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Repensando o Ensino de Ciências e de Biologia na Educação Básica: o Caminho para a Construção do Conhecimento Científico e Biotecnológico_Junior&Barbosa_2009_txt

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Democr atiz ar, v.III, n.1, jan./abr. 2009. Repensando o Ensino de Ciências e de Biologia na Educação Básica: o Caminho para a Construção do Conhecimento Científico e Biotecnológico Arildo Nerys da Silva Junior Jane Rangel Alves Barbosa (*) (**) Atualmente, nos deparamos com um número acelerado e crescente de descobertas científicas e muitas dessas descobertas englobam o campo da biologia. Dessa forma, os professores de biologia e de disciplinas correlatas ficam encarregados de estarem continu
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  Democratizar, v.III, n.1, jan./abr. 2009.Instituto Superior de Educação da Zona Oeste/Faetec/Sect-RJ. Repensando o Ensino de Ciências e de Biologia naEducação Básica: o Caminho para a Construção doConhecimento Científico e Biotecnológico  Arildo Nerys da Silva Junior  (*)   Jane Rangel Alves Barbosa (**)   Atualmente, nos deparamos com um número acelerado e crescente de descobertas científicas emuitas dessas descobertas englobam o campo da biologia. Dessa forma, os professores debiologia e de disciplinas correlatas ficam encarregados de estarem continuamente em atualizaçãoe sincronia com toda essa dinâmica científica. Porém, o que vai determinar o aprendizado doaluno, em todos os níveis do ensino, em detrimento de conteúdos decorados que são esquecidosapós as avaliações, são as formas didáticas que os professores da referida área do saber irãoutilizar.Partindo das ponderações de Mortimer (1996, p. 20), vemos que grande parte do sabercientífico transmitido na escola é rapidamente esquecida, prevalecendo idéias alternativas ou desenso comum bastante estáveis e resistentes, identificadas, até mesmo, no seio dos estudantesuniversitários.É notável que uma forma didática tradicional, especialmente na área biológica, commuitas técnicas pouco ou totalmente ineficazes, torna o ensino monótono, desconexo edesvinculado do cotidiano do aluno. Gera-se, dessa forma, conhecimentos equivocados econfusos sobre vários temas das ciências biológicas, tendo por conseqüência um ensino poucoeficaz, que por vezes pode até confundir ainda mais os conhecimentos científicos que o aluno jápossui. Segundo Pedracini et al (2007, p. 301), “parece evidente que o modo como o ensino éorganizado e conduzido está sendo pouco eficaz em promover o desenvolvimento conceitual”.Comprovando esse ponto de vista aqui proposto e chegando a conclusões análogas, há pesquisassobre as formações de conceitos que, tomando como referência o ensino de Ciências e Biologia,chegaram as seguintes conclusões: (*)   Graduando de bacharelado e licenciatura em Ciências Biológicas – Universidade Castelo Branco. E-mail:arildonerysjunior@bol.com.br.   (**)   Doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professora da Universidade Castelo Brancoe do Instituto Superior de Educação da Zona Oeste – Ise/Uezo/Faetec. E-mail: janerangel@globo.com.  Democratizar, v.III, n.1, jan./abr. 2009.Instituto Superior de Educação da Zona Oeste/Faetec/Sect-RJ. Estudantes da etapa final da educação básica apresentam dificuldades naconstrução do pensamento biológico, mantendo idéias alternativas em relação aosconteúdos básicos desta disciplina, tratados em diferentes níveis de complexidadeno ensino fundamental e médio. Estas pesquisas revelam, por exemplo, que amaioria dos estudantes destes níveis de ensino apresenta uma idéia sincrética,portanto, pouco definida sobre célula, confundindo este conceito com os deátomo, molécula e tecido (BASTOS, 1992). Notamos nas palavras de Vygotsky a necessidade de uma reformulação não só na didáticaaplicada ao ensino da disciplina de biologia e correlatas, como em todas as demais disciplinas dosensinos fundamental e médio: Cada matéria escolar tem uma relação que muda com a passagem da criança deuma etapa para outra. Isto obriga a reexaminar todo o problema das disciplinasformais, ou seja, do papel e da importância de cada matéria no posteriordesenvolvimento psicointelectual geral da criança (VYGOTSKY, 1991, p. 117). Percebemos atualmente que a ordenação de conteúdos que muitos professores adotam por julgá-los mais importantes do que outros pode acabar por prejudicar a assimilação de conhecimentos,pois alguns conteúdos são dependentes de outros, e alguns deles dependem de noções de outrasdisciplinas, como é o caso da dependência existente entre os conteúdos de química e física donono ano do ensino fundamental, com as noções de cálculo da disciplina de matemática,interpretação das questões propostas (pertencente ao campo da disciplina de língua portuguesa), eda capacidade de raciocínio e síntese (pertencente ao campo das disciplinas de filosofia ematemática).Dessa forma, apoiando-nos em Piaget (1993, p. 13), é possível tirar a seguinte conclusão:efetivamente, cada um dos especialistas das ciências exatas e naturais tem necessidades de umapreparação assaz desenvolvida nas disciplinas que precedem a sua, nesta ordem hierárquica,assim, como muitas vezes, da colaboração de investigadores das ciências precedentes, o que levaestes a interessarem-se pelos problemas levantados pelas ciências seguintes. Sendo assim, umareforma educacional mostra-se extremamente necessária. Todavia, para elucidar suas causas,objetivos e métodos de ação, Castelo assinalou o seguinte: A primeira pergunta que se impõe, ao estudarmos a Reforma, é o porquê dessaReforma, o porquê da necessidade de reformar o ensino. A resposta é simples:porque se vem verificando em toda parte, que o ensino tradicional já não podesatisfazer as exigências da sociedade moderna, a tal ponto que, em muitos casos,fracassa completamente (CASTELO, 1985, p. 1). Castelo (1985, p. 2) argumenta ainda que “com o progresso científico avançado em ritmoextremamente acelerado, o velho ensino, baseado na transmissão de conhecimentos, deixou deser eficaz, pois esses conhecimentos adquiridos na escola, ao fim de dez anos têm muito poucovalor, já foram substituídos por noções mais novas”. Dessa forma, uma atualização constante é  Democratizar, v.III, n.1, jan./abr. 2009.Instituto Superior de Educação da Zona Oeste/Faetec/Sect-RJ. exigida de todos que queiram progredir, e a função da escola não pode ser mais a de transmitirconhecimentos que envelhecerão em curto prazo.Segundo Castelo (1985, p. 3) “a principal função da escola já não é promover a simplesaquisição de conhecimentos, mas sim ensinar a cada um como adquirir o máximo deconhecimentos com a maior economia de tempo, em suma, ensinar a cada um como estudar ecomo raciocinar com eficiência.” Este autor ainda afirma que: Sendo assim, os alunos devem ir à escola para adquirir habilidades que oscapacitem a absorver os conhecimentos de que necessitarem, e que os tornemaptos a utilizar esses conhecimentos da maneira mais proveitosa: a habilidade daleitura, do raciocínio matemático, do planejamento e da avaliação de objetivosetc. Desse modo, estaremos formando indivíduos abertos à realidade, capazes dereformular constantemente os conhecimentos adquiridos, atualizando-se sempreque perceberem a necessidade disso. Nossos alunos estarão conscientes de que aciência progride, as verdades de hoje não serão as verdades de amanhã, mas elespoderão sempre, a qualquer momento, tomar posse das novas verdadesinstauradas pelo progresso, graças às habilidades adquiridas na escola(CASTELO, 1985, p. 3). Devido a essas necessidades de reformulação das técnicas de ensino, vários autores relataram osseus pontos de vista, visando sanar esses déficits e falhas do método didático tradicional.Seguindo esse mesmo propósito, essa pesquisa presta-se a relatar uma coletânea de técnicas,habilidades, conhecimentos, domínios metodológicos e tudo mais que for inerente ao ato docentedo professor, correlacionando com a realidade e o cotidiano das escolas e, acima de tudo,aplicando uma visão crítica e inovadora, visando a todo momento contribuir positivamente parauma reforma educacional da didática ministrada nas escolas, didática essa voltada em especial àdisciplina de Ciências, e correlatas do ensino fundamental, e à disciplina de Biologia do ensinomédio. Procedimentos metodológicos Esta pesquisa foi realizada através de levantamento bibliográfico e observações feitas em EscolasPúblicas e Privadas, de ensino fundamental e médio, da zona oeste do município do Rio deJaneiro.A todo o momento houve a correlação da bibliografia com a realidade do ensinoministrado nas escolas, e as conclusões chegadas através desse estudo. Dessa forma podemoschegar a uma visão mais abrangente e realista do sistema de ensino e didático prático e teórico,enfatizando a disciplina de Ciências e correlatas do ensino fundamental, e a Disciplina deCiências Biológicas (Biologia) do ensino médio.  Democratizar, v.III, n.1, jan./abr. 2009.Instituto Superior de Educação da Zona Oeste/Faetec/Sect-RJ. Análise dos dados Todos os dados obtidos pelo levantamento bibliográfico e também através das observações docotidiano escolar foram interpretados e correlacionados, possibilitando chegar a uma série deconclusões sobre as mudanças necessárias à didática no ensino de biologia, bem como conclusõessobre a didática tradicional, aplicada atualmente na maioria expressiva das aulas de Ciências eBiologia dos ensinos fundamental e médio, de escolas públicas e privadas.Para começar apontando as principais causas de ineficácia de atual didática tradicionalaplicada ao ensino de Biologia, e percebermos por onde devemos iniciar a repensar e a reformularos recursos didáticos utilizados nessas disciplinas, o estudo de Pedracini chega a váriasconclusões, dentre elas vale apresentar a seguinte: Apesar de os alunos terem estudado os conceitos básicos referentes à estrutura efisiologia dos seres vivos nos seus vários níveis de organização, ainda apresentamidéias espontâneas, algumas vezes, destituídas de significados sobre estesconteúdos. Refletimos que, talvez, isso se deva ao fato de que o ensino não lhestenha propiciado as atividades necessárias para que o desenvolvimento dosconceitos científicos pudesse ultrapassar os conceitos espontâneos. Para algunsestudantes “a vida” é o fator que caracteriza o ser vivo. Eis a fala que representaessa idéia: “Ser vivo tem vida e o ser não vivo não tem vida” (PEDRACINI ETAL, 2007, p. 320). Esse estudo nos permite observar que a forma didática aplicada atualmente nas escolas nãopermitiu levar um percentual de alunos, que chega bem perto da totalidade, a compreender umdos princípios mais básicos da Biologia. Devido aos professores muitas vezes se preocuparemmais com o cumprimento dos conteúdos do que com a assimilação, por parte dos alunos, deforma satisfatória dos conceitos científicos, aqueles acabam sacramentando conceitosequivocados devido à falta de tempo, à falta de continuidade e ao aprofundamento insatisfatóriono conteúdo ministrado. Isto porque os professores não proporcionaram atividades capazes dedesenvolver os conceitos científicos no processo cognitivo de seus alunos de forma a fazer comque esses conceitos científicos consigam ultrapassar os conceitos do senso comum tambémpresentes em seu aluno.Não raro, os conteúdos mais básicos das disciplinas acabam sendo sufocados pelosconteúdos mais avançados e detalhados ministrados em sala de aula. Isso se deve, em grandeparte ao professor que, consciente ou inconscientemente, julga que seus alunos já possuemdomínio sobre o assunto, que não é interessante ensinar esses conteúdos tão básicos, ou queaprenderão futuramente em outras disciplinas mais avançadas ou por conta própria, o que acabanão ocorrendo.
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