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QUIRIM, Diogo - Apontamentos Sobre a Educação Na Antídosis de Isócrates

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A Antídosis de Isócrates é um texto escrito entre 354-353 a.C., em que realiza uma ampla defesa de seu modelo de formação para os cidadãos e de sua filosofia. Analiso, então, alguns aspectos dessa educação, não ambicionando uma abordagem geral, mas selecionando alguns tópicos que enfatizam a relação de sua paideía com a contingência, com as limitações e condições para o conhecimento humano e com as deliberações sobre o futuro da pólis. Acusado de corromper a juventude ateniense e transformar em forte o argumento fraco, discorro sobre como Isócrates defende uma “educação sobre os discursos” sem, com isso, apresentar apenas a persuasão como finalidade, prevalecendo o contato entre a linguagem e as circunstâncias, entre os lógoi e os kairoí.
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  Apontamentos sobre a educação na  Antídosis  de Isócrates Diogo QuirimDoutorando em História ― UFRGS 1 diogoquirim@gmail.com Resumo : A  Antídosis  de sócrates ! um te to escrito entre #$%&#$# a.'.( em que reali)auma am*la de+esa de seu modelo de +orma,-o *ara os cidad-os e de sua +iloso+ia.Analiso( ent-o( alguns as*ectos dessa educa,-o( n-o amicionando uma aordagemgeral( mas selecionando alguns tó*icos que en+ati)am a rela,-o de sua  paideía  com aconting/ncia( com as limita,0es e condi,0es *ara o conecimento umano e com asdeliera,0es sore o +uturo da  pólis . Acusado de corrom*er a 2u3entude ateniense etrans+ormar em +orte o argumento +raco( discorro sore como sócrates de+ende uma4educa,-o sore os discursos5 sem( com isso( a*resentar a*enas a *ersuas-o como+inalidade( *re3alecendo o contato entre a linguagem e as circunst6ncias( entre os lógoi e os kairoí  . Palavras-chave : sócrates7  paideía 7 kairós 7 +iloso+ia7 retórica.89ntre os anos de #$%&#$# a.'.( sócrates escre3eu um te to intitulado  Antídosis ( quea*resenta um 2ulgamento +ictcio do *ró*rio sócrates( sendo acusado *or um *ersonagem camado ;ismaco de corrom*er a 2u3entude ateniense( ensinando&les a+a)er com que o argumento mais +raco *are,a o mais +orte( e enriquecer&se com o seuensino( n-o assumindo a res*onsailidade dos custos de uma trierarquia. < te to( noentanto( ! mais do que uma *e,a 2urdica( re*resentando uma das maiores re+er/nciasque temos sore o ensino de sócrates e sua  philosophía ( *osto que( *or tr=s de toda anarrati3a constituda diante de um 2>ri( a+lora no te to como elemento distinti3o umade+esa do *ró*rio modelo de +orma,-o da 2u3entude ateniense que *ro*una. 1  <rientado *elo ?ro+. Dr. Anderson alesBi Cargas. 1  ?retendo( nessa comunica,-o( aordar alguns as*ectos da  paideía  isocr=tica note to da  Antídosis ( sem a ami,-o de reali)ar uma an=lise geral de suas caractersticas(utili)ando re+er/ncias conceituais muito *articulares *ara delinear a minainter*reta,-o. sócrates e *licita sua *reocu*a,-o com o +uturo da  pólis  alme2ando umaeduca,-o que +orme 2o3ens ca*a)es de delierar( se e *ressar e atuar *oliticamente.'ontudo( tam!m ressalta a im*re3isiilidade inerente s nossas deliera,0es( dis*osta *or um +uturo intang3el e *ela +ugacidade do nosso conecimento em um mundomó3el e mut=3el. A *ergunta a +a)ermo&nos diante da educa,-o isocr=tica !: como+ormar os 2o3ens *ara que condu)am a comunidade *oliticamente *ara um om +uturo(sendo que o +uturo ! algo incognosc3elE8Relendo o te to da  Antídosis  *ara com*or esta a*resenta,-o( +iquei astanteencantado com uma *assagem em que sócrates retrata *arcela da 2u3entude ateniense.'ostuma ser( *ara mim( *ro+undamente estimulante encontrar trecos de te tos antigosque a*resentem ou as*ectos muito similares  nossa 3ida cotidiana contem*or6nea( ouradicalmente di3ersos. sócrates alerta que a grande di+ama,-o contra os so+istas( *resente em Atenas desde a *o*ulari)a,-o desses *ensadores e *ro+essores geralmenteitinerantes( +e) com que os 2o3ens *assassem o seu tem*o eendo( em +estas( reuni0es(na 3adiagem e na oa 3ida como um todo( descuidando&se de se instrurem *aramelorar como cidad-os( re+rescando o seu 3ino nas o3e Fontes(   ou emriagando&senas ta3ernas( ou( ainda( dedicando&se ao 2ogo e em usca de muleres nas escolas das+lautistas. 9m 3e) de detratar aqueles que se ocu*am da educa,-o dos 2o3ens e acus=&losde corrom*/&los( de3eriam agradecer tais mestres *or a+astar os 2o3ens de =itos *erniciosos.   Antídosis ( IJ&IKL. A +alta de e otismo nas ocu*a,0es a que se dedica3aa 2u3entude ateniense n-o !( entretanto( o que *retendo aqui ressaltar. nteressa&me(soretudo( a quest-o que su2a) esse te to( e que( de certa +orma( ! o mote *ara acom*osi,-o de todo o discurso da  Antídosis : como queremos *re*arar os 2o3ens *ara o 2  <u +onte dos 4no3e canos5( enneákrounos ( tam!m camada de  Kallirróē  ( instalada *elos ?isistr=tidas( locali)ada *ró imo  Acró*ole. 2  e erccio da cidadania em Atenas e de que maneira a educa,-o *ode alterar os +uturosda  pólis .A *resen,a de uma inquieta,-o com o +uturo da  pólis  atra3!s do modo como a educa,-ose *rocessa( em sócrates( assume contornos interessantes. 9m Contra os sofistas ( logono incio do te to( ! dito que o +uturo ! algo im*re3is3el *ara os omens( e sore elen-o *ode a3er conecimento( *ois mesmo os deuses s-o a*resentados( em Homero(delierando acerca das decis0es a serem tomadas.  Contra os sofistas ( L. M *rimeira3ista( essa in+orma,-o me *areceu astante anal e corriqueira7 no entanto( enquantomais me a*ro+undei nos te tos isocr=ticos( *ercei que *odemos sugerir cone 0es comoutros as*ectos de sua  philosophía . < tema n-o ! no3o nos te tos gregos do *erodo( e(inclusi3e( lemro&me de uma *assagem do  Elogio de Helena ( de Górgias. ela( *ode ser inter*retado que( se ti3!ssemos memória acerca de todas as coisas do *assado(conecimento das do *resente e *re3is-o das que 3iriam a ser no +uturo( os lógoi  seriamsem*re os mesmos.   Elogio de Helena ( 11L. -o a3eria discord6ncia( 3isto que =onisci/ncia. -o a3eria deates( d>3idas( distintos discursos uscando sore*or&se unsaos outros( nem deliera,-o acerca do que ! melor( mais 2usto ou mais >til *ara a  pólis .9m suma: n-o a3eria retórica. o entanto( como essas lemran,as do *assado( o saer acerca do *resente e a ante3is-o do +uturo n-o s-o t*icos da nature)a umana( só *odemos ter o*ini0es e nada mais que isso( mesmo que elas se2am 3acilantes einseguras. < te to de Górgias situa um im*ortante ca*tulo dos deates sore o que s-o epistē  ḗmē   e dóxa ( sore at! onde ! *oss3el aos omens conecer e qual a +un,-o dalinguagem nesse *rocesso de conecimento.Se sócrates +oi in+luenciado *elo te to de Górgias( ! im*oss3el *ara nós sa/&lo( e tal3e) nem se2a a indaga,-o de maior im*ort6ncia emora *are,a conec/&lo(como re+ere em seu *ró*rio  Elogio de Helena L. ?or outro lado( = alguma sincronia noste tos no que di) res*eito  restri,-o da condi,-o do conecimento umano s dóxai .Nanto em Contra os sofistas  quanto na  Antídosis ( os te tos de sócrates a*ontam *ara aim*ossiilidade de o conecimento umano alcan,ar um saer total sore as coisas(est=3el e *erene( que anteci*e o +uturo e ilumine as decis0es a tomarmos comin+aliilidade. Noda3ia( sócrates n-o *arece descuidar da no,-o de 3erdade. Nra,ar o nóentre essa a*arente contradi,-o *resente no *ensamento isocr=tico( que( *or um lado(erige o conecimento umano sore um mundo mo3edi,o e incerto( e( *or outro( critica 3  a +alta de interesse de alguns com o lógos  3erdadeiro n-o ! tare+a +=cil nem leg3el de+orma e3idente em suas oras.Nra,o a mina inter*reta,-o acerca das rela,0es entre o lógos  e a sualegitimidade( 3alidade( ou at! 3erdade O termo sem*re di+cil O em sócrates a *artir do modo como a no,-o de kairós  surge em seus te tos.  Kairós  ! uma *ala3ra indicati3ade um modo de conceer o tem*o( que se distancia do tem*o cronológico( da sucess-o(da causalidade e da continuidade.  Kairós  ! o tem*o da *articularidade em 3e) da *erenidade( ! o caso( a singularidade( o *resente com aquilo que ele tem de >nico e n-o *ass3el de re*eti,-o( um agora com todas as circunst6ncias que o +a)em *eculiar. P atem*oralidade da conting/ncia. Gosto de *ensar o kairós  atra3!s do ditado 4estar no lugar   certo( na hora  certa5( *ois ele su2a) duas ace*,0es im*ortantes: aL ao*ortunidade que surge gra,as s con+igura,0es n-o re*et3eis de tem*o e es*a,o ouquaisquer outras marcas da ocasi-o *articularL7 L as circunst6ncias con+iguradas de+orma tal ― >nica e +uga) ― que +a)em emergir a o*ortunidade. Nanto na  Antídosis como em Contra os sofistas ( sócrates a+irma que os lógoi  e as dóxai ( ou se2a( alinguagem e o *ensamento( de acordo com a sua conce*,-o( de3em *artici*ar do kairós .  Antídosis ( 1I#&1I%7 Contra os sofistas ( 1# e 1JL. A 3alidade do discurso( ent-o( n-o est=em suas asser,0es uni3ersali)antes e *erenes( mas em sua intrnseca rela,-o com aconting/ncia( com as circunst6ncias de sua +ormula,-o. A rela,-o entre 3erdade etem*o( em sócrates( n-o se desloca *ara a eternidade( mas *ara o tem*o istórico. # ?ensar a *ro*osta de sócrates *ara a educa,-o da 2u3entude ateniense( logo( n-o !com*at3el com a usca de uma +orma,-o ideal do cidad-o *ara a constru,-o de umacidade incorru*t3el7 *elo contr=rio( ! educar os 2o3ens *ara os desa+ios de um +uturoincerto( acerca do qual n-o = *resci/ncia( e sore o qual as decis0es de3em ser tomadasem um *resente cu2o diagnóstico n-o ! menos 3acilante e incerto. A  pólis  ! como umaemarca,-o rumando ao +uturo em um mar turulento( e a  paideía  de3e 3isar  *re*ara,-o dos +uturos timoneiros a gui=&la nessas circunst6ncias mo3edi,as edesa+iantes.8 3  ?ara uma e *osi,-o e argumenta,-o detaladas sore o termo e no,-o de kairós  em sócrates(consultar a mina disserta,-o de mestrado( em que me a*ro+undo no tema. QUR( 1%L. 4

LUCRAREA_1.doc

Aug 1, 2017

03 Transmisión

Aug 1, 2017
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