Documents

Patrick C - Um modelo sócio-comunicacional do discurso _ entre situação de comunicação e estratégias de individualização.pdf

Description
09/10/2015 Imprimer : Um modelo sócio­comunicacional do discurso : entre situação de comunicação e estratégias de individualização Patrick Charaudeau ­ Livres, http://www.patrick­charaudeau.com/Um­modelo­socio­ articles, publications comunicacional­do.html Um modelo sócio­comunicacional do discurso : entre situação de comunicação e estratég
Categories
Published
of 11
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
  09/10/2015 Imprimer : Um modelo sócio-comunicacional do discurso : entre situação de comunicação e estratégias de individualizaçãohttp://www.patrick-charaudeau.com/spip.php?page=imprimir_articulo&id_article=257 1/11 Patrick Charaudeau - Livres,articles, publications  http://www.patrick-charaudeau.com/Um-modelo-socio-comunicacional-do.html Um modelo sócio-comunicacional do discurso : entre situaçãode comunicação e estratégias de individualização in Grenissa Stafuzza e Luciane de Paula (org.) Da análise do discurso no Brasil àanálise do discurso do Brasil, Edufu, Uberlândia, 2010. Tradução : Grenissa StafuzzaRevisor Técnico : Adail Sobral Apresentação dos problemas Do meu ponto de vista, uma disciplina que se ocupa do discurso tem de enfrentar três tipos deproblemas : (1) o da delimitação de seu campo de estudo em função dos objetivos de análise, quedeclaramos ser os seus, os quais são percebíveis através dos pressupostos teóricos e dosinstrumentos metodológicos estabelecidos ; (2) a relação entre o que podemos denominar deinterior e exterior da linguagem, entre o ato de linguagem proferido e um “fora da linguagem”, quetalvez pertença à linguagem, mas não é verbalizado na própria instância de sua enunciação, não érecuperável nas formas do que foi enunciado, mas é necessário para interpretá-lo ; (3) finalmente, oproblema da interpretação, ou seja, do sentido que damos aos resultados de nossas análises, e quereside na questão de saber mediante que processo interpretamos os textos e seus discursos quandoestamos em posição de sujeito analisante : com que prática interpretativa e com que teorizaçãopossível este pode contar ?Na impossibilidade de tratar de todas estas questões, que merecem cada uma delas um artigointeiro, concentro-me no segundo problema - o da relação entre o ato de linguagem e suaexterioridade - fazendo somente alusões aos outros dois. 1. A determinação do campo de estudo Percorrendo os estudos que se apresentam como de análise de discurso, constatamos uma grandediversidade em suas orientações : uns são centrados nos marcadores discursivos (gramaticais elexicais), outros nos modos de organização do discurso (narrativo, argumentativo) ; alguns seinscrevem em uma gramática da enunciação, outros se filiam à retórica argumentativa, outros aindaestudam os rituais de linguagem como mecanismos interaccionais e, outros, enfim, procuramdescrever os sistemas de ideias (ideologias) de que os discursos são portadores.Podemos tentar reagrupar essas diferentes orientações em torno de grandes problemáticas deestudo. Uma problemática não é uma teoria, mas um lugar de questionamento geral que seassemelha a um conjunto de proposições dadas como provisoriamente (ou hipoteticamente)verdadeiras, segundo certos parâmetros. Ela delimita de alguma maneira um posicionamentoepistemológico no interior da disciplina.Aqui, cada problemática será definida de acordo com três parâmetros : a natureza do objeto deestudo  que cada um constrói, o modo que é concebido o sujeito do discurso  quanto à sua atividadecomo produtor do ato de linguagem, e, consequentemente, o tipo de corpus  que é preciso construirpara proceder à análise e que, ao mesmo tempo, presume-se corresponder à memória do sujeito dodiscurso. Chegamos a três problemáticas de base, cada uma das quais correspondente a um tipo deabordagem de análise do discurso. Um problema cognitivo e categorizante O objeto   de estudo  é considerado um conjunto de mecanismos discursivos  cuja existência e modo deorganização no interior de uma produção discursiva qualquer (texto ou enunciados aleatórios) sebusca delimitar. Essa é uma problemática desenvolvida na filiação da pragmática linguística deAustin, de Searle, de Ducrot : atos de linguagem, pressupostos, etc. ; nela se enquadramigualmente estudos, sobretudo, sobre estratégias de coerência e de coesão da organização dostextos, os trabalhos de determinados psico-cognitivistas da linguagem que procuram determinarpercursos “ down ” ou “ up ” de realização discursiva de esquemas, scripts ou cenários para descrever omodo de produção ou de compreensão de textos, bem como estudos do uso de certas palavras do  09/10/2015 Imprimer : Um modelo sócio-comunicacional do discurso : entre situação de comunicação e estratégias de individualizaçãohttp://www.patrick-charaudeau.com/spip.php?page=imprimir_articulo&id_article=257 2/11 discurso (conectores, modalizadores etc.). Em todos esses casos, surgem categorias instrumentaisde análise que servem para delimitar ou produzir configurações discursivas.O sujeito relativo à determinação de um tal objeto será denominado cognitivo na medida em que sóé considerada sua capacidade de produzir ou localizar operações de articulações discursivas : relaçõesanafóricas ou catafóricas, conexões via coordenação ou subordinação, condições de repetição ligadasà coerência, condições de progressão e de não-contradição, regras de argumentação, etc.O corpus construído nessa problemática não tem necessariamente de ser finalizado em função deuma situação de comunicação particular. Desse ponto de vista, ele pode ser considerado aleatório , econdicionado somente pelos contextos linguísticos em que aparecem esses mecanismos. Uma problemática comunicacional e descritiva O objeto de estudo  aqui é empírico, ou mais exatamente determinado a partir da observação (maisou menos ingênua) das manifestações do mundo fenomênico. Assim, podemos determinar os atosde comunicação em função de certo número de variáveis : a identidade  dos parceiros de trocacomunicativa, a finalidade  do ato (objetivo)   da situação em que se encontra os parceiros e as circunstâncias materiais  da comunicação. Portanto, o objeto de estudo advindo dessa empiria podeser estruturado em “tipos ideais” (no sentido durkheimiano) de comunicação que permitemestabelecer diversas tipologias de discursos, de textos, de gêneros ou de situações comunicativas,mas que supõe, todas elas, uma teorização desses tipos ideais de comunicação.O sujeito , aqui, está ligado a essas questões empíricas de trocas comunicativas, mas também éconstruído e teorizado em função da forma que se constroem e teorizam essas trocas. O sujeito éentão um sujeito de comunicação que se define por sua identidade psicológica e social, por umcomportamento que é finalizado, tanto pelas coerções a que ele se submete se quiser inserir-senuma troca (desse ponto de vista, ele é um “isso” [ça]), como por suas próprias intenções comrelação ao outro (desse ponto de vista, ele é o “eu”). Diversas teorizações sobre esse sujeito sãopossíveis, mas, sejam quais forem, considera-se que esse sujeito se encontra em uma relação deintersubjetividade com o outro da linguagem (princípio da alteridade).Também o corpus , se ressente dessa visão empírica do objeto de estudo. Ele é geralmenteconstituído de textos que são agrupados em função de seu pertencimento a esse ou aquele tipo desituação comunicativa : textos publicitários, jornalísticos, administrativos, textos de manuaisescolares, de programas políticos, assim como diversos textos conversacionais (conversastelefônicas, pedidos de instruções, entrevistas, colóquios, debates etc.) Uma problemática dita representacional e interpretativa O objeto de estudo dessa problemática é definido através de hipóteses de representações sócio-discursivas que se supõem dominantes num dado momento da história de uma sociedade (são,portanto, sócio-históricas) e caracterizam esse ou aquele grupo social. Nesse aspecto, sãointerpretativas, posto que, é preciso ter, desde o início, uma hipótese sobre o que são os “posicionamentos sociais” em relação às “práticas discursivas” e os “tipos de sujeitos” que a elas seligam. A dificuldade dessa problemática reside justamente no fato de que é preciso formular essashipóteses e, para isso, deve-se ter por base manifestações discursivas extremamente diversas, nemsempre explícitas, quem sabe difusas e mesmo imprecisas. Isso evoca o problema da constituição docorpus.O sujeito , nessa perspectiva, também se torna um problema e tem sido frequentemente discutido.Visto ser ele a srcem das práticas discursivas que constroem as representações, pode-se considerá-lo um sujeito ativo. Mas, como essas práticas são partilhadas pelos outros do grupo, e retornam aosujeito na forma de representações de sistemas de valores que o sobredeterminam, pode-se dizerque esse sujeito é passivo e se dilui na consciência do grupo social. Surgem daí duas posiçõesdefendidas por diversos analistas :uma, radical, que só confere a esse sujeito uma existência de “ilusão”, pois ele seriacompletamente sobredeterminado por aquilo que Pêcheux chama de “pré-construído” das “formas discursivas” : o sujeito não é um “eu”, mas um “isso” (ideológico ou inconsciente)que fala através dele ;outra, menos globalizante, que não nega que o sujeito possa ser sobredeterminado, mas emvez de considerá-lo uma ilusão, confere-lhe algum caráter positivo : todo sujeito é detentor,de um lado, de um discurso que o sobredetermina (frequentemente apesar dele mesmo),mas ao mesmo tempo procura se posicionar em relação aos outros. Pode-se então dizer que,  09/10/2015 Imprimer : Um modelo sócio-comunicacional do discurso : entre situação de comunicação e estratégias de individualizaçãohttp://www.patrick-charaudeau.com/spip.php?page=imprimir_articulo&id_article=257 3/11 de uma certa maneira, esse sujeito é “responsável” (evidentemente, precisa-se pôr aspas)por suas representações. É uma posição que qualificaríamos como sociológica, defendida naFrança por certos sociólogos que trabalham com a análise das representações do espaçopúblico nas mídias (L. Quéré), e que têm afinidade com o ponto de vista de uma sociologiaconstrutivista tal como a concebia Bourdieu.O corpus , por conseguinte, varia segundo uma ou a outra posição. Há, entretanto, um problemacomum a essas duas posições : as representações sociais - porque é delas que se trata - constituídaspor esses discursos atravessam os suportes, as situações e os gêneros, e, assim, são recuperáveis demaneira transversal, o torna particularmente difícil a constituição do corpus. Constatamos, contudo,que o corpus é, ora constituído por um conjunto de textos - arquivos, selecionados por seu valoremblemático de discurso dominante, ora constituído por um conjunto de signos - sintomas (verbaisou icônicos) que representam de modo emblemático sistemas de valores (o “racismo”, a “imigração”, a “mulher” na publicidade, o emprego de certas fórmulas nas mídias etc.)Estas três problemáticas delimitam o campo do discurso . Um campo que pode ser trabalhado demaneiras distintas, mas com uma finalidade comum : ver como se estruturam as trocas sociaisatravés da linguagem, e, assim, como se organizam as relações sociais e se instauram os vínculossociais. É na medida em que se faz isso com e através da linguagem enquanto centro geométrico deorganização social, que a análise do discurso se institui como disciplina distinta das outras disciplinas(sociologia, psicologia social, antropologia, etc.), ao mesmo tempo em que se articula com elas. 2. A articulação do ato de linguagem com seu ambiente É forçoso constatar que o sentido de um ato de linguagem (ou de comunicação) não reside somenteem sua manifestação verbal nem somente em seu sentido explícito contido no enunciado produzido(sentido verificável pelo recurso ao dicionário, ou à gramática de uma língua). Se nosrestringíssemos a esse sentido, ficaríamos sempre aquém do sentido do ato de linguagem, caso oqueiramos considerá-lo um ato de troca psicológico e social. Tal troca se faria sempre em função decerto “jogo de expectativas” ( enjeu)  [1] vinculado ao significar. Interpretamos sempre os atos delinguagem a partir de enunciados produzidos e em relação com um “jogo de expectativas” ou aomenos do “jogo de expectativas” que supomos ser o da troca, e que corresponde à questão : “o queele quer me dizer ?” Assim, percebemos o não-dito, ou seja, um sentido oculto, implícito, que nãoaparece na mera combinação das palavras do enunciado, mas que se constrói por inferência . Ora, oque é uma inferência ? Um processo mental pelo qual um sujeito coloca em relação o que é ditoexplicitamente com qualquer outra coisa que encontra em seu ambiente, como um alhures, umexterior da linguagem que é, contudo, pertinente para construir esse implícito. Daí vem a hipótesede que o sujeito falante, por sua vez, fabrica seu enunciado em função de certo “jogo deexpectativas” ao distribuir nos atos de linguagem os sentidos explícitos e implícitos segundo aspossibilidades inferenciais que atribui ao seu interlocutor.Em outros termos, as palavras e os enunciados produzidos não significam por si mesmos, e só sãointerpretáveis a partir de uma relação com um “outro lugar”, mais ou menos sobredeterminante,um lugar de condicionamento que deve ser partilhado pelos parceiros de troca : todo ato delinguagem é produzido e interpretado em função das condições que presidem sua produção e suainterpretação. Para que o enunciado “Ele tem trinta anos” possa significar que a pessoa da qualfalamos é “muito velha”, é preciso que locutor e interlocutor saibam que se trata de um jogador defutebol, ou seja, é preciso que eles tenham em comum um certo saber que constitui um dos “jogosde expectativas” do ato de comunicação. Resta saber como tratar essa questão do ambiente delinguagem em termos de pertencimento aos atos de linguagem produzidos.Precisamos, para isso, de uma teoria do “sujeito do discurso” e uma teoria da “situação decomunicação” : do sujeito do discurso porque ele se encontra no centro do processo de produção einterpretação do ato de linguagem e é, em parte, condicionado pela situação de comunicação ; dasituação de comunicação porque é ela que estrutura o ambiente de linguagem pertinente. Essadupla teoria deve ser propriamente uma teoria de linguagem, ou seja, nem sociológica nempsicosociológica, e que não impeça de integrar elementos de ordem sociológica e/ou psicológica.Propomos então um modelo que distingue três espaços de pertencimento  de construção do sentido,o que envolve correlativamente uma definição do sujeito segundo uma dupla identidade , social   e discursiva  ; que se determinem as condições de produção e interpretação em termos de efeitos  ; eque se tome posição sobre o modo de existência do sujeito  em meio a esses espaços de restrição( lieux de contraintes )   [2] O espaço da produção  09/10/2015 Imprimer : Um modelo sócio-comunicacional do discurso : entre situação de comunicação e estratégias de individualizaçãohttp://www.patrick-charaudeau.com/spip.php?page=imprimir_articulo&id_article=257 4/11 Trata-se do espaço de uma prática social na qual se encontra o sujeito que produz o ato decomunicação. Mas trata-se de uma prática social comunicativa que é portanto estruturada de acordocom as condições relativas ao que chamaremos aqui de situação de comunicação . Essa situação decomunicação faz é objeto de uma estruturação particular, que exporemos mais tarde, mas podemos já adiantar que ela é o espaço em que se define o “jogo de expectativas” da troca comunicativa, ouseja, que permite de responder à questão : “Qual é a finalidade imposta por esta situação ?”.Assim, o locutor (no sentido genérico) que se encontra nessa situação é sobredeterminado peloestatuto e papéis que lhes são atribuídos. Diremos que em cada situação de comunicação o sujeitose define através da identidade   social   que esta lhe impõe.Mas essa identidade social deve ser considerada em relação de pertinência com o ato decomunicação, pois é ela que funda a legitimidade do sujeito falante, ou seja, que permite responderà seguinte questão : “O que me autoriza a tomar a palavra ?”. Assim, o estatuto de médico dedeterminada pessoa não é considerado no caso de ela bater à porta do vizinho para lhe pedir umaxícara de açúcar. Aqui, é a identidade social de vizinho que é pertinente em relação à situação depedir um favor, sendo esta identidade que autoriza a pessoa a pedir o favor. Em contrapartida, é oestatuto de médico que será pertinente em uma situação de consulta médica, que autoriza a fazerao paciente a pergunta : “Você tem dormido bem ?”. Em contrapartida, vemos que esse enunciadonão pode ser pronunciado por um transeunte que pára na rua um outro transeunte, pois a situaçãode pedido de informação de um desconhecido a outro não o autoriza a fazê-lo.Se nos interessa a análise de diferentes tipos de discursos, será necessário perguntar sobre aidentidade social do sujeito que está na srcem de cada um deles. Por exemplo, no caso do discursoda imprensa, quais são os traços de identidade social pertinentes em relação ao texto produzido : éaquele de um jornalista do jornal, o de um correspondente ou de um enviado especial, ou é o de umcronista ocasional, de uma personalidade exterior ao jornal etc. ? No caso do discurso político, éaquele de um candidato à eleição, de um eleito, de um ministro, do chefe de Estado, de um membroda maioria ou de um membro da oposição ?Se se funda o ato de linguagem num princípio de influência e de regulação das trocas sociais, a partirdo problema que o princípio de alteridade coloca a todo sujeito falante (assemelhar-se ao outro/serdiferente do outro), podemos definir seu “jogo de expectativas” como um “jogo de expectativas” deefeitos a ser produzido no outro, e, para este outro, de percepção desses efeitos : efeitos de fazerfazer, de fazer saber, de fazer crer etc. Entretanto, como o locutor não pode ter certeza de que essesefeitos são igualmente percebidos por seu interlocutor, falamos aqui de efeitos visados .Evidentemente, é desejável que esses efeitos sejam percebidos pelo interlocutor, pois eles são umacondição de sucesso da troca de linguagem, mas veremos que em toda troca o interlocutor tem suapalavra a dizer. Em todo caso, definimos o espaço das condições de produção como um espaço ondese constituem os dados da situação de comunicação que sobredeterminam em parte as identidadesdos sujeitos presentes e a finalidade do ato de troca em termos de efeitos visados. O espaço da interpretação Esse é igualmente o espaço de uma prática social na qual se encontra o sujeito que recebe o ato decomunicação e deve interpretá-lo. Essa atividade é submetida, ao menos em parte, às mesmascondições que a produção, na medida em que o sujeito que aí se encontra é o parceiro de um ato decomunicação cujo “jogo de expectativas” deve reconhecer : “Qual é a finalidade imposta por estasituação ?”, “que identidade social ela atribui ao locutor ?”, “que identidade social ela atribui a mim,interlocutor ?” ; essa a condição para ele tentar reconstruir o sentido que lhe propõe o ato delinguagem recebido.Contudo, esse sujeito interlocutor é um ator social que tem sua própria autonomia em sua ação deinterpretação ; ele se dedica a essa atividade em função de sua própria identidade social, daidentidade social do locutor que ele percebe, das intenções que lhe atribui, de seu próprioconhecimento de mundo e de suas próprias crenças. Dessa perspectiva, podemos dizer que o locutornão tem total domínio sobre seu interlocutor ; ele pode imaginar quem ele é, mas não pode tercerteza de que ele interpretará seu ato de linguagem do modo como ele pretende. É que ointerlocutor, por sua vez, constrói ao seu modo o sentido ; ele não é um simples receptor cujaatividade consistiria, como dizia o esquema de comunicação tradicional, em decodificar a mensagememitida pelo locutor : ele é um interpretante construtor de sentido.É porque o espaço da interpretação é aquele onde se realizam os efeitos de sentidos que são própriosdo interlocutor que podemos falar aqui de efeitos produzidos . E é preciso aceitar que os efeitosvisados e os efeitos produzidos não coincidem necessariamente. Claro que a não-coincidência, emesmo a distorção, entre esses efeitos varia de acordo com os traços identitários que a situação

grabado

Jul 31, 2017

Act 5.quiz 1

Jul 31, 2017
Search
Similar documents
View more...
Tags
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks
SAVE OUR EARTH

We need your sign to support Project to invent "SMART AND CONTROLLABLE REFLECTIVE BALLOONS" to cover the Sun and Save Our Earth.

More details...

Sign Now!

We are very appreciated for your Prompt Action!

x