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1. Osfundadores do Metodismo Por PaulE. Buyers Imprensa Metodista 1929 2. SUMÁRIO A) OS INGLESES I. A VIDA DE JOÃO WESLEY, o organizador do Metodismo (1703-1791) II. A…
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  • 1. Osfundadores do Metodismo Por PaulE. Buyers Imprensa Metodista 1929
  • 2. SUMÁRIO A) OS INGLESES I. A VIDA DE JOÃO WESLEY, o organizador do Metodismo (1703-1791) II. A VIDA DE CARLOS WESLEY, o poeta do Metodismo (1707-1788) III. A VIDA DE GEORGE WHITEFIELD, o orador e evangelista do movimento Metodista (1714-1770) IV. A VIDA DE JOÃO FLETCHER, o santo do movimento (1729-1785) V. A VIDA DE THOMAS COKE, o missionário do movimento metodista (17471814) VI. A VIDA DE FRANCIS ASBURY, o pioneiro e pai da Igreja Metodista na América (1745-1816) B) OS AMERICANOS VII. A VIDA DE GUILHERME McKENDREE, o primeiro bispo americano da Igreja Metodista (1757-1835) VIII. A VIDA DE JOSUÉ SOULE, o legislador da Igreja Metodista (1781-1867) IX. A VIDA DE PEDRO CARTWRIGHT, o itinerante metodista nas fronteiras (1785-1872) X. A VIDA DE ENOCH MARVIN, o pregador e Bispo evangelista (1823-1877) XI. A VIDA DE CARLOS BETTS GALLOWAY, o cavalheiro cristão (18491909) XII. A VIDA DE WALTER RUSSEL LAMBURTH, o primeiro moderno do cristianismo (1854-1921).
  • 3.  A vida de João Wesley, o fundador do Metodismo (1703-1791) Escrevendo a biografia de João Wesley alguém podia fazê-lo sob diversos aspectos. Por exemplo, podia caracterizá-lo como reformador, evangelista itinerante, apóstolo da liberdade de pensamento religioso, fundador de uma Igreja, etc., mas o nosso estudo visa encará-lo como um organizador. Sem dúvida elementos de outros pontos de vista hão de aparecer, porém, em narrando os fatos principais de sua vida, daremos ênfase ao organizador. I - O PARENTESCO E A MOCIDADE 1. Seus pais. Quando Deus, na sua providência divina, destina alguém a realizar os seus desígnios para com a humanidade, começa pelos p ais e avós dessa pessoa. Assim se deu na vida de João Wesley. Sua parentela contava muitas pessoas nobres e distintas na vida nacional e da Igreja. Entre essas pessoas havia diversos literatos cultos e profundamente religiosos. Seus próprios pais foram desse número, sendo o pai um literato e vigário da Igreja Anglicana e sua mãe uma senhora bem educada, prática e piedosa. Dela foi que o filho aprendeu a ser metódico e ter sistema na vida prática. Ela determinava horas e dias marcados para seus filhos fazerem certas coisas e eles tinham que fazê-las. 2. Sua Educação. Como já dissemos, sua mãe tomou grande interesse em seu filho “Jack” (o apelido de carinho) desde os seus primeiros dias de infância, ensinando -o não somente o que se encontra nos livros, mas, também o que se encontra no coração de uma mãe piedosa e estremecida. Tinha dia e hora marcados em cada semana, em que levava “Jack” para seu quarto e ali, sozinhos, ela conversava aconselhando-o e orando por ele. Revelava tão boas qualidades, que não somente conseguiu impressionar e influir poderosamente no espírito do seu filho enquanto criança, mas também pelos seus conselhos acertados prestou relevantes serviços à sua idoneidade. Portanto, cedo na vida, prestou a essa mulher admirável homenagem e respeito. Ele foi, sem dúvida, o reflexo da influência da sua querida mãe. Quando tinha dez anos de idade, os pais mandaram-no para Londres, onde passou uns seis anos na Escola Charterhouse. Os dias passados já foram dias de proveito, mas, a princípio, dias de lutas e grandes tentações. Não sendo um menino muito robusto, o pai aconselhou-o que fizesse uma corrida, todas as manhãs, ao redor do quarteirão, onde estava a escola. Ele cumpriu fielmente esta ordem; e de manhã cedo podia-se ver correndo ao redor da escola, um menino de cabelos louros agitados pelo vento.
  • 4. Terminando o seu curso nesta escola, quis estudar na Universidade de Oxford, onde seu pai havia estudado. Durante este período passou da meninice à mocidade. Não era mais uma criança, porém um adulto, com a sua personalidade mais ou menos desenvolvida. Seu irmão mais velho, Samuel, que a esse tempo morava em Londres, escrevia cartas ao pai, elogiando o Joãozinho pela sua inteligência e coragem. Ele não deixou de seguir o conselho de seu pai e, fielmente, fazia as corridas diariamente ao redor da escola, assistia cultos aos domingos, comungava, lia a Bíblia e fazia oração. O Sr. Southy diz que por sua tranqüilidade, regularidade e aplicação tornou-se o favorito de seu mestre, Dr. Wolher. 3. Um incidente impressionante na sua meninice. João, o décimo quinto filho de Samuel e Susanna Wesley, nas ceu na pequena cidade de Epworth, Linconshire, Inglaterra, no dia 28 de junho de 1703. Como já dissemos, ele não tinha motivo para se envergonhar de seu parentesco. O lar na casa pastoral de Epworth era semelhante a uma colméia de abelhas em atividade e interesse. Quando tinha passado seis anos da vida aqui nesta casa tão cheia de encantos, aconteceu certo dia um incidente tão impressionante do qual ele nunca se esqueceu. A altas horas da noite a casa incendiou-se e, sendo uma casa de madeira e já velha, não levou muito tempo para ser consumida. Todos os membros desta numerosa família com os criados tinham abandonado a casa. Muitos dos seus vizinhos tinham afluído ao redor da casa para socorrê-los. Notaram que João não estava com os demais membros da família. A casa já estava envolvida em chamas e Joãozinho ainda estava dormindo no segundo andar. A escada já estava tomada pelo fogo e as labaredas estavam passando pelo forro do teto, iluminando o quarto onde a criança se achava. A claridade acordou o menino. Assustado, ele correu para a janela e olhou para baixo, lá enxergando os rostos dos seus pais e vizinhos iluminados pela claridade do incêndio. Descer pela escada era impossível, pular pela janela era perigosíssimo. O desespero apoderou-se dos pais. Que fazer? Havia no meio dos vizinhos um homem mais calmo e refletido do que os outros, o qual se chegou à parede da casa, convidou mais dois homens para treparem em seus ombros, fazendo deste modo uma escada até a janela onde se encontrava o menino. João pulou nos braços do homem e desceu de um para outro até chegar salvo ao chão. O pai, abraçando o seu filho, convidou seus vizinhos para fazerem oração, dizendo – “ Venham, meus amigos, vamos dar graças a Deus pelo livramento do meu filho; deixai a casa queimar; tendo meus filhos, sou rico!” Assim ajoelharam-se e renderam graças a Deus. Este incidente de tal forma impressionou a criança que nunca mais dele se esqueceu e, mais tarde na vida, recordando-se deste incidente, considerava-se a si mesmo como um tição arrebatado ao fogo e comparava este mundo a uma casa incendiada cujos habitantes corriam o perigo de perder-se no fogo eterno. II - ESTUDANTE EM OXFORD 1. A cidade de Oxford. A cidade de Oxford, nesta época, embora famosa como centro educativo, não era, em sua atmosfera moral, muito favorável ao desenvolvimento de piedade ou intelectualidade. O Dr. Fitchett diz: “Oxford, no princípio do século dezoito, talvez fosse o lugar mais prosaico que qualquer outro em toda a obscura Inglaterra. Não havia entusiasmo nem pelos esportes! Era o lar da insinceridade e da ociosidade e cheia de vícios gerados por tais qualidades. A sua insinceridade era de um tipo pernicioso; porque era organizada, patrimoniada, venerada e revestida de autoridade, e, além de tudo, era conceituada como virtuosa”.
  • 5. Portanto, os seus ideais eram naturalmente baixos, a disciplina frouxa e a religião consistia em formalismo cuja qualidade era ridicularizar os estudantes mais religiosos e sinceros. 2. A vida como estudante. Pouco se sabe da vida de Wesley durante os quatro anos que passou como aluno em Oxford. É muito provável que fosse a época em que descuidara mais da sua vida religiosa. Isto não quer dizer que se tornasse um rapaz dissoluto, mas que negligenciou observar os seus costumes religiosos de outros tempos. Julgamos, pela correspondência com seu pai, que passou apuros financeiros durante este período de sua vida. Que ele foi um bom estudante não se pode duvidar. Completou seu curso em quatro anos, tirando o seu diploma em Bacharel em Ar tes em 1724. Alguns dos seus contemporâneos dão testemunho dele quanto ao seu comportamento e estudos. O Sr. Badcoch, um dos seus colegas, assim o descreve quando tinha vinte e um anos de idade; um rapaz de superior gosto clássico, e de sentimentos liberais e cavalheiros. O Sr. South diz que ele era um estudante diligente e por sua habilidade em lógica, pela qual conseguiu freqüentemente derrotar os que mais tarde seriam os seus adversários na vida. Falando de sua própria vida nesta época, Wesley diz: “Eu continuava a fazer as minhas orações, tanto em particular como em público e ler a Bíblia junto com outros livros religiosos, especialmente comentários sobre o Novo Testamento. Mas não tinha a mínima idéia do que era a santidade íntima no coração; sim, habitualmente continuava, mais ou menos, satisfeito, cometendo alguns pecados reconhecidos”. Realmente Wesley estava passando aquele período de transição do menino para o homem. Como as demais pessoas, tinha de ajustar-se a esta nova fase da vida. Sem dúvida alguma os ensinos que recebera dos pais e os hábitos formados no lar paterno vieram agora em seu auxílio para o confirmar numa vida reta. 3. Preceptor em Lincoln College, Oxford. Quando completou o seu curso em Oxford tinha vinte e um anos de idade e logo se levantou em seu espírito a questão da sua profissão ou vocação. Resolveu-se a entrar para o serviço da Igreja e seus pais concordaram nisso. Uma vez tomada essa decisão começou logo a preparar-se para a sua ordenação. Dedicou-se ao estudo de teologia e à leitura devocional. Sua principal preocupação era obter uma idéia clara acerca da natureza do homem e da sua relação para com o homem e do homem para com Deus. Sobre a sua experiência religiosa muito podia se dizer; porém não podemos aqui estender-nos sobre o assunto além de dizer que a maior dificuldade com o Sr. Wesley à procura de Deus, era que ele queria desenvolver uma teologia e então experimentá-la na vida prática, em vez de ter uma experiência pessoal da graça de Deus no coração e dali desenv olver numa teologia. Em outras palavras ele inverteu o processo e isto causou-lhe muitos desapontamentos e perplexidades. Quando se considerou preparado para aceitar a ordenação, foi ordenado pelo bispo Potter, a 19 de setembro de 1725. A 17 de março de 1726 foi eleito preceptor de Lincoln College em Oxford. Em outubro do mesmo ano foi eleito lente (professor de escola superior ou secundária) da cadeira de grego e moderador das classes. A 14 de fevereiro foi-lhe conferido o grau de Mestre em Artes. Sendo um estudante e professor diligente, estabeleceu o seguinte horário de estudos que seguia assiduamente: segundas e terças-feiras, Grego e Latim; quarta-feira, Lógica e Ética; quinta-
  • 6. feira, Hebraico e Árabe; sexta-feira, Metafísica e Filosofia Natural; sábado, Oratória e Poesia; domingo, Divindade. Nas horas vagas estudava Francês e lia uma grande variedade de livros modernos. No outono de 1727 ele foi ajudar seu pai na sua paróquia de Ep worth e Wroote, onde passou quase dois anos com pouco sucesso e satisfa ção. Sendo convidado de novo a voltar para Oxford como preceptor, aceitou o convite e entrou em serviço pelos fins do ano de 1729. 4. O Clube Santo. Voltando de novo para Oxford, o Sr. Wesley não somente ocupava o seu tempo como preceptor e moderador das Classes, mas também no trabalho religioso do “Clube Santo”. Nesta ocasião o seu irmão Carlos, mais moço do que ele, estava freqüentando aulas em Oxford e tinha reunido um grupo de rapazes sérios para estudar a Bíblia, orar juntos e diligenciar -se em visitar os pobres e presos. Logo que João Wesley chegou a Oxford, identificou-se com este clube e pouco tempo depois foi constituído seu presidente. O fim deste clube era desenvolver a espiritualidade e atividades cristãs de seus membros. Os membros tinham horas certas para ler e estudar a Bíblia e orar; assistiam os cultos e comungavam regularmente e visitavam os pobres e presos, administrando-lhes dos seus bens de acordo com as suas posses. Tal assiduidade e zelo não podiam passar sem atrair a atenção dos outros alunos da Universidade. Sendo alunos remissos e indiferentes quanto aos seus deveres cristãos, começaram a criticá-los, dando-lhes apelidos e ridicularizando-os. Entre os apelidos usados, o de “Metodistas” era o mais aceito, porque os membros do Clube Santo faziam todas as coisas com método e sistema. Assim, por seis anos, o Sr. Wesley continuou seu trabalho em Oxford. Mas, durante todo este tempo, ignorava a paz e o gozo do Espírito Santo em seu coração. Sua religião consistia em observar a forma de piedade, mas buscando o poder dela por meio de ritos formalistas. Enfim, ele era muito egoísta, pensando mais em si e em sua própria salvação do que na salvação daqueles aos quais queria servir como ministro de Cristo. III - MISSIONÁRIO NA AMÉRICA Diversas coisas concorreram para fazer o Sr. Wesley tornar-se missionário. Seu pai tinha morrido e seu irmão completava seu curso na Universidade e ele mesmo andava perdendo o interesse na vida escolar em Oxford. Não tinha encontrado aquela satisfação espiritual q ue almejava. Quando seu pai faleceu deixou um manuscrito do seu comentário sobre o Livro de Jó, obra que tinha empregado muito tempo par fazê-la. João Wesley resolveu apresentar uma cópia desse livro à rainha, em Londres. Coincidiu que nesta mesma época o general Oglethorpe, o fundador da colônia de Geórgia, no novo mundo, estava em Londres, procurando um capelão para os seus colonos na América. O Sr. João Wesley, sendo recomendado para este cargo, foi aceito. Mas antes de fechar o contrato, ele quis conversar com a sua mãe sobre o empreendimento. A resposta dela foi bem característica de sua natureza nobre e cristã. Ela lhe disse: “Se tivesse vinte filhos, eu me regozijaria em vê-los assim ocupados, mesmo que nunca mais tornasse a vê-los”. 1. A viagem para a América. A 18 de Setembro de 1735, formalmente aceitou o convite do general Oglethorpe. Foi nessa ocasião que começou a escrever um Diário que se tem tornado um dos melhores documentos sobre as condições sociais do século dezoito na Inglaterra. Muit os dos seus amigos julgavam que era um passo errado o que ele estava dando. Numa carta que escreveu a um amigo menciona o motivo principal que o levou a tomar essa decisão. Disse: “O meu motivo principal é
  • 7. salvar a minha própria alma. Espero aprender o verdadeiro sentido do evangelho de Cristo pregando-o aos pagãos”. Seu pensamento estava concentrado em si, não tendo ainda aprendido o segredo verdadeiro de Cristo. Junto com ele foram seu irmão Carlos, na qualidade de secretário do general Oglethorpe , e mais dois colegas do “Clube Santo” os Srs. Ingham e Delamotte. O característico principal de seu espírito metódico manifestou-se na organização de um programa com horário que ocupava todo o seu tempo e os dos seus três colegas de viagem. Entre os passageiros havia uns vinte e seis moravianos exilados de sua pátria, a Alemanha, indo para a colônia de Geórgia em busca de liberdade, onde já se encontravam colocados alguns de seus irmãos da Morávia. O Sr. Wesley ficou bem impressionado com a simplicidade desses exilados e com seu bom comportamento. Para conversar com eles e conhecêlos melhor, principiou a estudar a língua alemã. Durante a viagem levantou-se forte tempestade e por algum tempo julgaram que iriam a pique. Depois de passar o temporal o Sr. Wesley quis saber porque eles, os moravianos, ficaram tão calmos e cantaram hinos durante a tempestade. Quis saber se não tinham medo. Um deles respondeu que não tinham medo de morrer. Mas o Sr. Wesley não podia compreender tal coisa, porque ele tinha medo de morrer. Começou, pois, a refletir sobre isto. 2. Seu trabalho na Geórgia. Chegados à Geórgia, na cidade de Sevanah, logo principiaram seu trabalho. Carlos Wesley foi mandado para Frederica e João ficou em Savanah, trabalhando como capelão entre os setecento s colonos. Antes de iniciar seu trabalho procurou o Sr. Augusto Spangenberg, o chefe dos moravianos em Savanah, para consultá-lo sobre o modo de fazer seu serviço. Este, antes de responder ou dar o seu conselho, fez algumas perguntas ao Sr. Wesley. Perguntou: - “Tem o irmão o testemunho do Espírito Santo?” “Dá o Espírito de Deus testemunho ao teu espírito de que és filho de Deus?” O Sr. Wesley teve que confessar que ignorava tal testemunho. - “Conheces tua Jesus Cristo?” - “Eu sei”, disse o Sr. Wesley, “que ele é o Salvador do mundo”. - “Não há duvida, mas tens a certeza de que ele te salvou?” O Sr. Wesley quis evitar a resposta, mas disse: -”Tenho esperança de que ele tenha morrido para me salvar”. -“Mas tu o conheces por ti mesmo?” insistiu o Sr. Spangenberg. O Sr. Wesley, achando-se em apuros, respondeu afirmativamente, porém anos depois, falando sobre isto, disse: - “Tenho receio de que fossem palavras vãs”. Em pouco tempo estava sistemática e metodicamente fazendo o seu trabalho, não somente entre os colonos ingleses, mas também dirigindo cultos com os alemães, franceses, espanhóis e italianos nas suas próprias línguas. Mas o Sr. Wesley não foi bem sucedido no seu trabalho entre este povo. Ele era ritualista até os ossos e muito exigente na observação de todas as rubricas da Igreja Anglicana. Recusava
  • 8. aceitar o chefe dos moravianos à mesa da Comunhão, batizava de novo as crianças dos crentes não conformistas e fazia questão em batizá-las por imersão. Tudo isto concorria para desprestigiá-lo perante o povo. 3. Complicações. Seu irmão Carlos não se deu bem com o novo ambiente e criou uma situação tão difícil que o obrigou a voltar logo para a Inglaterra. E o Sr. João Wesley, tomando o encargo de harmonizar o caso de seu irmão, atraiu sobre si ainda maiores embaraços. Porém o que concorreu mais do que tudo para dificultar o seu serviço na Geórgia foi a questão entre ele e a jovem Sophia Hopckey. Esta era uma moça atrativa, simpática e dotada de regular educação. Não obstante o aspecto austero de Wesley, ele lhe despertara afeição. Ele nunca chegou a pedi-la em casamento, mas entre ambos existia mútuo afeto. O Sr. Wesley tomou tal interesse no caso, que foi levado a consultar os presbíteros da Igreja dos Moravianos se devia ou não casar-se com ela. Quando a moça soube que ele havia feito tal coisa, indignou-se e, pouco tempo depois, casou-se com o Sr. Williamson. Foi um golpe muito cruel para o Sr. Wesley e ele, referindo-se a isso, escreveu no seu Diário o seguinte: “A Providência tirou de um só golpe o desejo dos meus olhos. Fui atravessado como por uma espada”. Contudo podia ter continuado na América se não tivesse criado para si mesmo maiores dificuldades. Alguns meses depois ele teve a imprudência de repreendê -la por julgar que havia em sua conduta algumas coisas que mereciam repreensão. Além de repreendê-la, recusou-se a darlhe a comunhão. O marido dela indignou-se e denunciou o Sr. Wesley ao Juiz articulando doze acusações. O júri constituído de quarenta e quatro homens julgou que dez daquelas acusações eram razoáveis. Porém o Sr. Wesley alegou que, dessas acusações, só havia uma cujo julgamento eram questões eclesiásticas. Quanto a acusação de ter ele “falado e escrito à senhora Sophia Williamson sem o consentimento de seu marido”, ele estava pronto a comparecer perante o júri e defender-se quanto antes. Mas os oficiais não se deram pressa em ouvi-lo, esperando que ele fugisse da Colônia como criminoso. Seis vezes ele compareceu perante o tribunal para ser ouvido, mas não quiseram ouvi-lo. Entrementes fora substituído por outro e, não podendo conseguir a terminação do processo contra si, resolveu retirar-se da América. Antes de se ir embora, colocou um aviso na praça publica anunciando a sua intenção de voltar logo para a Inglaterra. Em seu diário lê-se o seguinte: “Sexta-feira, 2 de Dezembro de 1737. Logo que terminou o culto de oração, às oito horas da noite, favorecido pela maré, sacudi o pó dos meus pés e deixei a Geórgia, depois de ter pregado o evangelho não como devi
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