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Texto BACHELARD a Casa Do Porão Ao Sótão o Sentido Da Cabana PDF

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------------------------------ ----------------- CAPITULO  I  A CASA. DO POMO AO SOTAo. - '-------,  0 SENTIDO DA CABANA - - ________I Aporta quem  vin!  bater'  \  Em  uma  porta aberta se  entra  \Uma  porta  fechada  urn  antra  .  ...  .  .  p mundo bate do outro porta.  .- '--- '- ' - PIERRE ALBERT-BIROT,  Les amusements naturels, p.  217  Para  um  estudo    dos  valores  c!e      dq  espa90  interior,  a  casa         
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  ------------------------------ ----------------- CAPITULO I A CASA DO PO O AO SOTAo.  '-------, 0 SENTI DO DA CABANA --   I A porta quem vin! bater \ Em uma porta aberta se entra \ Uma porta fechada urn antra . . . . p mundo bate do outro )_a _~ ~~T ha porta. - '- '-PIERRE ALBERT-BIROT, Les amu se ments naturels p. 2 17 Para um estudo fen0I l~~ _ ~Qgico dos valores c e int l lid \.d~ dq espa90 interior, a casa e, _ evig~ ~  n c nte, :J l]Uer , p'rivileg:iadQ; J so, '. e c a..ro, aesae que a consideremos ao mesmo tempo em sua unidade e em s~-;   c ompiexidade, tentand(,j -inteb'ar todos QS seus valores pariicular es num valorfundamental. A cas a nos fornecera simulta-nearnen'te jrriagens cfispersas e ur corpo de imagens. Em ambos os casos, provaremos que a imaginayio aumenta os valQres da re~ - daQ( ' Uma espwe ae atraQlo de imagens corrcentr as imagens em torno da casa. Atraves das lembran<;:as de todas as casas em que encontramos abrigo, alem de todas as casas que sonhamos 1 -I habitar, e passIve! isolar uma essencia intima e concreta que seja . uma justificaQio do valor singular de todas as nossas imagens de intirnidade protegida? Eis 0 problema central. Para resolve-Io, nao basta considerar a casa como um objeto sobre 0 qual pudessemos fazer reagir julgamentos e devaneios. Para  A POETIC DO ESPA(. O 4 urnfenomen610go,urnpsicanalistaeurnpsic610go(essestrespontosdevistaestaodispostospor ordem crescentedeinteresse),nao se trata dedescrevercasas,depormenorizar-lhesosaspectos pitorescosedeanalisarasrazoes do seuconforto. E preciso,aocontrario, superar os problemas da descric;ao-sejaelaobje tivaousubjetiva,isto e, quer serefiraafatosouaimpressoes - para atingirasvirtudesprimarias,aq!Jelas_ eJIl_9.ue  se revela uma desao inere~te, decerto modQ'   ~f~~lc;ao oripnal ohab~~ o geografo,0etnografopodemdescreverosma:rs--vaTfad ortrposdehabitac;ao.Sobreessavariedade, 0 fenomen6100faz0 esforC(Q. ~ ~ssar~oY~~i2:ger 9 ger~e afelicidade c~a  . segu~ / ra, Imeal   ntrar aconcha InI cial ~ mor dl~ 2J..o.PliQ castelo-eisatarefa nomen6 Masquantosproblemasconexos se quisermosdeterminararea- I . j lidadeprofundadecada uma dasnuanc;asdonos so apegoaurn r lugarpredileto! Para urnfenomen610go,anuanc;adevesertomada comournfenomenopsicol6gicoestrutural.Anuanc;anaoe uma colorac;iiosuperficialsuplementar.Portanto,eprecisodizercomo habitamos0 nos ~2J ~g~ag:u61aLd.6..):~::nr:dn - t om..todas as .d.i.~ ='   q comonosenraizamos,diaa Wg. . } u nL.~ can1.QJi 0 _undo   ___ m.. or ueacasae0nosso canto do mundo .lEla ~   comose ~ diz amiud e, · ·Ono- sSQ pnm- 2.r9. yn   ~ : S C( E   'l:tm cosmosemtodaa ac~ do t erm o. Vistaintlmamente,arna is humilde moradia naoebela? Os escritores da casinha humilde evocamcomfrequenciaesseelerriento da poetica do espac;o. Mas essaevocac;aoeexcessivamentesucinta. Como ha poucoadescrever na casinhapobre,elesquase nao sedetemnela. Caracterizam-na em sua atualidade,semviverrealmentea sua primitividade, uma primitividadequepertenceatodos, . nco   ~.()u pobres,se aceltare ?~_nh¥.:... Mas nossavida adulta etao despojada dosprimeirosbens, os vfnculosantropoc6smicossaotaofrouxos, que naosentimossuaprimeiraligac;aocom0universo da casa. Nao faltamfil6sofosque  mundificam abstratamente, que encontram urnuniversopelojogodialeticodoeue do nao-eu.. recisamente ,eles J:9 nhe.ce rn 0universoantes da casa, O.JlQ.r:g~ antesd ap6 usada.\ Aocon u  arJO, -osveraa:aeirosp on tos de par ti da da-irrfagem, s ll os estudarmosfenomenologicamente,revelaraoconcretamente os valoresdoespac;ohabitado,0nao-euqueprotege 0 eu.  , /' // NJ))-1 / 1 (// lA -; -   /v, ,/V,- V_ - ?i) 1_ :> I __ rI '-'~ A CASA DO PORAO AO SOTAO   0 SENT DO DA CABANA ' 25 .-,,' .../) ,/ ; - ~. Aqui, com efeito, abordamos uma redproca cujas imagens, / deveremos explorar: Jodo espa xO realmente habitado traz a esse   ...   Veremos no decorrer de nossa obra, como a imagina<;:ao trabalha nesse sentido quando 0 ser encontrou 0 menor abrigo: veremos a imagina<;:ao c onstruir paredes com sombras impalpaveis, reconfortar-se com ilus6es de prote<;:ao ou, inversamente, tremer atras de grossos muros, duvidar das mais solidas muralhas. Em suma, na mais interminavel das diale ticas, 0 ser ab 0.g  .cLC? __ e , nsi~iliza os limites do se   bi- igp..:ylve a casa~~allihtde e em s ua virtualidade, atrav es do pensa- I e dos sonhos. --   ..-. Por conseguint e todos os abrigos, todos os refugios, todos os aposentos te rn valores oniric os consoantes. Ja nao e em sua positividade qu e a casa e verdadeiramente vi v id a , nao e so mente no momenta presente que re conhecemos os seus beneficios. Os verdadeiros bem-estares tern urn pa ssado.. Todo urn passado Vern viver, pelo sonho, numa c asa nova. A velha locu<;:ao: Leva- mos para a casa nova nossos deuses domesticos tern mil varian tes. Eo devaneio se aprofunda de tal modo qu e para 0 sonhador do lar, urn ambito imemorial se abre para alem da mais antiga memoria. A c asa , como 0 fogo, como a ag ua , nos permitir a evo car , na e gi.ienCiade~ossa obra, I uz es fu g i C fuidik ~ elO   ml~ - nam a sintese d Ol rn e ri1oF ial com a lembran@. Nessa regiao lon gmgua, ® emoria -e   9 Q se d   l .liii.m dissocg V Ambas ' , <!0ba1ham par   lL aR [9 fundamento mutuo. Ambas constitu e m   na ~d Os valores, uma um'ao a;ne m br a ~   om a ImagS!l1 ASsim, a casa nao vlve somente no dia-a-dia, no curso de uma historia, na narrativa de nossa hist6ria ~ h   as diversas moradas de nossa vida se interp ene tram e g, ~:  E 9am os te SQlIro.s ctos-di-as an t g9~ u n 0 ;Da nova casa, re tornam as lembran<;:as as antigas moradas   tra ~ sportamo-nos ~~  pafs _ .9 a  Inranc ~ L~o- . vel, imovel como 0 Im e morial   em Os fixa\6e s, fi~   e ~u j ~J eli- cida e econ ortamo-nos ao reviver lembranyas deprot e <;:ao ~ :Al.gQ(e_ <;had 9 aev <:...g~ ~~d a   a i   lem l> ran ~~ , cOI1   syrv:a~d ) ~ l   hes seus valores de image   As lembran<;:as do mundo exterior nun ca \ I. Nao se ra. nece ss ario dar ii fi x ac;ii. o suas v irtude s de ix and o de lado a litera tur a psicanalitica, qu e de ve , por sua fun <; ao terapeutica, re gistrar s obretudo processos de d es fi xa <; ao?  26 A POETIC DO ESPM ;O \\ .. haodeteramesmatonalidadedaslembran<;asdacasa.Evocando aslembran<;asdacasa,adicionamosvaloresdesonho. Nunca somos (: i. d ~ deiros historLagpres;somoss_empreurn PQuco poetas,  e :fl o~s  ~ () ~i ~ tal ~ ei - nao e;p~   ~~jn~ perdi< ~   \ ;; Assim, abordand oas-I magens da casacom0cuidaaodenao .~ romper ~dariedade entreamem6ria   gina s: ao, podemos ~ esperartransmitir tod a:ae ra St ic iaad epsl col6gicade uma imagem \::l quenoscomoveemgrausdeprofundidadeinsuspeitados-Eelos ~ .poemas,talvezmais ue pelaslembranas,chegamosaq.J lJPcto ~ poetlco 0 espa<;o dacasa. ~ s sas condl<;6es,senosperguntassemqual0beneficiorna is ~ precioso da casa,dirfamos:.acasa brig<lJUk,::ane~o, acasa QEO- . ;-- tege0sonhador,acasa perm~SQDFiar S6 os pensa-,-mentose as . ~eriencias sancion ~~ ores humal] () ~ , Ao de vaneiopertencem valores _ Q1I em:~ rcam 0h wne m:: e:n fsua_RIcl 0 :. didade:-D e,::a. l ~ iOJ.emmesmo_um _ privilegio C;kalltovaloriza<;ao. ffius'ufr uldiretamentedeseuseLEntao, os lugaresondese ~ uiv u 0 dev ane wr e co nst itUeiTi:=s eporstmesmosnumnovodevaneio.  : . E exatamenteporqueasIembran<;asdasantigasmoradassao ~) ) r:vi~idas como e~aneios queasmoradasdopassadosao mper ~ ..  ; I Jv~trD . de- . nBs  , .  ~. ~ () s_ :Q _ .ol>j.~~   ta 3l.a ro agora:. t>retende )1o ~ st~ar qu .e ~ .. :o  ;asa..~ma dasmalores (for<;as )de i ~ lte ~~ a<;ao para 2s   P~ .~ a. - ... ptos~k.mbran<;as e oSSonh o sa 6- I:.qJll~, m.Nes~gra<;ao :..0prln clp.iu.-.cle ligac;aoe0 ;j o passado,0presffi(e-e   ~ o Mu rodaoacasadinamlsmosdiferentes,dinamismosquenao   ~ rarointerfere.m,asvezes se op~?d ?   asvezes exc ta~do~se mutua ~ mente. ~a vidado hom~m   a ,: a   af asj a COntl l ~ clas   EJ, u/.tl· 1 .plicaseusconse 11l 0s decontinuidade. SeIIL-   G hornem seria. ... . ~ 1 u ~ sper so. tla mant<~m .0 ho   at ~ a..; .~s das t ~ empe~ta~es Cio ceuedastempestades da vlda.@cor po _~ e a.lma:E 0 I2J . U}1el[O 'mundodoserhumano.Antesdese r ogadonomundo ,como ~ -0 prof ess am as ~etafisicas apressadas, .JL homem e colocacJo . : 9 ben;:o da ay~ _ E ~IDJ1re,J lQ S .Jl9 2sCl.~devane~~,@ _ ~ . 1 ~.zI.~r1..< e   /. ber<;o. U rnametafisicaconcretanaopode deixardeladoesse <S J ~sse simples fa to,namedidaemqueele e urnvalor,urn l.v grandevalor a~. qualvoltamosnosnossosdevaneios.,O .sere. ~ ~ ~~~ IJ1 e D t~ _ UIT1 val   vida come~a be~me<;a fechada,protegida,agasalhadano r e ga<;o _  ~  
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