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Revista Reflexão V 41 N 2 2016

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ISSN 0102-0269 VOLUME 41 NÚMERO 2 JULHO/DEZEMBRO 2016 Fundada em 1975 Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Sociedade Campineira de Educação e…
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ISSN 0102-0269 VOLUME 41 NÚMERO 2 JULHO/DEZEMBRO 2016 Fundada em 1975 Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Sociedade Campineira de Educação e Instrução) Grão-Chanceler: Dom Airton José dos Santos Reitora: Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht Vice-Reitor: Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior Pró-Reitor de Graduação: Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação: Profa. Dra. Sueli do Carmo Bettine Pró-Reitora de Extensão e Assuntos Comunitários: Profa. Dra. Vera Engler Cury Pró-Reitor de Administração: Prof. Dr. Ricardo Pannain Diretor do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: Prof. Dr. Luís Arlindo Feriani Filho Diretor-Adjunto do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: Prof. Me. Paulo Moacir G. Pozzebon Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião: Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves Reflexão, Campinas, 41(2):131-266, jul./dez., 2016 Contribuições do protestantismo histórico para os estudos de Religião na América Latina Sumário A p r e s e n t a ç ã o Iuri Andréas Reblin ......................................................................................................... 133 Editorial Contribuições do protestantismo histórico para os estudos de religião na América Latina: o caso das Ciências Sociais no Brasil Breno Martins Campos................................................................................................... 135 Artigos: Dossiê Tradição apostólica: uma perspectiva evangélico-luterana Apostolic Tradition: A Lutheran perspective Rudolf von Sinner........................................................................................................... 139 Lutero, questões hermenêuticas e a Reforma Protestante Luther, hermeneutical issue and the Protestant reformation Elisa Rodrigues............................................................................................................... 155 Os jornais evangélicos e a formação da mentalidade protestante no Brasil The evangelical journals and the development of the protestant mentality in Brazil Armando Araujo Silvestre ............................................................................................... 165 O subterrâneo religioso da vida eclesial: escuta pastoral The subterranean religiosity of ecclesial life: Pastoral listening Oneide Bobsin ................................................................................................................ 179 Poder político e religião: sobre a crítica de Rousseau a certo tipo de cristãos no corpo político Political power and religion: Rousseau’s critique on certain types of Christians in the political body Douglas Ferreira Barros .................................................................................................. 199 Reflexão, Campinas, 41(2):131-266, jul./dez., 2016 Artigos: Temática Livre Esoterismo e astrologia na Nova Era: do ocultismo à psicologização Esotericism and astrology in the New Age: From occultism to psychologization Silas Guerriero ............................................................................................................... 211 Migração, religião e políticas públicas: o caso dos haitianos Migration, religion and public policies: The case of Haitians Suzana Ramos Coutinho e Bernadete Alves de Medeiros Marcelino ................................ 225 Protocolos e práticas de leitura bíblica: o códice 2437 – fólio 151 verso Protocols and practices of biblical reading: The codex 2437 – folio 151 verso Anderson de Oliveira Lima .............................................................................................. 235 Comunicação A filosofia da religião à luz dos “tempos do espírito” Philosophy of religion in light of the “spirit time” Luis Gabriel Provinciatto e Maiara Rúbia Miguel ............................................................. 251 A continuidade do diálogo nos Simpósios-2016 da Associação Brasileira de História das Religiões The continuity of the dialogue in the Symposiums-2016 of the Associação Brasileira de História das Religiões Sarita dos Santos Carvalho ............................................................................................ 259 Reflexão, Campinas, 41(2):133-134, jul./dez., 2016 APRESENTAÇÃO 133 Iuri Andréas REBLIN1 1 1 1 1 O protestantismo é um arcabouço que abriga contrastes curiosos. Nascido sob a égide do princípio “ecclesia reformata semper reformanda est”, na esteira da publicação das 95 teses na porta da igreja de Wittenberg no dia 31 de outubro de 1517 por Martinho Lutero, o protestantismo se constituiu como um movimento que, depois, se desdobrou em diferentes confissões religiosas dentro do cristianismo. A proposta de se repensarem certas doutrinas e práticas religiosas, num diálogo com o espírito bíblico diante do engessamento institucional da Igreja Cristã de então, das artimanhas de poder e de um controle do discurso religioso, não apenas balançou as estruturas da época como acabou formando pequenas novas microestruturas. Suas características, ora em maior, ora em menor escala, acabaram se repetindo, mas com uma diferença: a quebra de uma hegemonia e a proliferação de confissões religiosas acabaram, de certa forma, libertando o sujeito religioso, possibilitando-lhe não apenas escolher entre uma ou outra confissão religiosa, como também transitar entre elas, inclusive, sem a necessidade de se filiar a uma ou outra. Naturalmente, o movimento protestante acabou contribuindo para o surgimento do capi- talismo, da secularização e de outras transformações sociais, políticas, econômicas e culturais que, no mundo ocidental predominantemente cristão, ao menos, acabou relegando a própria religião para o âmbito privado. Apesar disso, ela – enquanto instituição de poder – continua exercendo uma influência significativa nas relações e nas práticas cotidianas, bem como na esfera pública, particularmente, no Brasil, vide as ações da bancada evangélica do Congresso, por exemplo. Não se está afirmando aqui que a dinâmica do protestantismo, seu movimento e seus desdobramentos foi ruim, mesmo porque o pensamento especulativo do “o que aconteceria se...” ou o “e se...” num olhar ao passado, à história, pertence melhor ao campo ficcional. 133 Reflexão, Campinas, 41(2):133-134, jul./dez., 2016 1 1 1 1 1 Escola Superior de Teologia. R. Amadeo Rossi, 467, Morro do Espelho, 93001-970, São Leopoldo, RS, Brasil. E-mail: <reblin iar@yahoo.com.br>. Apresentação Reflexão, Campinas, 41(2):133-134, jul./dez., 2016 I.A. REBLIN 134 É nessa direção que reside, a meu ver, a grande contrib contrib contrib contrib contribuição do pr uição do pr uição do pr uição do pr uição do protestantismo histórico otestantismo histórico otestantismo histórico otestantismo histórico otestantismo histórico par par par par para os estudos de R a os estudos de R a os estudos de R a os estudos de R a os estudos de Religião na eligião na eligião na eligião na eligião na América La América La América La América La América Latina tina tina tina tina: provocar o “e se...” não num olhar ao passado, mas num olhar ao presente com vistas ao futuro. Ou seja: provocar a suspeita sobre discursos, agenciamentos e articulações políticas, bem como provocar a pergunta “tem que ser assim?”, “e se fosse diferente...?”, “pode ser diferente?”, “por que tem que ser assim?”. Isto é, ao reclamar o poder da palavra, de dizer a palavra, de interpretar a palavra e repassá-la às pessoas, quebrando a hegemonia de enunciados e práticas, o movimento protestante rompeu com o feitiço da linguagem – tal como identificado por Ludwig Wittgenstein em seu Tratado Lógico-Filosóficos – e elucidou que fatos tidos por vezes como naturais (como as instituições e as organizações, por exemplo, as instituições religiosas) são construções sociais, sujeitas às dinâmicas das relações, suscetíveis a falhas e, portanto, passíveis de questionamento e transformação, como o próprio protestantismo. É claro que nem sempre o “e se...” evoca a melhor saída. E mesmo que evoque a melhor saída num determinado momento, nada impede que a mesma dinâmica de opressão retorne sob uma nova roupagem. Poder questionar para transformar, entretanto, é a ação implícita no princípio “ecclesia reformata semper reformanda est”. E esta é a outra contribuição do protestantismo: somos todos sempre e indelevelmente pecadores e, por mais que queiramos, por mais que nos esforcemos ou nos penitenciemos, não eliminamos essa característica de nossa carne, de nossa sequência de ácido desoxirribonucleico em nossas células (nosso DNA). Entretanto, “quando tudo está perdido, sempre existe um caminho, quando tudo está perdido, sempre existe uma luz”, como proclama Renato Russo na canção “A via Láctea”. E esse caminho é a justificação por graça e fé concedida por Deus. Essa é a dinâmica que se articula no espírito epistemológico protestante, e é essa dinâmica que você encontrará nos textos desta edição. Tenha uma boa leitura! Reflexão, Campinas, 41(2):135-138, jul./dez., 2016 EDITORIAL 135 Breno Martins CAMPOS1 1 1 1 1 Como parte integrante de um movimento de resposta a novas demandas por conhecimento especializado acerca do protestantismo no Brasil na segunda metade do século passado, foi publicado, em 1973, pela Editora Vozes (católica), o livro “Para uma sociologia do protestan- tismo brasileiro”, do sociólogo de tradição protestante Waldo A. César. Trata-se de um trabalho de pesquisa que veio à luz, segundo explicações do próprio autor, por solicitação do Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET)2 2 2 2 2 e com objetivos bem delimitados: “documentar e em parte criticar obras e pesquisas relevantes para um estudo sobre o protestantismo brasileiro”; estabelecer uma espécie de sociografia, fundamentada em muitas obras, “para sugerir um marco teórico e algumas hipóteses que nos parecem abarcar relações fundamentais, do ponto de vista sociológico (e teológico), para um estudo mais global do fenômeno religioso repre- sentado pelo protestantismo brasileiro” (CÉSAR, 1973, p.5). Dentre os intelectuais brasileiros, havia o reconhecimento de que o protestantismo histórico vinha sendo pouco pesquisado em comparação com as investigações direcionadas, por exemplo, ao catolicismo e aos cultos africanos no país. Para corroborar a ideia de uma demanda por novos conhecimentos quanto à presença do protestantismo no Brasil, vale mencionar o comentário ou convite que Luiz Mott em 1975 propôs na resenha que fez do livro “Para uma sociologia do protestantismo brasileiro”: que César publicasse, para benefício da comunidade de estudiosos das religiões no Brasil, uma bibliografia (de preferência, comentada) do protestantismo no Brasil, pois ele havia mencionado “possuir ao redor de seiscentas fichas bibliográficas de referência sobre este tema” (CÉSAR, 1975, p.86). Além disso, Mott deu destaque àquilo que pode ser tomado como o legado mais decisivo do livro de César (1973): a sugestão de dividir os estudos sociológicos do protestantismo no Brasil em três períodos3 3 3 3 3 . Para César (1973), superado o aspecto polemista da primeira fase dos estudos do protestantismo no Brasil (1930-1940) e ultrapassada a situação de maioria estrangeira a caracterizar os investigadores acadêmicos na segunda 135 Reflexão, Campinas, 41(2):135-138, jul./dez., 2016 1 1 1 1 1 Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Programa de Pós- -Graduação em Ciências da Religião. Rod. Dom Pedro, km 136, Pq. das Universidades, 13086-900, Campinas, SP , Brasil. E-mail: <breno.campos@puc-campinas.edu.br>. 2 2 2 2 2 “O ISET realizou encontro em S. Paulo, de 27 a 29 de julho de 1972, entre sociólogos e teólogos, com o objetivo de examinar as ba-ses sociográficas do catolicismo romano, do protestantismo e dos cultos africanos no Brasil. Por motivos de força maior, não foi possível estudar estes últimos. O ISET pretende dar continuidade aos debates, agora estimulando temas específicos de pesquisa no campo religioso e registrando informações gerais sobre trabalhos em execução” (CÉSAR, 1973, p.43). 3 3 3 3 3 A tese do autor propõe que o roteiro bibliográfico dos estudos do protestantismo no Brasil, da polêmica sectária à investigação sociológica, pode ser dividido nos três períodos seguintes: “1. Polêmica e história: a história como elemento polêmico (1930-1940)” (CÉSAR, 1973, p.10); “2. Primeiras obras e pesquisas sociológicas (1940-1955)” (CÉSAR, 1973, p.14); “3. Igreja e sociedade: confronto e divisão ideológica (a partir de 1955)” (CÉSAR, 1973, p.19). Editorial Contribuições do protestantismo histórico para os estudos de religião na América Latina: o caso das Ciências Sociais no Brasil Reflexão, Campinas, 41(2):135-138, jul./dez., 2016 B.M. CAMPOS 136 (1940-1955), foi a partir de 1955 que um número maior de protestantes brasileiros passou a se interessar por sociologia e começou a investigar cientificamente seu próprio universo de pertencimento e atuação4 4 4 4 4 . Naquele que pode ser considerado o primeiro balanço bibliográfico da produção em ciências sociais da religião no Brasil com “vida própria” e “caráter monográfico” – a opinião é de Pierucci (1999, p.250) –, Alves (1978, p.134), outro intelectual brasileiro de tradição protestante, chegou a uma conclusão interessante em diálogo com o livro de César, princi- palmente quanto ao terceiro período dos estudos de protestantismo no Brasil (marcado por confrontos e divisões): Os cientistas que se dedicaram a fazer uma análise crítica do Protestantismo são, todos eles (na medida em que conheço), ex-pastores, ex-seminaristas, ex-líderes leigos forçados a deixar suas funções. [...] Os trabalhos, sem exceção, procuram as relações do Protestantismo com os processos de invasão cultural e ideológica que marcaram a expansão colonial norte-americana. O Protestantismo é analisado como uma ideologia repressora, totalitária, capitalista, que se encontra em casa num Estado Capitalista e totalitário. O que explicaria, em parte, o seu silêncio no Brasil após 1964. No final dos anos 70 do século passado, a conclusão de Alves revela outra forma de dizer que os estudos acadêmicos do protestantismo no Brasil, mesmo conduzidos por protestantes históricos, continuavam restritos a um grupo de interessados. Em seu próprio balanço acerca do que ler na sociologia da religião no Brasil, no fim do século XX, Pierucci (1999, p.270) voltou aos três períodos propostos por César: No primeiro (1930-1940), que representa a passagem da pura polêmica para a obra histórica (ainda) polemicamente orientada, os autores escrevem na qualidade de membros filiados a uma ou outra das denominações protestantes. No segundo (1940-1955), marcado pelo aparecimento das primeiras obras e pesquisas sociológicas, surgem autores já vinculados ao meio universitário, principalmente estrangeiros. O terceiro (a partir de 1955), marcado pelo aprofundamento do foco igreja-sociedade, é o mais prolífico em obras de caráter mais definidamente sociológico, realizadas entretanto em dupla filiação: os autores estão o tempo todo com um pé no contexto eclesiástico e o outro no acadêmico5 5 5 5 5 . Na mesma seção do balanço bibliográfico em que apareceu o livro “Para uma sociologia do protestantismo brasileiro”, Pierucci (1999, p.270) fez também menção honrosa a outra obra de 1973 muito importante para os estudos de religião no Brasil, inclusive os do protestantismo histórico: “Católicos, protestantes, espíritas”, de Cândido Procópio Ferreira de Camargo et al. A data da publicação e o estilo dos dois livros, ambos publicados pela Editora Vozes, não podem ser tomados como “feliz coincidência” – é preferível enxergar “um certo Zeitgeist”, como propôs Pierucci (1999, p.270). Um salto no tempo, mas sem distanciamento do assunto: em 2003, mais precisamente nos dias 26 a 28 de agosto, o Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo realizou o “Encontro Temático: Católicos, pro- testantes, espíritas... 30 anos depois” como parte das celebrações de seus trinta anos de existência – visto que fundado em 1973 (de novo, o mesmo ano) – e com o objetivo de reunir 4 4 4 4 4 Trata-se de uma proposta de análise que leva em conta o caráter processual dos estudos do protestantismo no Brasil, que não é a mesma coisa que considerar que o advento do último estágio tenha eliminado protestantes polemistas e pesquisadores estrangeiros do cenário de produção de saberes protestantes e de conhecimentos sobre o protestantismo no Brasil – a mudança é quanto à ênfase ou hegemonia a caracterizar cada período. 5 5 5 5 5 Em nenhum dos três períodos de investigação do protestantismo no Brasil ao longo do século XX, os autores citados nas recensões (de César, Alves e Pierucci) estiveram livres dos riscos apontados por Bourdieu (1990) quanto às tentações do jogo duplo e da dupla vantagem envolvidas numa condição de dupla filiação (religiosa e científica); ainda assim, pode-se dizer que os autores polemistas (líderes das igrejas protestantes), os pesquisadores estrangeiros (cientistas protestantes) e os cientistas sociais brasileiros (protestantes) cumpriram o papel de produzir conhecimento a respeito do protestantismo no Brasil. Reflexão, Campinas, 41(2):135-138, jul./dez., 2016 EDITORIAL 137 estudiosos da religião para o debate teórico e metodológico das expressões religiosas no Brasil do início deste século. No ano seguinte, os temas e exposições do evento foram publi- cados no livro “Sociologia da religião e mudança social: católicos, protestantes e novos movimentos religiosos no Brasil”, organizado por Beatriz Muniz de Souza e Luís Mauro Sá Martino. Quando foi publicado em 1973, seu livro [de Camargo], Católicos, protestantes, espíritas, dividiu as pesquisas em sociologia da religião no Brasil em duas fases. De certa maneira, parafraseando Engels, esse livro levou a pesquisa da fase “utópica” a uma nova, a “científica”. A partir de dados empíricos coletados por uma equipe de pesquisadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Camargo desenvolveu um quadro teórico sistemático dos estudos de religião no Brasil (SOUZA; MARTINO, 2004, p.8). A opinião dos organizadores do livro de 2004 quanto ao caráter de divisor de águas atribuído ao livro de 1973 é bastante plausível: “A maior parte dos estudos de religião feitos até 1970 restringiam-se à história da Igreja Católica ou do protestantismo, e eram, em geral, feitos por participantes das próprias denominações” (SOUZA; MARTINO, 2004, p.8); constatação que César havia transmitido aos partícipes do campo de interesse pelo protestantismo no Brasil desde 1973. O contexto histórico dos anos 70 (século XX) talvez possa ser tomado como um quarto período no roteiro proposto por César: o dos estudos de religião puramente acadêmicos no Brasil, dentre os quais a revista Religião e Sociedade, cujo primeiro número foi lançado em 1977, tornou-se um marco (PIERUCCI, 1999). Além disso, os livros de Camargo e César coin- cidiam numa opinião que não pode ficar sem destaque: o pentecostalismo como um capítulo de interesse especial no início da década de 70 do século passado. O pentecostalismo ultrapassara o protestantismo histórico na condição de objeto de estudo dos cientistas da religião no Brasil porque também o deixara para trás em número de fiéis – ainda que, em boa parte dos casos, os pesquisadores do fenômeno pentecostal no Brasil continuassem a ser os protestantes históricos com formação em ciências sociais. Mais recentemente, outro divisor de águas no campo dos estudos do protestantismo no Brasil foi o livro “Introdução ao protestantismo no Brasil”, de Antonio Gouvêa Mendonça e Prócoro Velasques Filho (ambos acadêmicos de tradição protestante), publicado em 1990 pelas Edições Loyola (católica) em parceria com o Programa Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião. Na apresentação da obra, o também protestante Maraschin (1990, p.10) propôs a seguinte reflexão: Os est

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