignidade e cidadania por milhões de indígenas combativos, cuja tradição de recorrer à greve de fome como instrumento de reivindicação data das ditaduras militares dos anos 70 (COSTA, 22/04/2009: 56). Na primeira frase, temos como posto, portanto, que greves de fome raramente conseguem resultados políticos práticos. Como um pressuposto que antecede o posto temos a noção de que algumas demandas políticas, mesmo quando revestidas de grande prestígio, não encontraram na greve de fome uma forma eficaz de luta, estabelecendo, deste modo, uma regularidade histórica calcada sob a forma de uma imprevisibilidade de desfecho através de uma analogia com o passado. Como um subentendido possível, há a ideia de que talvez a greve de fome de Evo Morales possa não funcionar. O restante do texto, no entanto, se esforça em construir a ideia de que, apesar disso, os resultados práticos da greve de Morales sejam menos importantes do que o significado mais geral de seu ato. Na segunda fase do trecho, temos como posto a comparação do ato de Morales com o ato de Gandhi; como pressuposto, a possibilidade (ou a legitimidade da ideia) de os dois atos serem comparáveis; e, finalmente, como subentendido, a colocação dos dois momentos dentro de uma mesma gradação de importância. Ou seja, ao invés de operacionalizar o sentido através de um mecanismo de distanciamento, observa-se um processo de aproximação. Nesta última fase, o ato de Morales é justificado a partir do subtendido de que ele teria a mesma magnitude e importância que a greve de fome de Gandhi durante a luta de independência da Índia. Desta forma, ele está mais do que legitimado é como se ele aguardasse um reconhecimento histórico no futuro. A função aparente da produção noticiosa está, portanto, deslocada: mais do que noticiar um evento, o que está em jogo, aqui, é determinar o sentido e a significação do acontecimento. A reportagem A Crise é o melhor momento, publicada na edição de 27/04/2009 da revista Época, reportava a possibilidade do surgimento de uma nova consciência ecológica no modo de produção capitalista, a partir do colapso financeiro mundial. Logo no primeiro parágrafo, a relevância de tal abordagem é justificada historicamente: Comtempo Edição nº 1, Ano I - Dezembro 09 6 Ao longo da História, há uma relação inequívoca entre a prosperidade e a quantidade de gás carbônico despejado na atmosfera. (...) Até hoje, nenhuma tecnologia verde foi capaz de reduzir tanto as emissões de gases causadores do efeito estufa quanto uma recessão. (...) Quando ocorre uma crise na indústria, então, o efeito é cristalino. De todos os países que assinaram o Protocolo de Kyoto, os que obtiveram maiores níveis de redução de suas emissões de gases foram aqueles cujo complexo industrial implodiu com o fim do comunismo (...) (GUROVITZ, 27/04/2009: 108). O texto segue contanto como os avanços na tecnologia acarretaram em um grande aumento da poluição no planeta. No último parágrafo, como uma espécie de fechamento da narrativa, coloca-se que Tomar as decisões certas significa romper a associação histórica que existe entre o aquecimento da economia e do planeta. (...) É preciso criar formas de crescer e ganhar dinheiro sem agredir o planeta. Isso significa que os ambientalistas precisam aceitar que apenas a consciência mundial não bastará para evitar a catástrofe sem o apoio do mercado, nada dará certo. E significa que economistas e empresários precisam reconhecer que nosso planeta é um recurso finito (GUROVITZ, 27/04/2009: 110). Os pressupostos dos dados históricos inseridos na reportagem apontam novamente para uma espécie de regra histórica 3. Diferentemente de outras reportagens, no entanto, essa regra é posta não no formato de um determinismo, mas sim, como uma espécie de linha demarcatória entre uma regularidade que se fazia presente no passado e uma possibilidade de quebra desta regularidade no futuro 4. A inserção da regra histórica serve, portanto, como uma maneira de marcar a partilha exposta pelos três presentes de Santo Agostinho: o presente do passado (a memória), o presente do presente (a intuição) e o presente do futuro (a expectativa). A partir de uma memória de um fato histórico (a queda das taxas de poluição de países que sofreram colapsos indústrias como os países do Leste Europeu após o fim da União Soviética), marca-se um lugar de pertencimento de um fato presente (a crise financeira mundial iniciada entre 2008 e 2009) e uma expectativa de uma consequência futura (a queda das taxas de poluição mundial). É a partir de uma regularidade que se marca o lugar da mudança. O subentendido que emerge do texto, porém, pode ir muito além de uma expectativa. Ele mobiliza mesmo uma formação discursiva que (re)assegura o papel de um capitalismo auto-regulador como válido na atual conjuntura mundial, apesar de sua crise. Ao estabelecer uma regularidade histórica a partir da relação entre os modos de produção e o aumento da poluição e, depois, ao afirmar que sem o apoio do mercado nada dará certo, é situada na reportagem uma formação discursiva que diz que a crise que, aparentemente, poderia minar a credibili- 3 Podemos sublinhar, inclusive, que esta regra está bem demarcada no texto a partir das marcas de pressuposição como ao longo da História, relação inequívoca, o efeito é cristalino, entre outras. 4 A quebra da regularidade também pode ser observada a partir das marcas de pressuposição, como significa romper e é preciso criar, entre outras. Comtempo Edição nº 1, Ano I - Dezembro 09 7 dade do mercado não o faz, na medida em que, mesmo em suas piores fases, o mercado ainda pode produzir uma série de consequências benéficas, em um estágio capitalista capaz de criar e de resolver seus próprios problemas e tudo isso a partir da inserção de dados históricos. A partir das reportagens analisadas, podemos notar que, embora os subentendidos possam mediar uma quantidade bastante vasta de interdiscursos e de intertextos dependendo do contexto de sua inserção, os pressupostos dos dados históricos estão quase sempre vinculados ao estabelecimento de uma regra histórica seja para marcar um determinismo, uma imprevisibilidade de desfecho ou a determinação de uma partilha. Os efeitos de real e o discurso da história como testemunha insuspeita As representações dos fatos do passado engendradas pelas narrativas históricas operam a passagem, de acordo com Paul Ricoeur (2007), de uma cena traumática para uma cena simbólica. As expectativas sociais coordenadas em torno desta narrativa, no entanto, muitas vezes ignoram seu caráter essencialmente imaginário e colocam o discurso da História como um outro capaz de realizar o desejo de imparcialidade, tal como um juiz. A razão é que os papéis respectivos do historiador e do juiz, designados por sua intenção de verdade e de justiça, os convidam a ocupar a posição do terceiro em relação aos lugares ocupados no espaço público pelos protagonistas da ação social. Este papel é importante na medida em que um desejo de imparcialidade está ligado a essa posição de terceiro, mesmo que esta se apresente sob o signo da impossibilidade de um terceiro absoluto (RICOEUR, 2007: 330). A dupla ausência dos discursos históricos (uma delas que é posta pela sua dependência com a ling
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