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Perfil Dos Trabalhadores Da Construção Civil e a Relação Com as Estatísticas de Acidentes de Trabalho No Brasil

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Perfil Dos Trabalhadores Da Construção Civil e a Relação Com as Estatísticas de Acidentes de Trabalho No Brasil
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  1 PERFIL DOS TRABALHADORES DA CONSTRUÇÃO CIVIL E A RELAÇÃO COM AS ESTATÍSTICAS DE ACIDENTES DE TRABALHO NO BRASIL Laís Rodrigues de Souza 1  Karen Barbosa Montenegro de Souza 2   RESUMO No presente artigo foram apresentadas as estatísticas de acidentes de trabalho, traçou-se um perfil do trabalhador e a caracterizou-se o setor de construção civil, com o objetivo de verificar se o perfil socioeconômico dos trabalhadores tem alguma influência no alto índice de estatísticas de acidentes de trabalho, a partir de um estudo bibliográfico. Foi realizada uma análise e uma correlação dos dados com o objetivo de entender o porquê dos altos índices de acidentes de trabalho nesse setor. Pôde-se concluir que apesar da maioria dos acidentes de trabalho envolver falha humana, as causas são muito mais complexas e devem-se muito mais a forma de organização e estruturação do setor, do que aos trabalhadores. Palavras-chave: Segurança no Trabalho. Construção Civil. Estatísticas de  Acidentes de Trabalho.   1 Pós graduanda em Engenharia de Segurança no Trabalho pela Universidade Potiguar. Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - eng.laisouza@gmail.com 2 Orientadora: Prof.ª Karen Barbosa Montenegro de Souza. Graduada em Psicologia e Direito pela Universidade Potiguar. Pós-graduada em Psicomotricidade, Direito Administrativo e Gestão Pública. Mestre em Administração.Coordenadora da Graduação Executiva da Universidade Potiguar - karenbmontenegro@hotmail.com  2 1 INTRODUÇÃO O setor da construção, de acordo com a Classificação Nacional de Atividade Econômica  –  CNAE (IBGE) édividido em três segmentos: construção de edifícios, obras de infraestrutura e serviços especializados.  A construção de edifícios compreende a construção de edifícios para usos residenciais, comerciais, agropecuários e públicos. Também estão compreendidas nesta seção as reformas, manutenções correntes, complementações e alterações de imóveis; a montagem de estruturas pré-fabricadas in loco para fins diversos de natureza permanente ou temporária;  A obra de infraestrutura compreende a construção de autoestradas, vias urbanas, pontes, túneis, ferrovias, metrôs, pistas de aeroportos, portos e redes de abastecimento de água, sistemas de irrigação, sistemas de esgoto, instalações industriais, redes de transporte por dutos (gasodutos, minerodutos, oleodutos) e linhas de eletricidade, instalações esportivas, etc; Os serviços especializados para a construção é um divisão que compreende a execução de partes de edifícios ou obras de infraestrutura, tais como: a preparação do terreno para construção, a instalação de materiais e equipamentos necessários ao funcionamento do imóvel e as obras de acabamento. (IBGE, 2016) Dados apresentados no 11º ConstruBusiness - Congresso Brasileiro da Construção estimam que em 2014 foram investidos no setor da construção R$ 460 bilhões, o que equivale a 9,1% do produto interno bruto (PIB). A cadeia da construção, da qual fazem parte empresas de todas as etapas produtivas e investidores de qualquer tipo de ativo utilizado na construção, ocupou em 2014 um contingente de cerca de 6,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada, que representa 13% da força de trabalho no país. Somando empregadores, trabalhadores por conta própria, empregados sem carteira assinada e aprendizes o número vai para 11,3 milhões em 2014, 8,6% da população ocupada no país (CONGRESSO BRASILEIRO DA CONSTRUÇÃO, 2015). Esses dados revelam a importância socioeconômica do setor da construção no cenário nacional. Por outro lado, a construção civil é um dos setores em que mais ocorrem acidentes de trabalho. Estimativas da Organização Internacional do Trabalho - OIT apontam que dos quase 355 mil acidentes mortais que acontecem anualmente no  3 mundo, pelo menos 60 mil ocorrem em obras de construção. (LÓPEZ-VALCÁRCEL et al, 2005, p. 5). Para GONÇALVES (2006), os acidentes de trabalho são fenômenos complexos e multicausais, que interagem com fatores relacionados à situação imediata de trabalho como: o maquinário, a tarefa, o meio técnico ou material, e são influenciados também pela organização e pelas relações de trabalho, bem como pelo contexto social e macro econômico, por isso faz-se necessário um estudo direcionado à organização do trabalho para compreender essa complexidade e sua repercussão na Indústria da Construção. (GONÇALVES, 2006, p.38) Este artigo tem como objetivo verificar se o perfil socioeconômico dos trabalhadores tem alguma influência no alto índice de estatísticas de acidentes de trabalho no setor e serão abordadas nos capítulos seguintes as seguintes revisões bibliográficas: estatísticas de acidente de trabalho na construção civil, perfil do trabalhador da construção civil e caracterização do setor de construção civil.  A partir desses resultados espera-se que seja adotada uma abordagem mais eficiente pelos profissionais de Saúde e Segurança no Trabalho na prevenção de acidentes. 2 ACIDENTE DE TRABALHO Em sentido etimológico, o termo “acidente”  significa qualquer evento não planejado, fortuito, imprevisto e fruto do acaso. O senso comum entende um acidente como algo nefasto, maléfico e aleatório que provoca danos ou prejuízos. Desta definição preliminar podemos diagnosticara existência de uma impossibilidade empírica para controlar e antever todas as situações passíveis de causar acidentes (AREOSA; DWYER, 2010).  Apesar de ser um evento imprevisto, estudos comprovam que é possível prever de maneira razoável a probabilidade de ocorrência de acidente. Como exemplo, podemos citar Llory (1999) que analisando um conjunto de acidentes de grandes proporções concluiu que é possível identificar a repetição de um determinado número de eventos precursores que permitem estimar a probabilidade do acidente. Ele define como precursor qualquer “sinal”  que pode ser: um evento, um fato, um acontecimento, uma mudança de situação, um aparecimento de um  4 incidente de qualquer natureza, uma anomalia de funcionamento, um defeito ou uma falha. Este sinal precursor deve possuir algumas propriedades: - Caráter desfavorável: adverso, negativo, contrário à segurança do complexo industrial e ao bom desempenho na exploração do sistema técnico; - Caráter repetitivo: embora seja impossível estabelecer uma regra absoluta de frequência; - Caráter potencialmente perigoso: no plano das consequências possíveis, avaliação que não pode ser totalmente mecânica, mas levar em conta os aspectos humanos e organizacionais das consequências. (LLORY, 1999 APUD VILELA, 2003)  Autores como Heinrich (1959) com base em um estudo de 5.000 casos, desenvolveram um modelo sobre causas de acidentes que aponta o ato inseguro ou a condição insegura como geradores de acidentes, ou seja, atribuí a causa ao comportamento das pessoas. Destaca que este comportamento é oriundo do ambiente social em que tal pessoa vive. A sequência de interferências denomina “efeito dominó”. Segundo ele, existe uma interdependência entre uma série de fatores (homem/meio, fatores humanos e materiais, ato inseguro e condições inseguras). Para que um acidente seja evitado, é necessário que, pelo menos um ou mais fatores sejam evitados, ou que a sequência seja interrompida (HEINRICH, 1959 APUD DALCUL, 2001, p.44). Binder (1995) defende que essa concepção dicotômica, monocausal, que atribui a causa de acidentes à falha humana, está ultrapassada há décadas em países desenvolvidos, mas continua prevalecendo no interior da grande maioria das empresas brasileiras (BINDER ET AL, 1995 APUD VILELA, 2003). Vilela (2003) afirma que entender os acidentes do trabalho como fenômenos causados por falha humana do acidentado, consequência, sobretudo de atos inseguros praticados por ele, implica em dispensar uma investigação das causas e em apontar a prevenção como a mudança do comportamento dos trabalhadores”.  Sabemos que os acidentes de trabalho têm elevado ônus para toda a sociedade e sua redução é de interesse de todos: governo, empresários e trabalhadores. Além de causar prejuízos às forças produtivas, como morte e mutilação dos operários, os acidentes geram despesas como o pagamento de benefícios previdenciários, recursos que poderiam estar sendo canalizados para

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Aug 2, 2017
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