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Texto sobre Segnhor

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    Afro-ÁsiaISSN: 0002-0591revista.afroasia@gmail.comUniversidade Federal da BahiaBrasilFreitas Oliveira, WaldirLeopold Sedar Senghor e a NegritudeAfro-Ásia, núm. 26, 2001, pp. 409-419Universidade Federal da BahiaBahía, Brasil Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=77002611  Como citar este artigo Número completo Mais artigos Home da revista no Redalyc Sistema de Informação CientíficaRede de Revistas Científicas da América Latina, Caribe , Espanha e PortugalProjeto acadêmico sem fins lucrativos desenvolvido no âmbito da iniciativa Acesso Aberto   Afro-Ásia , 25-26 (2001), 409-419409 LEOPOLD SEDAR SENGHORE A NEGRITUDE Waldir Freitas Oliveira * F  oi, provavelmente, a partir dos anos 60 do século XX que a palavranegritude passou a figurar nos dicionários da língua portuguesa, vindado francês — négritude, com uso já comum, nesse idioma, desde a déca-da dos 30, quando escritores negros nascidos em colônias da França,usando-o como sua segunda língua, criaram-na e passaram a utilizá-la para exprimir algo novo que sentiam sem que houvessem antes encontra-do termo apropriado para defini-lo.A negritude, considerada em sua essência, não nasceu, contudo,na Europa, mas em terras da América, talvez sob a inspiração do movi-mento  New Negro , surgido dos Estados Unidos em começos deste sécu-lo, do qual participaram grandes poetas negros norte-americanos comoLangston Hughes, Countee Lee, Jean Toomer e Claude McKay, todoscom grande influência sobre a obra dos poetas francófonos da região dasAntilhas e do Caribe, em especial sobre a de Aimé Césaire, da Martinica,e a de Léon-Gontran Damas, da Guiana. Foi, portanto, através de auto-res franceses da América que chegou ao mundo europeu, a palavra négritude,  usada, a partir de um certo momento, por alguns intelectuais *Waldir Freitas Oliveira é escritor e pertence à Academia de Letras da Bahia. Foi um dos funda-dores do Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia, havendo-o dirigi-do de 1961 a 1972, e da revista  Afro-Ásia.  410  Afro-Ásia , 25-26 (2001), 409-419 negros, como estandarte, bandeira de luta, selo de identidade étnica, si-nal do orgulho que sentiam tanto por serem negros, como pelas suassrcens.Dos poetas negros nascidos em colônias da França e que, obvia-mente, se expressavam em francês, ao menos dois deles — Aimé Césairee Leopoldo Sedar Senghor, receberam, além da influência dos poetasnegros rebeldes da América, a do surrealismo, movimento artístico-lite-rário surgido em Paris, em começos do século XX, definido, por AndréBreton, seu principal teórico, no “Manifesto de 1924”, como “automa-tismo psíquico puro, através do qual se pretende explicar verbalmente, por escrito ou por outro método qualquer, o funcionamento real do pen-samento”. Tendo merecido o surrealismo, nessa época, grande aceitaçãona Europa ocidental, participando do seu elenco de idéias e, com isso,naturalmente, chocando os literatos mais conservadores, a de ser o irrealtão verdadeiro quanto o real, e a de o sonho e a realidade se relacionaremcomo se fossem verdadeiros vasos comunicantes.Senghor nos descreveu o quadro francês do surrealismo, por elevivido em Paris, ainda estudante, em sua conferência Sur la Poésie,  pro-nunciada na Academia de Belas Artes da Baviera, da Universidade deMunich, a 10 de novembro de 1961. Nela citou os poetas franceses BlaiseCendrars, Guillaume Apollinaire e Jules Supervielle como os mais influ-entes sobre os estudantes senegaleses e antilhanos, que então residiam nacapital da França. Disse, ainda, que os surrealistas tentavam dar umaspecto humano à poesia, a partir da linguagem. E ao lado de realçar aousadia dos seus seguidores, expressa através de um “estilo inquietantee inquietador, através do qual as palavras se entrechocam para lançar faíscas, chamas, chuvas de estrelas”, afirmou que, a esse tempo, “osestudantes senegaleses e antilhanos forjavam as armas com as quais elesabordariam o futuro”. 1  Não foram, porém, esses poetas, os que desencadearam e lidera-ram, a seguir, a rebeldia inicial daqueles jovens intelectuais negros, ca- bendo esse papel a Etienne Lero, Jules Monerot e René Ménil — os que 1 Leopoldo Sedar Senghor, “Sur la Poésie”, in  Le Dialogue , Bonn,   Éditeur - Deutsch Afrika-Gesellschaft, e .V. Société Allemand pour l’Afrique, s/d, p. 14.   Afro-Ásia , 25-26 (2001), 409-419411 redigiram e publicaram, em começos dos anos 30, o manifesto  Légitime Defense , tido como a primeira grande tomada de consciência dessa inte-lectualidade negra, ainda que não houvesse o documento produzido, naocasião, a repercussão desejada pelos seus autores. Somente mais tardevindo a firmar-se uma nova liderança no seio desse grupo, tomando por  base uma outra publicação, esta surgida nos anos 1934/35 — o jornal  L’étudiant noir  , dirigido por Aimé Césaire, Léon-Gontran Damas eLeopold Sedar Senghor, expoentes de uma renovada rebeldia, que iriaassumir, depois, forma clara e definida, e transformar-se, afinal, emmovimento capaz de posicionar-se, de modo decisivo, na história dasliteraturas em língua francesa.Mas que será, afinal, a negritude? A dificuldade de defini-la, per-siste, ainda que já se tenha passado muitos anos desde o seu surgimento.Senghor tentou dar-lhe um conteúdo que ultrapassasse limitações étni-cas e lhe propiciasse dimensões universais. Dela afirmou, então, ser umanova maneira de ver e entender o mundo, um certo tipo de “existencialis-mo”, uma filosofia “enraizada na Terra-Mãe, que desabrocha ao sol daFé e pressupõe presença na vida.... no mundo.... participação do sujeitocom o objeto.... comunhão do Homem com as forças cósmicas, do Ho-mem com os outros homens.... e, além disso, com tudo o que existe, doseixo à Deus”. 2  Visão e entendimento esses, cheios de um sentimentointenso de panteísmo, diverso, contudo, do de Espinoza, que, segundoSenghor, brota, por necessidade vital, de dentro de cada negro que sedispõe a contrapor, aos valores “brancos” que lhes foram impostos por uma educação que sempre visou, de modo claro, sua assimilação cultu-ral, seus próprios valores — “valores negros”, portanto — entre eles,uma maneira própria de ver e sentir o mundo em volta, reconhecidos eafirmados por Senghor, como parte integrante de cada negro, podendo-se deles até dizer serem carne da sua própria carne. Será este, então, omomento de relembrar os versos flamantes de Birago Diop, poeta e con-tista senegalês, que participou, também, em certo momento, da redaçãoe direção do jornal  L’étudiant noir: 2 Citado por Wilfried Feuser,  Aspectos da literatura do mundo negro , Salvador, UniversidadeFederal da Bahia, Centro de Estudos Afro-Orientais, 1969, p. 42.
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