School Work

Os Mitos Sobre o Fracasso Escolar e as Dificuldades De

Description
Os Mitos sobre o Fracasso Escolar
Categories
Published
of 8
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
   1 Os mitos sobre o fracasso escolar e as dificuldades deAprendizagemObjetivos de aprendizagem - Descrever os pressupostos de teorias sobre o fracasso escolar das classes populares.- Definir dificuldade e distúrbio de aprendizagem.- Compreender a abordagem da psicopedagogia clínica para as difi culdades de aprendizagem.- Relacionar os conceitos de erro construtivo e de zona de desenvolvimento proximal com o processo deplanejamento e de avaliação do desempenho escolar. S eções de estudo S eção 1  As teorias sobre o fracasso escolar das classes populares S eção 2  As dificuldades de aprendizagem S eção 3  A psicopedagogia S eção 4 O erro construtivo e a zona de desenvolvimento proximal Para início de estudo Durante o estudo desta disciplina, você conheceu diferentes teorias e observou como elasse sucederam e tiveram maior ou menor importância para a compreensão das relações deensino e de aprendizagem, estudando as suas implicações educacionais.Nesta unidade, abordaremos questões às quais a Psicologia sempre esteve associada efoi solicitada a dar respostas em sua relação com a educação: o fracasso escolar, as dificuldades de aprendizagem e a avaliação do desempenho do aluno.Serão discutidos os conceitos de carência e diferença cultural, bem como os conceitos deerro construtivo e de zona de desenvolvimento proximal.Os conhecimentos que você reuniu até aqui serão muito importantes para compreender oque vem por aí!   2 S eção 1 ± As teorias sobre o fracasso escolar das classes populares O fracasso escolar não existiu sempre, posto que o acesso à escola é recente para grande parte da população. Nosanos 1960 e 1970, no auge da disseminação do modelo de escola de massas da sociedade industrial, com o controledo desempenho escolar por especialistas, o desempenho dos alunos das classes populares emrelação aodesempenho geral dos alunos da classe média e alta tornou-se objeto de análise. As teorias sobre o fracasso escolar sustentadas em pressupostos inatistas subestimaram a capacidade intelectual doindivíduo, na medida em que defendem que o sucesso ou fracassodependem quase exclusivamente de talento,aptidão, dom ou maturidade do aluno.Como o fracasso é mais comum entre as camadas sociais maisdesfavorecidas: os mal-nutridos, os pobres, os marginalizados, as teorias inatistas sugerem que lhes falta bagagemgenética adequada à aprendizagem dos conteúdos escolares. No nascimento, já estaria µdeterminado¶ quem seria ounão inteligente.Por outro lado, vimos nesta disciplina que na abordagem ambientalista da aprendizagem o papel do ensino ésupervalorizado, já que o aluno é considerado um receptáculo vazio. O compromisso da escola é com a transmissãoda cultura, a modelagem do comportamento dos alunos e a transmissão de um grande número de conteúdos. Asteorias ambientalistas propõem que o ambiente de srcem do aluno é que traz os requisitos indispensáveis aoprocesso de aprendizagem. Essas teorias valorizam o ambiente como principal responsável pelo seu sucesso oufracasso na escola. Entre as teorias ambientalistas sobre o fracasso escolar, encontramos aquelas que propõem que o ambientede srcem do aluno varia de acordo com a sua classe social. S ão a Teoria da Carência Cultural e a Teoria daDiferença Cultural.  A teoria da carência cultural diz respeito ao discurso da psicologia educacional norte-americana que surgiu nosanos sessenta e setenta para explicar o problema das desigualdadessociais da educação. Nesta teoria, ³a influênciados fatores extra-escolares no rendimento escolar ocupava o primeiro plano. Características dos alunos e de seuambiente familiar eram relacionadas com o desempenho na escola, em busca dosdeterminantes do baixorendimento´ (PATTO, 1993, p. 111).Segundo a análise de Patto (1993), no momento em que minorias raciais reivindicavam igualdade de oportunidades,a ciência foi acionada pela classe dominante para buscar respostas para aquestão: por que os negros nãoconseguem ser bem-sucedidos socialmente? Argumentava-se, então, pela teoria da carência cultural, que os negrosviviam em contextos menos estimulantes, pois o ambiente de pobreza desenvolve menos as capacidadescognitivas. Afirmava-se que as pessoas pobres são pouco estimuladas e, conseqüentemente, menos inteligentes, e sustentava-se que a linguagem que desenvolve a inteligência é a culta e esta é característica da classe alta. A literatura também atribuía as virtudes às classes altas e os defeitos e problemas às classes baixas. Segundo estediscurso, valores, crenças, normas, hábitos e habilidades tidos como típicos da classe dominante são os maisadequados para a promoção de um desenvolvimento psicológico sadio. Os adultosdas classes subalternas sãoreferidos como µagressivos¶, µrelapsos¶ e µdesinteressados¶ pelos filhos. Em seu ambiente, as crianças pobres teriamcontato somente com um código lingüístico restrito, caracterizado por frases curtas e erradas. Além disso, os objetos com os quais interagiriam, por sua pobreza, não possibilitariam realizar o treinamento visual eauditivo necessário para conquistar a prontidão para aprender. Assim, o ambiente do qual as crianças da classedominante são oriundas seria, naturalmente, mais adequado para oferecer as condições necessárias para aaprendizagem.Para fazer frente a isso, segundo esta linha de raciocínio, seria interessante oferecer programas de compensaçãocultural às crianças pobres, que lhes fornecessem a base para atingir o desempenho escolar esperado. O impactodessa abordagem ambientalista na educação, assim, pode ser verificado nos programas educacionais elaboradoscom o objetivo de estimular e intervir no desenvolvimento das crianças provenientes das camadas populares oucompensar, de forma assistencialista, as carências sociais dos indivíduos. A teoria da diferença cultural , por sua vez, não concorda com a proposição de existência de uma cultura padrão, àqual estão submetidas outras culturas inferiores. O problema do fracasso escolar das crianças pobres não estaria nafalta de pré-requisitos para aprendizado, mas sim em terem uma base cultural diferente daquela das crianças daclasse dominante. A escola não estaria preparada para receber essa população de bagagem cultural diferente, surgindo, assim, dificuldade de comunicação entre professores e alunos pobres, o que dificultaria o processo de ensino-aprendizagem aponto de produzir fracasso escolar.   3  A proposta para intervir sobre a situação seria a de preparar os professores para partir do que os alunos sabem e,aos poucos, ³aculturá-los´, com vistas a propiciar-lhes condições de ascensão social. A crítica de Patto (1993) a estavisão é a de que o objetivo dos defensores da teoria da diferença cultural não seria garantir às classes subalternas aapropriação do saber escolar como forma de propiciar a transformação social, mas somente possibilitar umaimprovável melhoria no nível social e econômico dos indivíduos, por meio da transmissão de conhecimentos queresultasse na elevação do seu grau de instrução. A conclusão do estudo de Patto (1996) em A produção do fracasso escolar foi de que o professor, enquantoportador da cultura da ³classe média´, foi preparado pedagogicamente para receber o aluno ideal, isto é, oaluno limpo, inteligente, sadio e disciplinado e, principalmente, que já vinha para a escola preparado paraassimilar uma grande quantidade de informações sistematizadas no contexto escolar. Observa-se assim que em um primeiro momento, desenvolveu-se uma teoria denominada a teoria da carência oudeficiência cultural . Esta foi amplamente divulgada e aceita, e atribuía as causas do fracasso escolar ao indivíduo,veiculando uma imagem negativa da criança pobre. Em um segundo momento, propôs-se que a criança pobre não édeficiente, mas apenas diferente da criança de classe média ou alta, em uma teoria denominada teoria da diferençacultural. Esta não questionava as desigualdades sociais, mas apenas constatava que as crianças pobres precisariamde outro tipo de atendimento pela escola, por apresentarem características culturais diferentes das crianças de classealta. Apenas em um terceiro momento o foco não estará mais no ambiente de srcem da criança, mas nas práticasescolares, que passam a ser investigadas em busca da srcem, ou das formasde produção, do fracasso escolar.Discutiremos esse enfoque na última seção desta unidade. Antes disso, nas próximas seções, você conhecerá aabordagem das dificuldades de aprendizagem como distúrbios e o ponto de vista da psicopedagogia clínica .   4 S eção 2 - As dificuldades de aprendizagem  As dificuldades de aprendizagem dizem respeito a um conjunto de manifestações muito amplo epassível de diferentes interpretações. Uma dessas interpretações associa toda a dificuldade deaprendizagem a um distúrbio de origem orgânica que se relaciona unicamente ao aluno, a umadoença da qual este seria portador, que mereceria tratamento médico individual. Essa perspectivaresponsabiliza exclusivamente o aluno por seu sucesso ou fracasso na aprendizagem e vê a dificuldade de aprendizagem como sinônimo de distúrbio.Segundo o conceito de distúrbio de aprendizagem mais divulgado e aceito atualmente, o doInteragency Comitee of Learning Disabilities (ICLD) dos Estados Unidos, cunhado em 1987, Distúrbios de Aprendizagem é um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneode alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição,fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Estas alterações sãointrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas a disfunções no sistema nervosocentral. Apesar de o distúrbio de aprendizagem poder ocorrer concomitantemente comoutras condições desfavoráveis (por exemplo, alteração sensorial, retardo mental,distúrbio social ou emocional) ou influências ambientais (por exemplo, diferençasculturais, instrução insuficiente/inadequada, fatores psicogênicos), não é o resultadodireto destas condições ou influências. Veja que, de acordo com este conceito, apenas podem ser excluídas do termo distúrbios as dificuldades para acompanhar o programa escolar que não possam ser devidas a disfunções nosistema nervoso central. Ainda que o termo tenha sua abrangência bastante restrita nesseconceito, excluindo influências ambientais, distúrbios emocionais e problemas de instruçãoinadequada, por exemplo, é comum que toda a dificuldade de aprendizagem seja compreendidacomo distúrbio, ignorando-se as tantas outras possibilidades.Um dos distúrbios de aprendizagem diagnosticado a partir dessa abordagem é a discalculia . Aprimeira vez que se utilizou este termo foi em 1920, por Henschen. A discalculia seria umtranstorno estrutural de desenvolvimento das habilidades matemáticas que se manifestaria emerros na compreensão dos números, habilidade de contagem, habilidades computacionais esolução de problemas. Identificada principalmente em crianças, poderia ser diagnosticada emadultos, desde que não estivesse relacionada a lesões cerebrais comprovadas, mas sim adisfunções presumidas no sistema nervoso central.Os pesquisadores que criticam essa abordagem biológica entendem que a ³biologização´ dasdificuldades de aprendizagem serve para escamotear os determinantes do fracasso escolar, queseriam sociais, políticos e pedagógicos. O objetivo da interpretação biológica seria tão somente ode isentar o sistema social vigente e a instituição escolar neste inserida de responsabilidadessobre o desempenho dos alunos.Propondo-se a contar a ³história não contada´ dos distúrbios de aprendizagem, recuperando ahistória real, as pesquisadoras Maria Aparecida Moyses e Cecília Collares (1992) defendem queos distúrbios de aprendizagem são apenas uma construção do pensamento médico. Parasustentar este argumento, retomam a história das pesquisas em torno da dislexia , dificuldadesignificativa na aquisição da leitura, mostrando que o conceito foi contestado por outrospesquisadores desde o início, e que não há provas científicas suficientes para atribuir asdificuldades de leitura e outras dificuldades consideradas distúrbios a uma srcem orgânica egenética.

PMO CV_2015

Aug 16, 2017

Curso De celular

Aug 16, 2017
Search
Tags
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks