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Rio+20 e Cúpula dos Povos nos jornais de Pernambuco

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Na perspectiva da comunicação ambiental, o artigo se propõe a avaliar a repercussão da Conferência Rio+20 e da Cúpula dos Povos nos jornais Diario de Pernambuco e Jornal do Commercio. Analisa-se um corpus composto pelas edições online dos dois jornais no período de 10 de junho a 1º de julho de 2012. O plano analítico apoia-se em um levantamento quantitativo da recorrência de matérias jornalísticas sobre a Rio+20 e a Cúpula dos Povos para subsidiar uma análise qualitativa orientada pela identificação dos gêneros discursivos, vozes, temas e ideologias presentes nos discursos veiculados pelos dois jornais. O aporte teórico envolve conceitos dos campos da comunicação ambiental (COX, 2010; CORBERTT, 2006), da comunicação (CASTELLS, 2009), da linguagem (FAIRCLOUGH, 1995), entre outros.
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    SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifcia !ni ersidade Cat#lica do Paran$ – No embro de %01% &&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&   Rio+20 e Cúpula dos Povos nos jornais de Pernambuco   Isaltina Maria de Azevedo Mello Gomes  1  Débora Souza de Britto  2  Igor Elias Gomes 3  Jean Fábio Borba Cerqueira 4  Julia Arraes de Alencar 5  Mariana Olívia Santana dos Santos 6  Natália Martins Flores 7  Priscila Muniz de Medeiros 8   Resumo:  Na perspectiva da comunicação ambiental, o artigo se propõe a avaliar a repercussão da Conferência Rio+20 e da Cúpula dos Povos nos jornais  Diario de Pernambuco  e  Jornal do Commercio . Analisa-se um corpus  composto pelas edições online  dos dois jornais no período de 10 de junho a 1º de julho de 2012. O plano analítico apoia-se em um levantamento quantitativo da recorrência de matérias jornalísticas sobre a Rio+20 e a Cúpula dos Povos para subsidiar uma análise qualitativa orientada pela identificação dos gêneros discursivos, vozes, temas e ideologias presentes nos discursos veiculados pelos dois jornais. O aporte teórico envolve con-ceitos dos campos da comunicação ambiental (COX, 2010; CORBERTT, 2006), da comunica-ção (CASTELLS, 2009), da linguagem (FAIRCLOUGH, 1995), entre outros .  Palavras-chave : Rio+20; Cúpula dos Povos; comunicação ambiental; jornalismo; ideologias discursivas   1  Doutora em Linguística pela UFPE; Docente do Departamento de Comunicação e PPPGCOM/UFPE. 2  Estudante de Jornalismo na UFPE; Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/ CNPq. 3  Estudante de Jornalismo na UFPE; Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/ CNPq. 4  Doutorando em Comunicação no PPGCOM/UFPE. 5  Estudante de Jornalismo na UFPE; Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/ Facepe. 6  Mestre em Saúde Pública pelo CPqAM/Fiocruz; pesquisadora do CPqAM. 7  Doutoranda em Comunicação no PPGCOM/UFPE. 8  Mestranda em Comunicação no PPGCOM/UFPE.    SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifcia !ni ersidade Cat#lica do Paran$ – No embro de %01% &&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&   1.   Introdução Nos dias 20, 21 e 22 de junho de 2012, a cidade do Rio de Janeiro sediou a Con-ferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD), a Rio+20, que reuniu chefes de Estado dos cinco continentes com o intuito de estabelecer metas e firmar compromissos para o enfrentamento da crise ambiental global. Paralelamente, o Rio também recebeu, de 15 a 23 de junho, integrantes de movimentos sociais, ONGs e outros setores da sociedade civil internacional na Cúpula dos Povos, evento cujo objeti-vo foi denunciar as causas estruturais da crise ambiental e buscar soluções a partir do ponto de vista dos movimentos organizados da sociedade civil. A Rio+20 e a Cúpula dos Povos ocorreram 20 anos após a Conferência das Na-ções Unidas sobre o Ambiente e o Desenvolvimento, a Eco-92, também realizada no Rio de Janeiro. Esse encontro teve o mérito de consagrar o conceito de “desenvolvimen-to sustentável”, além de produzir diversos documentos oficiais, sendo o mais relevante deles a Agenda 21, um programa de cooperação internacional para construir novas rela-ções entre a economia e a proteção do meio ambiente (LAGO, 2006). No entanto, se para alguns vigorava, após a Conferência, um sentimento de sucesso, ele logo deu espa-ço, ao longo dos anos, a um cenário notadamente negativo. A Rio+20 foi, então, realizada num contexto que combina a ineficácia de encon-tros anteriores com a urgência por soluções concretas para a crise ambiental, provocada pela exploração excessiva e despreocupada dos recursos naturais (SANTOS, 2002) e que pode resultar na futura inviabilidade da vida humana no planeta. Apesar dessa ur-gência, o documento final dessa Conferência, chamado “O Futuro que Queremos”, so-freu inúmeras críticas. A mais conhecida delas foi a carta “A Rio+20 que não quere-mos”, assinada por personalidades de diversas áreas ligadas à causa ambiental 9 . O texto inicia com a seguinte crítica: “O Futuro que Queremos não passa pelo documento que carrega este nome, resultante do processo de negociação da Rio+20. O futuro que que-remos tem compromisso e ação, e não só promessas”. 10   9  Entre os signatários estão a ativista indiana Vandana Shiva, o economista francês Ignacy Sachs, o ocea-nógrafo francês Fabian Cousteau. Disponível em: «http://thecow.me/a61f2c91». Acesso em: 12 jul 2012. 10  Ver: «http://www.rio20.info/2012/objetivos-e-temas». Acesso em: 12 jul. 2012.    SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifcia !ni ersidade Cat#lica do Paran$ – No embro de %01% &&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&   Além do pouco comprometimento do documento resultante da Rio+20, há o fato de que as respostas para a crise ambiental não trilham um mesmo caminho, o que abre espaço para a concorrência entre distintos discursos “ambientais”, ancorados em refe-renciais ideológicos distintos. Evidências disso são, por exemplo, as apresentações da convenção oficial da ONU e as da Cúpula dos Povos. Em relação aos temas da Rio+20, que foram “A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e a erradica-ção da pobreza” e “o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável” 11 , a Cú-pula dos Povos reclamou “a pauta prevista para a Rio+20 oficial [...] é considerada por nós como insatisfatória para lidar com a crise do planeta, causada pelos modelos de produção e consumo capitalistas” 12 . Os discursos sobre soluções para a crise ambiental se localizam em diferentes campos de interesse, muitos deles em inevitável oposição. Esses discursos entendem e difundem de forma diferente o sentido de termos como “desenvolvimento sustentável” e “sustentabilidade” e questões como a mercantilização da natureza. Eles podem variar, por exemplo, entre discursos indiferentes ao problema, discursos que indicam estraté-gias de sustentabilidade compatíveis com o desenvolvimento industrial capitalista e dis-cursos contra-hegemônicos que criticam o modo de produção capitalista, a cultura urba-no-industrial e a própria racionalidade ocidental. A manutenção da ordem vigente e as modificações nas estruturas sociais depen-dem de processos comunicativos, uma vez que “poder é mais do que comunicação, e comunicação é mais do que poder. Mas o poder se fia no controle da comunicação, as-sim como o contrapoder depende da ruptura de tal controle” (CASTELLS, 2009, p. 3). A análise da repercussão nos meios de comunicação de discussões ambientais presentes nas conferências torna-se pertinente devido à força simbólica que a instância midiática possui na contemporaneidade. Ela é responsável por configurar simbolica-mente a realidade social, influenciando o modo como construímos nossos costumes e valores sociais (FAIRCLOUGH, 1995). A produção de realidades midiáticas sobre o meio ambiente pode, assim, refletir maneiras particulares de representar o mundo, re-produzindo e legitimando determinados discursos ambientais em detrimento de outros. 11  Ver: «http://www.rio20.info/2012/objetivos-e-temas». Acesso em: 12 jul 2012. 12  Ver «http://cupuladospovos.org.br/o-que-e/». Acesso em: 12 jul 2012    SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 10º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Curitiba – Pontifcia !ni ersidade Cat#lica do Paran$ – No embro de %01% &&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&   Neste artigo pretende-se avaliar a repercussão da Conferência Rio+20 e da Cú-pula do Povos nos jornais  Diario de Pernambuco  (DP) e  Jornal do Commercio (JC). A escolha desses periódicos deveu-se tanto ao fato de serem representativos para a popu-lação de Pernambuco, como por terem maior tempo de existência e circulação. O plano analítico apoia-se em um levantamento quantitativo de matérias jornalísticas sobre a Rio+20 e Cúpula dos Povos para subsidiar uma análise qualitativa orientada pela identi-ficação dos gêneros discursivos, vozes, temas e ideologias presentes nos discursos. Os dados foram levantados entre 10 de junho e 1º de julho de 2012 e foram armazenados em uma base de dados no GoogleDocs. O plano descritivo foi estabelecido a partir da transposição dessa base de dados para o software  de estatística para ciências sociais, o SPSS. Na análise, são utilizados conceitos dos campos da comunicação ambiental, (COX, 2010; CORBERTT, 2006), da comunicação (CASTELLS, 2009), da linguagem (FAIRCLOUGH, 1995), entre outros. Comunicação ambiental: ação simbólica, vozes e enfoques As representações da natureza, das problemáticas e preocupações ambientais permeiam amplamente o contexto midiático atual. A partir da última década do século XX, a mídia passou a exercer um dos papéis mais relevantes na disseminação de infor-mação ambiental, consolidando-se como uma das principais vozes da comunicação am-biental. Esse crescimento do campo da comunicação ambiental, segundo Cox (2010), foi marcado não somente pelo surgimento de novas mídias, mas principalmente pela emergência de uma diversidade de temas e abordagens, e também pelo crescimento da consciência pública acerca da questão ambiental. Ao empreender uma definição sobre comunicação ambiental, Cox (2010) adver-te que é preciso compreendê-la enquanto ação simbólica, dotada de um forte caráter persuasivo, em oposição aos modelos racionais de transmissão de informação. Assim: A comunicação ambiental significa o veículo pragmático e constitutivo para nossa compreensão do meio ambiente como também de nossas relações com o mundo natural; ela é um meio simbólico que nós usamos para construir pro-blemas ambientais e para negociar diferentes respostas da sociedade para eles (COX, 2010, p.20).
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