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TEXTO 4 Religião e politica no alvorecer da republica os movimentos de Juazeiro, Canudos e Constestado.docx

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Religião e politica no alvorecer da republica Os movimentos messiânicos brasileiros. O fim do padroado e do regalismo imposto pela proclamação da republica foi recebido com um duplo e contraditório sentimento pelos representantes da igreja católica no Brasil: alivio e apreensão. Pag123 Pois se a igreja soube contornar as limitações políticas impostas pela nova ordem, não foi capaz, entretanto, de controlar as reações populares diante dos questionamentos e da perda de poder das autoridades reli
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  Religião e politica no alvorecer da republica Os movimentos messiânicos brasileiros. O fm do padroado e do regalismo imposto pela proclamação da republica oi recebido com um duplo e contraditório sentimento pelos representantes da igreja católica no Brasil: alivio e apreensão. Pag1! Pois se a igreja soube contornar as limitaç es pol#ticas impostas pela nova ordem$ não oi capa%$ entretanto$ de controlar as reaç es populares diante dos &uestionamentos e da perda de poder das autoridades religiosas. Pag 1'(ue)tem se e*agerado indevidamente+ e esta , uma das teses deste livro - o undo m#stico dos movimentos das massas sertanejas como oram canudos$ jua%eiro$ o contestado e um sem numero de episódios semelantes$ mas restritos$ &ue eclodiram em dierentes pontos do Brasil. Para o autor$ esses movimentos tiveram um undo pereitamente material $ sendo sua e*teriori%ação m#stica ou messiânica apenas uma cobertura a essa undo) pag 1/ 0sse eeito de desarrumação das relaç es de clientela e compadrio estaria inserido no amplo processo mundial de e*pansão do s modos de produção do capitalismo$ de um lado$ e no conjunto dos e*emplos do &ue obsbam camou de rebeldes primitivos$ de outro. 0sses 2ltimos seriam rebeldes semprojeto pol#tico conscientemente defnido ou seguidores de movimentos m#sticos atrav,s dos &uais assumiam a condição de sujeitos. Pag 13 Percebe a religião como parte essencial das sociedades r2sticas$ constituindo um &uadro de reerencias undamental para as ormas organi%adas de luta pol#ticos religiosas dessas comunidades. 4trav,s do catolicismos popular$ os sertanejos constru#ram uma identidade ao mesmo tempo marginal e aut5noma conormando uma dicotomia com algumas alteraç es. Pag 13617Padre 8#cero e o milagre de jua%eiro.  9ua%eiro era um munic#pio no inteiro do estado do 8eara. Padre 8#cero$ um religioso &ue &uando jovem estudou em ortale%a$ e depois de passar 1/ anos em jua%eiro$ j; padre respeitado$ acabou reali%ando diversos milagres nas comunidades pobres desse munic#pio. 0ra uma ;rea improdutiva durante a primeira metade do s,culo <=<$ por,m nas ultimas d,cadas dessemesmo s,culo$ cariri> nome geogr;fco onde se locali%a 9ua%eiro? viu crescera agricultura de cana de aç2car com mão de obra @mestiça e agregada$ ou seja$ viviam como agregados$ vinculo &ue inclu#a a lealdade armada em caso de disputas de patr es. @ pag 1!A 0ssas regi es estavam de certa orma$ longa da inuencia de um catolicismo ortodo*o$ no &ual as crendices e supertiç es predominavam.  oi nessa região portanto &ue padre 8#cero viu seu poder crescer. 0 nesse momento a igreja passava por momentos complicados de sua istoria$ enrentando as mudanças modernas &ue seu próprio rebano desafava. 8omo tamb,m os padres internos reivindicavam uma nacionalidade maior$ contra os padres estrangeiros. Por,m o aumento da popularidade de padre 8#cero oi enorme. 4t, o ponto de ele ser uma fgura decisiva no &uadro pol#tico do ceara$ do vale do cariri e de todo o nordeste durante a republica vela. oi preeito de 9ua%eiro e oio @fador do amoso pacto dos coron,is: cees pol#ticos de todo vale do cariri assinaram um documento comprometendo+se a acabar com as ostilidades rec#procas. @ pag 1!=sso mostra como @na &uestão da dissociação entre o ortalecimento institucional da igreja e sua difculdade de atingir e comandar a massa de feis durante os primeiros anos da republica$ o caso do padre 8#cero , um e*emplo contundente desse aastamento. @ pag 1!!@ paralelamente a severa punição do padre 8#cero e de seus feis seguidores$ e tamb,m por esta ra%ão$ organi%ou+se um movimento de apoioe devoção &ue ultrapassaria todos os limites imaginados pela =greja) pag 1!C. oram criadas irmandades$ &ue eram comunidades e instituiç es leigas&ue tinam o objetivo de apoiar a vida espiritual de seus membros e diundir a doutrina da =greja$ congregando os recursos materiais e umanos dos feis para a a meloria da paró&uia$ o &ue inclu#a desde celebraç es nosdias santos at, a obtenção de undos para consertos e obras na igreja.) Pag 1!C @por,m$ para Della 8ava$ as irmandades mais pareciam com#cios pol#ticos do &ue centro s de diusão da doutrina católica.pag 1!')@sob a capa de impulso religioso$ não ortodo*o ou eterodo*o$ escondia+se muitas ve%es$ o desejo inrut#ero de controlar o meio adverso e sobrepuljar as injustiças sociais &ue a%iam de suas vidas uma desgraça) pag 1!E @padre 8#cero e*ercia a unção de um verdadeiro patriarca ; rente de uma cidade santa$ &ue abrigava doentes$ oprimidos amintos$ criminosos e pecadores. @ pag 1!/ @0stiveram presentes assim$ todos os componentes necess;rios para o desencadeamento de um movimento milenarista >messiânico?$ o &ue não aconteceu$ talve%$ pelo conjunto eterogFneo de interesses &ue se criaram em torno do poder do padre 8#cero. 4pesar do reconecimento de seu imenso poder e de sua participação direta na politica local$ padre 8#cero nunca dei*ou de lutar pela recuperação dos poderes sacerdotais. @ pag 1!/6 1!3 4ntonio conseleiro e 8anudos.  @>Os Gert es? 4o e*por uma ace triste$ miser;vel e tão dierente do &ue o litoral pensava ser o Brasil da ordem e do progresso republicanos$ e ao reetir sobre uma guerra ratricida &ue opuna o litoral do pais - considerado avançado e civili%ado - ao interior de um Brasil &ue ainda conservava uma parte signifcativa de seu povo mergulado no mais proundo atrasoH @pag 1!7Ge na luta contra a monar&uia e todos os seus pressupostos o conjunto dos republicanos parecia unido$ depois da proclamação o embate entre dierentes projetos pol#ticos e institucionais se e*plicitou de orma ine&u#voca. Pag 1!7Duas e*pediç es oram mandadas a canudos para e*terminar seus perigosos ind#cios de supertição e misticismo. O arcebispo da Baia enviou orei 9oão evangelista de monte marciano$ &ue voltou com um relatório afrmando: @ a seita pol#tico religiosa$ estabelecida e entrinceirada nos canudos$ não só , um oco de superstição e anatismo$ , um pe&ueno cismana igreja baiana$ um n2cleo na aparFncia despre%#vel$ mas um tanto perigoso e unesto de ousada resistFncia e ostilidade ao governo constitu#do do pais.) Pag 1C1Duas e*pediç es oram enviadas portanto$ após um desentendimento com comerciantes de jua%eiro. 4s duas oram mal sucedidas$ o &ue levou a enviar uma terceira$ &ue averia de ser$ pelo seu grande contingente$ a ultima. Por,m oi igualmente resistida pelos conseleiristas. Diante de tal oensiva$ algumas instabilidades pipocaram em salvador e na capital. O presidente determinou a destruição incontinenti do arraial. Por,m: @pode+se no m#nimo &uestionar se as causas da erocidade da &uarta e*pedição teriam motivaç es na certe%a do sentimento conspiratório$ e desestabili%ador de canudos ou se oram estimuladas pelo embate entre civis e militares no alvorecer da republica.) Pag 1C!  Ial como a nature%a$ inóspita e acuada por agress es permanentes$ seculares$ o omem do sertão nasceu desse mart#rio e da luta cotidiana pela sobrevivFncia$ tendo por isso uma orça #sica e*traordin;ria e uma capacidade inata para domar as difculdades geogr;fcas e clim;ticas. Jas esse omem orte$ viril$ possu#a uma degenerescFncia primordial$ uma ormação racial neasta$ &ue o torna raco moralmente. Gó por isso pode se aeiçoar a uma religião tipicamente mestiça$ dei*ando+se acilmente arrebatar pelas superstiç es mais absurdas e crendo no &ue j; não e*iste se&uer em Portugal. Pag 1C' citação de 0uclides. 0ntende+se$ a partir da avaliação de alguns te*tos dei*ados do próprio 4ntonio conseleiro$ &ue a pregação dele contra a republica$ era alijada no avorecimento e na e*altação da lei maior divina$ de deus$ e &ue a republica$ lei dos omens$ estaria acabando com tal ordem divina. Os monges do contestado  O monge 9ose Jaria$ era mais um desses omens$ religiosos$ &ue peregrinavam por ;reas rurais$ e ao serem seguidos por devotos e feis$ começou a se organi%ar numa determinada região. @ com um bom numero de seguidores instalou+se em Ia&uaraçu$ pró*imo de curitibanos$ e e deu inicio a organi%ação de uma comunidade &ue misturava preparativos militares e cerim5nias religiosas. Geus serm es passaram a atacar a republica e a pregar a volta da monar&uia$ cegando a aclamar um imperador no povoado$ um a%endeiro rico e analabeto) pag 1'A (uem a%ia parte do grupo do mongeK @eram principalmente pe&uenos agricultores de milo e criadores de gado$ embora grandes a%endeiros e ricos propriet;rios tenam tamb,m aderido a causa do monge. @ pag 1'! @ para Duglas Iei*eira Jonteiro$ os omens e as muleres do contestado viveram uma crise radical - o desencantamento do mundo tradicional do sertão - atrav,s do ultimo camino &ue le restara: a religião. @ pag 1'C 4lgumas palavras fnais@>os autores estudados? entenderam esses episódios como produtos de um &uadro de crise &ue inclu#a mudanças estruturais decorrentes da acomodação da economia nacional as transormaç es internacionais > fm da escravidão$ alteração do regime de governo?$ transormaç es nas ormas de poder pol#tico local > coronelismo$ mandonismo$ clientelismo? e desestabili%ação dos sistemas de reerencia cultural e religioso > fm do padroado?. @ pag 1'C
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