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OS FEMINISMOS E A COMUNICAÇÃO UM ESTUDO SOBRE AS POSSIBILIDADES DE CONVERGÊNCIAS 1

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OS FEMINISMOS E A COMUNICAÇÃO UM ESTUDO SOBRE AS POSSIBILIDADES RESUMO DE CONVERGÊNCIAS 1 Camille Roberta Balestieri 2 O presente artigo foi apresentado como trabalho final da disciplina de Metodologia em Comunicação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora. Interessamo-nos em explorar as possibilidades de convergências entre os estudos nos campos da Comunicação e dos Feminismos. O objetivo é ofertar um panorama acerca das pesquisas em comunicação que perpassam o campo dos feminismos, para tal, foi realizada pesquisa documental de caráter empírico. Os artigos publicados nos anais dos Congressos Nacionais da Intercom e dos Encontros Nacionais da Alcar entre os anos de 2010 e 2014 constituíram o universo da investigação, as palavras chaves utilizadas para a seleção dos textos foram feminismo ou feminista. O levantamento foi associado à pesquisa de caráter bibliográfico, de modo a produzir reflexões acerca da produção acadêmica sobre a relação entre os feminismos e comunicação, tendo em vista que temas relacionados às discussões feministas tem sido agenciados mais frequentemente nos últimos anos. Utilizamos como suportes teóricos autores como Foucault (2007) e Carneiro (2003). Palavras-chave: Comunicação; Feminismo; Intercom; Alcar. 1. INTRODUÇÃO A proposta do presente artigo é ofertar um panorama que diz respeito às pesquisas em comunicação que perpassam as temáticas feministas nos últimos cinco anos. Devido à pluralidade de correntes feministas e das abordagens possíveis por parte dos estudos da comunicação, entendemos que o presente trabalho fornecerá um panorama que não diz respeito à totalidade de temas e abordagens possíveis, portanto, detalharemos os recortes realizados em nossa análise e os métodos utilizados para coleta e análise dos dados obtidos por meio de pesquisa bibliográfica nos anais dos Congressos Nacionais da Intercom e dos Encontros Nacionais da Alcar, realizados entre 2010 e Os termos feminismo e feminista nos títulos ou palavras-chave são a única uniformidade entre todos os artigos estudados. As temáticas, referenciais teóricos e metodologias são de grande variedade, o que é sintomático das pluralidades mencionadas no parágrafo anterior. Este fator fez com que a análise das publicações se tornasse uma tarefa difícil. Entretanto, esperamos apresentar aos leitores e leitoras um panorama conciso e coerente acerca das interseções entre comunicação e feminismos. 2. FEMINISMOS E COMUNICAÇÃO INTERSEÇÕES POSSÍVEIS 1 Trabalho inscrito para o GT Comunicação e Sociedade, do VIII Encontro de Pesquisa em Comunicação ENPECOM. 2 Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora. Bolsista CAPES. Lançamos mão da pesquisa de caráter bibliográfico para identificar, localizar e obter materiais (STUMPF, 2005) pertinentes às abordagens feministas que se interseccionam aos estudos da comunicação. Nosso universo de pesquisa foram as produções realizadas entre os anos de 2010 e 2014 que constavam nos anais eletrônicos de duas sociedades científicas do campo da comunicação: Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) e Alcar (Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia). Ressalvamos que a busca por artigos foi realizada apenas nos anais dos Congressos Nacionais da Intercom e Encontros Nacionais da Alcar. A partir desta ressalva, pontuamos as seguintes particularidades: os Congressos da Intercom se realizam anualmente, portanto, os textos completos apresentados nos eventos também são organizados e disponibilizados de maneira anual. Já os Encontros da Alcar, a partir de 2009, se realizaram bienalmente, portanto, os textos analisados dizem respeito aos anais dos Encontros de e Tendo o universo de pesquisa definido, no segundo momento do mapeamento foi feito um levantamento de caráter mais quantitativo, exploratório. Buscamos pelos termos feminismo e feminista nos anais das duas sociedades: no site da Intercom, é possível realizar a busca por palavras, dessa maneira, os artigos que apresentaram tais termos em seu título ou entre suas palavras-chave foram selecionados. Entre 2010 e 2014 constam 13 artigos que tratam dos feminismos, sendo que a maioria das produções diz respeito ao ano de (6 artigos). O número detalhado de artigos por ano consta no gráfico abaixo. Número de Artigos/Ano artigos - 6 artigos artigos artigos Gráfico 1 Relação de números de artigos publicados com as palavras-chave feminismo ou feminista por ano Não constam produções com os termos feminismo ou feminista no ano de Os métodos para o rastreamento das publicações nos anais da Alcar se deram de maneira diferente: como não é possível fazer busca por palavras, foi necessário verificar a incidência dos termos feminismo e feminista nos títulos de cada um dos artigos. As publicações dos anais do ano de 2013 estão separadas por GTs, a ocorrência destes termos precisou ser averiguada em cada um deles. Dessa maneira, encontramos três publicações que traziam as palavras feminismo ou feminista em seus títulos: duas do ano de 2013 e uma do ano de. É possível visualizar mais detalhes sobre as publicações nos quadros abaixo. Quadro 1 - Anais Intercom Publicação Autoria Área Ano A mulher bem-sucedida e a participação da internet na construção de celebridades femininas Lígia Lana do Rio de Janeiro, RJ) DT 5 - GP Cibercultura 2013 Folkcomunicação e ativismo midiático: lutas feministas e estratégias de visibilidade na marcha das vadias Configurando o eumulher : a construção do sujeito no processo de empoderamento para as mulheres Feminismo e ativismo midiático: a imprensa feminista na luta contra a ditadura militar e em defesa dos direitos das mulheres no Brasil e no Chile Lyn Barber, jornalista: memórias em perspectiva feminista Eu amo meu corpo : discurso pós-feminista para as leitoras da revista capricho Karina Janz WOITOWICZ (Universidade Estadual de Ponta Grossa, PR) Fernanda Capibaribe LEITE (Universidade Federal de Pernambuco Recife, PE / Universidade Federal de Alagoas Maceió, AL) Karina Janz WOITOWICZ (Universidade Estadual de Ponta Grossa, PR) Alice Mitika KOSHIYAMA (Universidade de São Paulo ECA/USP) Vanessa Patricia Monteiro CAMPOS do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro, RJ) DT 8 GP Folkcomunicação GP Comunicação e culturas urbanas II COLÓQUIO BRASIL-CHILE DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO DT 1 Jornalismo - GT teoria do jornalismo DT 6 GP Comunicação e culturas urbanas Baton na primeira página: a vitória de Dilma Rousseff noticiada pelos jornais impressos brasileiros Mulheres em posição de destaque: por que isso ainda surpreende? O que é bom para elas. Cenários de empoderamento numa pornografia feminista Elza Aparecida de Oliveira Filha (Universidade Positivo) Lennita Oliveira Ruggi do Paraná) Andréa Ariani (Fundação Armando Álvares Penteado - São Paulo, SP) Fernanda Capibaribe LEITE (Universidade Federal de Pernambuco Recife, PE / Universidade Federal de Alagoas Maceió, AL) DT 1 GP Jornalismo impresso DT 6 GP Comunicação e esporte DT 6 GP Comunicação e culturas urbanas Gênero, poder e resistência: a ação das mulheres nos observatórios de mídia Ana Maria da Conceição VELOSO (Universidade Católica de Pernambuco) GP Comunicação para a cidadania Patrícia CUNHA de Pernambuco) Personalidades nuas: um estudo sobre a nudez feminista Políticas do feminino na mídia: nudez, sexualidade e padrões de beleza Edgard REBOUÇAS do Espírito Santo) Nayara Matos Coelho Barreto Fluminense Niterói, RJ) Nayara Matos Coelho Barreto Fluminense Niterói, RJ) DT6 Interfaces comunicacionais (Intercom júnior) INTERCOM JÚNIOR - Interfaces comunicacionais 2010 O trabalho prático de comunicação comunitária em apoio ao movimento social popular: a experiência com o coletivo feminista Maria Maria mulheres em movimento Kleber Mendonça Fluminense Niterói, RJ) Janaina de Araújo Morais (Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG) Cláudia Regina Lahni de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG) INTERCOM JÚNIOR comunicação, espaço e cidadania 2010 Analise da ruptura da submissão feminina no cinema da década de cinquenta, incorporadas nas personagens de Marilyn Monroe Quadro 2 - Anais Alcar Publicação Autoria GT Ano SANTOS, Tássio História da Mídia 2013 FERREIRA Audiovisual e visual; do Recôncavo da Bahia) FERREIRA, Maria de Fátima (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) Do nascimento de Vênus à arte feminista após 1968: um percurso histórico das representações visuais do corpo feminino Feminismo tinha sim: Millôr, humor e feminismo BARRETO, Nayara Matos Fluminense/RJ) CRESCÊNCIO, Cintia Lima (UFSC/SC) História da Mídia Audiovisual e Visual História da Mídia Impressa 2013 Os dezesseis artigos presentes nas tabelas foram estudados, podemos afirmar, a princípio, que entre todos eles existe uma pluralidade de temáticas e abordagens sobre as intersecções entre os feminismos e a comunicação, o que tornou nossa análise uma tarefa difícil. Entretanto, no ímpeto de encontrar uniformidades entre as publicações para possibilitar uma análise qualitativa, recorremos ainda a mais uma triagem: observamos em quais destes textos as mulheres são agentes comunicacionais (ou seja, são elas quem produz ou domina os meios de produção do meio de comunicação tratado no artigo) e quais dos artigos trazem apenas as representações das mulheres na mídia abordada na publicação - não sendo elas, portanto, as produtoras ou gerenciadoras dos meios de produção. Os resultados da triagem constam na tabela a seguir e, em seguida, será a literatura examinada será apresentada de forma a evidenciar o entendimento do pensamento dos autores (STUMPF, 2005, p. 51). Quadro 3 Mulheres como agentes/ Mulheres como representações Mulheres como agentes Mulheres como representações O trabalho prático de comunicação comunitária em apoio ao movimento social popular: a experiência com o coletivo feminista Maria Maria mulheres em movimento Gênero, poder e resistência: a ação das mulheres nos observatórios de mídia O que é bom para elas. Cenários de empoderamento numa pornografia feminista Analise da ruptura da submissão feminina no cinema da década de cinquenta, incorporadas nas personagens de Marilyn Monroe Feminismo tinha sim: Millôr, humor e feminismo Personalidades nuas: um estudo sobre a nudez feminista Feminismo e ativismo midiático: a imprensa feminista na luta contra a ditadura militar e em defesa dos direitos das mulheres no Brasil e no Chile Configurando o eu-mulher : a construção do sujeito no processo de empoderamento para as mulheres Folkcomunicação e ativismo midiático: lutas feministas e estratégias de visibilidade na marcha das vadias Do nascimento de Vênus à arte feminista após 1968: um percurso histórico das representações visuais do corpo feminino Baton na primeira página: a vitória de Dilma Rousseff noticiada pelos jornais impressos brasileiros Políticas do feminino na mídia: nudez, sexualidade e padrões de beleza Mulheres em posição de destaque: por que isso ainda surpreende? Eu amo meu corpo : discurso pós-feminista para as leitoras da revista capricho Lyn Barber, jornalista: memórias em perspectiva feminista A mulher bem-sucedida e a participação da internet na construção de celebridades femininas A primeira consideração que pode ser feita a partir desta tabela é que as mulheres só atuam como agentes comunicacionais em meios de comunicação contra hegemônicos: assessoria de imprensa de um coletivo feminista (MORAIS E LAHNI, 2010), observatórios de mídia (CUNHA, REBOUÇAS e VELOSO, ), pornografia feminista (LEITE, e 2012), mídias alternativas utilizadas por feministas durante períodos de ditadura (WOITIWICZ, 2012), arte feminista (BARRETO, 2013) e estratégias de ativismo midiático utilizadas na Marcha das Vadias (WOITOWICZ, 2013). Também observamos que os artigos que trazem as mulheres apenas como representações são aqueles que discutem meios de comunicação ou circuitos hegemônicos por onde circulam discursos predominantemente binários sobre os gêneros e sexualidade: o cinema na década de 50, jornais impressos de grande circulação (CRESCÊNCIO, ; OLIVEIRA FILHA e RUGGI, ), televisão dos anos 80 e revista Playboy (BARRETO e MENDONÇA, 2010), jornalismo esportivo (ARIANI, ), livro e filme biográficos de grande circulação (KOSHIYAMA, 2012), mídias impressas ou sites que consolidam o estatuto de fama de celebridades e webcelebridades (LANA, 2013), revistas para adolescentes (CAMPOS, ) e meios de comunicação de massa (BARRETO, ). Nestes meios as mulheres apresentadas pelos artigos representam a subversão. A ampla gama de temáticas e tratamentos dados às intersecções entre os feminismos e a comunicação nos artigos revisados nos oferta poucas convergências entre os referenciais teóricos, metodologias, autores, etc. Entretanto, podemos pontuar que as publicações evidenciam que é impossível não observar que as mulheres têm ocupado espaços que antes eram predominantemente masculinos e que os valores estabelecidos sobre a feminilidade estão sendo deslocados, dando lugar a representações e modos de ser mulher cada vez menos homogêneos. Um dos poucos pontos em comum entre alguns dos artigos (ARIANI, ; BARRETO, 2010 e ; LANA, 2013 e WOITOWICZ, 2012) é o destaque dado às bandeiras levantadas pela segunda onda feminista, marcada pelos movimentos de liberação das mulheres nos anos 60, que romperam com a figura da mulher do lar, também reproduzida pelos meios de comunicação. [...] nos meios de comunicação, que cada vez mais influenciavam os padrões cotidianas das populações urbanas, os anos posteriores à conquista do sufrágio feminino se caracterizaram pela intensa produção discursiva de uma feminilidade definida em função do doméstico o que por sua vez era como já que viu aqui, um dos grandes suportes do status quo e de um conformismo social vinculado à reprodução de papéis sociais rígidos e bastante policiados (...) No entanto, estes mesmos meios de comunicação (...) vinham, por outro lado, criando e espalhando novas imagens, por mais contraditórias e ambivalentes que fossem, sobre a sexualidade feminina e a inserção das mulheres no mundo que antes era reservado aos homens. (ADELMAN apud FERREIRA e SANTOS, 2013, p.3). A luta das mulheres pela autonomia sobre os próprios corpos e a saída para o mercado de trabalho é travada e agenciada em meados dos anos 1960 conforme pontuado nos artigos citados acima -, porém, a protagonista destas bandeiras é a mulher branca, cissexual, urbana e de classe média. As periféricas, camponesas, indígenas, negras, trans e demais mulheres que não se encaixam no padrão anteriormente descrito; não são os sujeitos contemplados e representados por estas pautas, tampouco pelas produções acadêmicas do campo da comunicação mapeadas no presente trabalho. Podemos citar como exemplo a as diferenças no trato das mulheres negras na experiência histórica no Brasil e na América Latina: Quando falamos do mito da fragilidade feminina, que justificou historicamente a proteção paternalista dos homens sobre as mulheres, de que mulheres estamos falando? Nós, mulheres negras, fazemos parte de um contingente de mulheres, provavelmente majoritário, que nunca reconheceram em si mesmas esse mito, porque nunca fomos tratadas como frágeis. Fazemos parte de um contingente de mulheres que trabalharam durante séculos como escravas nas lavouras ou nas ruas, como vendedoras, quituteiras, prostitutas... Mulheres que não entenderam nada quando as feministas disseram que as mulheres deveriam ganhar as ruas e trabalhar! Fazemos parte de um contingente de mulheres com identidade de objeto. Ontem, a serviço de frágeis sinhazinhas e de senhores de engenho tarados. Hoje, empregadas domésticas de mulheres liberadas e dondocas, ou de mulatas tipo exportação. Quando falamos em romper com o mito da rainha do lar, da musa idolatrada dos poetas, de que mulheres estamos falando? As mulheres negras fazem parte de um contingente de mulheres que não são rainhas de nada, que são retratadas como antimusas da sociedade brasileira, porque o modelo estético de mulher é a mulher branca. Quando falamos em garantir as mesmas oportunidades para homens e mulheres no mercado de trabalho, estamos garantindo emprego para que tipo de mulher? Fazemos parte de um contingente de mulheres para as quais os anúncios de emprego destacam a frase: Exige-se boa aparência. (CARNEIRO, 2003, p. 49). Morais e Lahni (2010) relatam a atividade prática realizada por alunos e alunas da disciplina de Comunicação Comunitária junto ao Coletivo Feminista Maria Mulheres em Movimento de Juiz de Fora (MG). As autoras se respaldam nos escritos de Paulo Freire, Mario Kaplun para discutir a importância da intervenção social de educadores e comunicadores para a construção de uma sociedade mais democrática. Já as contribuições de Raquel Paiva e Cicilia Peruzzo são utilizadas para tratar da comunicação comunitária. A publicação se trata de um relato de experiência, a discussão a respeito das relações entre comunicação comunitária e feminismos poderia ser melhor aproveitada. A partir dos aportes teórico-metodológicos da Economia Política da Comunicação que pode ser considerada a versão acadêmica da resistência ao mainstream, representado por estudos de mercado, audiência e outras análises acríticas desenvolvidas dentro do campo da comunicação (CUNHA, REBOUÇAS e VELOSO,, p.3), a participação feminina nas indústrias culturais é discutida enquanto movimento de resistência, o artigo traz o tom das críticas das ativistas que se direcionam aos formatos de produção e sistemas econômicos e políticos no âmbito das comunicações que intensificam as desigualdades de gênero. Dessa maneira, a autora explora como a criação de observatórios de mídia colabora para a denúncia da invisibilidade feminina como sujeito coletivo nos meios de Comunicação e a coisificação da mulher como mercadoria pela propaganda (CUNHA, REBOUÇAS e VELOSO,, p.8). Leite (, p. 1) aborda temas emergentes de debates mais contemporâneos sendo abordados a partir de produtos audiovisuais sobre pornografia feminista, como o empoderamento: [...] o termo empoderamento de mulheres passou a ser utilizado, na pós-modernidade, para refletir sobre, produzir narrativas e implementar políticas eficazes direcionadas às mulheres como representantes das minorias sociais. Em linhas gerais, as iniciativas que caminham na construção de processos de empoderamento versam, antes de tudo, sobre as diversas possibilidades de se pensar a conquista da autonomia, individual e coletivamente, para as mulheres. No artigo intitulado Configurando o eu-mulher : a construção do sujeito no processo de empoderamento para as mulheres, Leite (2012), para além do empoderamento, também escreve sobre a criação do sujeito-mulher em algumas narrativas em primeira pessoa que envolvem uma poética feminista contemporânea. Segundo ela, estes relatos [...] recontam como as mulheres negociam as estratégias de construção de suas subjetividades no cotidiano. O ato de contar-se vem carregado de significação, pelas palavras, gestos e movimentos corporais, adquirindo a conformação da narrativa do testemunho, no qual passionalidade aparece enquanto um caminho. (LEITE, 2012, p.5). Algumas outras abordagens e temáticas aparecem em meio aos artigos analisados: a presença de mulheres em espaços predominantemente masculinos como a política (OLIVEIRA FILHA e RUGGY, ) e o jornalismo esportivo (ARIANI, ); o discurso pós-feminista (que prega a superação do feminismo, deslegitimando sua necessidade nos dias atuais) destinado a leitoras da revista Capricho (CAMPOS, ) e as manifestações folkcomunicacionais presentes nas estratégias adotadas para visibilizar a Marcha das Vadias (WOITOWICZ, 2013). 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS As produções acadêmicas tratadas no presente trabalho nos ofertam algumas considerações a respeito de como os feminismos tem sido tratados por pesquisadores e pesquisadoras inseridos/as no Campo da Comunicação. Primeiramente, podemos constatar que o número de produções autodenomi
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